Quão bom é pegarmos as cinzas do passado
E usarmos sobre elas a alquimia do amor
Transformando-as em poesia
Posto o que já é cinza não nos queima mais
Então porque fazer disso uma mágoa?
Espalhemos as cinzas com leveza
Desatemos os laços do passado
Deixando que seja levado aos ventos
Para colhermos paz e amor
Plantemos pitadas de doçura
Sobre as energias negativas
É cansativo demais
Ocupar nossos corações
Com coisas que não mudam
Com pessoas de espírito pequeno
Olhemos os gomos do tempo
A beleza de um entardecer
A majestade de um amanhecer
São linhas tão rápidas
Tão diferentes
Nunca as mesmas!
Espaços de luz e sombras
Que condicionam todo o esplendor
A suntuosidade dos intervalos
Saibamos aproveitar o néctar!
O sabor está na transição
A vida continua... ensina-nos
Tudo muda!
Acreditemos que podemos
E devemos fazer diferente
Melhor...
Sem medos
Com a alma leve
Renovada!
Com o coração aberto
Espalhemos as folhas do outono
Aproveitemos os espaços do tempo
O importante é caminhar
Continuar a travessia
Abrirmos os braços ao que está por vir
Semeemos hoje as sementes
Para colhermos as flores do amanhã
Da primavera que há de chegar.
Amo como criança
De jeito simples
rasgado
Sem medo
Sem segredo
Amo de olhos vidrados
Sem restrições
Sou criança crescida
Que ainda chupa pirulito
Masca chiclete
Fazendo caras e bocas
Estourando bolhas no rosto
Mas não deixo de crescer
Sai a criança
Chega a mulher
A esposa
mãe
Companheira...
Cheia de cuidados
De amor
Amando como
Mulher-menina que sou
ou
Menina-mulher
Não preciso entender
Só preciso amar como criança.
Nunca ache que já viu todas as cores de um jardim
A cada segundo haverá sempre um colorido diferente
Encantando os olhos da gente
Jamais pense que já viu todas as linhas do horizonte
Haverá sempre novas nuances
A surgirem num amanhecer... Num entardecer!
Preste atenção nos sinais...
Há sempre novos ventos a soprar
Há sempre novas chuvas a regar
Há sempre novos amores para amar
Sempre haverá novos sentimentos no fundo de um olhar!
Sou os nós da amarra
Desato um nó
Não há sossego
Desato outro
Não há sossego também
Sou o desassossego...
Tenho
Retenho
Eu e as outras
Sou única em muitas
Ou
Muitas em uma?
Cada qual pensa por si
Ou
Pensa por todas?
Talvez todas pensem
Por uma!
Sou templo entalhado
Transmutado
Por todas
Num corpo que dá forma
Que se perde
Que se encontra
Um retiro de mim
Sou o eco do espelho
Entretanto,
Há várias no reflexo
Espelhada
Coletânea de mim.
Há dias em que o meu silêncio é eco mais alto
Do grito que a minha alma pode dar
É o meu tempo de reestruturação...
Nesse momento respiro fundo
Não penso...
Desligo-me temporamente
Fico ali, olhar fixo
Olhando para dentro
Do espaço cinzento...
O fulgor já me é passado
A felicidade?
Está em algum lugar onde haja sol.
Com um certo amargor na boca
Vejo que o tempo passou rápido demais.
Restaram-me as lembranças
Um instantâneo para meus dias nublados
Fotografias tão presentes na minha memória
É nesse momento que reescrevo minha história
As imagens vão chegando
De algo ou de alguém que ascendeu as minhas cores
E uma espécie de centelha
Rasga-me o cinza melancólico
Numa paisagem simples
Que me ultrapassa a alma em cores bucólicas
Então ouço o eco do meu silêncio...
Ainda há tempo!
O céu nunca tem as mesmas cores
E as nuvens jamais permanecem num mesmo lugar.
Hoje celebro a doçura
Dentro e fora de mim
Com a tua chegada
Aprendi a apanhá-las e guardá-las
Hoje celebro a melodia
A canção da vida
Que brota das manhãs
Hoje celebro as coisas simples
Escorrem-me ao paladar
Em suaves gosto de mel
Hoje celebro a vida
Sinto-a plena...
É o tempo exato onde sou
Uma parte de um todo.
Sou nuances dividida
Sou a alva da madrugada,
O negro da despedida.
Sou o doce da paixão,
O salgado da desilusão.
