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Frases de Marcella Tavares Saraceni

40 frases

⁠Poetas e melancolias dividem a mesma cama a tempos - isso não é mesmo nenhuma novidade
Eu poderia ser mais equilibrada Mas fui criada solta na cidade e vi de tudo Estive com a burguesia e sua mesa farta de lamentações
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Eu poderia ser mais equilibrada Mas fui criada solta na cidade e vi de tudo Estive com a burguesia e sua mesa farta de lamentações E com os oprimidos que celebravam e bebiam seus instantes de glória Eu disse para mim o que era certo ou não E tantas vezes errei Mas carreguei nas costas o peso das escolhas que fiz Já culpei meus pais por ausência e ex namorados por falta de paciência Hoje me dispo de mágoas, permaneço em frente ao espelho e aceito que tudo sempre foi reflexo Tudo Ponho a mesa para minhas sombras sabendo que elas não chegarão sozinhas Trazem também a luz que me habita Estão sempre juntas e não desistem de mim Abraço a enormidade complexa e tão simples e diabólica que sou Acarinho meu passado, danço com o presente e sorrio para o futuro distante Se me sinto julgada percebo que a juíza está em mim As vezes esqueço meu poder e me escondo embaixo do cobertor de ilusão Mas quando saio vejo a frase de batom no meu espelho: “Você é incrível” Eu sou Incrível errante da peça da vida Somos todos artistas Minha tia cismava que eu seria atriz E sou Encarnei minha vida como a história única que é Não quero ser ninguém que não eu Quando penso quão difícil é existir Olho novamente sobre outra perspectiva e me (re) encanto Sou privilegiada Sou abastada de questões e embora isso pese, É parte integrante e indissociável do meu personagem-ser Aceito todos os tropeços, as palavras não ditas, as repetitivas Não finjo mais ser o que não sou As vezes sim, é verdade Dói ser o que se é e ainda não assumo todos os meus desencaixes Que são muitos E está tudo ok Encaro como a oportunidade de ser um outro alguém Só não posso me apegar ao personagem Sempre amei histórias As primeiras edições são tão cruas Tudo que escrevi foram rascunhos do que existe hoje Mas o conteúdo é o mesmo com parêntesis e correções: A alma humana imoral As insignificâncias As ânsias E o culto ao direito de errar Não sinto nem aceito pena Estou aberta e jogada ao mundo Tudo pode me habitar

⁠Ei, você Por que esse medo de cair Por que esse nó no teu estômago se desde que veio a este mundo
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⁠Ei, você Por que esse medo de cair Por que esse nó no teu estômago se desde que veio a este mundo tudo o que mais fazes é cair Você que se expõe às beiras das alturas que conhece a cor da rota para o abismo você que se estilhaça que se transfigura as vezes caminha torto até o próximo buraco da próxima esquina por que o medo da queda Eu sei o que você leva eu lembro o quanto caminhou por estradas em que nunca te disseram se eram seguras eu lembro as porradas os abusos a liberdade extrema e a opressão Eu vejo as dores que carrega dentro de esconderijos como o apêndice que é esquecido até que dói também vejo as luzes a poesia o amor que transportas por todas as células Te agradeço por ter suportado tanto o que tantas vezes não aguentei mas sabe na verdade sim porque ainda sou parte de ti precisamos nos alinhar Olha quero te dizer que sei que tens uma outra inteligência além da minha e prometo ouvi-la cada vez mais sutilizar a existência dessa alma que te habita para que possas sempre dançar por aí sem mim deixar que fale a tua linguagem Te agradeço também por ser morada leve e aquecida ainda nas maiores tempestades Quando quiser Cai É seguro

⁠aquela época em que pensamos em escrever cartas à alguém Já chegastes a ver alguma vez esses pequenos seres brilhosos que fazem do mar um grande céu estrelado? S- p-i-r-o g-i-r-o
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⁠aquela época em que pensamos em escrever cartas à alguém Já chegastes a ver alguma vez esses pequenos seres brilhosos que fazem do mar um grande céu estrelado? S- p-i-r-o g-i-r-o Eu virei o ano mergulhando nua na água cósmica da costa verde pensava que podia ser a onda do sintético porque eles colam no corpo da gente e viram parte é psicodélico Ver a festa de fora também sombras que dançam e comemoram que o amanhã vai chegar e tudo pode mudar mais uma vez ufa respiro fundo nessa esperança Lembranças passam como os spiro giros Estou muito presente na companhia da Malu Mas inevitavelmente eu penso nas ondas que me acertaram como mergulhei muito fundo esperei a espuma passar boiei depois da ressaca Quantas vezes você morreu esse ano? Eu parei de acompanhar depois que enterramos nós duas

