Frase de Janete Manacá
Morrer é escrever o último verso à sombra da própria existência.
No pensador.ai desde
Morrer é escrever o último verso à sombra da própria existência.
No pensador.ai desde
Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos
Palavras Gosto de ver as palavras Brotarem das minhas mãos Sentir o pulsar de cada fragmento Construindo coreografias Para compor letras de poesias Depois que as escrevo Guardo-as no útero ou no coração Para amadurecerem com amor Espero dias, meses ou anos E continuo engravidando de imaginação Poeticamente sou uma mulher parideira Tem dias com muitos partos E outros que me entrego às brincadeiras Por sorte tudo na vida é inspiração Que preenche de luz a minha solidão Gosto muito de falar dessa magia Mas vou ter que protelar Tem fragmentos de letras ansiosas Disputando as rimas das minhas poesias Na esperança de conquistar o melhor lugar Do livro: Extasiada de Infinitos
Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga
Poesias aguerridas Mulheres que se confundem Com a paisagem da caatinga Que trazem na própria face O mapa da terra ressequida Mulheres que expõem as cicatrizes da miséria Vultos invisíveis das favelas Que regam a terra com suas lágrimas Onde a semente germina desnutrida Mulheres expulsas do paraíso Deusas cruelmente excluídas Cuja gratidão é silenciosa oração Debilitadas vencem dias de provações Mulheres que geram na dureza do sertão Estrelas cadentes por falta de opção Suas faces denunciam a indiferença Do poder que oprime com a força da ambição Mulheres estrelas das noites de escuridão Trazem dentro de si a nobre constelação Por serem filhas do ventre da terra São poesias aguerridas a fecundar este chão Do livro: Extasiada de Infinitos
Feminicídio Maria também se foi Levando no coração
Feminicídio Maria também se foi Levando no coração Muitos sonhos inacabados Tinha na alma o desejo de liberdade Sua história de amor acabou Como a ilusão dos contos de fada Era frágil e não se sustentou Por sorte ela tinha voz própria Conversou, disse adeus e se foi Ser pássaro em outras moradas Com fé e esperança seguiu seu caminho Recomeçar sempre, agora com maturidade Entre tantas escolhas prometeu se amar Na intensidade que seu ser merecia Assumiu o compromisso de ser feliz Sem traições, ilusões ou vaidades Na inocência sequer imaginou Que no caminho havia emboscada Prenunciando o fim do início da sua jornada Sem direito a defesa, foi brutalmente assassinada Numa fúria patriarcalista de insanidade Ele desferiu dezenas de facadas Seu corpo tombou sobre o chão ensanguentado Estampado no jornal que ele tomou rumo ignorado A noite chegou fúnebre e agoniada Com chuva de lágrimas pela fatalidade Era mais uma vítima do feminicídio Que Nanã receba em amor o seu corpo destroçado Do livro: Extasiada de Infinitos
Andarilha Chegou como um pássaro noturno Em plena sombra da escuridão
Andarilha Chegou como um pássaro noturno Em plena sombra da escuridão A princípio uma andarilha Vestia preto com cabelos desalinhados Olhar perdido preso ao passado Disse-me que era voluntária Trabalhava com os filhos da ilusão Seu nome era Ana como a avó de Jesus Morava num bairro afastado da cidade Tinha um crucifixo preso entre as mãos E não se preocupava com a solidão Sentia-se amparada por abençoadas mãos Pediu licença, puxou a cadeira E sentou-se ao lado do meu coração Contou-me muitas histórias antigas E libertou a criança da infância reprimida Falou de fé, cura e libertação Do poder da chave de Davi Para expulsar dores e cicatrizar feridas Transmutar mágoas de um passado infeliz Hoje, sozinha, caminha na noite sem destino E agradece quem ouve o seu lamento Seu sorriso indecifrável é mais uma súplica De quem perdeu a memória e segue sem direção Do livro:Extasiada de Infinitos