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Frases de LJ Nhantumbo

35 frases

Nunca deixei de gritar por não ser escutado Nunca desisti por não estar acompanhado Nunca mudei a escrita por não ser compreendido
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Nunca deixei de gritar por não ser escutado Nunca desisti por não estar acompanhado Nunca mudei a escrita por não ser compreendido Nunca em meus escritos citei um verso ouvido Nunca pensei em lucrar com o RAP que faço Nunca falarei mal de alguém para ganhar espaço Nunca falei bobagens para versos rimarem Nunca farei música para miúdas dançarem Nunca lamentei da vida sem antes trabalhar Nunca deixei de sonhar em arquitetar Nunca propositei erros por ser imperfeito Nunca consciente mostrei o meu defeito Nunca por falta de guita arranquei carteira Nunca por sofrer «bulling» abandonei a carteira Nunca por falta de ideias escrevo besteira Nunca a minha Mãe sofreu com a minha asneira Nunca saí á rua para criar um inimigo Nunca deixei-me influenciar por um amigo Nunca para ser acarinhado divulguei meu segredo Nunca do trabalho tive medo, sempre acordo cedo Nunca a minha realidade escondi com mentiras Nunca dei nem darei sangue a miúdas vampiras Nunca levantei mão a nenhum adulto Nunca por ser miúdo agi como um puto Nunca respeitei a cara de quem me fala pelas costas Nunca rompi amizades por partilhar ideias opostas Nunca tatuarei o nome de uma mulher em minha pele Nunca dirigi-me mal inspirado com a caneta no papel Nunca procurei mentir para ganhar a razão Nunca quem elogiou-me apertou-me a mão Nunca irei a palhota pedir uma mansão Nunca me faltará pão tenho profissões na mão.

Das paredes orgânicas da minha progenitora Tanta coisa se passou, minha memória não ignora Quatro quilos e duzentos gramas quando cheguei cá fora
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Das paredes orgânicas da minha progenitora Tanta coisa se passou, minha memória não ignora Quatro quilos e duzentos gramas quando cheguei cá fora Bebé saudável e passei pela incubadora Noventa e quatro é o ano, Agosto se não me engano Hospital Central de Maputo, parto cesariana Mãe crente, de uma família carente Dono do feto ausente, conheci o amor materno somente Filho único educado a respeitar não pelos bens Respeitas-me, respeito-te, não pelo que tens Brincava na rua das sete às dezassete Com os amigos, descalços, sem camisete Luta punho a punho, não havia canivete Conversas cara a cara, não tínhamos internet Ao anoitecer, telejornal, novela e cama Mata-bicho pão com «badjia» raramente havia Rama Cresci a jogar tétulas, não tinha Super-Mário Carrinhos de arrame, sem bolo no aniversário Fiz um rolamento, chamaram-me engenhoca Bilhares de papelão, minha imaginação era louca Época de férias metia o pé até a praia Nunca sozinho sempre com amigos da mesma laia Nando e Hipólito, Lima, Acácio e Caló Companheiros de infância nunca estivemos só Fazíamos casinhas, brincando de Papá e Mamã Todos disputávamos para o papel de Papá Diferente de uns, nunca fui a creche Aprendi sozinho a não mexer o que não se mexe O vício pelo dinheiro não bateu a minha porta Mas a necessidade sim, o motivo pouco importa Comecei a vender sucatas ao pé do cinema «Charlote» Semanalmente tinha que conseguir outro lote A rua foi a escola, meus amigos os meus docentes Meus familiares próximos também estiveram presentes Na construção da personalidade e na minha educação Palavras não bastam, agradeço-vos de coração Por cada lição dada com dedicação Por cada punição a cada má acção Por cada correcção, por cada «sim» e «não» E por tudo que não posso dizer nesta ocasião.

Tenho metade da idade de um adulto de meia-idade Vivo no centro da cidade, no seio da maldade Estudo na universidade, digo com dignidade
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Tenho metade da idade de um adulto de meia-idade Vivo no centro da cidade, no seio da maldade Estudo na universidade, digo com dignidade Frequento com regularidade participo de toda actividade Fiz algumas amizades com colegas de carteira Cultivei afinidades assim mesmo na brincadeira Com diferentes realidades e a mesma financeira Potenciais capacidades adormecidas na carteira Na minha comunidade a situação é igual Integrados na sociedade construindo o capital Conformados pela mediocridade imposta pela Moral E é trocada a sagacidade pelo maldito metical A nossa honestidade é compensada pela pobreza E os iníquos de verdade beneficiados pela riqueza Onde está a tal divindade que criou a natureza? Abandonou a humanidade e deixou-nos na incerteza Eu não perdi a sanidade, não se juntei aos ateus Retorqui com seriedade a existência de um deus E como não é novidade, nem os cristãos e judeus Mostraram plausibilidade e apedrejaram-me como Galileu Com esta agressividade dei basta a religião Passei a tomar responsabilidade de toda a acção Hoje recorro a criatividade para auto-superação Enfrentando dificuldades sem recorrer a oração. Sei que a malícia é o bem que beneficia o mal O mau é alguém que cogita o tal O Homem é o ser que se diz racional Mas é difícil perceber se esse dizer é geral Somos feitos de defeitos, perfeitos imperfeitos Somos todos sujeitos ao engano nos feitos Sujeitos insatisfeitos, seres malfeitos Parasitas já eleitos pelos nossos eitos Somos a tal criação a imagem do criador Será que merece veneração no seio de tanta dor? A minha é que não, fartei-me deste impostor Sem nenhuma compaixão, incapaz de exprimir amor Anos e anos cegado pelo senso comum Todos meus planos, não interveio em nenhum Inúmeros humanos submetidos ao jejum São os mesmos manos que caem um a um Sem razão ou motivo nascido nesta desgraça Como homem nocivo estrangulado pela própria raça Digo: deus não está vivo, se está, é uma farsa Sendo mais pejorativo nunca existiu Arca de aliança Na Arquibancada Céptica que há tempos critiquei Mas a cada dialética repenso o que falei Não me leves a mal irmão se te decepcionei Mas o Pai celestial morreu e eu o enterrei.

