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Frases de LJ Nhantumbo

35 frases

Eu não nasci assim estranho como sou E não culpo a mim ou quem me criou Sou fruto da sociedade ela que me moldou
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Eu não nasci assim estranho como sou E não culpo a mim ou quem me criou Sou fruto da sociedade ela que me moldou Na busca de integridade que a mesma rejeitou Por mais solitária que seja minha pessoa Um tanto arbitrária, céptica que até enjoa Preciso de companhia, além do meu ego E procuro dia a dia, a falsidade não me entrego Pois viver de aparências e não ter identidade Convergem na mesma triste realidade Fingir gostar e ser só para ser aceite Digo: não é viver quero ser diferente Apurado ou não seu campo de visão Aparência é ilusão, obstrução da percepção De conhecer o que é, além da configuração Exterior que também, é uma distorção Serei o que quero (eis o cerne da questão) Opinião nem espero para saber que é enganação C.D.F. (cabeça de ferro), que seja isso então Ao menos me venero quando rejeitado na nação Diferente de vós, ó fracos de coração Que procuram aprovação, de quem vos pisa sem educação Estúpidos sem noção, aparentam o que não são Carentes por atenção, marionetes da globalização. Todos sentimos a necessidade de se enquadrar em um grupo social, que partilha das mesmas ideias que as nossas. Quando somos rejeitados a primeira, por vezes vestimos máscaras só para sermos aceites. Vivemos de aparência para agradar a terceiros, não queremos ser vistos como estranhos. Mas eu digo, ser estranho é ser diferente, e ser diferente num mundo de iguais, é o que nos torna especiais.

Conforto, qualidade de vida, todos desejamos Metas traçamos e nem todos alcançamos Cobiça e inveja pelo caminho cultivamos
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Conforto, qualidade de vida, todos desejamos Metas traçamos e nem todos alcançamos Cobiça e inveja pelo caminho cultivamos Tornámo-nos mundanos em busca do que sonhamos Todos querem mandar ninguém quer ser ordenado Cursam curtos cursos por um ordenado E os sonhos de infância empoeirados no passado Trocados pela ganância e um pensamento quadrado Na busca excessiva pela riqueza material Pelo poder universal, é o princípio do mal Megalomania e Cleptomania são os rituais actuais Quem diria que um dia se tornaríamos animais Guiados por instintos de sempre querer mais Insanos, famintos, profanos e irracionais O ódio, o Amor, já nada se difere A mão que ajuda-te é a mesma que te fere. Lamentamos o que não temos, desperdiçamos o que temos Dedicamos a nossa vida em alcançar ambos extremos E no final da partida nenhum dos dois obtemos Erros alheios cometemos, não aprendemos, não crescemos Gastamos tanto tempo em penoso trabalho Sem se apercebermos que o retorno é só sualho Queremos criar, inventar configurar a natureza E não conseguimos alcançar o vigésimo de sua beleza Não existimos para criar, a natureza deu-nos o útil Construímos, destruímos, vivemos neste ciclo fútil E pouco evoluímos como seres pensantes Nunca se redimimos e continuamos ignorantes Teorias e teoremas sobre a criação do universo E os pequenos dilemas mantém o homem submerso Num mar em turbulência pela própria ignorância Estamos anos-luz de distância para alcançar a bonança. Ideais de um mundo perfeito já foram escritas Descritas por artistas, cientistas e pacifistas Muitos são os egoístas, poucos são os activistas Que figuram nas listas em defesa de causas humanistas O homem ainda sonha em mudar a humanidade Mas não consegue nem a sua personalidade Em seu imaginário altera a rotação da esfera Mas por muito que queira, é só uma quimera Sua preocupação é o crescimento económico (A maior ambição?) projecto nano tecnológico Para aplicação na criação do arsenal atómico Até parece uma ficção mas nada disto é utópico.

