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Frases de J.W.Papa

157 frases

A estátua de um poeta morto Sozinho, caminho até a praça... Dois ou três passos e paro.
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A estátua de um poeta morto Sozinho, caminho até a praça... Dois ou três passos e paro. Colho flores brancas entremeadas ao mato. Mato grande, que cresce ali! Um cercado de fios de arame enferrujado protege o jardim. Desconsidero o aviso que diz: -Não colha flores e, ou, plantas desse jardim! (...) Num segundo de descuido um agudo espinho de esquerda espeta-me o dedo polegar da mão direita. Desço à terra! Subo novamente à minha própria altura. Recosto-me em uma estátua de cobre. (...) Um pássaro cinza voa no céu sobre mim. Voa meio assim... Meio torto, meio de lado. Voa um tanto apressado. Muito estranho! O voo desse pássaro. (...) As pedras no chão... -Vermelhas como estão- parecem dançarinas de flamenco tango, tchá...tchá, tchá! Parecem dançar, mexem-se sem parar! Mexem-se. Sem parar. (...) De repente... Ficam escuras! Ficam duras! Param de dançar. Dói! Dói-me a cabeça. (...) Os olhos ficam inquietos. Nuveiam... Nuveiam! Somem as nuvens dos olhos e até o sol para de brilhar. (...) Dá um sono! Resolvo deitar ali mesmo. Deito-me naquele lugar. Penso-me morto. Morto não hei de estar! Não hei de estar. Morto, eu? Será? (...) Num último e derradeiro esforço tento me levantar. Tudo parece estar tão distante... O corpo está tão pesado... Resolvo me aquietar! Durmo por horas ao pé da estátua de cobre. (...) Estátua de poeta! Homenagem 'post-mortem'. O coitado morreu ali mesmo... Naquele lugar! Envenenado por um pico de espinho de rosas brancas no polegar da mão direita. (...) Morto e transformado em estátua! Pra sempre ali... Parado! Transformado em poesia dramática. Eternizado em seu próprio universo, e preso, em seu mais triste verso. Morto! (...) Enquanto lamentava a sorte do pobre homem o pássaro cinza que se remexia no céu sobre mim mira e despeja toda a sua maldade em minha cabeça. Numa casualidade quase transcendental, salva-me da morte! Livra-me da sorte de virar estátua. Revivo e vou-me embora.

A FELICIDADE [...] Dispa-se de seus medos,
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A FELICIDADE [...] Dispa-se de seus medos, desça de seu altar, aproxime-se o mais fielmente de si mesmo, encare suas vergonhas, estapeie os seus preconceitos, seja feliz. Feliz! Mesmo que por um dia, por uma hora, por um segundo apenas. Mesmo que pareça estranho, mesmo que se sinta um imbecil agindo diferente dos outros, destoando dos demais. Ser feliz é uma virtude, um estado de ser. Ser feliz é não se deixar enganar pela aridez nos sentimentos desumanizados dos outros. Ser feliz é ser, sem se importar com o que vão pensar a seu respeito. É dançar sozinho em um campo de grama verde embalado por sua música preferida, e contagiar a todos com seu instante de loucura. Felicidade é movimento, é ir contra o vento, a favor de si. Pra ser feliz não basta querer ser, tem que se despir de dentro pra fora, o tempo todo, a seu tempo. Ser feliz é... Não imaginar como poderia ser, é ir em busca do que se quer, é ir e ser.

Doze balas Todos os tiros disparados a queima roupa. Doze disparos a esmo,
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Doze balas Todos os tiros disparados a queima roupa. Doze disparos a esmo, antes mesmo de o dia amanhecer. Enquanto o sol ensaiava uma entrada triunfal, o brilho do metal criava os contornos da silhueta das mãos, mãos que tremiam mais que as pernas de uma criança no primeiro dia de aula. Os raios de sol atravessavam as perfurações e acenavam seu brilho aconchegante em nossos rostos completamente embriagados de sono. Dava pra ver as luzes das casas se acendendo e as pessoas acordando do outro lado. Toda aquela confusão formada e os esquivos malfeitores saindo da cena de fininho, se esquivando e camuflando-se nas sombras do fim de noite. Dava pra ver... Se alguém olhasse veria! Mas ninguém se arriscou. E antes mesmo de o dia clarear e a noite chegar ao fim... As janelas e cortinas se fecharam e ninguém sabe dizer o que aconteceu daí em diante.

