TAÇAS DA VIDA Havia taças! Taças da vida...
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TAÇAS DA VIDA Havia taças! Taças da vida... Não era um brinde Não era vinho Não era festa Não era vício Era cicuta! Era tristeza... Era revolta! E tanto fazia beber ou viver.
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TAÇAS DA VIDA Havia taças! Taças da vida...
TAÇAS DA VIDA Havia taças! Taças da vida... Não era um brinde Não era vinho Não era festa Não era vício Era cicuta! Era tristeza... Era revolta! E tanto fazia beber ou viver.
Nada é tão sublime quanto a inocência. Nada é tão puro e verdadeiro quanto a espontaneidade na inocência. Somente a poesia pode ser considerada sua irmã gêmea .
Nada é tão sublime quanto a inocência. Nada é tão puro e verdadeiro quanto a espontaneidade na inocência. Somente a poesia pode ser considerada sua irmã gêmea . J. OVIEDO
Não se pode levar a vida tão ao pé da letra, mesmo porque vc não sabe qual é o pé da letra da vida. (J. OVIEDO)
Em tudo há algo de você. Mas é claro que nunca esteve em tudo,
Em tudo há algo de você. Mas é claro que nunca esteve em tudo, é claro que para que eu te visse em tudo, você deveria estar somente em mim. para enxegar-lhe na vida inteira.
CANÇÃO DO NADA Quando cantas é como se um arrulho de pássaros Me levassem a dormir, e tuas mãos enluvadas
CANÇÃO DO NADA Quando cantas é como se um arrulho de pássaros Me levassem a dormir, e tuas mãos enluvadas Me protegiam, aquecendo-me do frio de ti Oh, como era bom o tempo de deitar-te no colo! E hoje minha alma deixa-se abandonada, ao solo! Puderas, que todo arrulhos fosse o farfalhar de seus pés, Como folhas caindo, tecendo um caminho até mim, E caminhasses, vindo, me oferecesse o regaço. E eu continuasse dormindo, como se sonhasse À sombra da primavera, lá na nossa casa, no jardim Com as palmas das mãos acariciando-me o rosto! Eu sei nada é vida. A vida é que se pergunta, o que sou eu? A vida, para uns é o amanhecer, a outros o tecer do breu.
TU, A ESTRADA Aquela beleza disforme Lançou sobre mim
TU, A ESTRADA Aquela beleza disforme Lançou sobre mim A tristeza de um olhar informe E tudo cintilou-me a alma descomedida e desamada. Lancei-me à mão daquele pequeno e estanho ser. E era amor, e era paixão. Pude ver o cintilar da retina Mas era noite desatina. Caminhei os seus passos como as borboletas Que não deixam rastros. Tudo disforme, nada informe naquela estrada. Tu, a estrada!
Às vezes a gente fica se achando, mas na verdade estamos é perdidos.
DESPERTARÁS Tu despertarás para mim Oh, alma dormente,
DESPERTARÁS Tu despertarás para mim Oh, alma dormente, Meu coração carmesim tão perto te sente! Não ouves as passadas Em volta de sua morada? Não houve meu pranto Buscar seu encanto? Pobre sou eu... Um grito ouvi Suspiro abafado Um leve sorrir! Tu, estás aí? Bate tuas asas, Vem pra nossa casa! Tira o véu que cobre Seu rosto de breu. Eternamente sua sou eu e você para sempre meu!
