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Frases de Marcelo de Souza

9 frases

BATISMO DE FOGO Entre porres de bourbon e ressacas marinhas
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BATISMO DE FOGO Entre porres de bourbon e ressacas marinhas delirium tremens febres terçãs vestígios de naufrágios canteiros de martírios salmos, epifanias mosaicos de neon preso em teu labirinto entre fortes desde as maciças retas concretas de tua carnadura urbana às tenras curvas abstratas de tuas coxas mundanas dentro de ti – ai de mim! -, Copacabana fiz meu rito de passagem meu batismo de fogo: fiz-me homem menino poeta.

FESTIM Não tem salmão atum azul
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FESTIM Não tem salmão atum azul Gadus morhua na santa ceia deste poeta esfomeado e patife que chegue aos pés do meu filé de sereia que disfarçado em sardinha trago contrabandeado do doce mar do Recife.

MEA-CULPA Quando eu enfim desembarcar desta viagem -
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MEA-CULPA Quando eu enfim desembarcar desta viagem - pelo andar da carruagem, bem sei, não tardo - eis meu pesado fardo de pesares culpas remorsos arrependimentos: não ter aprendido a dirigir, nadar, dançar tocar um instrumento não deixar herdeiros nem legado (além de um punhado de poemas inacabados planos frustrados sonhos interrompidos) ter magoado fulana, que não merecia ter ofendido beltrano, e não me desculpado ter amado sicrana, sem ter sido amado… Mas deveras hei de partir de coração partido só por te haver jurado amor eterno, e não cumprido.

AUTO DA DANAÇÃO Já sob a densa treva sepultado em minha sombria jornada rumo ao Érebo
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AUTO DA DANAÇÃO Já sob a densa treva sepultado em minha sombria jornada rumo ao Érebo com esses olhos em frangalhos que a hora inexorável urge em comer por Zeus (ou por Hades), eu hei de ver minh’alma tão patética enfim se rebelar reivindicar seu salvo-conduto seu direito de ir e vir e arrancando, de profundis do corpo inerte que já não habita, um resquício de vida num suspiro derradeiro pela oca boca cadavérica inda atrevida às margens do Aqueronte desafiar da Morte o austero barqueiro vociferando, prenhe de indignação minhas póstumas palavras de ordem: Ei, Caronte! Seu velho escroto! Não pago um óbolo p’ra viajar nesse esgoto. (*) Inspirado pelo Movimento Passe Livre.

MENINA DOS MEUS OLHOS Menina de olhos risonhos de fada, de querubim,
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MENINA DOS MEUS OLHOS Menina de olhos risonhos de fada, de querubim, meus olhos são tão tristonhos, me ensina a sorrir assim. Menina de olhos tão doces, tão castanhos, tão profundos, ah, quem me dera, se eu fosse seu dono, por um segundo! Menina de olhos aflitos, perdoai, pelo amor de Deus, se encaram-te assim, tão fitos, meus negros olhos ateus: já são devotos contritos, de joelhos, aos pés dos teus.

ANTIMUSA Com seus olhos de incrédulo voyeur, minha poesia, Ávida, viu, menina, ao que passavas, tanta graça
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ANTIMUSA Com seus olhos de incrédulo voyeur, minha poesia, Ávida, viu, menina, ao que passavas, tanta graça Sorrir-se-lhe, que desde então, dia e noite, me arrelia, Sempre em segredo pondo-se a esperar-te. E, por pirraça, Impregna-me a lira de saudade e, em lenta agonia, Até morre – ah, poesia mais caprichosa! -, se não passas.