Dívidas de Karma Aos trinta e três e só me resta esta cruz pesada esses olhos cheios de lágrimas
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Dívidas de Karma Aos trinta e três e só me resta esta cruz pesada esses olhos cheios de lágrimas esse corpo (já) inadequado que carrego a tanto tempo comigo pra todo lado que vou. Só me resta esse corpo estranho que se veste de mim e doura minhas retinas nos domingos de lua brilhante no céu. Só me resta este peso extra que não me serve a nada, quase um meu martírio, que trás consigo minh'alma aprisionada em suas entranhas. Só me resta esta minha alma, que segue calma a espera de ser um dia realmente feliz. Pra'lém desse corpo cansado, quase centenário que segue aprisionado nesse mundo e se sente tão infeliz. Se descobrisse um jeito, me livrava desse corpo antes mesmo d'ele estar morto ou d'ele voltar a viver. Seguia só, de braços dados com minh'alma passo a passo, seguia pra longe de toda essa confusão. Se pudesse, me despia desse mundo e nu mudava de direção deixava de herança essa cruz pesada que carrego a tanto e pisando duro, seguia firme marcando os passos no chão. Se pudesse, caminhava pra longe dessa história vazia cheia de dívidas de Karma. Só caminhava, nem pra trás olhava! Seguia em frente, pra longe de toda essa gente que nem se vê ou vê alguém a sua frente. Se pudesse, despiria o mundo de seus corpos mudos lhes mostraria o brilho que trazem consigo em suas almas aprisionadas. Se pudesse, despiria toda essa gente de seus corpos mundos só pra que pudessem enxergar o que trazem por dentro além do lamento desse intermitente refrão triste que ecoa agora. Se pudesse, pagava a dívida do mundo e livrava toda essa gente desse maldito karma.

e_Start (desvício) Aí...depois de mais de três décadas olhando só para o chão ele ergueu a cabeça e contemplou um mundo inteiro
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e_Start (desvício) Aí...depois de mais de três décadas olhando só para o chão ele ergueu a cabeça e contemplou um mundo inteiro bem na sua frente! Ele não conseguia entender de onde havia surgido aquele mundo novo e nem fez esforço para tal. Apenas calou-se. E o que se sabe d'ele é que, depois daquele dia nunca mais abaixou a cabeça! Nunca mais. Ele até sabe que alguns o acharão arrogante, esnobe...etc. Por estar sempre de cabeça erguida, de nariz em pé, em estado de contemplação... Mas não se importa com isso! De verdade, não se importa com isso. Desde que possa continuar olhando para frente desde que seu mundo seja sempre incrível como é agora como fora, já na primeira vez que se mostrou a seus olhos naquela tarde de domingo. Se for assim, pra ele está tudo bem. E se não for assim, não será de outro jeito, pelo menos para ele.

Pum...Boom! (J.W.Papa) No dia em que se tornou rei...
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Pum...Boom! (J.W.Papa) No dia em que se tornou rei... Foi agraciado com um trono branco de assento anatômico com um rolo de papel higiênico dupla face e coroado com uma cortina de fumaça cheirando a diarreia. E tudo isso, em plena a crise hídrica.

Plataforma B (Move) Deveras solto em um mar de sonhos. Rato corre, corre sonhos.
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Plataforma B (Move) Deveras solto em um mar de sonhos. Rato corre, corre sonhos. Limpa, limpa, varre, varre... Espera, espera, espera, espera... Espera! Espera. Cigarro acende, fumaça sobe. Faz firula no ar faz firula, falta o ar. Música rasga o vento olhares se entrecortam e silenciam. Se entreolham e silenciam. Espera...Varre...Limpa o chão. Rato corre, corre o sonho. Espera, espera, espera...Espera.

Meus “eus” Há um racha aqui dentro Meus “eus” andam em guerra velada
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Meus “eus” Há um racha aqui dentro Meus “eus” andam em guerra velada Um lado me quer bem e o outro é só pancada Este não me quer nem pintado de ouro, aquele é só felicidade Este só sorriso, aquele nem arrependimento traz consigo Um é consciente de dia e irracional de noite O outro é irracional de noite e inconsciente todo o dia seguinte. Ambos querem algo Mas não se entendem de jeito nenhum E eu no meio do fogo cruzado... Como se tivesse culpa desses "eus" karmicamente desalinhados Acho que preciso de um tempo Pra encontrar outros “eus”aqui dentro E me livrar desses “eus” tão contrários Livrar-me e caminhar para o centro Distante o suficiente da direita manipuladora E da esquerda desajustada.

