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Frase de Marcella Tavares Saraceni

⁠Sempre ouvi que deveríamos dizer “sim” para a vida De lá para cá aceitei de um tudo: Convites para aniversário de cachorro Inauguração de prédios comerciais Comidas com coentro E presenças vazias Sem mencionar que nada daquilo me apetecia Quando decidi, um dia, caminhar na contramão Decretaram proibida qualquer negação Desde então reviro os olhos Cruzo os braços, bato os pés Giro a cabeça para a direita e esquerda Faço o movimento de parabrisa com os dedos Deixo o corpo imóvel, estatelado E discordo sem o uso da palavra Durante as frases ainda é difícil deixar de mencioná-la e corro o risco do exagero quando a substituo por “jamais”, “negativo” ou “nunca” Mas quando preciso verbalizar deixo que meu corpo fale e a carrego na testa. Só é imperceptível para aqueles que querem ver

Marcella Tavares Saraceni

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Pensador.com

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Outras frases de Marcella Tavares Saraceni

Vi o fio da vida sendo tensionado: De um lado o corpo, o tempo, o esgotamento. Do outro uma mente que sente
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Vi o fio da vida sendo tensionado: De um lado o corpo, o tempo, o esgotamento. Do outro uma mente que sente e o apego. Eu vi a pressão formada no centro pelos extremos da mesma coisa. Até o fio se romper. E enfim voltar a ser.

⁠A mulher da missa Tem as orações decoradas Pergunte a reza do santo tal
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⁠A mulher da missa Tem as orações decoradas Pergunte a reza do santo tal Sobre casamento ela fica calada Condena as que por ela passam Não são senhoritas recatadas A mulher da missa Do padre é grande amiga Exige respeito de todos Pois não é uma rapariga Mas quando ajeita o vestido comprido Deixa à mostra a cinta-liga * escrita em 2008 *

⁠o sonho oxigenado em uma realidade asfixiada Lhe escrevo hoje uma carta de liberdade. Onde ultrapassamos a barreira da materialidade e pairamos como aves voadoras no todo.
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⁠o sonho oxigenado em uma realidade asfixiada Lhe escrevo hoje uma carta de liberdade. Onde ultrapassamos a barreira da materialidade e pairamos como aves voadoras no todo. Nossos cabelos se misturam ao vento e os corpos se camuflam às paisagens. Temos olhares animais e toques sutis que quando se encontram, fundem-se formando portais. Somos povos de pedra com espíritos de planta. Damos origem à outros seres feitos de energia sem forma. Rodopiamos nas espirais e adentramos as cores do arco íris. O mundo é feito à imagem e semelhança do que criamos. Nossa linguagem é o sentimento cristalino, livre de dicotomias, pleno em se saber completo em seus polos. Todos os elementos nos sorriem pela alma do Universo. Desconhecemos barreiras, é o puro astral que nos carrega. Nosso fluxo é o natural. O que nos mantém vivas é a vida de tudo. Enxergamos o fio dourado que nos permeia e segue tecendo a existência infinita e seus fenômenos. Ainda respiramos. O ar divino que não tem densidade. Sem pressa e em outro tempo nos movemos pelas vibrações: através das alquimias que transformam, unem opostos e se fundem. Habitamos na correspondência dos planos e no transbordamento dos espaços.

⁠Beleza delicada Energia carnal Sabe que é uma Deusa
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⁠Beleza delicada Energia carnal Sabe que é uma Deusa E tambem um animal Pantera que me adentrou na mata Em minhas cavernas profundas Viu a noite mais escura E ali ficou intacta Compartilhamos o salgado gosto De lágrimas e saliva Trocamos de pele Rasgamos a carne Lambemos as feridas Bruxa cigana Teu corpo é fogo Não te quero só na cama Mas no meio da mata E no meio do povo Eu sei que te excita E adoro tudo que é novo Mergulho em tuas dores Abraça minha solidão Somos feras com asas Sem medo de tirar os pés do chão De mergulhar profundo De pisar em brasa De penetrar o olhar Com você aprendi a me amar Mais um pouquinho… E a identificar Cada pedacinho De você em mim De mim em você Você em mim Eu em você Sementes solares Almas elementares Mulheres de resistência Dançando juntas Em mais uma existência