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Frase de Janete Manacá

Andarilha Chegou como um pássaro noturno Em plena sombra da escuridão A princípio uma andarilha Vestia preto com cabelos desalinhados Olhar perdido preso ao passado Disse-me que era voluntária Trabalhava com os filhos da ilusão Seu nome era Ana como a avó de Jesus Morava num bairro afastado da cidade Tinha um crucifixo preso entre as mãos E não se preocupava com a solidão Sentia-se amparada por abençoadas mãos Pediu licença, puxou a cadeira E sentou-se ao lado do meu coração Contou-me muitas histórias antigas E libertou a criança da infância reprimida Falou de fé, cura e libertação Do poder da chave de Davi Para expulsar dores e cicatrizar feridas Transmutar mágoas de um passado infeliz Hoje, sozinha, caminha na noite sem destino E agradece quem ouve o seu lamento Seu sorriso indecifrável é mais uma súplica De quem perdeu a memória e segue sem direção Do livro:Extasiada de Infinitos

Janete Manacá

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Janete Manacá

Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos
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Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos Sentir o pulsar de cada fragmento Construindo coreografias Para compor letras de poesias Depois que as escrevo Guardo-as no útero ou no coração Para amadurecerem com amor Espero dias, meses ou anos E continuo engravidando de imaginação Poeticamente sou uma mulher parideira Tem dias com muitos partos E outros que me entrego às brincadeiras Por sorte tudo na vida é inspiração Que preenche de luz a minha solidão Gosto muito de falar dessa magia Mas vou ter que protelar Tem fragmentos de letras ansiosas Disputando as rimas das minhas poesias Na esperança de conquistar o melhor lugar Do livro: Extasiada de Infinitos

Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga
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Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga Que trazem na própria face O mapa da terra ressequida Mulheres que expõem as cicatrizes da miséria Vultos invisíveis das favelas Que regam a terra com suas lágrimas Onde a semente germina desnutrida Mulheres expulsas do paraíso Deusas cruelmente excluídas Cuja gratidão é silenciosa oração Debilitadas vencem dias de provações Mulheres que geram na dureza do sertão Estrelas cadentes por falta de opção Suas faces denunciam a indiferença Do poder que oprime com a força da ambição Mulheres estrelas das noites de escuridão Trazem dentro de si a nobre constelação Por serem filhas do ventre da terra São poesias aguerridas a fecundar este chão Do livro: Extasiada de Infinitos

Feminicídio Maria também se foi Levando no coração
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Feminicídio Maria também se foi Levando no coração Muitos sonhos inacabados Tinha na alma o desejo de liberdade Sua história de amor acabou Como a ilusão dos contos de fada Era frágil e não se sustentou Por sorte ela tinha voz própria Conversou, disse adeus e se foi Ser pássaro em outras moradas Com fé e esperança seguiu seu caminho Recomeçar sempre, agora com maturidade Entre tantas escolhas prometeu se amar Na intensidade que seu ser merecia Assumiu o compromisso de ser feliz Sem traições, ilusões ou vaidades Na inocência sequer imaginou Que no caminho havia emboscada Prenunciando o fim do início da sua jornada Sem direito a defesa, foi brutalmente assassinada Numa fúria patriarcalista de insanidade Ele desferiu dezenas de facadas Seu corpo tombou sobre o chão ensanguentado Estampado no jornal que ele tomou rumo ignorado A noite chegou fúnebre e agoniada Com chuva de lágrimas pela fatalidade Era mais uma vítima do feminicídio Que Nanã receba em amor o seu corpo destroçado Do livro: Extasiada de Infinitos

Estou grávida de Marias À Querida Maria Taquara, minha irmã, meu anjo alado... Estou grávida de Marias
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Estou grávida de Marias À Querida Maria Taquara, minha irmã, meu anjo alado... Estou grávida de Marias Maria Estelar de doçura sem igual Maria Solar de beleza universal Maria Alegria acorde de melodia Maria ousadia força motriz da magia Maria Taquara eternidade de toda seara Maria passado, presente futuro Maria liberta de toda grade de todo muro Maria feminina eterna flor que fascina Mas há mentes doentes que inventam e profanam São meros e insignificantes mortais Construtores de moralidades insanas Suas calças compridas tinham rendas e babados Suas blusas floridas provocavam olhares embasbacados Seus turbantes africanos tinham cores indecifráveis Era pura alegoria, mulher que inspirava filosofia Nasceu para ser rainha e iluminar travessias Maria que transcende toda mera fantasia Quando chegava às margens do rio para o banho de alquimia Era reverenciada pelas ondinas do reino da sabedoria Para demonstrar sua gratidão convocava a ancestralidade Olhava para o céu, dobrava os joelhos e estendia as mãos Entoava lindos cantos de amor, carinho e devoção Até as águas paravam e rendiam a tamanha encantação De volta, subia a avenida com sua sombrinha dourada Era tão bela quanto Oxum com seus decotes ousados Seus olhos misteriosos provocavam um rebuliço danado Ah se alguém achar que estou mentindo Convoco para um desafio com meu cajado enfeitiçado Mas ninguém mexe com Maria, minha irmã, meu anjo alado... Do livro: Deusas Aladas