Um domingo de agosto qualquer Ouvi um som ligado em um carro qualquer parado na rua e um cão vira-lata se remexendo feliz.
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Um domingo de agosto qualquer Ouvi um som ligado em um carro qualquer parado na rua e um cão vira-lata se remexendo feliz. Vi um animal se divertindo feito humano e humanos se matando feito (imbecis) animais feito animais não tão humanos assim. Não me lembro do motivo da confusão mas acho que tinha a ver com política. Um se vestia de vermelho o outro se vestia de amarelo e desde a última eleição não se cruzavam de jeito nenhum. Um dizia que não estava nada bom o outro dizia que não estava assim tão ruim. Depois daquele fim de ano nada mais foi do mesmo jeito amigos se tornaram inimigos (políticos) humanos se animalizaram e animais sambam felizes nas ruas.

Todas as faces de uma poesia anacrônica De qual poesia estamos falando? Da sua, da minha ou da de Drummond?
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Todas as faces de uma poesia anacrônica De qual poesia estamos falando? Da sua, da minha ou da de Drummond? A qual classe social pertence os teus versos? Pois se falas de um sobrado com vistas para o mar, a poesia é uma. Se falas de um puxadinho a beira córrego, a poesia é outra. Se escutas o estampido seco dos disparos ao longe, mas não vês a cor do sangue que pinta a calçada de vermelho e o choro triste da mãe que escorre em silêncio de seus olhos avermelhados e envolve o corpo morto de seu filho, ainda (adolescente), caído na sarjeta a poesia pode até te dizer algo, talvez, não te diga tudo. E o mais provável é que não te diga mesmo tudo! Mas dirá algo com toda certeza. Mesmo que pense, (in)conscientemente, não ter mais nada a ser visto. Se não vês o sangue urdir a tua consciência e tomar-te de indignação por completo de certo, talvez até critiques o que lê. Pois não sabes de que poesia se está falando. Não sabes de qual estética poética falo e eu de certo, na mesma medida que ti, não faço ideia de que versos você se veste quando investe sua ira contra mim. De quem é a poesia? De quem a escreve, de quem a lê, de quem? Dizem que a poesia não tem classe social, gênero, cor, raça, etnia, religião... Tudo mentira! A poesia é pretensiosa, escolhe e se faz escolher, manipula. A poesia se disfarça e se versa em faces diversas, só para manter o disfarce, da grande farsa que somos todos iguais. Inclusive quando escrevemos versos. Eu minto, tu mentes, ele mente... Drummond, não.

O sistema do SISTEMA Grito... Grita, grita alto, mais alto, mais alto ainda! Não que o teu grito não seja alto o suficiente
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O sistema do SISTEMA Grito... Grita, grita alto, mais alto, mais alto ainda! Não que o teu grito não seja alto o suficiente para ser escutado por todos. É muito mais alto do que tu podes imaginar. O sistema é que se cala, finge-se de morto. O problema não está no teu grito e sim na deficiência do sistema, que finge não haver qualquer problema em seu engenho magnífico. Que finge não ouvir o quão alto e desesperado são os teus gritos e o de todos que gritam, mesmo que gritem por dentro, em silêncio silenciados, inauditos, sob interdição. O sistema é a máquina mais perversa e controversa já criada. Mais até que a bomba atômica - que só é utilizada em ocasiões especiais. O sistema é uma máquina criada para operar na dimensão do perverso sua função não é trucidar os sujeitos, nem moê-los feito insetos nem mesmo criar monstros sociais totalmente adaptados à sua incoerência. Isso é deficiência humana mesmo! Provocada por mal caratismo, ingerência e incompetência ao manuseá-la. Em seu modo cotidiano mata, estripa, dissimula... Inaugura placas de cobre com letras douradas, estátuas e totens em homenagem a seus feitos incríveis. Por fim, ostenta em praça pública toda essa maldade.

Fragmento da poesia: "Todas as faces de uma poesia anacrônica" Dizem que a poesia não tem classe social, gênero, cor, raça, etnia, religião...
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Fragmento da poesia: "Todas as faces de uma poesia anacrônica" Dizem que a poesia não tem classe social, gênero, cor, raça, etnia, religião... Tudo mentira! A poesia é pretensiosa, escolhe e se faz escolher, manipula. A poesia se disfarça e se versa em faces diversas, só para manter o disfarce, da grande farsa que somos todos iguais. Inclusive quando escrevemos versos. Eu minto, tu mentes, ele mente... Drummond, não.

