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Frases de JOANA DE OVIEDO

341 frases

DESLUMBRANDO-SE É preciso saber fazer de uma flor o seu jardim Quando não há mais nenhuma possibilidade
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DESLUMBRANDO-SE É preciso saber fazer de uma flor o seu jardim Quando não há mais nenhuma possibilidade De novos nasceres. É preciso aprender a deslumbrar os olhos! Deslumbrar a vida... Deslumbrar a alma...

FOME DE TI Não era a lua E nem a chuva
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FOME DE TI Não era a lua E nem a chuva Que deslumbrava-me o corpo nu. Eras tu, oh meu amor Que caminhavas Por sobre a dor Da pobre alma Que te pedia Um pedaço de pão Naquele dia. E aquela fome Ainda me consome. Você partiu! E eu ainda sinto fome Fome do afago das tuas mãos

DE QUE SERVEM AS CONSTELAÇÕES? Não te posso dar um nome, amor. Nem uma flor posso oferecer
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DE QUE SERVEM AS CONSTELAÇÕES? Não te posso dar um nome, amor. Nem uma flor posso oferecer Andas nas constelações de Quasar E eu, busco uma única estrela: teus olhos. De que serve milhares de estrelas, e mesmoaA Órion, se custas anos luzes para tê-las? E o nosso tempo é por deveras, breve. Não se atreve, podes perdê-las Sem nunca, nunca tê-las. Não tenho um nome para te dar, oh navegador da infinitude! Das constelações, do meu amor E da minha dor! Abandona, sereno, o teu barco Declina-te para a terra; joga teus remos às águas! Esses remos cobertos de mágoas. Deixa que passe a noite! Não se atreve perder-te em busca de vãs estrelas.

REPETIÇÃO A vida é mais que lembranças repetidas. Ela continua. É soma ao agora, ao amanhã e ao depois, que se tornarão coisas repetidas também. Mas não é só isso, pois haverá outros amanhãs e outros dias para somar, e tudo volta ao começo de tudo: A vida é mais que lembranças r…
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REPETIÇÃO A vida é mais que lembranças repetidas. Ela continua. É soma ao agora, ao amanhã e ao depois, que se tornarão coisas repetidas também. Mas não é só isso, pois haverá outros amanhãs e outros dias para somar, e tudo volta ao começo de tudo: A vida é mais que lembranças repetidas.

PEQUEI Pequei contra ti E como tenho pecado!
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PEQUEI Pequei contra ti E como tenho pecado! Devo pagar. Serei condenado Pequei por amor Sou desgraçado Mas já tenho a pena A triste saudade. Viver por viver É também um morrer É sentença de morte É um viver sem norte Essa é a pena Por tanto querer. E preso à alma Que nunca se acalma Não há quem liberte E vivo perece. Hei de morrer Sem ouvir sua voz Sem ter sua prece, Meu amor, meu algoz!

O TEMPO DE SER FELIZ O meu tempo de ser feliz é agora Mesmo que tenha chorado
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O TEMPO DE SER FELIZ O meu tempo de ser feliz é agora Mesmo que tenha chorado Trago alegrias de antigas auroras E se o tempo passou e vc apenas chorou, Vá estrada a fora a colher os feixes, os molhos dos trigos e da primavera esquecida: Lembranças do passado. Mas vá, sem antes levar os gravetos de agora, os feixes das rosas, das primaveras e os desenhos das nuvens de algodão. Mas vá. Deixe em paz seu coração. Junta a lenha no terreiro! Torne-se inteiro!

COSTURANDO O TEMPO Vivo a costurar o tempo Com minhas agulhas, costurando
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COSTURANDO O TEMPO Vivo a costurar o tempo Com minhas agulhas, costurando Vou caminhando... alinhavando e até remendando-o. Às vezes sento, e entre um café e outro Conduzo-me de ponto a ponto. Mas tudo é atemporal E não há como desenhar esse tal tempo Copiando rosas ou folhas ao vento. E nessa costura sem fim Teço-me um infinito para mim. Joana de Oviedo – Direitos reservados

INVERNO ATEMPORAL A aurora veio com os versos do poeta Trazidos pelo frio invernal
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INVERNO ATEMPORAL A aurora veio com os versos do poeta Trazidos pelo frio invernal E tudo era festa, porque o ventos Batiam nos vestidos das meninas nas ruas E então nas noites, pareciam nuas Apesar de seus trajes de festas. Nada é como antigamente A aurora chega fremente Com gosto de noites mal dormidas A face um tanto amanhecida De quem a esperou para olhar Pela janela e ver no varal Os vestidos da menina Que não dançam mais pelas ruas. Cansou-se, desbotou-se no inverno atemporal!