Olá velho amigo, como tem passado? O mesmo comigo mas o dobro deste lado Quero falar consigo tudo que me tem frustrado
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Olá velho amigo, como tem passado? O mesmo comigo mas o dobro deste lado Quero falar consigo tudo que me tem frustrado Há tempos que não consigo, de hoje não passo calado Já há muito tempo que corremos ao vento É chegado o momento do nosso rompimento O tempo que durou, passou muito lento E tudo que ficou foi só, dor e lamento Fartei-me de si e da nossa convivência Quase tudo que perdi deve-se a sua existência Se continuares aqui, partimos para violência Hoje expresso-me assim porque perdi a paciência Tu és má companhia, sem nenhuma virtude Antes que vires fobia e eu me desiluda Hoje é o dia em que tomei atitude De escrever em poesia o quanto me prejudicas a saúde Apoderaste-me devagar, como qualquer vício Me fizeste acreditar em um mundo fictício Ilusão e decepção, conheci desde o início Quando o nosso laço de união se mostrou vitalício A nossa triste relação isenta de cumplicidade Tatuada no coração com uma suave agressividade Deu origem a solidão e uma porção de insanidade Mergulhei nesta escuridão com uma longa vitalidade. Ambos somos crescidos com ideais desenvolvidos Os meus mais passivos e os seus compulsivos Enxerga-te caca, somos polos repulsivos Tchau, «bye» e tatá, sem tratados ponderativos Foi quando criança que ficamos conhecidos Ainda na lembrança carrego feitos mal sucedidos Comos os passos de dança, há tempos adormecidos Arrancaste-me a confiança para vivermos escondidos No rosto a confiança e o receio na mente No dedo a aliança, no pescoço a corrente No sonho a abastança mas a mão é dormente E todo pendular na balança, causas tu, praticamente Preciso de espaço, liberdade de agir E um verdadeiro abraço para nunca desistir Nem se for um pedaço é muito para progredir Pouco a pouco, passo a passo, em mim deixarás de existir Essa promessa te faço pois sei que vou conseguir Romper de vez este laço que tanto tentas impedir Ciente que o tempo é escasso e o final está por vir Quebrarei até o aço se estiver a interferir Ciente que não estou só quando vou dormir Caem-me lágrimas de dó ainda ao se despir Cubro-me com dominó e começo a reflectir (Será que ato o nó?) tenho medo de decidir.

Existo e sou real não me descrimine Acelero a morte de quem não se previne Sou mortífera, criação da ciência
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Existo e sou real não me descrimine Acelero a morte de quem não se previne Sou mortífera, criação da ciência Carnívora, tiro-te a existência Não tenho estrutura, não tenho aparência Não tenho moldura, não tenho clemência A escala decimal, reduzo sinais vitais Responsável desse mal Transforma vidas em restos mortais. Existo e sou real não me descrimine Sou mais penal que qualquer crime Te agrado, sou o pior veneno Se propago e ganho mais terreno. Existo e sou real não me descrimine Sou mais penal que qualquer crime.

De oitenta e um à noventa e um Foram dez anos que não houve jejum As mentes trabalhavam, reportavam o que importava
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De oitenta e um à noventa e um Foram dez anos que não houve jejum As mentes trabalhavam, reportavam o que importava Se inspiravam no que observavam, educavam quando repavam As cabeças abanavam ao «boom-bap» que tocava Os ouvintes imitavam o artista que apresentava Na rua, no palco, onde quer que se encontrava Ao sol, a lua, o MC improvisava Sem receio ou censura, a alma se libertava Nascia assim a cultura que a negritude representava Quatro pilares na estrutura, era tudo que suportava O B-Boy que dançava, o DJ que tocava O Grafiteiro que pichava e o MC que apresentava Época de ouro passou, o Hip Hop se desintegrou Individualismo se alastrou e a cultura declinou Fedelhos invadiram, a internet ajudou Entre eles competiam, pela imagem, pelo flow Os puros assistiam no que tudo se tornou Alguns desistiam outros tantos se vendiam Ramificações surgiam mas o underground não abalou Equipados de dom, consciência e competência Guardiões do nosso som, resistiam as tendências Criticavam os que não entendiam, elogiavam os que sentiam As raízes que fortaleciam e impediram a decadência.

Tira a corda do pescoço, guarda esse banquinho Se a vida é madrasta, não queiras ser padrinho Está difícil em todo lado, quase para toda gente
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Tira a corda do pescoço, guarda esse banquinho Se a vida é madrasta, não queiras ser padrinho Está difícil em todo lado, quase para toda gente Sair do mundo enforcado não é conveniente Problemas e dificuldades fazem parte disto aqui Se pensas que calamidades só acontecem a si Há quem não tem nada e sorri mesmo assim Sem cama, sem almofada, sem prata e sem marfim. Ar e Água, Abrigo e Alimento E o próprio Agasalho, somam os cinco elementos Que o ser humano, precisa para viver O resto é mundano e sobrevives sem ter. Não se sabe o que há ao certo depois da morte, talvez o fim, talvez o recomeço ou o sono profundo, então só por precaução todos desejam acordar a respirar. Um doente mental, um humano sem abrigo e sem prespectiva de nada, e até mesmo o padre que diz acreditar em uma vida depois da morte, olha para os dois lados da estrada antes de atravessar, não há nenhuma verdade no fim do dia, só especulações. Há pessoas neste momento que estão deitadas de costas na cama gelada do hospital com um tubo de soro com agulha na ponta espetada na veia, a olharem para o tecto com os olhos molhados de lágrimas com esperança de um dia saírem vivos de lá, por mais que seja mais uma hora, mais um minuto de vida. Isso faz-me pensar profundamente naqueles jovens que tem a vida a correr pelas veias que divorciam-se dela com uma corda no pescoço por motivos muito fúteis. Um filósofo de rua um dia disse-me que nós só precisamos de cinco coisas para viver, e todas iniciam com a letra «A», que são: Ar - para respirar, Água - para hidratar, Abrigo - para se refugiar, Alimento - para se manter em pé e Agasalho - para se aquecer. Se analisares bem, ele tem razão, tudo fora desta pequena lista não é tão útil qunato parece, podemos viver sem as ter. Se calhar acrescente eu a esta lista: Amor e Amizade. Findando a verborreia: Aos que pensam em cometer suicídio por estarem a sentir uma dor profunda, lembrem-se que a dor da morte é para quem fica, e por mais que te sintas para baixo, há sempre quem está na pior.

