Respir arrrr. E preso, com os pulmões inflados, estou a 1 segundo de satisfazer-me Não tenho pulmões exigentes
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Respir arrrr. E preso, com os pulmões inflados, estou a 1 segundo de satisfazer-me Não tenho pulmões exigentes Importa-me que esteja presente, na devida proporção, o ar que me cerca Importa-me que oxigene as células O fôlego percorre seu caminho, encontra a existência, mata um pouco porque é o mecanismo da vida, um pouco de morte em si Se eu tivesse pulmões exigentes, não haveria espaço para a vida Eu morreria da eterna utopia de que ar melhor é o ar puro Morreria na ideia, e não viveria a tempo de contar-lhe que ar puro mata Mata porque não se disponibiliza A exigência mata Cuidado! E mata não só de raiva os pulmões Mata quando exigimos o melhor do ar, da vida, das relações, dos serviços, do tempo, de tudo, de todos, da evolução, dos cenários… Melhor é viver com o simples que se tem a morrer periódicos sufocos aguardando o refrigério que merecemos Por óbvio, merecemos o puro, o sacro. Mas de que serve o sagrado inalcançável? Ninguém se hiberna A vida é urgente! Não existe isso Não existe esperar o melhor para degustar a vida O melhor é agora, nos retalhos de colchas da existência quando, nos desafios, precisamos costurar logo para existir