Sou o despertar da vida,
A perda da ilusão.
Sou a alegria prometida,
A lágrima sentida.
Sou a alma desnuda,
A face em oculto.
Sou a emoção nascida,
O sentimento sepulto.
Sou dia iluminado de sol,
A noite escura sem lua.
Sou do porto seguro o farol,
O sem saída da rua.
Sou eu!
Sem eira e nem beira.
O plumo, o rumo.
Estranha sensação de ser.
Sou tudo, sou nada!
Sonhar é perfumar a alma,
É afagar o coração.
Sonhos que me acalentam os dias,
Sonhos que me invadem as noites.
Sonhos que vem e se vão...
Mas, nunca sonho em vão.
Há sonhos que me dão fé,
E faço deles minha oração.
Há aqueles sonhos adormecidos,
Esperando a redenção.
Também há outros tantos...
Que são mera ilusão.
E assim,
Os sonhos se alastram e crescem,
Feito flores, nos canteiros da minha alma.
Eles embalam tão suavemente meus dias,
Que me faz querer sempre mais...
Porque vivo de sonhos?
É o encontro da liberdade.
A menina que há em mim
Tem um sorriso distante
Que já sorriu pra mim
A menina que há em mim
Um dia bordou asas nas nuvens
E pela imensidão voou
A menina que há em mim
Tinha quase nada...
...tinha quase tudo.
A menina que há em mim
Esta por ai...
Na lembrança de um poema.
A caminhada às vezes pode ser longa e árdua
Porém, tenho essa vontade bonita de seguir em frente.
Às vezes meus passos vacilam e caio
Mas, no instante seguinte estou de pé.
Aprendo com a vida!
Hoje posso dizer com a mais absoluta certeza
Que sou grata pelos meus fracassos momentâneos.
Foram-me preciosas lições
O encorajamento para prosseguir caminhando.
Muitas coisas não saíram de acordo com meus planos
Entretanto, é a sábia experiência que a vida me oferece.
Quero que meus passos alcancem além...
... Do horizonte que meu olhar desenha.
Sigo flertando com o que a vida me presenteia
Não tenho uma bússola ou uma rota definida
Unicamente improviso...
... É assim que me permito sonhar!
Aprendi a me guiar com a alma
Preenchendo-a de coragem, estímulo, incentivo...
Por conta dos obstáculos que surgem.
Visto que eles me sobrevêm, a qualquer momento.
Esta é a minha vida à ser vivida
O verbo existir para mim não basta
Anseio muito mais! Quero absorver a vida.
E nessa caminhada aspiro a paz, a luz e a esperança.
Mas acima de tudo
Desejo topar com pessoas que me sejam doces.
...........................
(Pois cá dentro há muito espaço para as doçuras da vida)
Quando deixo o casulo...
A borboleta em mim prefere os cactos.
A perplexidade do ardor das cores,
Florescem ousadas,
Por entre as folhas reduzidas a espinhos.
Eu lhe sou grata...
Pelas vezes que teu olhar posou sobre mim
E você enxergou além do meu aspecto
Viu o melhor que posso ser...
O excepcional oculto pelo habitual
Pois as almas das flores não estão em seus ornamentos
E sim no perfume que deixa em nossas mãos.
Sou-lhe grata pela sua capacidade de permanecer...
Abraçando-me num laço transcendente
Equilibrando-me enquanto eu pendia para os lados
Porquanto eu caminhava em cima de um salto agulha
Enquanto o peso da depressão se abatia sobre mim
E a sua força me reinventava
Vazava-me aos poros
Tatuando em minha pele a esperança.
Sou-lhe grata por ficar ao meu lado
Dentro da minha solidão
Abrindo-me os olhos para a glória de mais um dia
Quando a minha vontade era de dormir e dormir.
Ensinou-me a resistir
Dando-me a resistência de um cacto no deserto
Que tem raízes profundas, indispensáveis à sua sobrevivência.
Fez-me compreender que eu poderia ter cores
Apesar da aridez que se estendia a minha frente.
Sou-lhe grata pela paz do sono...
Meu exílio, quando dentro de mim habitava o caos
E meus olhos fechavam
Adormecendo minhas lembranças!
Os sentimentos em "carne viva"
Meu labirinto pessoal, dentro e fora de mim.
Sou-lhe grata por ser meu espelho
Enquanto eu ensaiava um sorriso diante das dores.