Sabias que é estupidez ignorar quem te chama Sabias que o amor hoje em dia não têm chama Sabias que o homem só quer o corpo da dama
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Sabias que é estupidez ignorar quem te chama Sabias que o amor hoje em dia não têm chama Sabias que o homem só quer o corpo da dama Sabias que a mulher no homem só quer a grana? Sabias a perfeição é fruto da calma Sabias que a infelicidade da celebridade é a grana Sabias que o homem peca fazendo sexo com a palma Sabias que a fé pode salvar a sua alma? Sabias que a guerra é sempre intencional Sabias que o vício pode ser fatal Sabias que o natal não é uma data celestial Sabias que a bíblia é um alimento espiritual? Sabias que Moçambique é mais que a capital Sabias que nossa riqueza não é só cultural Sabias que é uma dádiva a capacidade intelectual Sabias que o limite é uma barreira mental? Sabias que à IURD é um quartel de impostores Sabias que os pastores são burladores Sabias que eles também são cobradores Sabias que no Cenáculo tem ATM nos corredores? Sabias que cá há muitos investidores Sabias que eles são meros exploradores Sabias que os Políticos são prometedores Sabias que a campanha é um ritual de enganadores? Sabias que os Pais são mais que educadores Sabias que os livros são mais que televisores? Sabias que certos negros acham-se inferiores Sabias que muitos brancos julgam-se superiores? Sabias que América só causa dores Sabias que a idolatria nos torna pecadores? Sabias que o indício das eleições são os contentores? Sabias que L.J. tem reflexos observadores?

Despertaste, acordaste e da cama levantaste De seguida te exercitaste e ao espelho se olhaste Confiante sorriste, três palavras pronunciaste:
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Despertaste, acordaste e da cama levantaste De seguida te exercitaste e ao espelho se olhaste Confiante sorriste, três palavras pronunciaste: (Serei feliz hoje), saíste e caminhaste Não tardou, o vizinho já reclamava (Comida não sobrou?) desesperado se apalpava Nos bolsos revistou e nada encontrava Na carteira confirmou que o vazio espreitava Ignoraste e continuaste com um sorriso falso Mas logo se cruzaste com um descamisado e descalço No peito exclamaste, (o que faz o Pai da criança!) Fingiste que não reparaste e aceleraste logo o passo Na vida há contrastes, muitos padecem com o escasso E se ainda não notaste, partilhamos do mesmo espaço Mas poucos estendem o braço, muitos têm o coração de aço Até quem tu votaste, não deseja seu avanço E melhor é para eles que continues assim Pobre, pouco nobre, com cobre, sem marfim Sem viver, a sobreviver, esperando seu fim Censurado, sentado a ver a impunidade ao motim Desgraçado assumido com vergonha de não ter Este verso é agressivo mas tinha de o escrever Desgraçado foste parido sei que não o quiseste ser Mas se todos vamos morrer, que diferença irá fazer? Já chegavas ao destino pelo caminho percorrido Já nem lembravas do menino e o inquilino foi esquecido Trabalhador como tu é seu vizinho empobrecido Aquele senhor comum pelo sistema esmorecido Pela porta envidraçada já notavas a secretária Aprumada, bem apresentada, aparentemente hilária Conversa curta, retórica, típica e diária Despediste e se ajuntaste a sua classe operária O patrão no escritório, um licenciado estrangeiro Tem mais do que precisa, mulheres, casas e dinheiro Trabalha noite e dia, é ambicioso em demasia Não tem tempo para família, corrompido pela marcomania Enquanto enche o bolso, sua humanidade esvazia Ao espelho é o colosso cadente de empatia E vai descendo o fosso por uma escadaria Achando que sai do poço por falta de sabedoria Ser rico não é fácil pior ainda é ser feliz Riqueza e sucesso é conseguir o que eu quis Isso não trás satisfação, olhe para qualquer actriz Felicidade é aceitação do que tens, é o que se diz Pobre ou Rico o final é um só Chegamos cá sem nada e assim retomamos ao pó Sem roupa da moda ou a vergonha do rococó A morte anda em roda ceifando a todos sem dó.

Do núcleo interno quase no inferno Revelação de dentro para fora do hipocentro Fonte da verdade onde nada se censura
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Do núcleo interno quase no inferno Revelação de dentro para fora do hipocentro Fonte da verdade onde nada se censura Falo com liberdade o que outrem murmura Voz activa e alta, permissão não me falta Políticos escondem quando esta voz exalta Escondem os filhos, quando puxo o gatilho Calei o tambor e fiz da maçaroca o milho Infiltrei-me no sistema, desvendei esquemas Razão dos vossos problemas são os meus poemas Oculto a cara, sou alérgicas as algemas A informação é clara e eu mostro as gemas Com suas falas nulas, não me abalas Nem me calas se tentas a balas Relatório no escritório e dizes que ralas O povo na miséria e tu em festas de galas? Sou uma arma de ataque, mestre de combate Digo muito em pouco tempo considerem-me arte Censuram-me a escrita, não a voz Escrevo no singular e também escrevo por vós Inimigo do político, polémico por ser crítico Censurado pelos media, por ser explícito RAP Alternativo e muito verídico Não sou o maior estilo, sou o mais analítico «Verbum pro Verbo» feitura compilada por mim «Palavra Por Palavra» traduzida do latim Críticas explícitas, do início ao fim Reflecção lógico-racional, sou mesmo assim Distribuição gratuita mas o verso não é em vão Acredita gastei guita nesta compilação De forma rimática entrego a verdade a nação Agora cabe a vós, não só com a voz Apoiar a revolução.