Não sei por onde começar, há tanto por dizer Mas sei o que dizer, doa a quem doer Nascemos para viver, há quem vive para sofrer
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Não sei por onde começar, há tanto por dizer Mas sei o que dizer, doa a quem doer Nascemos para viver, há quem vive para sofrer Nascemos sem nada ter e morremos sem o obter Periferia é o lugar distante do centro urbano Desprovido de quase tudo que é básico ao ser humano Prometem-nos melhorias, de cinco em cinco anos E na campanha o político profere os clássicos enganos Ninguém olha por nós, ninguém ouve a nossa voz Ninguém sente por nós quando nos falta pão e arroz Vivemos ao «deus dará», jeová, buda ou alá Mas enquanto nenhum dá, lutaremos a sós por cá Com os meios que possuímos, com o pouco que temos Até onde conseguirmos, enquanto ainda vivermos A vontade não é pouca, motivação não nos falta (Olha só para esta roupa, que já é de longa data) Água entra quando chove, por baixo e por cima À noite ninguém dorme, a casa fica uma piscina As crianças deitam-se na mesa, não há como usar a esteira Os adultos a espera do sol, é assim, não há maneira E quando a chuva passa, chega a cólera e a malária Enchem filas nos hospitais, cadáveres em mortuárias Por simples falta de drenagem em uma rede viária Já nem dá para reportagem, esta é a rotina diária. Energia eléctrica oscila como piscadelas Postes sem iluminação permitem crimes nas vielas Aqui é mesmo assim, jantar à luz de velas Não é romantismo, daí, fechamos as janelas Água na torneira fecha antes da tarde A pressão é baixa, levo horas num balde Muitas vezes nem sai e chega factura do FIPAG A qualidade é baixa e ainda querem que eu pague? Já não bastam as taxas e os impostos? Só se lembram daqui quando querem votos No meu bairro nada muda, só aumenta o agregado Nove cabeças na mesma casa com um mínimo ordenado O que será do futuro desta nova geração? Se salário não dá para pão, imagina para educação Daí que muitos jovens se entregam a exploração Lambendo botas de um patrão em troca do cifrão A vida é bela só na tela, quando passa a telenovela Na periferia é só mazela, cada casa é como cela Mulheres se entregam a vida ou a pilotar panelas Homens acabam em obras ou em biscates nas ruelas A todos aqueles que sonham em sair daqui um dia Lembrem-se que vossas raízes estão na periferia Dêem um pedaço de vós, pratiquem a filantropia Só ajudando a maioria, viverão em alegria.

Um dia acordei e do nada existia De seguida chorei, respiro desde esse dia De onde cheguei? Da barriga, foi o que ouvia
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Um dia acordei e do nada existia De seguida chorei, respiro desde esse dia De onde cheguei? Da barriga, foi o que ouvia Na época acreditei, negar não podia Cresci convicto da existência de um ser divino Que criou o céu, a terra e o líquido cristalino E teve um filho que a transformou em vinho Este foi o ensino me transmitido desde menino Até que um dia despertei de repente Eu não sabia até então recentemente Que percorria por um trilho cegamente E tudo que eu via foi criado pela mente Mas como poderia ter percebido anteriormente Desta cegueira se via sempre o sol nascente? E como poderia convencer o outro ente Que fomos manipulados desde o ventre? Assim fiquei, percorro por um caminho diferente Dos meus parentes e de amigos principalmente Olhado de lado por pensar diferente Abandonado, deixado, isolado de toda gente Fazer o quê? Se não seguir em frente Adaptar-me a vida de um jovem descrente Aproveitar às horas que perdia semanalmente Na igreja, quatro horas especificamente. Levantando do chão como José Saramago Dei costas a religião com um semblante amargo Anuncio a revolução a este combate armado Munido da Razão, tenho ateísmo como aliado Dogmatismo e cristianismo é tudo igual Catolicismo, islamismo, et cetera e tal Mas quem sou eu para criticar afinal? Um neo-ateu, que leu e acha-se intelectual? Não, acho que não, deixo isso ao vosso critério Rezem ao vosso deus para que desvende o mistério E espero, que seja antes da minha ida o cemitério Porque o tempo é escasso e eu levo a sério Deus pode isso, deus pode aquilo Deus pode tudo e comunica-se em sigilo Deus não faz o mal, permite o cancro do mamilo A SIDA, Pesticida, sofrimento no asilo Morte nos hospitais, desastres naturais Crimes paranormais, corrupção nos tribunais Saque de dinheiro em edifícios paroquiais Em igrejas, que mais parecem centro comerciais Pauso por aqui, a lista seria interminável De futilidades, de um ser abominável Sinceramente falando, que currículo desagradável O mais engraçado, é que alguém o acha amável Só mesmo rindo, calado e assistindo Aproveitar o dia lindo, vendo o céu se abrindo A vida são dois dias, nascer depois morrer Outros são utopias nunca irão acontecer.