Fragmento do poema: "O grito que ecoa da quebrada" [...]Liberta a tua mente e segue, vai em frente
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Fragmento do poema: "O grito que ecoa da quebrada" [...]Liberta a tua mente e segue, vai em frente vai ver quem é a gente que você olha atravessado quando para no semáforo e ergue o vidro apressado observa com cuidado quem é o pretinho que tu olhas desconfiado e aperta o passo quando ele passa ao seu lado com a barriga vazia, com os sentidos embaralhados - de tanta fome. Enxerga o estilo dele e entende de uma vez por todas... Que esse é o estilo que faz sucesso por lá. Descobre a palavra de ordem dos (marginalizados) que você marginaliza ao julgar e grita alto aos quatro ventos quando descobrires da sua varanda ou de seu terraço milionário invocado. O grito que ecoa da periferia é... Mais respeito, por favor! Pois já estamos cansados.

O grito que ecoa da quebrada Na periferia, da periferia, da periferia... Bem longe da (cidade) perfeita da zona sul
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O grito que ecoa da quebrada Na periferia, da periferia, da periferia... Bem longe da (cidade) perfeita da zona sul onde o descontentamento faz vítimas todos os dias e trucida os sujeitos um a um vivem as pessoas de mente livre que mesmo e apesar de enclausuradas pelo ódio do sistema seguem livres pelas ruas sem asfalto ou iluminação caminhando alertas pelos becos estreitos e vielas escuras margeados por córregos sem saneamento ou boulevard algum. Seguem refletindo a falta de tudo e ainda com brilho nos olhos alegres, sorriem por dentro, sem lamentar problema sequer felizes por não serem tão vazias por dentro ou esvaziadas de sonhos qualquer. Olham para o futuro cheias de esperança seguem seu rumo na vida sem encontrar o tédio esperam ver chegar as praças e toda estrutura moderna dos bairros chiques elegantemente dispostas nos cardápios da especulação imobiliária que cerca e segrega os mundos, erguendo altos muros, altos prédios cravados de vidro anti-vizinhança, arame farpado e cerca elétrica. Enclausurados em seus condomínios (cidades), os ricaços impactam a vida do bairro, encerrando as liberdades individuais rapidamente o sentimento ( antes coletivo) feito as minas d'água, se desfaz desfaz-se os sonhos milionários e os milionários sonhos de paz. A segurança e a insegurança orbitam em um mesmo plano os manos logo criam asas, aprendem a voar e voam por sobre as muralhas na periferia nada é de graça, até o respeito é conquistado ou descobre-se cedo o respeito e respeita-se o outro ou vive-se como se tudo fosse um grande pecado. O preço da periferia é o respeito, não esse preconceito disfarçado que finge erguer as mãos ao aperto, como se tudo estivesse acertado ou que pensa poder comprar tudo com dinheiro sujo de sangue da violência existente em um carreira de pó ou em um cigarro de baseado. Você que cheira e fuma é também quem espanca e mata a violência que crava a faca na costela da sociedade ao meio dia é também financiada por você. As balas perdidas que matam crianças e interrompem futuros é também sua responsabilidade. A causa morte do sistema é também sua culpa. Você também é responsável por tanta violência gratuita nas ruas das periferias com repercussão direta em toda cidade. Você que não investe em cultura e desvia as verbas aprovadas é culpa sua toda essa barbaridade. Garotos de nove anos roubando, matando, fumando crack! É culpa sua que não governa direito (a porra) da cidade que te elegeu. Mais respeito, por favor! Esse é o grito que ecoa dos guetos marginalizados. Esse é o grito que ecoa dos guetos que vocês marginalizaram. Mais respeito, por favor. Liberta a tua mente e segue, vai em frente vai ver quem é a gente que você olha atravessado quando para no semáforo e ergue o vidro apressado observa com cuidado quem é o pretinho que tu olhas desconfiado e aperta o passo quando ele passa ao seu lado com a barriga vazia, com os sentidos embaralhados - de tanta fome. Enxerga o estilo dele e entende de uma vez por todas... Que esse é o estilo que faz sucesso por lá. Descobre a palavra de ordem dos (marginalizados) que você marginaliza ao julgar e grita alto aos quatro ventos quando descobrires da sua varanda ou de seu terraço milionário invocado. O grito que ecoa da periferia é... Mais respeito, por favor! Pois já estamos cansados.