⁠Eu queria, algum dia, habitar o espaço onde minhas memórias estão guardadas Eu queria entrar nesse lugar onde minhas experiências dançam juntas e pairam no ar Queria acessar a imensa biblioteca dos livro que li
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⁠Eu queria, algum dia, habitar o espaço onde minhas memórias estão guardadas Eu queria entrar nesse lugar onde minhas experiências dançam juntas e pairam no ar Queria acessar a imensa biblioteca dos livro que li Olhar a tela onde passa o compilado de tudo que vi Eu queria enterrar meus pés na mistura dos solos em que já pisei Mergulhar no oceano das águas que penetrei E nos olhares em que me afoguei Eu queria estar no infinito dos abraços que já troquei E acessar o arquivo da verdade que rasguei Eu queria tocar o rosto formado por todos que amei E a poesia criada pelas palavras que vomitei Eu queria reaprender o tanto que esqueci Descobrir o aroma dos cheiros que senti E em uma dimensão sem tempo renascer no que já vivi Eu queria encontrar onde todos os caminhos se convergeram E acordar os sonhos que adormeceram Estar na papila degustativa das primeiras refeições E pairar no vento sublime guiado pelas canções Eu queria navegar À luz do meio dia Rumo à cidade vazia Da Eutopia

⁠Beleza delicada Energia carnal Sabe que é uma Deusa
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⁠Beleza delicada Energia carnal Sabe que é uma Deusa E tambem um animal Pantera que me adentrou na mata Em minhas cavernas profundas Viu a noite mais escura E ali ficou intacta Compartilhamos o salgado gosto De lágrimas e saliva Trocamos de pele Rasgamos a carne Lambemos as feridas Bruxa cigana Teu corpo é fogo Não te quero só na cama Mas no meio da mata E no meio do povo Eu sei que te excita E adoro tudo que é novo Mergulho em tuas dores Abraça minha solidão Somos feras com asas Sem medo de tirar os pés do chão De mergulhar profundo De pisar em brasa De penetrar o olhar Com você aprendi a me amar Mais um pouquinho… E a identificar Cada pedacinho De você em mim De mim em você Você em mim Eu em você Sementes solares Almas elementares Mulheres de resistência Dançando juntas Em mais uma existência

⁠o sonho oxigenado em uma realidade asfixiada Lhe escrevo hoje uma carta de liberdade. Onde ultrapassamos a barreira da materialidade e pairamos como aves voadoras no todo.
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⁠o sonho oxigenado em uma realidade asfixiada Lhe escrevo hoje uma carta de liberdade. Onde ultrapassamos a barreira da materialidade e pairamos como aves voadoras no todo. Nossos cabelos se misturam ao vento e os corpos se camuflam às paisagens. Temos olhares animais e toques sutis que quando se encontram, fundem-se formando portais. Somos povos de pedra com espíritos de planta. Damos origem à outros seres feitos de energia sem forma. Rodopiamos nas espirais e adentramos as cores do arco íris. O mundo é feito à imagem e semelhança do que criamos. Nossa linguagem é o sentimento cristalino, livre de dicotomias, pleno em se saber completo em seus polos. Todos os elementos nos sorriem pela alma do Universo. Desconhecemos barreiras, é o puro astral que nos carrega. Nosso fluxo é o natural. O que nos mantém vivas é a vida de tudo. Enxergamos o fio dourado que nos permeia e segue tecendo a existência infinita e seus fenômenos. Ainda respiramos. O ar divino que não tem densidade. Sem pressa e em outro tempo nos movemos pelas vibrações: através das alquimias que transformam, unem opostos e se fundem. Habitamos na correspondência dos planos e no transbordamento dos espaços.

⁠A mulher da missa Tem as orações decoradas Pergunte a reza do santo tal
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⁠A mulher da missa Tem as orações decoradas Pergunte a reza do santo tal Sobre casamento ela fica calada Condena as que por ela passam Não são senhoritas recatadas A mulher da missa Do padre é grande amiga Exige respeito de todos Pois não é uma rapariga Mas quando ajeita o vestido comprido Deixa à mostra a cinta-liga * escrita em 2008 *

⁠Louca sem razão Amante pagã Sozinha sem lei
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⁠Louca sem razão Amante pagã Sozinha sem lei Eu não te peço nada Nada Além desse seu rostinho lindo Desse sorriso abusado Que me faz acreditar Que as coisas boas sempre vem Depois do meu embriagar Sei que não sou o que sonhas E nem quero ter esse fardo pesado Meu bem, entenda Eu não te peço nada Além da tua presença Para me fazer crer na beleza E querer ficar sóbria Para te observar No entanto esse momento é tão passageiro Essa coisa toda é tão fugaz Que eu nem sei mais E bebo para lembrar o que já esqueci

c⁠aminha pelo mar de provações lentamente suavemente encara a raiva que lhe habita e aceita
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c⁠aminha pelo mar de provações lentamente suavemente encara a raiva que lhe habita e aceita traz o peso nas costas do feminino machucado recalcula a rota da vida profetiza palavras do coração sonha um sonho que não sabe carrega a força que não enxerga ilumina o que não acredita finalmente se ama se perdoa abraça sua criança ferida quer caminhar feliz e leve quer se curar registra por vários meios - escreve sua própria história