Primeiro me inspirei depois parei e pensei Sentei e analisei, imaginei e anotei Apresentei o que citei, cantei e gravei
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Primeiro me inspirei depois parei e pensei Sentei e analisei, imaginei e anotei Apresentei o que citei, cantei e gravei Não falhei pois ensaiei, bem sei pois decorrei Não plagiei criei, não cabulei, me preparei MTA se intitulei e ao público me revelei Se exagerei não notei, se errei melhorarei Escorreguei e me levantei, não parei, abrandei Não terminei pausei, um ano teorizei Superei e retornei, trabalhos mostrei Abandonos presenciei, desesperos notei De grupos me divorciei, Hip Hop a sério levei. Estúdios dispensei, no quanto improvisei Com micro e fones que comprei e Samplitudde que baixei «Mixtaps» compilei, lancei e divulguei Rádio não precisei, TV nunca pisei A escrita me viciei, a crítica me dediquei Esquema rimático abracei e por inteiro me entreguei Igual a mim procurei e nunca encontrei Individualismo apostei e minha carga puxei De desafios participei, fui derrotado e derrotei Em locais onde passei, aprendi e assimilei Sempre falei tudo que investiguei E tudo que apoiei, sem abusar a lei.

Quando o receio supera a atitude de agir O Homem se distancia da meta a atingir Daquele sonho risonho começas a desistir
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Quando o receio supera a atitude de agir O Homem se distancia da meta a atingir Daquele sonho risonho começas a desistir Ficas no chão a reflectir e não consegues discernir É o medo da responsabilidade que está a surgir Se apegas a mocidade, mesmo ciente da realidade Que esta acção da verdade só te vai deprimir A frustração consumir a cada ano de idade Crescer meu mano não é fácil para ninguém E abster-se do plano, não é solução também (Depender do Pai ou mesmo do Tio? Dar despesas a Mãe por medo de encarar o desafio?) És uma pessoa adulta andando em rodopio Sem plausível desculpa a este vício doentio Mano a vida é luta que se trava dia a dia Aposte na labuta, conquiste sua autonomia O Homem não se define pelas velas que soprou Pelos planos que traçou ou metas que alcançou O Homem é ser sublime nas decisões que tomou Nas batalhas que travou e nas pessoas que inspirou Nascer para Morrer a vida são dois dias O destino é único mas, muitas são as vias Derrotas e quedas, tristezas e alegrias Fazem parte da caminhada se é que tu não sabias.

Demónios disfarçados como soldados sem fardos Servos de satanás enganando os mais fracos Refugiam-se em casas desapropriadas e fazem de retiro
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Demónios disfarçados como soldados sem fardos Servos de satanás enganando os mais fracos Refugiam-se em casas desapropriadas e fazem de retiro Alguns estão entre nós na cidade é a IURD que me refiro Manipular os crentes é o seu princípio Dízimos e ofertas mas não vemos nenhum benefício Enganador passa-se por pastor, faz parecer o seu ofício É o sotaque brasileiro que retira-vos o dinheiro Televisões, rádios e jornais Essa praga está no mundo inteiro Palhotas distantes da cidade é o retiro do feiticeiro Projectam maldades que destroem comunidades Como prova disso, os desastres naturais e as calamidades O diabo ensinou ao homem a fabricar potentes armas Bombas nucleares que destroem o mundo nas calmas Os demónios estão nos nerónios dos Homens e em suas palmas As mais inocentes vítimas são retiradas as almas. As primeiras guerras foram pelas porções de terras Agora o Petróleo e os minérios é o que querem deveras Em Moçambique compram riquezas por quireras Se não conseguem o que querem, tornam-se ferras O planeta terra foi o escolhido entre as nove esferas O satanás pratica maldade nas partes mais vísceras A autodestruição da espécie chega nas suas vésperas Se é que não sabias haverá a segundo vinda do messias Guardemos ao nosso senhor salvador as nossas bias A nenhum outro deus por nada se alias Para a sua salvação opta por adequadas vias Não ignore a palavra do senhor é a salvação se não sabias Sei sem certeza que nada disto está ligado a ninharias Mudem o pensamento Os versículos bíblicos não são fantasias.