Um ensaio cansativo
Pois era duro disfarçar uma tristeza que persistia
E persistia...
De olhares mais atento
Onde estavam eles?
...
Porém com o tempo se aprende
A simular a máscara do disfarce
Diante das agruras da vida,
De um mundo despreparado para o sofrimento alheio...
E sorrio cada vez mais diante dos sorrisos retribuídos
Débeis, desinteressados, desabitados...
Máscaras e mais máscaras!
Cores em telas cinzentas?
Talvez... Quem sabe!
Falta de essência ou carência?
De amor, calor, solidariedade...
O mundo é uma ferida aberta.
Pode o meu sorriso julgá-los?
Não, acho que não...
Mas não vou mentir
E dizer que isso não me incomodava,
Ainda incomoda!
Mas aprendi que ficar de alma aberta
Dói bem mais que um sorriso mascarado
E que às vezes não vale a pena expor a minha nudez,
Pois nem sempre há olhos que possam me enxergar!
Sinto apenas olhares sob as minhas falhas.
Quero sentir também aquele olhar que me revela...
Os diferentes tons que me habitam,
O matiz da mulher que há em mim.
Olhares...
Semelhante ao olhar agraciado que me olhaste
Transluzindo-me através da minha tez,
Sobrepondo-se sobre a minha sensibilidade
Para o colorido que me habita
Apesar dos meus pesares.
Portanto sou-lhe grata por esse estado de graça.
Por esse mundo bonito que você me oferece...
Quando suas mãos pousam sob as minhas
E as repouso sobre as mãos do dono do mundo.
(Obrigado Deus meu!!!)
A saudade é uma presença,
A jornada a uma querença.
O manifesto, a existência.
Saudade é um sentimento,
Das coisas inatingíveis.
A comparência distante... a renascença.
Da sensibilidade a uma precedência.
A crença... Uma vivência.
Seria a saudades uma incoerência?
Depende da procedência...
Nau à memória.
Somos aterrados a nossa história.
Há dias em que acordo o poema dentro de mim
Em outros é o poema que me acorda.
E ativa a sensibilidade que me habita
Despejando-a pelos olhos...
Ela voa delicadamente e absoluta
Ao encontro de uma dança com o devaneio.
Descortina-me ao olhar a essência dispersa
E tudo me fascina no inteiro que me olha.
Há tanto do mundo no mundo
Que me desbloqueia a visão e transborda no olhar
Sempre num desabrochamento de poesia
Sem pressa me encanta e tira-me o fôlego.
Diante do olhar que nada esconde
Sinto a alma do mundo repleta
A encher-me os olhos de humildade.
O poema... Em sua plenitude
Tão único!
Ao ponto de não poder descrevê-lo
Ou pintá-lo em suas infinitas nuances.
Quem me vê com esse sorriso abraçando todo um mundo
Às vezes se engana…
Só aqueles que já despiram meus sentimentos
Tiveram a oportunidade
Quase sem querer
De enxergarem um tão explícito inverno
Desembrulhando-se por trás da minha face
Para alguns é bem mais fácil suporem…
Poxa como ela é feliz!
Apenas para ficarem com a boa impressão
Pela conveniência de não lhes terem aos olhos
Uma alma vulnerável...
Exposta a seus olhares indiferentes
Por que se importarem?
A ferida não lhes doe...
O sangue a escorrer-me não lhes tinge de escarlate
O mais perfunctório dos seus corações
E supostamente me retribuem o sorriso
Sem fitarem-me o olhar
E eu da minha parte lhes poupo de tal embaraço
Ao usar esse sorriso quase clichê no rosto.
Eu sei que não nos perdemos
Porém,
Estou buscando reencontrar todos os detalhes
Esquecidos, adormecidos cá dentro.
Ainda espero...
Sentir aquela antiga intensidade ao te ver
Quando o amor não me cabia nos olhos
E de mansinho se acomodava no fundo da alma.
Há mistura entre nossos passados
O seu se foi...
O meu ficou perdido no tempo
Aprendemos com nossos erros
E das mentiras que vivemos
Fizemos chão firme
Das palavras que nos feriram
Escrevemos poemas do ventre
Da alma
Viscerais...
Descrevendo a paz de um amor
De um amor em paz...
Cruzamos caminhos ditos impossíveis
Fizemos um mundo que nos faltava
Uma conquista dia a dia
E sobre ele
Difundimos-nos em mil pedaços
Ocupamos os espaços
Preenchemos as lacunas
Colamos os cacos
Espanamos as poeiras
Varremos as cinzas
Que ainda pairavam no ar...
