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Frase de Marcelo de Souza

AUTO DA DANAÇÃO Já sob a densa treva sepultado em minha sombria jornada rumo ao Érebo com esses olhos em frangalhos que a hora inexorável urge em comer por Zeus (ou por Hades), eu hei de ver minh’alma tão patética enfim se rebelar reivindicar seu salvo-conduto seu direito de ir e vir e arrancando, de profundis do corpo inerte que já não habita, um resquício de vida num suspiro derradeiro pela oca boca cadavérica inda atrevida às margens do Aqueronte desafiar da Morte o austero barqueiro vociferando, prenhe de indignação minhas póstumas palavras de ordem: Ei, Caronte! Seu velho escroto! Não pago um óbolo p’ra viajar nesse esgoto. (*) Inspirado pelo Movimento Passe Livre.

Marcelo de Souza

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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ANTIMUSA Com seus olhos de incrédulo voyeur, minha poesia, Ávida, viu, menina, ao que passavas, tanta graça
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ANTIMUSA Com seus olhos de incrédulo voyeur, minha poesia, Ávida, viu, menina, ao que passavas, tanta graça Sorrir-se-lhe, que desde então, dia e noite, me arrelia, Sempre em segredo pondo-se a esperar-te. E, por pirraça, Impregna-me a lira de saudade e, em lenta agonia, Até morre – ah, poesia mais caprichosa! -, se não passas.