Frase de J.W.Papa
O grito que ecoa da quebrada Na periferia, da periferia, da periferia... Bem longe da (cidade) perfeita da zona sul onde o descontentamento faz vítimas todos os dias e trucida os sujeitos um a um vivem as pessoas de mente livre que mesmo e apesar de enclausuradas pelo ódio do sistema seguem livres pelas ruas sem asfalto ou iluminação caminhando alertas pelos becos estreitos e vielas escuras margeados por córregos sem saneamento ou boulevard algum. Seguem refletindo a falta de tudo e ainda com brilho nos olhos alegres, sorriem por dentro, sem lamentar problema sequer felizes por não serem tão vazias por dentro ou esvaziadas de sonhos qualquer. Olham para o futuro cheias de esperança seguem seu rumo na vida sem encontrar o tédio esperam ver chegar as praças e toda estrutura moderna dos bairros chiques elegantemente dispostas nos cardápios da especulação imobiliária que cerca e segrega os mundos, erguendo altos muros, altos prédios cravados de vidro anti-vizinhança, arame farpado e cerca elétrica. Enclausurados em seus condomínios (cidades), os ricaços impactam a vida do bairro, encerrando as liberdades individuais rapidamente o sentimento ( antes coletivo) feito as minas d'água, se desfaz desfaz-se os sonhos milionários e os milionários sonhos de paz. A segurança e a insegurança orbitam em um mesmo plano os manos logo criam asas, aprendem a voar e voam por sobre as muralhas na periferia nada é de graça, até o respeito é conquistado ou descobre-se cedo o respeito e respeita-se o outro ou vive-se como se tudo fosse um grande pecado. O preço da periferia é o respeito, não esse preconceito disfarçado que finge erguer as mãos ao aperto, como se tudo estivesse acertado ou que pensa poder comprar tudo com dinheiro sujo de sangue da violência existente em um carreira de pó ou em um cigarro de baseado. Você que cheira e fuma é também quem espanca e mata a violência que crava a faca na costela da sociedade ao meio dia é também financiada por você. As balas perdidas que matam crianças e interrompem futuros é também sua responsabilidade. A causa morte do sistema é também sua culpa. Você também é responsável por tanta violência gratuita nas ruas das periferias com repercussão direta em toda cidade. Você que não investe em cultura e desvia as verbas aprovadas é culpa sua toda essa barbaridade. Garotos de nove anos roubando, matando, fumando crack! É culpa sua que não governa direito (a porra) da cidade que te elegeu. Mais respeito, por favor! Esse é o grito que ecoa dos guetos marginalizados. Esse é o grito que ecoa dos guetos que vocês marginalizaram. Mais respeito, por favor. Liberta a tua mente e segue, vai em frente vai ver quem é a gente que você olha atravessado quando para no semáforo e ergue o vidro apressado observa com cuidado quem é o pretinho que tu olhas desconfiado e aperta o passo quando ele passa ao seu lado com a barriga vazia, com os sentidos embaralhados - de tanta fome. Enxerga o estilo dele e entende de uma vez por todas... Que esse é o estilo que faz sucesso por lá. Descobre a palavra de ordem dos (marginalizados) que você marginaliza ao julgar e grita alto aos quatro ventos quando descobrires da sua varanda ou de seu terraço milionário invocado. O grito que ecoa da periferia é... Mais respeito, por favor! Pois já estamos cansados.
No pensador.ai desde