Poesias que hão de caducar um dia Ponto de ônibus Brilha, estrela, brilha!
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Poesias que hão de caducar um dia Ponto de ônibus Brilha, estrela, brilha! Brilha no azul do céu condenado abraça o espaço/tempo e brilha nesse agudo gueto urbano desalinhado. Rasga o vento a face fria dos sujeitos por hora tornados ilhas em sinuosas filas aleatoriamente formadas e organicamente organizadas. Vagos olhos brilham vago olhar, vaga... triste sem referências e sem brilho pela falta de nexo desse lugar. Nuvens cinza vagam num horizonte (azul) disforme vagam os olhos perdidos na vastidão deste vazio enorme.

Dor inédita Estou a procura de uma dor inédita Uma dor que não doa durante a noite
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Dor inédita Estou a procura de uma dor inédita Uma dor que não doa durante a noite que não doa tão aguda no coração e se doer, que seja breve que se encerre antes mesmo de o sol nascer. Estou em busca de uma dor que não doa tanta e que também não provoque tanto lamento procuro uma dor inédita, ainda não descoberta que talvez tenha mesmo de ser inventada tão incerta quanto a sua procura uma dor que não provoque tontura e se a vertigem for um de seus preceitos que se possam pintar constelações inteiras bem diante dos olhos rotos, tomados por sua maldade. Procuro uma dor de verdade não essas dorzinhas da cidade aquelas bruscas do campo, que provocam feridas na alma procuro uma dor inédita, dessas que só se vê em filme de horror diante de tanto pavor sigo sem chão chorando com a mãe que enterra seu filho adolescente vítima das mazelas da periferia das grandes cidades. Procuro uma dor de mãe, a beira da cova de seu filho chorando rios de lágrimas, estraçalhada por dentro de tanto lamento e dor comum que há por aqui pela falta de zelo dos políticos e dos governos por tantos enterros e perdas por todo esse descaso com os jovens que são condenados a morte antes mesmo de nascerem. Procuro a cura ou um remédio qualquer que nos livre da fúria desses imbecis que não se doem ou sentem dor qualquer por tanta barbárie e falta de senso que não se lamentam ou percebem um lamento sequer de tanta dor comum existente por aqui. Será que de tão cegos não percebem? Chega de lamentar por tão pouco chega de dores comuns se só nos resta sentir dor então chega de dores fajutas ficaremos só com as dores inéditas.

A lua de ontem Ontem fui visitar a lua... Desci na parada mais próxima do céu
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A lua de ontem Ontem fui visitar a lua... Desci na parada mais próxima do céu após seguir por um caminho de densas nuvens. Depois caminhei até a esquina das estrelas douradas onde se encontram as constelações de Órion e Centurion. Meus olhos cansados de procurar no vazio do espaço pousou em Marte. Mas não havia lua lá, não havia nada lá. Nem vida, nem água, nada! Havia só poeira cósmica perfazendo a imensidão do espaço sideral Não havia lua lá. Não havia quase nada lá! Só eu estava lá, só eu estive por lá ontem estive em busca de uma lua inédita mas só encontrei um vazio imenso daqueles de rasgar de tristeza qualquer coração. Por isso fechei os olhos Por isso puxei a cortina Por isso não abro a janela do meu quarto desde então.

SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BAIRRO COPACABANA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS... E eu que não tenho religião [...] Parei para observar a procissão que tomou conta de minha rua ontem e por todos os lados que olhava, via pessoas com velas acesas às mãos cantando uma canção em tom de…
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SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BAIRRO COPACABANA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS... E eu que não tenho religião [...] Parei para observar a procissão que tomou conta de minha rua ontem e por todos os lados que olhava, via pessoas com velas acesas às mãos cantando uma canção em tom de ladainha, capaz de inquietar qualquer um. Repetiam sempre com muito entusiasmo um refrão melodioso, acompanhado sempre pelo som de um violão extremamente afinado seguiam rua acima, passo a passo, verso a verso incessantemente. Feito quando era criança, fui transportado à varanda de minha casa e convidado a ser expectador daquele evento. Maravilhado em ver tanta gente agindo em cooperação, tive a sensação de estar novamente em comunidade. Com o movimento de tanta gente junta todas as casas do entorno, postes de luz, asfalto e concreto sumiram. Tudo parecia como antes, intocado! O mato alto nos lotes vagos, o caminho escuro de terra vermelha e argila cintilante, o barro na sola dos sapatos dos adultos, o vento, as minas d'água por todo o percurso, os sapos coaxando, os vaga-lumes brilhando no céu à frente de todos, o cri-cri... dos muitos grilos existentes, o cheiro de Dama da Noite, o incômodo do pinga-pinga da parafina das velas derretendo e queimando os dedos, o medo à véspera da sexta-feira da paixão.E até mesmo o velho campinho onde aconteciam as barraquinhas e feiras do bairro estava lá. Tudo parecia exatamente como antes. Quis seguir o cortejo e cantar com eles suas cantigas celebrando a alegria de estar em comunidade novamente, por alguns instantes esqueci, inclusive, que eu não era católico e que havia optado há muito tempo atrás por não ter mais religião, optado por ser sem religião. E devido a essa minha decisão anterior, não conseguia compreender aquela minha aflição emotiva; não fazia muito sentido para mim estar tão tocado com tal acontecimento. Talvez fosse isso... Não era um simples evento casual, era um acontecimento, como antes! Os meus olhos marejaram de ver, de ouvir, de sentir tanta energia positiva em trânsito. E mesmo quando passou pela rua o último integrante do cortejo e sumiu na curva dos olhos após virar a esquina da rua de cima, seguindo em direção à rua de baixo, no rumo da capela da única praça do bairro, ainda era possível ouvir os passos da multidão e o clamor da ladainha efusiva ecoando pelo ambiente e atingindo aguda os canais auriculares das pessoas, nas muitas residências hoje existentes. Quando tudo acabou... a vontade era de chorar. Mas sentia-me bem demais para tal.

Fio de cabelo branco Uma noite dessas, já quase passando das tantas... e meio borracho, arranhei a garganta tentando pigarrear uma palavra qualquer. Num relance, enquanto olhava no espelho do banheiro, vi meu semblante roto refletido feito vidro partido, meio distorcido, talvez…
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Fio de cabelo branco Uma noite dessas, já quase passando das tantas... e meio borracho, arranhei a garganta tentando pigarrear uma palavra qualquer. Num relance, enquanto olhava no espelho do banheiro, vi meu semblante roto refletido feito vidro partido, meio distorcido, talvez pelo sono que me acometia àquela hora. E mesmo que tentasse fixar o olhar na imagem não via surpresas, só conseguia enxergar minha insuportável silhueta de sempre, igual a sempre. Lá fora, um frio insuportável! Aqui dentro, um friozinho gostoso... Se esquivando pelas frestas da janela, tentando incomodar. Ainda de front ao espelho vi meu rosto, meio choco, parecendo querer desandar. As muitas linhas emprestadas pelo tempo emolduravam-no, formando uma expressão esteticamente impressionante, quase arte. Se fosse uma vanguarda, seria Expressionista. Aquelas formas singulares, aqueles traços ousados, aquele fio de cabelo branco... Aquele fio de cabelo, branco? Em minha opinião, quase uma instalação contemporânea, tamanho meu espanto. Era tudo que tinha de diferente na minha face naquele dia, naquela noite, há anos. Já se passava em muito da meia noite quando me deitei. Ainda pensava naquele fio de cabelo branco que trazia na face, talvez um disfarce do tempo para encobrir os meus tantos lamentos durante toda a vida. Talvez uma lágrima solitária derramada e petrificada ali, no canto esquerdo do rosto transformada em monumento, um totem erguido à minha maturidade. Talvez fosse isso mesmo, talvez não! Nunca soube o porque daquele fio de cabelo branco. Nunca tive um ciso se quer, nunca me casei, nunca tive filhos, nunca plantei uma árvore, moro com a minha mãe até hoje, deixo a cama desarrumada pra hora de deitar e provoco o cachorro só pra ver ele se zangar. Sem falar que até ontem soltava pipa e papagaio na rua feito moleque, um crianção. E agora com esse fio de cabelo branco, muda tudo! Será o fim? Será que será bom ou será que será ruim?