Liberdade, liberdade, sinónimo de euforia Acompanhada da responsabilidade, segundo a Filosofia Liberdade é na verdade ingrediente da alegria
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Liberdade, liberdade, sinónimo de euforia Acompanhada da responsabilidade, segundo a Filosofia Liberdade é na verdade ingrediente da alegria E todo ser com sanidade almeja ter algum dia As escolhas que tomamos, caminhos que escolhemos O curso que cursamos, o emprego que gostamos A mulher que amamos, os filhos que educamos E tudo pelo qual lutamos, sem liberdade a imaginamos Tenho liberdade de viver a vida que me pertence Liberdade de escolher aquilo que me apetece Nascer, viver, morrer, depois não se sabe o que acontece Então, deixem-me correr antes que o tempo me ultrapasse Vocês adultos têm medo de nos ver a falhar E começam ainda cedo a tentar nos acorrentar Por isso mostro-vos o dedo, não refiro-me ao polegar Vossa actuação é um enredo que não quero participar Errar é humano, eu não sou um Avatar Se hoje me engano, amanhã vou superar Esconderem-me atrás do pano, de nada irá adiantar Terei sempre um plano que me vai libertar Se não confias em mim, quem é então o culpado? Eu aponto a si por seres meu encarregado Tudo aquilo que vivi foi fruto de um aprendizado Do que vi, do que ouvi, na casa em que fui criado. Assim a ofensa é dupla se me chamas mal-educado Mas o problema não é a culpa para eu me ter revoltado É a falta de desculpa que me mantém aprisionado E a protecção que não faculta distinguir, o certo do errado Os sonhos que eu tenho para o meu futuro Batalho com empenho, sozinho eu aturo Não recebo a vossa ajuda tão pouco a confiança Mas isso nada muda, realizarei os sonhos de infância Tudo que não tiveram quando crianças Reconheço que me deram, desde a educação às finanças E o que não puderam ser profissionalmente Em mim elegeram como se eu fosse indigente Os Pais têm o direito dos filhos educar Não de esticar o peito para os intimidar Tenho o dever e respeito de algumas coisas aceitar O que nunca aceito é um preceito sem revidar Uma coisa mais concreta é a escolha da religião Qual a mais correcta, qual a melhor opção? Fizeram-me acreditar que a certa é a vossa, mas não É tudo uma treta escolho viver pela razão E se um dia a queda encontrar-me no caminho À direita, à esquerda ou no meio, sozinho Não culparei a pedra, não culparei o destino Assumirei a perda por muito que pareça tolinho.

