Pular para o conteúdo

Frases de Janete Manacá

15 frases

Andarilha Chegou como um pássaro noturno Em plena sombra da escuridão
Continuar lendo

Andarilha Chegou como um pássaro noturno Em plena sombra da escuridão A princípio uma andarilha Vestia preto com cabelos desalinhados Olhar perdido preso ao passado Disse-me que era voluntária Trabalhava com os filhos da ilusão Seu nome era Ana como a avó de Jesus Morava num bairro afastado da cidade Tinha um crucifixo preso entre as mãos E não se preocupava com a solidão Sentia-se amparada por abençoadas mãos Pediu licença, puxou a cadeira E sentou-se ao lado do meu coração Contou-me muitas histórias antigas E libertou a criança da infância reprimida Falou de fé, cura e libertação Do poder da chave de Davi Para expulsar dores e cicatrizar feridas Transmutar mágoas de um passado infeliz Hoje, sozinha, caminha na noite sem destino E agradece quem ouve o seu lamento Seu sorriso indecifrável é mais uma súplica De quem perdeu a memória e segue sem direção Do livro:Extasiada de Infinitos

Feminicídio Maria também se foi Levando no coração
Continuar lendo

Feminicídio Maria também se foi Levando no coração Muitos sonhos inacabados Tinha na alma o desejo de liberdade Sua história de amor acabou Como a ilusão dos contos de fada Era frágil e não se sustentou Por sorte ela tinha voz própria Conversou, disse adeus e se foi Ser pássaro em outras moradas Com fé e esperança seguiu seu caminho Recomeçar sempre, agora com maturidade Entre tantas escolhas prometeu se amar Na intensidade que seu ser merecia Assumiu o compromisso de ser feliz Sem traições, ilusões ou vaidades Na inocência sequer imaginou Que no caminho havia emboscada Prenunciando o fim do início da sua jornada Sem direito a defesa, foi brutalmente assassinada Numa fúria patriarcalista de insanidade Ele desferiu dezenas de facadas Seu corpo tombou sobre o chão ensanguentado Estampado no jornal que ele tomou rumo ignorado A noite chegou fúnebre e agoniada Com chuva de lágrimas pela fatalidade Era mais uma vítima do feminicídio Que Nanã receba em amor o seu corpo destroçado Do livro: Extasiada de Infinitos

Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga
Continuar lendo

Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga Que trazem na própria face O mapa da terra ressequida Mulheres que expõem as cicatrizes da miséria Vultos invisíveis das favelas Que regam a terra com suas lágrimas Onde a semente germina desnutrida Mulheres expulsas do paraíso Deusas cruelmente excluídas Cuja gratidão é silenciosa oração Debilitadas vencem dias de provações Mulheres que geram na dureza do sertão Estrelas cadentes por falta de opção Suas faces denunciam a indiferença Do poder que oprime com a força da ambição Mulheres estrelas das noites de escuridão Trazem dentro de si a nobre constelação Por serem filhas do ventre da terra São poesias aguerridas a fecundar este chão Do livro: Extasiada de Infinitos

Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos
Continuar lendo

Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos Sentir o pulsar de cada fragmento Construindo coreografias Para compor letras de poesias Depois que as escrevo Guardo-as no útero ou no coração Para amadurecerem com amor Espero dias, meses ou anos E continuo engravidando de imaginação Poeticamente sou uma mulher parideira Tem dias com muitos partos E outros que me entrego às brincadeiras Por sorte tudo na vida é inspiração Que preenche de luz a minha solidão Gosto muito de falar dessa magia Mas vou ter que protelar Tem fragmentos de letras ansiosas Disputando as rimas das minhas poesias Na esperança de conquistar o melhor lugar Do livro: Extasiada de Infinitos

Recordações Hum… cheiro de infância no ar Pássaros brincam nos fios de alta tensão
Continuar lendo

Recordações Hum… cheiro de infância no ar Pássaros brincam nos fios de alta tensão Libélulas coreografam o bailado da vida no quintal Da janela do quarto eu contemplo o visual O beijo quente do sol aquece a rotina O azul-celeste envolve minha alma O cheiro alquímico de café inebria a sala de estar Tardia é a hora do desjejum matinal Minha mente vaga entre filosofias Imersa em velhos álbuns de família Fotos sépias e outonais Rasgam o ventre do tempo Absorta em pensamentos De mãos dadas com o vento A criança sorri e se vai Do livro: Extasiada de Infinitos

Eu sigo com meus sonhos e meu violão Foste embora da minha vida Jurando amor sincero e infinito
Continuar lendo