Há perguntas que ainda não têm respostas Embora outras tantas com afirmações supostas Como baratas tontas, apressados tomamos notas
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Há perguntas que ainda não têm respostas Embora outras tantas com afirmações supostas Como baratas tontas, apressados tomamos notas Escrevendo ideias em palavras soltas Rimas de amor, paixões e revoltas Contra o opressor que o maldizes e votas Contra o pastor que te toma as notas Em nome de um senhor que cegamente o devotas Sentirias minha dor se na minha pele estivesses Sou além deste amador que na escrita conhecesses Exprimo de sem fulgor a dor da multidão Sou um reles narrador movido pela obsessão Escrevo tudo de coração, desde o princípio fui puro Não tenho uma legião, simplesmente não procuro Sou apenas um embrião, que ambiciona ser maturo Permanecendo «Underground», ciente que o caminho é duro Conciso na visão acerca do futuro Batalho desde então, sozinho, no quarto escuro Distante da distração, só aqui me sinto seguro A vossa falsa opinião, juro que já não aturo Mas não sou tão chato assim à ponto de recusar Opinião doutro MC que só me vem a beneficiar Apenas fechei-me aqui no meu próprio lugar E prometi não me adaptar a quem me quer rejeitar. Sem receio ou censura, sem desvaneio vou escrever A rima mais pura e verdadeira sem esquecer De representar a cultura que ensinou-me a ser Para além da envergadura que muitos sonham em ter Hip Hop da rua é a cultura que refiro Olhado como pobre por suportar o martírio Afastado dos nobres isolado no retiro Ideias como essas são frutos de um delírio Pois pobre sou mas não completamente A falta de dinheiro não me torna indigente Sou livre, sensato e são de corpo e mente Concreto, não abstracto e amigo de boa gente Fui educado pelas ruas não por falta de parentes Agarrei-me as duas escolas diferentes Com unhas e dentes, em todas as vertentes E hoje sou um discípulo daqueles competentes Único RAP digno vive e fala a realidade Afirmo pelo desígnio explícito na oralidade O MC tem um papel importante em sua comunidade Ariscar a pele em prol da verdade Hip Hop é uma actividade de muita responsabilidade Mesmo quando usado para outra finalidade E embora escusado em sua musicalidade Os que respeitam o legado, o representam com criatividade.

(O hoje é atemporal a pugna imaterial Cordial e abismal, expressa de forma musical Sentimento universal para todo o ser natural
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(O hoje é atemporal a pugna imaterial Cordial e abismal, expressa de forma musical Sentimento universal para todo o ser natural Sensato e racional, o escopo é espiritual) Desejo a todos amigos e aos conhecidos Novos, antigos, presentes e desaparecidos Que cultivem o amor plantado com sabedoria Isentem-se da dor, respirem a euforia Iniciem os planos projectados há anos Não temam os danos, aprendemos quando erramos Somos todos humanos sujeitos a enganos Mas sempre petiscamos quando experimentamos O inimigo anda a solta a espera da sua queda Sem razão de revolta atira-te a pedra Ignore-o, continue o caminho é para frente Se o tempo não recua, escolha sabiamente. Quantas vezes tentaste sair do buraco? Situações enfrentaste da vida sem taco Punhos não cessaste quando estiveste no vácuo Por melhoras esperaste e o tempo fez-te caco Plantaste esperança, colheste desilusões Nunca viveste a bonança só dilemas sem soluções Rogaste ao «todo poderoso» bênção no trabalho Pelo corpo poroso brotaste suor no soalho Nunca foste preguiçoso em nenhuma actividade Teu esforço penoso não trouxe-te felicidade Embora virtuoso e dotado de sanidade És muito orgulho para vender a dignidade Uns sobem ao pódio, tu cavas a sua cova Na pugna da vida, só levas sova Até desperta-te ódio e percebes que é uma ova E de cabeça erguida anseias uma posição nova. Nesta longa-metragem, prossigo em viagem Nas costas a bagagem em direcção a margem Nadando contra a maré, puxando a ancoragem Não vejo ninguém, tudo parece miragem Amigos cantam vaias encaro como bobagem São homens com saias que não têm coragem Ignoro-os e prossigo, confiante na aragem Sei que aos poucos consigo, a Fé, é minha vantagem Eis aqui a mensagem se és da minha geração Deixa de escutar música e ver televisão Não acata a opinião pública eles não têm noção Que cada pessoa é única nesta imensidão Desapega-te do aparelho e da má socialização Não sejas fedelho aposte em maturação Oiça o mais velho e siga um ancião Isto não é um conselho são dizeres de motivação.

Meu Pai biológico fugiu quando eu nasci Minha Mãe criou-me com todo amor que mereci Na casa dos meus avós, local em que cresci
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Meu Pai biológico fugiu quando eu nasci Minha Mãe criou-me com todo amor que mereci Na casa dos meus avós, local em que cresci No bairro da Mafalala que até hoje vivo aqui Tudo aquilo que sei e tudo que aprendi Dou graças a eles e amizades que colhi E não a um deus que nunca se quer o vi Que diz que me ama e que morreu por mim Santa ignorância isso não faz sentido Pare com essa arrogância não sejas fingido Durante sua infância eras um ser temido Ficavas todo comido quando fosses desobedecido Matavas quem quer que fosse, sem dó nem piedade Velhos, mulheres, até menores de idade Não tinhas limites ao praticar crueldade Desculpa lá, és mesmo uma divindade? Falas sempre de amor naquele livro seu Mas só patrocinas a dor, ainda exiges o meu Respeito a si senhor, não, estou feliz como ateu Folgo aos domingos e saio para beber «maheu» Criaste-me do nada sem a minha permissão Com liberdade de escolha como sinal de compaixão Sou feito à sua imagem mas censuras-me a razão Por que me deste então? Responda-me a questão Sei que não podes do momento, tens de ouvir uma oração Anotar um juramento, escutar outra confissão Assistir ao sofrimento do mendigo deitado no chão Que dorme ao relento cobrindo papelão Por que permites o mal, se és «todo-poderoso»? Se não acabas com o diabo é porque és medroso E não me venhas com a falácia que seu pensar é misterioso Acabe com essas tretas e prove que és manhoso. Crias regras, absurdas de compadecer Se és único ser supremo, não há lógica no seu proceder Cá entre nós, diga-me o que estava a acontecer? Quando criaste o Homem, estavas a um passo de enlouquecer? Qualquer um ficaria, eu não te vou julgar Sozinho no vasto universo, sem ninguém para conversar Sei que é insuportável mas tu devias superar Enfrentar seus problemas e tentar se acalmar E não se rebelar pôr-se nervoso a criar Um mundo para governar, um homem para te adorar Dia e noite te louvar, de joelhos a implorar Por um mundo novo sem o mal para atormentar Egoísta, estúpido, egocêntrico, arrogante Invejoso, maldoso, orgulhoso, ignorante Malicioso, impiedoso, ser supremo principiante De «todo-poderoso» não passas de um amante. Tudo que falaste, tudo que escreveste Todo ódio que demostraste com os crimes que cometeste Não passavam de um teste (foi a resposta que me deste) Eu não te devo nada pois, foi tudo que me deste Se queres ser louvado procure outro burro Que anda atrás da luz como se estivesse no escuro Amizade e amor seguro, por hoje é o que procuro Se não podes ajudar suma, que já não o aturo E avise suas ovelhas que este carneiro virou lobo Não me abordem na rua, não me façam de bobo Não me deem folhetos, revistas nem amuletos E não me falem de um deus que incentiva incestos Para mim basta, estou indiferente a tudo Acordo, carrego a pasta, vou a busca do meu canudo A fome em África é vasta por um motivo absurdo Para mim já basta rezar a um ser mudo. Pai-nosso que estás no céu, o que fazes por aí? Vem a nós o seu reino no Iraque, no Haiti Seja feita a sua vontade tanto no céu como aqui Livrai-nos do «malamém» e do fanatismo por si.