AO QUE FOI EMBORA A minha dor é um grito rouco E no silêncio lamenta essa triste vida,
AO QUE FOI EMBORA A minha dor é um grito rouco E no silêncio lamenta essa triste vida, Tudo se troca por tão pouco A lida, os dias belos e os dias loucos. E por aí, na imensidão da noite eu te procuro, por caminhos escuros... no frio da madrugada, onde a lua se esconde oh, triste fim! Oh, triste açoite! E enfim, outro dia amanhece Em que da esperança me descanso Outra noite há de chegar, mas o tempo, nenhuma alegria tece no manto um alento, como lençol estendido a enxugar meu pranto . E aos testemidos que buscam na distância a alma daquele que foi embora: Não, não voltará nunca mais em nenhuma aurora. JOANA DE OVIEDO – DIREITOS RESERVADOS
Eu preciso tanto ouvir o teu canto Aquele de quando vinhas pelo caminho Da terra branca de Minas Gerais, e que só se ouvia
Eu preciso tanto ouvir o teu canto Aquele de quando vinhas pelo caminho Da terra branca de Minas Gerais, e que só se ouvia O grasnar dos pássaros noturnos misturando-se A uma canção pueril. Sua doce voz, às margens do rio Lavando nossas roupas e cantarolando, Eu queria tanto vir outra vez a sua tez De veludos. Ficara a assombra do que fomos nós E o desatar dos nós que nunca conseguimos E partiste, com nossos versos tristes, ficamos Ao som da valsa já sem compasso, sem dança Sem tom de que ainda existimos.
Casa de açucena O nosso amor cheirava a flor de início de primavera E era tão perfeito, cheirava à bela flor e à quimera
Casa de açucena O nosso amor cheirava a flor de início de primavera E era tão perfeito, cheirava à bela flor e à quimera nossa casa tão pequena, branca como a açucena Pequena, porém, airosa, muito mais bela que a rosa. E na rede namorávamos, até chegar a madrugada E a lua toda nua, sentia inveja sua... Não tinha o seu rosto de lume, nem mesmo aquele perfume Que me afogava quando me amava. E tudo não passou de um tempo Tempo em que me amava tanto Você esqueceu tão nobre juramento E hoje quando olho a lua, lembro-me do rosto de lume E do seu perfume a afogar-me, ao abraçar-me!
E recomeçaremos todos os dias, enquanto for preciso, enquanto for possível. E se não for, recomeçaremos como for...
A rosa Uma rosa ainda que com espinhos
A rosa Uma rosa ainda que com espinhos será sempre uma rosa! Pois é na dor das picadas que está sua essência.
O SEGREDO DA LUA Eu e a lua conversando sobre vc: Ela me diz que seu corpo nu
O SEGREDO DA LUA Eu e a lua conversando sobre vc: Ela me diz que seu corpo nu era tudo que alguém poderia querer. E me mostrou as noites em que caminhava só, de tão triste, ela própria sentia dó. E vi suas lágrimas e vi também sua dor, E a lua sentiu um amor que nunca antes houvera . e chorando me contou toda sua quimera. Que o sol havia aparecido e vc desaparecido no âmago da solidão que era só sua e da alva lua.
E AS PÉROLAS MORRERAM Dizer que te amo para quê? Se as pérolas que te ofereci
E AS PÉROLAS MORRERAM Dizer que te amo para quê? Se as pérolas que te ofereci Jogou-as fora ao dia fenecer? Matou-as com tanta ironia! E a flor que te dei, também murchou à neve do triste inverno (também não cuidou). E a caneta de ouro que a ti guardavas Não fazia parte dos teus pretensos tesouros! Joana de Oviedo - do livro Pérolas Telúricas Direitos reservados
SONHO Enquanto durmo, tu te despertarás De teu sono injusto dessa vida e virás
SONHO Enquanto durmo, tu te despertarás De teu sono injusto dessa vida e virás A minha alcova para me ver Para sentir meu respirar Diferente do ar a te mover. À noite, em um sonho bom, transformar-te-ás e teu rosto manchado de meu batom.. E a seda de minha roupa esvoaçando por teu jardim. e tua flor a tocar em mim. Ao amanhecer ainda sentindo tua respiração acordarei feliz de meu sonho bom!
EM TI Foi para ti que criei um mar E na orla duas estrelas brilhantes
EM TI Foi para ti que criei um mar E na orla duas estrelas brilhantes Deixei meus rastros na areia Para colher com teu olhar A dor que ali tentei abandonar Antes que a chuva voltasse na madrugada E apagasse meus sinais na areia, em ti.