E dos tempos vencidos
Tornamo-nos vencedores
Das cicatrizes marcadas em pele
E coração
Fizemos lembrete de paz
Nós
Que castigados pela dor causada
Respiramos aliviados
Nós
Que bravamente resistimos
Sob as tempestades mais cruéis
Entre sorrisos e lágrimas
Conquistamos o abrigo perfeito
Nós
Que um dia sonhamos
Seríamos...
...eternamente felizes
De novo
Mais uma vez
Novamente
Ficaram as marcas na pele
Os arranhões na alma
As dores no coração
E um lindo amor esquecido.
É margarida colorida
Mas na intensidade é rosa
Sim, essa sou eu.
Despindo-se da mulher contraditória...
A que tem a fortaleza no coração
E a fragilidade do mesmo
Aquela que é mais sonho que realidade
E porque não?
Sim...
Sou devaneio, intensa, imaginação, poesia.
Não sou a prudente, a que exala praticidade...
Sou a que chora filha da entardecida melancolia
Não me acerto com a exatidão
Mas sim com as indescritíveis emoções
Aquela que não aguenta se segurar por dentro
Sou o livro aberto, as páginas escritas com o coração
A história que se entremeia de sentimentos
Sensações a flor da pele, romântica incurável
Que machuca, dói e sangra as dores do mundo.
Porquanto sou lágrimas quando ferida, sou vulnerável
Sou presença, companheira e creio no amor profundo!
Não sei caminhar em linha reta, sem apego...
Meu caminho é assim: Imensidão...
Olhos que volteiam ao redor, cheios de afeição
Demasiadamente ternura, crença, pulsação
Olhar arisco em olhos ternos
Carrego um espírito bordado à mão...
... Ora dócil, ora selvagem em tez translúcida
Quem me conhece, me vê por dentro
Por vezes a voz terna entoa em grito
Um grito reprimido, contrito
Que às vezes revela uma mulher insegura
Com alma de criança pura
Sou a subjetividade da fé sem a teoria da religião
A que crê na imensidão de Deus, do caminho, da vida...
Sem explicação ou complexidade, mas facilmente concebida.
E eu sou simples assim... A palma da mão
Aberta, franca... Profusão.
Quero as palavras em asas de borboletas
A fim de que floresçam ousadas
Para fora dos pensamentos.
Sem fronteiras,
Sem limites e nem fim...
Entre sorrisos escancarados
E lágrimas choradas nas pontas dos dedos.
Quero as palavras como pétalas
Que se soltam
Em voo livre sem pára-quedas
E caem versos ou prosas
Sobre a aridez dos olhares sedentos.
Palavras são emoções em movimentos...
Deslizam fugazes como um sopro
Ou tempestivas como um ativo vulcão.
São traços, riscos,
Esboços de vidas
Revelando a concretude dos fragmentos,
Expostos na imensidão das letras!
Palavras em desalinho, cruzadas,
Inventadas,
Perdidas e achadas.
Palavras que salvam e condenam
Já nascem fecundas...
De primorosos contrastes e texturas
Cada qual com seu estilo.
Palavras imortais e infinitas
Nos versos do silêncio que não se cala
É aconchego de muitos sonhos
A fonte...
... A ponte
Entre o real e o imaginário
Dois princípios
Juntos a esse porto de abrigo
Quero palavras...
Que respiram.
Minha família é assim...
Coisas do coração
Essência unida,
De passado e presente nas mãos.
Às vezes a gente se diverge
Porém, nos reinventamos
E damos oportunidades para o perdão
Aquele perdão que faz brotar um sorriso manso,
Direto do coração!
Somos emoção.
Nossos ombros são grandes na hora de acalentar
A despedida, o choro...
No entardecer da saudade que se faz.
Também nos transbordamos em risadas
Com gosto de manhãs...
Aquelas manhãs escancaradas,
Que fazem o sol acordar por entre as nuvens.
Somos atos de fé, esperança...
... Calor, amor.
Temos laços sinceros...
... Ricos, eternos
Na presença, na ausência
Na espera e na chegada,
No inexato da vida
Pelas suas marcas deixadas...
Desde o inebriante nascimento de uma criança
Ao indelével vinco deixado por um adeus.
Minha família é assim...
Casa de portas e janelas abertas.