Frase de LJ Nhantumbo
Meu Pai biológico fugiu quando eu nasci Minha Mãe criou-me com todo amor que mereci Na casa dos meus avós, local em que cresci No bairro da Mafalala que até hoje vivo aqui Tudo aquilo que sei e tudo que aprendi Dou graças a eles e amizades que colhi E não a um deus que nunca se quer o vi Que diz que me ama e que morreu por mim Santa ignorância isso não faz sentido Pare com essa arrogância não sejas fingido Durante sua infância eras um ser temido Ficavas todo comido quando fosses desobedecido Matavas quem quer que fosse, sem dó nem piedade Velhos, mulheres, até menores de idade Não tinhas limites ao praticar crueldade Desculpa lá, és mesmo uma divindade? Falas sempre de amor naquele livro seu Mas só patrocinas a dor, ainda exiges o meu Respeito a si senhor, não, estou feliz como ateu Folgo aos domingos e saio para beber «maheu» Criaste-me do nada sem a minha permissão Com liberdade de escolha como sinal de compaixão Sou feito à sua imagem mas censuras-me a razão Por que me deste então? Responda-me a questão Sei que não podes do momento, tens de ouvir uma oração Anotar um juramento, escutar outra confissão Assistir ao sofrimento do mendigo deitado no chão Que dorme ao relento cobrindo papelão Por que permites o mal, se és «todo-poderoso»? Se não acabas com o diabo é porque és medroso E não me venhas com a falácia que seu pensar é misterioso Acabe com essas tretas e prove que és manhoso. Crias regras, absurdas de compadecer Se és único ser supremo, não há lógica no seu proceder Cá entre nós, diga-me o que estava a acontecer? Quando criaste o Homem, estavas a um passo de enlouquecer? Qualquer um ficaria, eu não te vou julgar Sozinho no vasto universo, sem ninguém para conversar Sei que é insuportável mas tu devias superar Enfrentar seus problemas e tentar se acalmar E não se rebelar pôr-se nervoso a criar Um mundo para governar, um homem para te adorar Dia e noite te louvar, de joelhos a implorar Por um mundo novo sem o mal para atormentar Egoísta, estúpido, egocêntrico, arrogante Invejoso, maldoso, orgulhoso, ignorante Malicioso, impiedoso, ser supremo principiante De «todo-poderoso» não passas de um amante. Tudo que falaste, tudo que escreveste Todo ódio que demostraste com os crimes que cometeste Não passavam de um teste (foi a resposta que me deste) Eu não te devo nada pois, foi tudo que me deste Se queres ser louvado procure outro burro Que anda atrás da luz como se estivesse no escuro Amizade e amor seguro, por hoje é o que procuro Se não podes ajudar suma, que já não o aturo E avise suas ovelhas que este carneiro virou lobo Não me abordem na rua, não me façam de bobo Não me deem folhetos, revistas nem amuletos E não me falem de um deus que incentiva incestos Para mim basta, estou indiferente a tudo Acordo, carrego a pasta, vou a busca do meu canudo A fome em África é vasta por um motivo absurdo Para mim já basta rezar a um ser mudo. Pai-nosso que estás no céu, o que fazes por aí? Vem a nós o seu reino no Iraque, no Haiti Seja feita a sua vontade tanto no céu como aqui Livrai-nos do «malamém» e do fanatismo por si.
No pensador.ai desde