Geração da viragem da música sem mensagem Jovens cantam bobagem em ganham imagem Gera do artista que atingir o pódio
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Geração da viragem da música sem mensagem Jovens cantam bobagem em ganham imagem Gera do artista que atingir o pódio Impossível com tantos conflitos e ódio Gera que fez o Hip Hop ganhar ramificações «Underground» é a raiz do resto são só versões Gera do PC, celular e telenovelas Dos vândalos que não ficam nas celas Gera do jovem que estuda embriagado Do mulato que desfila de carro alugado Dos musculosos com os populosos «six packs» Que por semana com essas mamanas marcam «packs» Gera dos putos que têm vícios Largam os estudos e não arranjam ofícios Da bebida forte, como o «whisky» asiático Que degrada o organismo e põe o cérebro estático. Gera da miúda que a curtição se entrega Basta teres um carro, o sexo ela não nega Da mulher que diz: não há amor sem dinheiro Pensamento interesseiro Por isso tem mais de um parceiro Gera da criança que gera outra criança Sonhos viram cinza e morre a esperança Recordam o preservativo depois do acto Gravidez ou SIDA, tarde para desfazer o pacto Gera que reflecte quando vive as consequências Da prostituída devida há más influências Dos Pais que não assumem seus filhos Abandonam a mulher grávida e seguem seus trilhos Gera do cota que no final do mês some Curte em bares enquanto a família passa fome Daquele cota que tem uma catorzinha maluca Motivo para chamar a esposa de velha caduca. Gera que demonstra carência de conhecimento A mesma que habita nesta tribo de cimento Que ao invés de reunirem-se nos Ministérios Marcham sem panfletos a cometer erros sérios Gera que vem a capital a busca de oportunidades Pobre nortenho é enganado pelas publicidades Sem escola acaba como segurança Decepção de quem viajou com esperança Gera dos estudantes que abandonam a «School» E acabam nas minas da África do sul Por acreditarem nas aparências acabam na ratoeira E são maltratados do outro lado da fronteira.

Negócio ou religião, dê a sua visão Uns defendem o segundo por sofrerem neste mundo Outros no primeiro pelo sotaque brasileiro
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Negócio ou religião, dê a sua visão Uns defendem o segundo por sofrerem neste mundo Outros no primeiro pelo sotaque brasileiro Pela obsessão no dinheiro e estarem no mundo inteiro Como o sexo e a droga, como a praga que roga Profanando a falsidade em sua obra Nos bolsos levam tudo e nada sobra Corpo humano com o espírito da cobra Perante ao seu rebanho são teólogos Falsos diálogos, fazem-nos de monólogos Senhores cobradores, angariadores de valores Burladores, manipuladores Pastores impostores Estudaram a economia e auditoria Aprenderam filosofia aprofundaram a cleptomania Passaram por curandeiro investiram em tecnologia Por baixo do nevoeiro manipulam a maioria O crente é o cordeiro sacrificado todo o dia Janeiro á Janeiro, pobre mais pobre que melancolia Portas abertas para mais sacrifícios Dízimos e ofertas mas não vemos benefícios Partilhas o salário do suor do seu ofício Acorda seu otário este é o momento propício Consulta o oráculo, ATM em pleno cenáculo Que espetáculo até científicas para o cálculo. O bem soa, o mal voa, a verdade vem a tona Isso me fez escrever e despertou-me a mona De ano em ano, demostram o lado profano Não precisam de um pano para enganar o Moçambicano Omnipresentes são através dos medias Tornou-se fácil manipular uma Lídia Tudo nítido como o vidro cristalino Mas há quem ainda crê neste falso ensino Pastor sem outro ofício tem um vasto gado bovino E tu achas que é um milagre do senhor divino? Essas são as profecias da bíblia que não lês Lê apocalipse, o que está escrito agora vês Acredita António, a terra virou um pandemónio Compartilha o património, livra-te do demónio Disto estou certo; lúcifer actua por perto Ele não é esperto, teu olho é que não está aberto Cada um vê mal ou bem conforme os olhos que têm Desta religião também admito, fui refém Eles cobram, roubam e dizem: Amém Será que este é o caminho para chegar ao além? Lentamente o arrebatamento vem Os que acreditaram vão a nova Jerusalém A farsa do exorcismo abençoa da desgraça Televisões e rádios até no centro da praça Templos, cenáculos são as capas da farsa Aqui tens a verdade propaga é de graça.