Eu sigo com meus sonhos e meu violão Foste embora da minha vida Jurando amor sincero e infinito Inebriaste-me em seu perfume paradisíaco Com poéticas declarações de amor Mas eu sobrevivi naquele jardim, agora sem flor Desejava conhecer o mundo dos desenganos E feito cigano partiste sem nenhum apego Ao encontro do vazio das reticências Peito aberto de encontro ao vento tempestuoso Se aventurando na sorte da imaturidade Seus negros olhos perderam-se na cor da noite E nessa obscura fusão deixaste sangrando meu coração Levaste na bagagem apenas a coragem, nada mais Queria para si o indecifrável talvez um pingo no i Quando a noite desce sobre o sol ouço soluços algures Hoje absorta em tantas reminiscências Invade meu sonho repousante para falar de amor Enquanto o dia me deixa em estado de vigília Velando contra os pensamentos de outrora Que faz de mim refém de uma inacabada história Deixa pois, esta sôfrega alma voar pelo azul E retecer uma nova história de amor Cujo personagem central não tem medo de ser feliz E pintar o recomeço com todos os tons e oferece nova cor Enfim, sobreviver longe dos riscos, desafios e desamor Se ainda continuo viva é pela arte da reinvenção De alimentar o sonho de ser estrela em outra constelação E deixar nascer à flor no terreno ainda árido desse coração Não volte, por favor, um dia saíste livre seguindo seus passos Por Zeus deixe-me em paz repousar no meu regaço Não perturbe o silêncio das minhas madrugadas Reinvente seu mundo e seja muito feliz Eu sigo com meus sonhos e meu violão Feliz na estrada compondo belas canções E na linha do horizonte darei novo alento ao meu coração Do livro: A Última Valsa

Estrela da minha poesia A Maria Taquara! Mulher vestida de mistérios da lua
Continuar lendo

Estrela da minha poesia A Maria Taquara! Mulher vestida de mistérios da lua Grávida de estrelas a dançar nas ruas A sinfonia universal das noites sem carnavais Tinha no olhar a iluminação e a força solar No coração a conjugação perfeita do verbo amar Muito além da compreensão de meros mortais A alma composta de poesias, inspirava alquimia E os viventes imperfeitos, produziam ironias Mas era musa esculpida de barro sagrado e nada lhe atingia Feito deusa alada, trazia seus sonhos sobre a cabeça Em sintonia com o céu seu espaço de realeza A adornar lindamente a paisagem cuiabana, com certeza Destoava do cotidiano corriqueiro e trivial E esculpia seu itinerário com argila surreal Seu mundo era livre, indefinidamente atemporal Hoje deslumbrante, desfila na Via Láctea E entre divas reluzentes, superou a estrela Dalva Maria que brilha, Taquara que guia a estrela da minha poesia... Do livro: Deusas Aladas

Adormecer Tenho vivido todas as vidas Sofrido a dor de todas as mortes
Continuar lendo

Adormecer Tenho vivido todas as vidas Sofrido a dor de todas as mortes Chorado a saudade de todos os amores Hoje sem fisionomia e sem nome Mas presente a oprimir meu peito vazio Tenho padecido de uma crônica e longínqua dor Localizada em tudo e em lugar nenhum Que me dilacera sem piedade Como um punhal sutil e afiado Que corta e faz jorrar sangue sem deixar cicatriz Infinitas vezes eu nasci e morri E essa inquietude ronda e esmaga meu existir Trama sangrenta que insiste em me acompanhar Rasga e expõe minha alma a soluçar Memória triste e chorosa contida em todo lugar Vivo a espera da grande travessia Meu desejo é repousar na eternidade De encontro aos meus próprios retalhos Registrados na memória do tempo Para na completude do meu ser em paz adormecer Do livro: Quando a vida renasce do caos

Diante da Rainha! A Valentina Diante de ti eu entrego
Continuar lendo

Diante da Rainha! A Valentina Diante de ti eu entrego O fruto açucarado do ventre de luz Que hoje habita este continente Com a beleza rara da flor E a essência lúdica do amor Com as águas sagradas do teu útero Lava o corpo e a alma deste pequeno ser Que viajou por infinitas noites Como a mais sublime poesia estelar E trouxe luz ao amanhecer Que tuas ondas prateadas inspirem teus sonhos A viver com real formosura em todo canto e lugar Que teus dias sejam firmes com a força do teu abraço E o reflexo dos teus olhos sobre o mar Repletos de suavidade para inspirar a família e o lar Esta é a tua pequena menina-sereia Que dança a magia das noites sobre a areia Balançando nos movimentos das águas Iluminada pela ternura da lua cheia Em reverencia a ti mãe de bondade rainha-sereia Retira dos teus caminhos o sentimento enganador Torna-a perfeita sob o aconchego do teu amor E no bailado destas águas em beleza Envolva e afina teus sonhos com a certeza Que a estrada a percorrer é de ternura e leveza... Do livro: Deusas Aladas