Onde estão os meus amigos quando eu preciso? Quem são os meus amigos que até hoje não visualizo? (São os novos ou antigos?), estou ainda indeciso
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Onde estão os meus amigos quando eu preciso? Quem são os meus amigos que até hoje não visualizo? (São os novos ou antigos?), estou ainda indeciso Não são os mortos nem os vivos (que fique o aviso) Este monólogo não é recente e já me assombra o juízo Quando olho-me atentamente, já virei um narciso Embora descontente consigo soltar um riso Vivo assim indiferente e apartado da «ISO» Estou frustrado, zangado e sinto-me abandonado No chão fui lançado, pisado e humilhado Excluído, ignorado, sem motivo apartado Quase sempre isolado, no ermo refugiado O que fiz de errado? Por que sou desprezado? Sei que serei mal interpretado pelo que tenho falado Então, que fique explicado por que estou revoltado (Males tenho enfrentado sem ninguém do meu lado) Tudo que faço não presta, para vocês sou um falhado Toda malta me detesta e na rua sou apontado Tratado como a besta, de todo mal sou culpado Mas se olhas a minha testa Não há nenhum número marcado Escrevo assim e assado, de como estou inspirado Escrevo hoje estressado e amanhã mais relaxado Escrevo o quanto sou odiado e o quanto posso ser amado Mas escrevo preocupado se serei devidamente captado. Não sou um chorão em busca de consolo Se achas-me um bebezão, és mesmo um tolo Isto sai-me do coração, digo-te, não enrolo Estende então a sua mão, dá-me então o seu colo É simples amigão, será que é pedir de mais? Quero acreditar que não, sejamos cordiais Estou sozinho na escuridão onde os demónios são reais Afundo nesta podridão, deambulando em espirais Conheço bem a solidão, já explorei todas vantagens Hoje acabou a diversão, preciso de novas viagens Sair do meu quarto, contemplar novas paisagens Ouvir novos sons, escutar novas mensagens Mas sozinho já não, necessito de um companheiro Dispenso a multidão, procuro o verdadeiro Os poucos que virão, que venham por inteiro Está é a condição para atarmos o laço derradeiro No Inverno, no Verão, no Outono, na Primavera Em qualquer estação, estarei a sua espera Serei o seu guião, seu escudo contra a quimera E espero de si irmão que remuneres da mesma maneira Termina assim este monólogo que inicia com uma questão Os meus amigos quem são, os verdadeiros onde estão? Será que aparecerão e os falsos se afastarão? Ou nem se quer saberão por desconhecerem esta Compilação.

Quem sou realmente para criticar o outro ente? Julgar suas acções e rotular a sua mente Dizer o que fazer, como deve proceder
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Quem sou realmente para criticar o outro ente? Julgar suas acções e rotular a sua mente Dizer o que fazer, como deve proceder Aconselhar a escolher, o que plantar, o que colher Sou um Teórico aprendiz do discípulo sem mestre Acredito no que ele diz e visto o que ele veste Sentimentos superficiais robotizados por sua escrita Acções artificias consoante o que ele acredita Tenho preguiça em pensar, em reflectir até no espelho Fico horas a meditar em frente a um aparelho Música suave a tocar, «scroll» do rato a rodar Dicionário para consultar e água para hidratar Conheço a vida na teoria, na visão do escritor Como viver com alegria, como amenizar a dor Sei os passos para o sucesso, as etapas e o processo Sei teorias em excesso, da criação do universo Conceitos do amor e ódio, da paixão, da obsessão Do caminho ao pódio, à primeira classificação Técnicas de expressão vocal perante uma multidão Da linguagem corporal de um bom anfitrião Muita coisa sei que aprendi do livro Mas nada pratiquei pois da fobia não me livro Apenas li e memorizei para ser activo nas conversas No princípio se empolguei, até lia as pressas Agora eis-me aqui com teorias na cabeça Pareço um manequim que não age mas pensa A vida é mesmo assim (Sempre falta-te uma peça) Não é diferente para mim, estamos juntos nessa. Diferente de poucos, igual a muitos Concordo com os outros em vários assuntos Ente activo na prática, arrisco, por vezes petisco Mentalidade eufórica (se respiro, logo existo) Confesso que odeio folhear até uma revista Livros pouco leio, cansam-me logo a vista Sou vulgar, sou normal, sou anti-perfecionista Mas o meu maior mal é ser um seguidista Sou objecto de monopólio sem opinião formalizada Como poços de petróleo (sou uma alma explorada) Até que ando informado, embora não seja nada O que me deixa preocupado é ter a vida automatizada Apesar das minhas acções reflectirem as decisões Fruto de reflexões, ainda colho desilusões São estas situações que servem-me de licções E despertam-me visões para ver a três dimensões Eu insisto e persisto em tudo que cismo Sem resultados não desisto, meu «ísmo» é o «Continuísmo» Passivo a leitura, prático sem metodologia Com garras e bravura enfrento a luta dia-a-dia Não tenho cabeça dura, só não sou de teoria Vivo a vida dura e supero-a sem anestesia Pode até parecer loucura mas é a minha filosofia (Da cama à sepultura, serei meu próprio guia) Não será a literatura do Oriente, do Ocidente Nem a sua cultura que fará a minha mente Embora pareça miniatura perante a essa gente Minha autonomia e envergadura É que tornam-me excelente.

