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Frases de J. Eliseu

16 frases

Soneto aos poetas da madruga Aqui vossa presença eu consagro Às ervilhas podres da madrugada
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Soneto aos poetas da madruga Aqui vossa presença eu consagro Às ervilhas podres da madrugada Vaga quem porta um sentimento amargo E tão frágeis são quanto uma maçaneta enferrujada Peço perdão, pela métrica usada Sei que não vos convém a academia Pois a vós a ideia não foi doutrinada Encaixamos a alma onde o imaterial se distorcia. Com sucesso, lhes envio um salve Se é poesia em imagem, letra ou movimento Ou vida esculpida no incorrupto mármore Hoje a noite não é de Vinicius, ou Camões Da noite a poesia vive meus irmãos! Sagrado é o caos, dentro de vossos corações!

Ah mas já sinto falta do teu cheiro, Meu belo e estreito, com aquele recheio De abacate, e o gosto e a dança
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Ah mas já sinto falta do teu cheiro, Meu belo e estreito, com aquele recheio De abacate, e o gosto e a dança E a poesia, que me alcança em cada beco Estreito como ti chile! Em forma de chave, que encaixa direitinho Que abre meu pensante, meu coração, com carinho Ah chile! mas já sinto falta do teu sabor, O clássico frio, os ovos pela manhã Aquela que yo me encontro procurando calor. Gracias, gracias Teu vento me renovou Em noite aloucada e tarde sã. Teu vento me encontrou. Chile, sinto falta do sabor da maçã. Ah chile! onde está a eterna brisa de valpo? E onde está aquela agitação no centro de santiago? Onde estão todas as faces latinas que me rodeiam E gritam, e gritam mais O grito do povo, enquanto torno e Enquanto estou indo O grito do povo latino! Viva chile! e tuas cores de céu estrelado e sangue E de branco inerte, puro e libertador Com graça de recomeço, Gracias por su beso! Y su abrazo Quero dançar em tua noite exasperada Cheia de cores e vistas apaixonadas

.. O épico .. Existe entidade mais divina Se não o sentimento?
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.. O épico .. Existe entidade mais divina Se não o sentimento? Existe força tão esplendorosa Capaz de atirar-se louca Dentro do mistério? E existe algo mais impossível Que pisar sob o céu etéreo? Já por ser algo que é de dentro Ninguém tira, nem as costas vira Nem àquela mentira Ou o vacilo de um bêbado Numa boate de rostos, dançando Aversivo, gritando. Ou o vacilo de um bêbado, Que aguentou ser monstro O maior monstro da noite escura. Mas não aguentou ficar em pé Desmontou-se e saiu de testa púrpura. Quando amanheceu, conseguiu O almejo se mostrou. Sorridente, ela Voz gentil. Perguntou-me se A noite demonstrou o afeto De um sem teto por um pão mofado De uma vó pelo seu neto. Dum deus por seu herói Submerso Na vitória! Vitória! Épico é lírico. Existe maior vitória, Que escrever contigo, uma história?

A PEC passou O tempo passou O moleque não estudou
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A PEC passou O tempo passou O moleque não estudou E o moleque também não passou Nem vai passar Nem vai estudar Nem vai poder pensar Nem aquele que um dia vai ensinar. Ah não! Pois eu vou! Meu pai é funcionário público Tem benefício, tem condições Executa bem o ofício. Mas pra tu vai ser difícil, fazer o quê? Faz parte, nasci com mais sorte que você Vamos ironizar, pois acaba sendo difícil de crer E temo que a melhora, ainda não possa ver. De desespero são meus versos A mim os motivos são dispersos Mesmo assim em luta, estaremos imersos. Até que você estude Até que eu estude Até que nós possamos ter a liberdade Para vencer nossos próprios testes Sem que resmunguem da roupa que vestes. Estou de pé, e vou continuar! Pois enquanto eu puder me movimentar O moleque não vai deixar de estudar Mesmo que a escola tenha que ocupar Já saibam eles: Meu apoio vou dar! Vai passar se tiver que passar. Pois enquanto eu puder lutar Não me privarão da liberdade de expressar!

Excelência de Baudelaire Existem versos mais sólidos? Mais loucos e mórbidos?
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Excelência de Baudelaire Existem versos mais sólidos? Mais loucos e mórbidos? Se este verso existe tens razão: Não importa a razão, sim a intuição Tu traçara a linha do sentimento Ante nenhum outro havia sido capaz Enfim fora chutado por um bilhete sagaz Numa sociedade isenta de consentimento. Pois não te preocupes, Poeta Maldito As Flores do Mal desbrotam eternamente Pelo campo tens teu intelecto reescrito. Então desbroto pela torre de marfim Creio além, pois lá enxergo a decadência. Poeta Maldito, sob sangue regarei teu jardim.

