Frase de João Batista do Lago
À BEIRA DO CAIS De João Batista do Lago O velhinho sentado à beira do cais é silêncio puro num final de tarde febril no ocaso de um dia de abril onde o sol não sorriu para os cabelos brancos feito asas de gaivotas soltos na imobilidade do vento Sento-me ao seu lado vazio... e calado... e mudo na prenhez do tempo e do espaço… Os meus cabelos ainda estão viçosos alinhados e sem quaisquer querelas com o vento estão nervosos e bem mais sofridos que aqueles cabelos brancos sustentados de experiências capazes de tudo falarem sem uma palavra sussurrar E eu tão jovem querendo auscultar o lamento que somente as ondas do mar ouvem caladas e correm como loucas para... para guardar na profundidade do seu mar profundo e eterno as minhas queixas... as minhas querelas... e todas as minhas mágoas guardadas na plenitude daqueles cabelos brancos feito asas de gaivotas famintas do peixe De repente o velhinho sentado à beira do cais levanta-se e sem me dizer uma palavra sem um adeus sumiu na plenitude do tempo e do espaço Fiquei só sentado à beira do cais...
No pensador.ai desde