Não tenciono por nada ser a próxima celebridade Ergo a caneta gastada, com mês de idade Traço a letra alinhada aos sucessivos versos
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Não tenciono por nada ser a próxima celebridade Ergo a caneta gastada, com mês de idade Traço a letra alinhada aos sucessivos versos Mente entusiasmada, explorando universos Pouco serei reconhecido por este acto solitário Escrever feliz e aborrecido como se construísse um diário Muitos me têm esquecido, poucos me percebem Não me dou por vencido nem convencido que não me recebem Não sei ainda ao certo qual é o fim disto Embora conciso decerto, escrevo e insisto O amanhã é incerto, aldraba-se quem o tem previsto O agora é que existe, aproveito e não desisto Quero sair dos bastidores, da sombra das cortinas Encarar espectadores, espantar as rapinas Quero estar com trovadores escalando a pé colinas Não procuro aduladores nem intimidades com meninas A solidão me basta mas a fama não nego Letra tenho tanta de transtornos que carrego Depressão me persegue com martelo e prego Mas ela não percebe que nunca me entrego E se a morte é para todos, então não tenho medo Vou escrever e escrever até sangrar os dedos Fazer da caneta e a sebenta meus brinquedos Um dia serei ouvido, reconhecido, tarde ou cedo. Começou na curiosidade, experimentei ao acaso Naquela ingenuidade era um papel raso A ideia era rimar, métrica não vinha ao caso O mais rápido terminar, obedecia um prazo Em uma viagem de ida, com passagem de volta Atraído pela batida, a mão ficou mais solta Cabeça toda pronta, cegueira conheceu a morte Rasguei meu passaporte e abracei esta sorte Sorte de aprender quando estou a ensinar Sorte de poder falar a rimar Sorte de escrever, sem nada para limitar Isto me fez conhecer meu próprio limiar O norte é a frente, a morte é a meta Métrica diferente na voz e na letra Cai areia da ampulheta eu sentado num cometa Viajando pelo planeta, com caneta e sebenta Mas nem sempre é assim, imaginação esgota-se Transpiração entra aí quando a mente encontra-se Em transe temporário, fora da órbita Aciono o modo solitário, pratico a mania mórbida Sem grupo ou banda, sozinho no «Under» A mim ninguém manda, MTA, só anda Sem grupo ou banda, sozinho no «Under» E se o reconhecimento não vier? MTA, não se zanga. Cinco anos na activa, já sou licenciado Manter a poesia viva, (cumprindo o primeiro jurado) Depois da positiva com a obra «Verbum Pro Verbo» Cheguei a conclusiva que sou um bom servo Entreguei-me por inteiro tal como advertido Fiel mensageiro, requisito cumprido Desde sempre verdadeiro, mais outro obedecido E tudo que me é retribuído, é um público ensurdecido Ninguém me escuta, isso tem em aborrecido E não há desculpa que me deixa convencido Que o conteúdo que trago passa despercebido Isso não acredito, mesmo sendo introvertido Juro meu irmão tentei parar de escrever Mas essa opção não me cabe escolher O cérebro e o coração são os comandos do meu ser Não posso dizer não, apenas proceder a obedecer Na auto-exposição, apostei em demasia Canção em canção são, tristezas e alegria Se verso fosse um grão de arroz não emagrecia Desnutrição não preocuparia, gastrite não temeria Só para a minha informação, o que disse é utopia Caio em depressão só de saber que a poesia Que escrevo com dedicação não passa de uma porcaria Ao desgosto do cidadão influenciado pela maioria … Globalização.