⁠Na lua a gente se olha E se sente A gente conversa
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⁠Na lua a gente se olha E se sente A gente conversa E é compreendido Ou acha que é Olhei para a lua ontem Procurando alguma coisa Um ponto perdido Uma resposta mal encaixada Um porque Ela nada me disse Desconfio que se espantou comigo Pois se empalideceu Outro dia Outra manhã Olhei para o céu e lá estava ele Quase me derruba com tanta energia (((((( B A N H O D E S O L )))))) Chovia respostas Até para as perguntas Que eu não conhecia

⁠Quando fecho uma porta Nao volto Muitos dizem
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⁠Quando fecho uma porta Nao volto Muitos dizem Radical Eu prefiro chamar Superstição Na duvida Nao volto Sei do imenso Corredor Que existe E prefiro a incerteza Do desconhecido À certeza Do que ja foi visto Mudar o destino Rasgar o roteiro Sair pela janela Deixar que a vela Queime o pavio Que a agua escorra Até fazer barulho de ralo Consumir tudo até o talo E ainda que faça frio Congelo Nao volto ao passado aquecido

⁠ A barca que me leva Pelo mar de impermanência
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⁠ A barca que me leva Pelo mar de impermanência É meu instinto de vida O que me salva é querer estar muito viva Para errar tanto quanto me for permitido Que me tirem tudo Estou agarrada até o último suspiro Ao meu direito de amar e errar Minha grande pretensão de vida: Ser amor sem regras

⁠O que o espelho mostra É uma imagem que construo Dessa carcaça que peguei emprestada
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⁠O que o espelho mostra É uma imagem que construo Dessa carcaça que peguei emprestada Vou devolver com a etiqueta de frágil rasgada E cheia de marcas Não vieram instruções na embalagem Investigo e uso à vontade Antes que seja tarde O que o espelho não mostra As vezes vejo As vezes não As vezes veem As vezes criam As vezes some O que o espelho não mostra Eu sinto Está aí dentro dessa carcaça Assim como em qualquer desgraça E numa garça Distante Que faz como tudo que é real - Passa

Seguro um pedaço de pão pingando azeite sobre a folha Olhando de cima para ela como se quisesse dar-lhe forma Criar para ela um corpo
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Seguro um pedaço de pão pingando azeite sobre a folha Olhando de cima para ela como se quisesse dar-lhe forma Criar para ela um corpo - Consigo visualizá-la - Chupo os dedos e pego o lápis Escrevo no papel com gota de gordura Minhas palavras tem fome - Elas não são light

⁠Sempre ouvi que deveríamos dizer “sim” para a vida De lá para cá aceitei de um tudo: Convites para aniversário de cachorro
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⁠Sempre ouvi que deveríamos dizer “sim” para a vida De lá para cá aceitei de um tudo: Convites para aniversário de cachorro Inauguração de prédios comerciais Comidas com coentro E presenças vazias Sem mencionar que nada daquilo me apetecia Quando decidi, um dia, caminhar na contramão Decretaram proibida qualquer negação Desde então reviro os olhos Cruzo os braços, bato os pés Giro a cabeça para a direita e esquerda Faço o movimento de parabrisa com os dedos Deixo o corpo imóvel, estatelado E discordo sem o uso da palavra Durante as frases ainda é difícil deixar de mencioná-la e corro o risco do exagero quando a substituo por “jamais”, “negativo” ou “nunca” Mas quando preciso verbalizar deixo que meu corpo fale e a carrego na testa. Só é imperceptível para aqueles que querem ver

⁠A vida bate A gente volta A vida bate
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⁠A vida bate A gente volta A vida bate A gente volta A vida bate A gente volta A vida é uma mola As vezes uma gaiola A gente sendo passarinho Abre a gaiola e vai fazer ninho Avoa por todo lugar Aterrisa onde se aprendeu a voar Aí a vida mostra que a gaiola é a mente A gente aprende A voar sem hora Para fora da gente Até que a gente começa A voar conforme o vento A parar de contar tempo A viver sem tanta pressa A vida ensina A hora que cada voo termina As vezes acaba em rima As vezes damos meia volta A gente recomeça por onde solta - A vida é uma mola