És tu que tiras-me o sono Molhas-me com o líquido morno Por ti, punha a mão no forno
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És tu que tiras-me o sono Molhas-me com o líquido morno Por ti, punha a mão no forno Tu não tens dono tens filhos em seu trono És tu que atravessas mares, em todos os lugares Conquistas para amares Propagas-te pelos ares como bombas nucleares Ignoras olhares e conforto dos lares Com a verdade andas aos pares Malícia vares, tocas em bares Em auriculares, seguidores tens milhares És resistente, como os pilares És tu o inimigo dos políticos Pelos temas críticos e verídicos Causas e efeitos deixas explícitos Em curto tempo expões Problemas em poemas rítmicos És tu criação da mentalidade negra Aceitamos-te não, precisamos de uma adaga Em termos de raça, sua visão é cega Branco, Negro até Amarelo tu não negas Foste fragmentada ao passar do tempo Ganhaste ramificações «bounce» por exemplo Discípulos que fazem do estúdio seu templo E os que usam-te como profissão, cairão com o tempo És tu razão da minha metamorfose Uma mente e um espírito no corpo simbiose Tu bem sabes que abuso da dose Se fosses droga morreria de overdose Tornaste-me marujo neste mar de letras Metaforizaste os remos em canetas Provérbios e aventuras anoto em sebentas Não precisas de cadernetas aqui não há tretas És mal interpretado, não és culpado O teu afilhado é que tem-te marginalizado Empenhado no pódio e no trocado E outros preocupado em deixar o pessoal informado Tu cá em África és considerado vício Em América, és como ofício Mas continuas uma arma desde o início Sabes o que fazer no momento propício És tu o dedo na ferida, do político e sua política enfraquecida Forneces ao pessoal o que censuram no jornal És a reflexão lógico-racional em nível mundial.

Dói acordar sem nada para fazer Assistir televisão até a vista doer Dormir, de madrugada e de tarde
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Dói acordar sem nada para fazer Assistir televisão até a vista doer Dormir, de madrugada e de tarde Ir a igreja só para pedir consolo ao padre Dói deambular com um canivete no bolso De esquina em beco, em busca do almoço Andar inseguro por medo da bófia E por falta de condições perderes a sua sócia Dói nascer, viver e morrer pobre Usar joias apenas de cobre Na rua, chamarem-te desgraçado E apenas em festas, comeres frango assado Dói ser vítima de «Bowling» na escola Pela deficiência ou carência de mola Dói estar na porta da igreja a pedir esmola E para cativar os crentes ter que tocar viola. Dói em seu país ser humilhado Usado e abusado metaforicamente, pisado Por um estrangeiro que escravizou-nos no passado E por outros que tomam-nos o país ao bocado Dói ser condenado sem ser o culpado Incondicionado a um bom advogado E só depois de considerado réu malogrado É que a justiça descobre que foste injustiçado Dói ver incompetentes em cargos de competentes Competentes desempregados por não terem costas quentes Uns sem ensino básico mas são tesoureiros E os universitários como seus faxineiros Dói ver um adolescente consumidor de droga Com dezasseis anos dar um neto a sua sogra Dói ver um jovem com pensamento imaturo Que abandona os estudos e arrepende-se no futuro. Dói arrendar uma casa recebendo salário mínimo Pagar as despesas e dez por cento para o dízimo Rezar, em um luxuoso santuário E sua casa não ter se quer um armário Dói nascer e crescer com o Pai ausente Mãe desempregada e dependente Sem dinheiro para uma faculdade privada Juntar-se aos milhares disputando uma vaga Dói nascer pra viver e estar a sofrer Crescer sem nada ter e morrer sem o obter Fazer um curso, não conseguir trabalho Formar-se em um ramo e saltar para outro galho Dói ver um jovem com distúrbios mentais Invocado da palhota à mando dos seus Pais Pais que fazem esses rituais para agradar os ancestrais Com a finalidade de angariar certos meticais.

Não sei por onde começar há tanto por dizer Mas sei o que dizer doa á quem doer Nascemos para viver há quem vive para sofrer
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Não sei por onde começar há tanto por dizer Mas sei o que dizer doa á quem doer Nascemos para viver há quem vive para sofrer Nascemos sem nada ter e morremos sem o obter Moçambique independente relíquia portuguesa Digo isso pelos imóveis e afirmo com certeza Dizem que o estrangeiro veio para ajudar Mais se fores a notar, alguns vêm nos usar Não tenho receio em dizer a dura realidade Os medias, que censure-me a vontade Mas o povo necessita da verdade E os governantes? Uma mudança de mentalidade O partido no poder pratica a cleptomania E o Moçambicano só manifesta a miopia Isso afecta a economia que resulta a atrofia Políticos são iguais com visão de megalomania Aliados fazem-nos passar por humilhação Maltratando brutalmente a nossa população Com seus cães policiais comandados por oficiais Testam a sua raiva em imigrantes nacionais Animais irracionais, cegos em rituais Sucessos nas finanças fazem (pactos espirituais) Seus filhos são sacrificados por meticais Sua vida não anda pela obra dos seus ancestrais Chegas a pensar que apodreceste os nerónios A igreja que frequentas só aumentam-te demónios Aquele que estudou tem um salário magro Há quem caneta não pegou e tem um bom cargo Colegas malquerentes cobiçam a tua cadeira Vão a palhota e acabam com a sua careira Até o auxiliar de limpeza quer chefiar a empresa Disputa de cargos é frequente nesta relíquia portuguesa. Uns dizem Moçambique é Maputo Maputo é a zona industrial Por isso que a energia sai do centro para a capital Tal hidroelétrica parece ser sul-Africana, por quê? Não é usufruída em toda tribo Moçambicana «Chonga Maputo» boa iniciativa do governo Mas é só para os prédios nunca chegam no nosso terreno Tanta desordem súbita todos os dias Emprego, trabalhos inacessíveis estão todas as vias Indianos chegam ao país montam tabacarias Lojas de quinquilharias, parques e mercearias Vendem suas bijutarias e outras mercadorias Nós na nossa terra servimo-los por quireras País liberto das guerras não das garras das feras Estrangeiros na Arquitetura e nós na Agricultura Isto é uma loucura mentalmente uma tortura A vida é dura e não dura diga-me, qual é a cura?