Eu sou a charada por poucos decifrada Por vós amada por todos desejada A cara encriptada, coroa do reino fantochada
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Eu sou a charada por poucos decifrada Por vós amada por todos desejada A cara encriptada, coroa do reino fantochada Por todos disputada, por todos procurada O dilema a malícia a felicidade fictícia A corrupção do polícia a censura da notícia Matéria palpável desejada em abundância Mal inevitável o prólogo da ganância Sou o pseudónimo do ser anónimo Corpo de lúcifer é meu sinónimo Fui a razão da fúria de cristo Sou desde então o advogado do ministro Sou a razão das solidárias ajudas Fui a razão dos chicotes dos tugas Sou a causa da fama do judas Sou e serei o ser que tu não mudas. Sou a máscara do vosso baile O tecido do vosso xaile O defeito insuperável pela qualidade Plumas no leito que trazem infelicidade Eu sou o mal mas por ti necessário Ser decimal, sinal vital binário Na minha ausência a presença do precário Na abundante existência o sorriso do proprietário Sou debatido na igreja, no ministério No político partido no Vaticano em mistério Sou o vício do ambicioso sem critério Ser maligno que ninguém leva a sério O meu pacto com o homem só vai até o cemitério Quando vivo garanto-lhe um império Sou o incentivo das maldades do hemisfério Motivo do debate bélico no Iraque.

1 É a porra de mais um dia e hoje agarro a minha bic
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1 É a porra de mais um dia e hoje agarro a minha bic Se a barriga está vazia não é por falta de apetite É a crise na economia, concretamente em Moçambique Há uma semana não padecia e hoje padeço de gastrite 2 Carrego a crise nas entranhas bem antes da idade Não há machambas castanhas nem no campo, nem na cidade Mas nos mercados apanhas preços a uma disparidade E esses cabrões nas campanhas prometeram-nos prosperidade 3 Enganaram-nos de novo já não é novidade O novo patrão é o povo é o slogan da actualidade Um patrão que não tem vez e seu pranto é censurado Que paga a dívida que fez o seu ex-empregado 4 Não há emprego, não há trabalho nem uma oportunidade Licenciados estão sentados como estiveram na faculdade Outros a serem formados formatados pela universidade Mestrados e doutorados amputados a sagacidade 5 Estou incluso na lista de estudantes universitários A fome e a fadiga são os dilemas diários Mas o que faz com que não desista são os meus conselheiros A palavra deles me instiga porque são verdadeiros 6 Além da barriga, há que alimentar a mente E quanto a mim felizmente ando saciado como é evidente Apostando no futuro lançando a semente no presente É o investimento mais seguro, mais maturo e consciente 7 Como o outro dizia: a crise já foi mental Hoje de barriga vazia percebo que chegou ao metical Mas não precisa da CIA nem da perícia criminal A cara da cleptomania é o ex-dirigente nacional 8 Nada fez a polícia nem o supremo tribunal Quando se difundiu a notícia na TV e no Jornal O sistema está fudido já dizia o mano Chacal Enfraquecido e corrompido pelo partido imparcial 9 A democracia é enganação cuidado que és assassinado Só tem liberdade de expressão o cidadão não letrado Recordo da manifestação que não aconteceu ano antepassado Fez-se a rua um batalhão da milícia bem armado 10 Ficou claro desde então, não, ficou confirmado Que nos querem ver calados, sentados e conformados Nossos direitos confiscados, nossos prantos revogados Salários magros atrasados, mais subsídios aos deputados.

Mal, afinal quem é o Pai desse mal? É o ser transcendental ou o animal racional? O diabo decerto é a opinião global
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Mal, afinal quem é o Pai desse mal? É o ser transcendental ou o animal racional? O diabo decerto é a opinião global Um tal anjo esperto, governante universal Censo comum é a ponte do conhecimento actual Eu não creio em dogmas acredito na moral O dogma é veneno da potência intelectual Única certeza trivial é que o mal é real Ausência do bem, insatisfação da conduta De alguém para outrem, com ou sem desculpa O mal é histórico, nascido da labuta Arquitetado pelo homem, o mal reside na disputa Homem transfigurado em animal selvagem Facto mais que consumado, não se trata de miragem O fim é justificado pelo meio que é usado Mesmo que o resultado prejudique o irmão do lado.