[...] gente que a gente nunca viu, mas se sente bem ao ver pela primeira vez, e é como se as conhecesse desde sempre.
Fragmento do poema
"De Goiás a Brasília –
Memórias de Minas Gerais".
[...] E perto do fogão a lenha, sentindo o calor do tacho quente a me aquecer no inverno sorriria, saboreando as delícias feitas pela poetiza. Com um pedaço generoso de bolo de milho com queijo às mãos e rodeado por vários cães e gatos manhosos, por todos os lados que olhasse, me lembraria de Minas!
Fragmento do poema
"De Goiás a Brasília –
Memórias de Minas Gerais".
Um brinde aos descontentes
Gostaria de percorrer distâncias longas
e discursar teorias filosóficas profundas
e assentar meus olhos nas quinas do céu
e ficar admirando o seu mundo (meu mundo)
ir de encontro ao outro extremo
do plano do polo do hemisfério.
Queria não ser tão raso
rasteiro
miúdo
cingido em segredos absurdos
e banais mistérios.
Se pudesse não faria planos!
Evitando assim,
os desenganos e as expectativas desnecessárias.
Se a profundidade com que te enxergo hoje
fosse a mesma com a qual vejo o mundo
talvez, não estaria aqui cavando tão fundo dentro de mim
pr’além da cova rasa que herdei de você.
Talvez, esse mundo sombrio e escuro que vejo
retrocedesse e deixasse de existir
feito no fim, onde tudo se inicia.
Inclusive foi lá que te conheci, lembra?
De dia
por volta das cinco
perto da saída
longe da multidão
encostada naquele árvore cheia de resina...
Porque parei?
Como fui burro meu deus.
Fragmento da poesia "Victória flor".
[...]
Linda...
Seja bem vinda à sua vida!
Seja bem vinda às nossas vidas!
Nunca se esqueça do quão importante tu és.
Quando um dia tornar-te maior...
Adolescente, jovem, adulta, sei lá!
E de súbito o teu coração apertar,
Mas, doer tanto, tanto...
Do tipo que a gente acha que não vai mesmo aguentar!
Lembre-se linda flor...
Nasceste pequenina,
como nasce o amor,
vieste ao mundo para fazê-lo sorrir
para livrá-lo de sua própria dor,
vieste ao mundo para perfumá-lo,
como quem perfuma a mão
ao tocar uma linda flor.
Flor...
Seja bem vinda!
Solilóquio
Num lampejo de ascese
ascendo à virtude
em meio à turba imbecilizada.
Na lunação
torno-me lépido
virtuoso
lúbrico.
Na turbamulta iniciada
(um) laivo imbecil protesta
o axioma irrefutável.
Na lucerna que eclode no horizonte
a utópica cura para a sarjeta
que se perfaz.
Ignoto sentido
imune a palavras
sem glórias ou decoro.
Carecente!
Lentamente
Em raro momento
de sublime encantamento,
dispendiosa beleza jaze
do brilho dos teus olhos.
Sua alma incandescente,
à minha junta-se lentamente
num pacto profético
de sangue e carne.
Num momento de incerteza
colho maçãs podres sob a mesa,
respiro a fundo as impurezas de seu mundo
recolhendo migalhas de pão nas nuvens.
Sigo em frente atordoado
Andando de lado a lado.
Sinto-me ofendido,
sinto-me desrespeitado.
Luzes ofuscam meus saberes
os conhecimentos já não são úteis
estou a procura de um outro eu
e à deriva de mim mesmo.
Procuro um eu menos pálido,
menos inseguro,
mais confiante,
menos complacente.
Penso num futuro que nem existe;
no passado não penso mais.
E enquanto isso, descabidamente
tenta convencer-me o presente,
que estou no rumo certo.
Equalizador de "eus"
Quase nunca saio de dentro de mim.
Mas quando saio, é sempre uma grande confusão do lado de fora.
Todos os sentidos se alteram e se sobrepõem de forma maximizada,
subvertendo a ordem vigente em um louco e prolongado desespero
em total inconformidade com o mundo externo.
É como andar em uma roda gigante sem a alça de proteção
e ainda de cabeça para baixo segurado apenas por um dos pés.
É sempre muito intenso e também muito divertido.
Se eu olho diferente
Imagina... mudar tudo com as próprias mãos
cultivar sonhos em seu próprio canteiro
nos fundos de sua casa
em seu próprio quintal?
Imagina... ter um jardim de possibilidades
e sentir tudo acontecer como se tocasse a terra fria pela manhã
como se tomasse novamente o controle de sua vida nas mãos
controle há muito tempo perdido?
Imagina... curar as feridas todos os dias
antes mesmo de por os pés na rua
antes mesmo de sentir as dores incomodarem o peito
sejam elas físicas, emocionais... psíquicas. Imagina?
Vai, imagina... Faz acontecer!
E agora, faz valer apena!
Só você pode fazer isso.
E nem precisa ter um jardim, um canteiro, ou algo assim!
Basta ser sincero consigo mesmo e se enxergar no mundo
como alguém que ainda consegue imaginar.
Se imaginares, estará a cultivar o tal canteiro, o tal jardim...
Se pores em prática, estará criando movimento
reposicionando as peças no tabuleiro, provocando mudança.
Primeiro no mundo, depois em seu mundo, depois ainda mais...
No mundo de qualquer um que cruzar-lhe caminho.
Não necessariamente nessa ordem.
Quando a gente é capaz de imaginar profundamente
talvez não perceba a dimensão de tal possibilidade
talvez mudar o rumo (o nosso rumo) pode ser o suficiente
pra se chegar novamente no prumo.
Suficiente pra desacomodar um pouco as coisas
suficiente pra não se calar frente ao injusto
ou se acomodar covardemente,
enquanto segue em frente descontente
fingindo que nenhum mundo existe.
#Stopwar #JWPapa #Pareaguerra
O mundo ao contrário
Basta olhar pra ver...
O reto do mundo anda a produzir muita sujeira
distorções inconfundíveis (em nome de deus)
em uma total inversão no julgar das (pessoas).
O errado agora é o certo
e o certo, agora, não é nem certo nem errado
está liberado enterrar as cidades do mundo
e lançar bombas nas casas das pessoas.
Afogar as crianças no mar
e destruir templos religiosos centenários
hoje em dia, é a última moda do verão europeu.
Corre, corre... Fecha as fronteiras!
Por detrás dos muros vejo vir inocentes
desarmados e famintos, podem ser perigosos.
[...] "É o amor compartilhado com todos sem pedir contrapartida,
aquele amor que acalma, que acolhe, que enche a barriga, afaga e escolhe,
mas não segrega nem discrimina.
É o amor cego de vó que abraça o mundo e torna as unidades dispersas um grande coletivo".
Fragmento do poema "Deus"