Eu sou um, ser humano comum Nascido em um ano, em um parto cesariana Obra sem um plano, fruto de um engano
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Eu sou um, ser humano comum Nascido em um ano, em um parto cesariana Obra sem um plano, fruto de um engano Sou apenas um humano e por destino Africano Vestido e alimentado apesar de ser um dano Criado e educado por um casal Moçambicano Onde a Mãe é maltratada por um marido insano E ele é humilhado pelo patrão tirano Mas meu Pai se esforçava pelo meu futuro Enquanto a Mãe chorava naquele quarto escuro Eu apenas observava que ser adulto é duro Nada que vivi almejava por muito que fosse burro Todos anos matriculava em uma classe diferente Nunca reprovava era simplesmente inteligente Não copiava, sabia naturalmente Dedicava-se, encarava os estudos seriamente Do pouco que tinha, da carência dos parentes Firme se mantinha, até mostrava os dentes Morávamos numa casinha, daquelas indecentes Sala, sanitário, cozinha e quartos insuficientes De bens materiais sempre fomos carentes O amor dos meus Pais valia mais que mil presentes Nunca pedi demais, apenas que fossem pacientes Com os sonhos triviais que pareciam indiferentes. Mas o tempo provou que a luta não foi em vão O escuro apagou-se no findar da tribulação Meu Pai alegrou-se e saltitou de emoção A Mãe abraçou-me e chamou-me; Campeão É assim que acontece, quando o sonho não esmorece O espírito se enaltece e a força aparece E quando o medo padece o caminho livre, logo vê-se E tudo que você merece, com o tempo te pertence Difícil é acreditar, é mais fácil imaginar Não sou eu a afirmar, apenas estou a contar O que muitos estão a vivenciar, outros por começar Sem motivos para continuar, desistem de tentar Qual a razão de respirar, beber e se alimentar? Se não for para se esforçar, por uma causa lutar Ficar aí a lamentar de nada te vai adiantar Irmão tenta se animar que o mundo está a girar Viver não é sonhar põe-te já a acordar Com este modo de pensar não vais a nenhum lugar Não sou quem vai ditar como deves-te comportar A escolha é peculiar e o tempo está a passar A vida é um mar, vive quem sabe nadar Morrer é se afogar, apoia-te em algo para boiar E se a vida for um pomar, devemos sempre cuidar Constantemente regar para nunca deixar murchar.

Supondo que Eva e Adão foram nossos ancestrais Ignorando a evolução, ideia que viemos de animais O homem como pensamento evoluiu até demais
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Supondo que Eva e Adão foram nossos ancestrais Ignorando a evolução, ideia que viemos de animais O homem como pensamento evoluiu até demais Multiplicando o conhecimento até aos dias actuais Da palha ao cimento, das pedras aos metais E todo aprimoramento de outros materiais A exploração das plantas para fins medicinais O controlo do vento e outros ecossistemas naturais Tudo parece uma beleza ao olho desatento Mas a Mãe natureza acha o homem violento Pela nossa destreza em quase todo evento Que expeliu muita tristeza até o actual momento Evoluímos na tecnologia através da ciência Esquecemos da sabedoria que é a verdadeira essência A real primazia que daria sentido a existência Se não fosse pela hipocrisia que reprimiu a consciência.

Pessoas quietas têm mentes barrulhentas Pensamentos rápidos, com palavras lentas Por fora são flácidas, por dentro violentas
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Pessoas quietas têm mentes barrulhentas Pensamentos rápidos, com palavras lentas Por fora são flácidas, por dentro violentas Até prova do contrário não são rabugentas Discordam das ideias que vão contra seus ideais Não são manipuláveis como as pessoas normais E apesar de acreditarem que viemos de animais São meigos e simpáticos para com os demais Ignorados, destratados, representam a minoria Os super-dotados, a maioria com miopia Conhecedores devotados no cultivo da sabedoria Observam calados a vossa hipocrisia Autores de teorias, trovadores de poesias Maestros de sinfonias, destros em filosofias Conversadores versáteis pela bagagem de conhecimento Quando olham uma parede, veem além do cimento. Com a «caixa do pensamento» decifram as equações Que se encontram ao vento, em sucessões Antecipam um evento, em casa de calções Fazem o devido reconhecimento e os planos de acções Não creem em deus nem em contos de fadas Apostam nos seus familiares e bradas Praticam o bem, a troco de nada Diferente de quem espera por palmadas Mulher..., não é o que parece Acham que não quer, que ninguém o merece? Enriquecer, envelhecer, sozinho no estresse Adoecer e depois morrer, não, ninguém merece Ser igual é chato, ser diferente é duro Dou por mim estupefacto, encostado no muro Pelo simples facto de instruir um burro Ser ignorante de facto hoje em dia é mais seguro.