DESEJOS PARA HOJE E SEMPRE Que hoje o café seja servido em todas as mesas Que nenhuma delas fiquem sem os perfumes das mãos,
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DESEJOS PARA HOJE E SEMPRE Que hoje o café seja servido em todas as mesas Que nenhuma delas fiquem sem os perfumes das mãos, E que nenhuma mão se prive de tocar em outras mãos; Que de noite, toda nostalgia se transforme em poesias; Que a lua resplandeça ainda que encoberta pelo sol Quando chover, que o sol brilhe ainda acima das nuvens se as chuvas tentar apaga-lo, Mas o seu brilho reflita intensamente sobre a terra, e em forma de esperança, sobre a nossa terra chamada coração; Que seu olhar nunca se apague na desesperança, e caso se apagar, ele apenas esteja descansando para nos contar logo mais um sonho bom Que a videira floresça e lhe dê mais vinhos suaves, sem motivos para embebedar-se, a não ser da própria alegria; Que as mãos estendidas, nas ruas, sejam apenas para apertar as suas e desejar um bom dia, boa tarde ou boa anoite. Que nas noite não haja ninguém nas ruas (sem lugar para voltar), a não ser a passeio para um sorvete Que “os mano” utilizem o vocabulário certo (irmãos); e que todos o utilize na medida exata do seu significado; Que haja paz; que haja Deus! Joana de Oviedo – direitos reservados

AS BORBOLETAS E as borboletas ainda voam Às tardezinhas roubando de algum jardim
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AS BORBOLETAS E as borboletas ainda voam Às tardezinhas roubando de algum jardim palavras ao meu poema E trazem assim, tênue uma a uma, as palavras, Nem percebem que o que me faz escrever são as asas que voam fremente ao vento. Sem esse compromisso de dizer ou mostrar-se contente. Sem a ânsia de viver sabendo que logo Irá nascer do casulo ou renascer. E as borboletas se vão aos jardins Para morrerem feito palavras no papel.

O tempo Que dirão os corações ao tempo que passa Se não há mais tempo de pronunciar com os lábios?
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O tempo Que dirão os corações ao tempo que passa Se não há mais tempo de pronunciar com os lábios? Então acenam-se as mãos para que fique E não há como o tempo prestar atenção Pois seu olhar é sempre à frente. Que dirão os corações? Enquanto as lágrimas andam pelos caminhos da face E vai se esconder em um rio que mora nos lábios... O tempo olha a cena e passa, porque não há tempo para contracenar. Joana de Oviedo – direitos reservados

PARA ALÉM DE UM LUGAR Por onde tens andado? Oh, anjo de asas douradas
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PARA ALÉM DE UM LUGAR Por onde tens andado? Oh, anjo de asas douradas Acaso, tens caminhado Onde começa e acaba a madrugada? Para além de um lugar tens pousado Em que a primavera premente Cultiva uma única flor estranha Em que fazes teu vinho Acre-doce, ora fino e também triste a servires nas taças dos querubins Que voarão sobre a terça parte da terra E ferirão os povos nas faces, nas mãos. Derramar-te-ás esse cálice a mim? Oh, anjo de asas douradas Tu tens a chave desse segredo Em que se abre o livro do começo e do fim. Então... Dize-me, o que é isso? esse fim que a tudo consome isso deve ter um nome.

SONHOS Alguns sonham em ser deuses Assim como os jardins de violetas
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SONHOS Alguns sonham em ser deuses Assim como os jardins de violetas Sonham em ser uma floresta de rosas; O riacho sonha em ser mar E o mar se transborda à praia Porque o que quer mesmo E alcançar a mais linda pérola. E assim continuemos com nossos sonhos. Sejam pequenos ou grandes, Não demoremos porque as violetas Fenecem, assim as rosas também, O riacho e o mar... Mas sempre haverá um grão dentro da ostra.