Alerta As madrugas são doces O dia passa e nada acontece
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Alerta As madrugas são doces O dia passa e nada acontece Quando a escuridão chega e atropela Aí sim tudo aparece! Pode ser luz de lua Pode ser abraço de estrela Dorme bem meu amor Amanhã cedo passo na feira. Pode deixar que o almoço eu faço! A louça eu lavo! Mas me promete então: Não vou descer pelo ralo Não esqueça! Sempre que te falo Que quero é você Na minha cabeça Onde tudo dá pra ver Mas só mesmo na cabeça Para eu conseguir crer Sua presença é fatal Caí de uma montanha de algodão doce Num mar de brigadeiro Montei um barco de pizza Naveguei estes sete mares Procurando um sentido pro sonho. Só por horas naveguei Nada encontrei Agora já sei! Dorme bem meu amor Sábado vamos ver Se tingimos a alma da mesma cor Dorme bem meu amor Minha poesia vive da dor de te ter Também de pensar na dor De um dia te perder. Dorme bem, flor Mas eu vou ficar acordado Revendo um particípio do passado Imaginando ser teu enamorado Mas será que é tão forte assim? Não há derrota em se apaixonar São novas prisões pra se desvendar Com leveza, e porventura se libertar Também, viver e deixar ser vivido Numa noite, uma dor de ouvido A rosa desabrocha o espinho do infinito A graça é de uma lança áurea Me perfurando enquanto olhando pro teto Deitado na cama Arrastando minha alma 12 andares abaixo Não consigo parar de me mexer! É o inferno? Quero dormir! Estou enfermo? Dorme bem, flor do amor Sábado veremos Se teu espinho dissolve meu sangue: Nos apaixonemos! Que louvor! Me convença a repetir a dor Estou disposto a bater tal meta Mas já aviso: Tome cuidado que sou poeta

Mundo doce Meu devaneio mora nesses becos, Devasso até aos pontos mais secos
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Mundo doce Meu devaneio mora nesses becos, Devasso até aos pontos mais secos De olhares informais dos mais belos Recheados das cores do teu batom. Variando entre esse e aquele tom, Se conjugam às gotas de suor da minha pele. Transpiradas no teu abraço desesperador, Tatuando no meu corpo um espectro de toques eternos. Meu devaneio mora nesses estreitos, Entre o vinho rubro luxurioso e o sangue escarlate. E o mundo podia ser de chocolate, E o mundo poderia me dar o dom Para te sentir até o fundo da alma Numa noite de mercado sul Meu devaneio vive nesses muros, E também nessas paredes úmidas Que se contraem em uma viagem temporal Num passeio desenfreado de desejo Precedente da ressaca e dos tremores Imerso entre temores e amores, Precedentes do óbito de longínquo almejo Meu devaneio vive nesse escuro, Tocado por sentimento maturo, Transcendente de alma, E com calma, Tecem o véu da alvorada Nas vibrações na cama Confusas e perdidas entre as paredes Vindas de um monstro doce, Tão doce quanto suas carícias, Seus dedos deslizando minha pele, Tão escassos quanto essas reflexões de outrora, Que te fazem voar e perder a hora. Meu devaneio vive nesse romantismo atípico Que idealiza a vida mas prefere a morte Vive nesse parnasianismo orgulhoso, Produto de uma vaziez assombrosa Vazia, sem libido, sem sentido. Vive nesse simbolismo lírico descontrolado Que acaba que só eu entendo, E de resposta nem tomo tento, E Fico atento ao realismo Pois a verdade em excesso pesa meus ombros Peso que nem todos meus personagens líricos Suportam sem a insanidade E o mundo podia ser de chocolate.

Choveu no oceano Não podem dizer que não tentei Nem que eu consegui
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Choveu no oceano Não podem dizer que não tentei Nem que eu consegui E nem que falhei. Ah, e como vi Suas lágrimas escorrendo Longe no mirante Já a espera Um sentinela Fez pose de almirante Fitou o oceano Acompanhando seu marejar E virou as costas, sobre sólidos rochosos Pesados, agarrando os pés no concreto Da calçada séria E virou mesmo as costas Olhando todavia para trás Fitando um futuro desconhecido Mas já criado nas fantasias de amor.

Tarde de terça Perdi meu lírico numa tarde de terça, Enquanto o sol ia no horizonte,
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Tarde de terça Perdi meu lírico numa tarde de terça, Enquanto o sol ia no horizonte, Os versos aos poucos tornavam-se elegíacos Porém livres, num abraço duma nênia. Numa tarde de terça, Fui atingido pelas sombras de um passado Tão meu quanto a solidão, Deste ser contemporâneo que a mim foi forçado. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto artistas do barroco Que entregam toda criatividade, A homens de coração oco. Sujam a arte com sangue chumbado. De trabalho forçado, Em uma mina de lágrimas e coração d’ouro Que sustentará o céu angelical, Para que não desabe sobre mim a desgraça. Numa tarde de terça, Sou tão livre quantos os parnasianos, Que são cegos e veem apenas carne. Mas são tão naturais e sinceros, Que despertam em mim os louvores de Eros. Me sustentam tanto quanto céu d’ouro Da minha própria insuficiência espiritual. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto um racionalista, Que medita sobre os padrões, Vende a alma à verdade. Deixa escapar a vida pelas mãos perfeitas. Quadradas e regulares Idênticas. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto uma lágrima Que foge em fluxo no verso que rima Que umedece o chão e lubrifica Prepara o fechamento dos portões do coração. E se desfaz na queda eterna. Numa tarde de terça. Sou tão livre quanto sou real.

... Viajei, não volto mais Viajei por todas estações E todas respiravam o mesmo âmago
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... Viajei, não volto mais Viajei por todas estações E todas respiravam o mesmo âmago E viajei mundo numa noite de quarta Enquanto o grito desesperado ecoava intenso Nos becos dum hospício solitário. Viajei a primavera, E desabrochei de vez, Corri por campos belos e renasci Das cinzas orgânicas fertilizando o jardim E das cachoeiras de prantos derramados Reluzindo o belo marfim das ruas intercaladas Onde o som dos carros interrompe o silêncio das madrugadas. