Frase de Marcelo de Souza
AUTO DA DANAÇÃO Já sob a densa treva sepultado em minha sombria jornada rumo ao Érebo com esses olhos em frangalhos que a hora inexorável urge em comer por Zeus (ou por Hades), eu hei de ver minh’alma tão patética enfim se rebelar reivindicar seu salvo-conduto seu direito de ir e vir e arrancando, de profundis do corpo inerte que já não habita, um resquício de vida num suspiro derradeiro pela oca boca cadavérica inda atrevida às margens do Aqueronte desafiar da Morte o austero barqueiro vociferando, prenhe de indignação minhas póstumas palavras de ordem: Ei, Caronte! Seu velho escroto! Não pago um óbolo p’ra viajar nesse esgoto. (*) Inspirado pelo Movimento Passe Livre.
No pensador.ai desde