Alma Ensolarada Cheia de encanto e com a alma ensolarada Saí a cantar pela madrugada
Continuar lendo

Alma Ensolarada Cheia de encanto e com a alma ensolarada Saí a cantar pela madrugada A procura da sutileza da tua luz De mãos dadas com as estrelas Atravessei a passarela com a certeza De encontrar-te sonho meu Sorridente a percorrer todo o universo Descanso nas nuvens pra escrever meus versos Quando a saudade baila ao meu redor Com meu vestido desfiado pelas andanças E o coração apertadinho de lembranças Eu busco força nas canções da minha infância Quantas luas tenho passado a tua espera Pintei todas as rosas do jardim na primavera E dei outro tom à parede da sala de inverno Passo dias e noites reinventando outros caminhos A colorir minha rotina com brilho do olhar divino Quando o dia desabrocha me inspiro no canto dos passarinhos Mas sei que a noite da incerteza há de chegar Então adormeço na cadeira de balanço com tristeza Mas minha alma acorda revigorada e jamais perde a beleza E com o passar dos dias a idade chega Com ela a poética da maturidade e a leveza Então deixo pra ti flores na janela com nobreza E os dias passam rápidos como a efêmera dança da vida Pressinto que é chegado o dia da eterna travessia Entrego-me com serenidade e sei que por ti serei recebida Do livro: A Última Valsa

Criança interior O tempo corre freneticamente E eu continuo acreditando em sonhos
Continuar lendo

Criança interior O tempo corre freneticamente E eu continuo acreditando em sonhos Para preencher as lacunas da inquietude O vento toca suavemente meu rosto E desperta lembranças adormecidas Guardadas na memória do esquecimento A chuva cai sobre o meu corpo Borda a silhueta da minh’alma E torna-me reluzente como um cristal O sol se curva no horizonte E convida meus olhos a admirar O fim da travessia de mais um dia A noite chega lírica e magistral Desperta a música da minha consciência E inspira lindamente a minha criança interior Do livro: Extasiada de Infinitos

Sou mãe biológica de poesias A Inês, minha amada sobrinha Tenho comigo que sou mãe e não sabia
Continuar lendo

Sou mãe biológica de poesias A Inês, minha amada sobrinha Tenho comigo que sou mãe e não sabia Sim, sou mãe biológica de poesias Como tenho as portas da alma aberta Elas chegam de mansinho E se abrigam no meu útero com carinho Nascem naturalmente, sem dor, sem fórceps Sem traumas e sem gritarias Não escollhem o horário e nem o dia São libertas de qualquer imposição São repletas de amor, esperança, certeza e gratidão Nossa comunicação acontece por intuição Nos momentos de exaustão elas me arrastam pelas mãos Tagarelam em meus ouvidos e provocam confusão Deixo tudo que estou fazendo para lhes dar atenção Às vezes invadem minha privacidade e se vão Para algumas eu conto com a magia da parteira São arteiras, dão cambalhotas dentro de mim e se escondem Dizem que tem medo da realidade desse sol que arde Querem ser eternamente a inspiração da minha vida Mas ao fazerem a travessia se expandem na alquimia da poesia Do livro: Deusas Aladas

Estou grávida de Marias À Querida Maria Taquara, minha irmã, meu anjo alado... Estou grávida de Marias
Continuar lendo

Estou grávida de Marias À Querida Maria Taquara, minha irmã, meu anjo alado... Estou grávida de Marias Maria Estelar de doçura sem igual Maria Solar de beleza universal Maria Alegria acorde de melodia Maria ousadia força motriz da magia Maria Taquara eternidade de toda seara Maria passado, presente futuro Maria liberta de toda grade de todo muro Maria feminina eterna flor que fascina Mas há mentes doentes que inventam e profanam São meros e insignificantes mortais Construtores de moralidades insanas Suas calças compridas tinham rendas e babados Suas blusas floridas provocavam olhares embasbacados Seus turbantes africanos tinham cores indecifráveis Era pura alegoria, mulher que inspirava filosofia Nasceu para ser rainha e iluminar travessias Maria que transcende toda mera fantasia Quando chegava às margens do rio para o banho de alquimia Era reverenciada pelas ondinas do reino da sabedoria Para demonstrar sua gratidão convocava a ancestralidade Olhava para o céu, dobrava os joelhos e estendia as mãos Entoava lindos cantos de amor, carinho e devoção Até as águas paravam e rendiam a tamanha encantação De volta, subia a avenida com sua sombrinha dourada Era tão bela quanto Oxum com seus decotes ousados Seus olhos misteriosos provocavam um rebuliço danado Ah se alguém achar que estou mentindo Convoco para um desafio com meu cajado enfeitiçado Mas ninguém mexe com Maria, minha irmã, meu anjo alado... Do livro: Deusas Aladas