AMOR Um dia hás de gritar meu nome na calada da noite
AMOR Um dia hás de gritar meu nome na calada da noite Meu nome: “amor”! E eu tão longe para ouvir Meu sobrenome. Talvez um eco levado pelo vento Há de causar dor, a dor daquele lamento Escolherei o melhor vestido E pela estrada irei correndo Como se verdade fosse Aquela canção do vento: um pressentimento E estarás em tua casa, ausente de mim Esperando do triste filme, o fim Que atuamos juntos.
NOSSO DIA A SÓS Meu amor, é para ti... Meus pergaminhos!
NOSSO DIA A SÓS Meu amor, é para ti... Meus pergaminhos! O polén das árvores que eu amo, os dou... É tudo que tenho... E o meu amor que espero: Venha buscá-lo! Buscar-me! Enquanto em mim a ilusão dos teus cabelos soltos, batendo-me no rosto E os ventos vêm a tocar-me de leve Trazendo-me um cheiro de polén, brisa... Do seu perfume!
REFLEXO PERPLEXO Eu sou o amor que não te esquece Porém longe da nossa mesa,
REFLEXO PERPLEXO Eu sou o amor que não te esquece Porém longe da nossa mesa, da nossa messe. Tu contemplarás teu retrato no prateado das baixelas E então comerás o pão... não mais feito pelas minhas mãos E o gosto, tão de longe, te lembrar-me-ás. Hás de sorrir e dizer meu nome. Esse que traz o seu sobrenome. E de tempos felizes, em que os matizes de nossas roupas,bem poucas, parecia o campo, parecia o mar. E um tempo passou veloz Levou tantas coisas Inclusive nós! De nós mesmos nos roubou. E olhando à mesa seu reflexo... Perplexo, voltas com desgosto Na fotografia modificada de seu rosto.
Onde moro? Nas ruas da nossa casa, construída com nossos beijos e abraços.. Moro na ilusão dos sonhos... moro na solidão da noite sob o teto das estrelas.
Onde moro? Nas ruas da nossa casa, construída com nossos beijos e abraços.. Moro na ilusão dos sonhos... moro na solidão da noite sob o teto das estrelas. Moro em ti, na tua alma. Moro nos caminhos buscando tuas pegadas.
IGUAIS ÀS BORBOLETAS Nada melhor que sermos iguais às borboletas,
IGUAIS ÀS BORBOLETAS Nada melhor que sermos iguais às borboletas, é sermos os casulos, de onde nascerão a juventude das borboletas velhas a cumprirem o seu cículo. Quando se cansar de voar, poder adormecer e sonhar, e, adormecendo poder sonhar que em breve voltará a dar vôos rasantes.
ESSÊNCIA MALDITA Provei tua essência, Oh, alma dos meus delírios! E pela estrada, suspirei fundo a minha dor...
ESSÊNCIA MALDITA Provei tua essência, Oh, alma dos meus delírios! E pela estrada, suspirei fundo a minha dor... Sem saber se era um caso de amor, ou a breve vida Dos lírios que fenecem da noite ao dia amanhecer. Então, em que crer? Se só uma ilusão vivi Se das tuas mãos só o olor recebi! Como troféu senti na carne os ventos batendo, apressados a levar o tempo! Provei tua maldita essência, oh, alma dos meus delírios! E morri como os lírios noturnos... taciturnos! Joana de Oviedo do livro Pérolas Telúricas
PROMESSAS Trago nas mãos tuas promessas vãs sem saber o que com elas fazer
PROMESSAS Trago nas mãos tuas promessas vãs sem saber o que com elas fazer e nos ombros os gravetos de antigas primaveras Como barco à deriva levando apenas um remo Das flores, as pétalas que murcharam, aos ventos, ao sol por. E levo nos ouvidos, a esperança da última nota da nossa música e seus ruídos... E nos olhos, desejos por seus lábios frementes. E na terra da mesma estrada, conto nossos passos antes que o tempo e a desilusão os apaguem, amor!