A vida De todos os caminhos possíveis escolhi andar por este que sigo agora...
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A vida De todos os caminhos possíveis escolhi andar por este que sigo agora... ...mesmo cheio de pedregulhos e surpresas mesmo sinuoso e repleto de incertezas esse foi o caminho que escolhi trilhar. Escolhi meu norte a partir do descaminho a princípio escolhi caminhar só, só eu, sozinho e agora vem você... cheia de desvios e atalhos cheia de planos, cheia de teorias e possibilidades cheia de ideias práticas, confrontando minhas teorias absurdas questionando-me e ao meu vazio. De todos os caminhos possíveis, em um leque de tantos outros tinha que seguir logo por esse? Ser esse tsunami que és? E ser versada em tantas possibilidades? Tinha que seguir a minha sina, como se sua fosse? Viver o meu Karma, como se seu fosse? Carregar a minha cruz, ainda tão pesada como quem carrega a própria cruz? Transformar-se em elemento indissociável às minhas escolhas e tão indispensável como o próprio caminhar? E agora, toma para si também a rédea da situação, me domina como se tivesse a minha autorização como se tivesse uma procuração assinada em meu nome - e ainda em branco - te autorizando a fazer o que bem entender. Me conduz feito mais um da sua manada pessoal mais um dos tantos outros desgarrados de seu rebanho faz o que queres comigo, e já até me faz sentir que gosto do que vejo que gosto de no que você me transformou.

UMA QUESTÃO PARA REFLETIRMOS SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL NO BRASIL, DE 18 ANOS PARA 16 ANOS ... Será que o certo é promover a redução da maioridade penal, atribuindo aos jovens a culpa pela falência do Estado e pela ineficácia do sistema, ou investir esforços na revitali…
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UMA QUESTÃO PARA REFLETIRMOS SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL NO BRASIL, DE 18 ANOS PARA 16 ANOS ... Será que o certo é promover a redução da maioridade penal, atribuindo aos jovens a culpa pela falência do Estado e pela ineficácia do sistema, ou investir esforços na revitalização do sistema como um todo, resgatando por conseguinte o prestígio do Estado, no que tange à sua responsabilidade em assistir os sujeitos em suas individualidades como pessoa humana, investindo esforços na efetivação de políticas públicas eficazes, adequadas à realidade brasileira, garantindo desse modo, direitos fundamentais previstos na Constituição Nacional e alicerçados em convenções internacionais dos direitos humanos? Será que construir presídios e casas de acolhimento para menores infratores e jovens marginalizados socialmente é mesmo a melhor escolha? Porque é isso que terá de ser feito pelo Estado ao abdicar de sua responsabilidade legal quanto ao que deve ser feito com/para os jovens, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social, por desleixo do próprio Estado. Tenho minhas dúvidas se essa é a melhor opção! Uns, dirão: - É preciso estabelecer um equilíbrio entre o real e o possível, para diminuir a sensação de impunidade que impera no Brasil atualmente, tendo em vista que a atual situação não é nada favorável; a violência, a criminalidade, a ousadia dos atores juvenis com inclinação para o mundo do crime no Brasil cresce em níveis alarmantes, a escola já não dá mais conta de educá-los como antes. Espera aí! Educação é papel da família. Ah... Esqueci, os integrantes das famílias responsáveis pela educação dos filhos não podem mais fazê-lo, não dão mais conta disso, pois têm de trabalhar horas fio para sustentá-los em suas necessidades mais básicas, e também mimá-los com prendas tecnológicas de última geração e vestimentas e calçados absurdamente incompatíveis com suas rendas, só para compensar o vazio deixado por seus pais que, preocupados com sua educação para o convívio social e exercício cidadão não tiveram tempo de mimá-los, como muitos pais de hoje em dia fazem com seus filhos. Não deram a eles nada de 'mão beijada', ensinaram a eles o valor contido nas pequenas coisas e a importância do respeito ao outro e a si próprio; ao outro como indivíduo e a si próprio como sujeito inserido na coletividade social. Tudo bem, educação é papel da família! Mas se ela não dá conta, manda pra escola, que lá dá-se um jeito. Talvez não seja o jeito dessa escola atual o melhor jeito, mas, faz-se o que pode não é mesmo? E como bem disse um pai desesperado e sem saber o que fazer para afastar seu filho da corrupção promovida por essa sociedade imediatista, de moldes hedonistas e de face cruel, no que tange principalmente as relações com as nossas crianças e jovens: "É melhor dentro da escola do que preso ou morto, né fessor?".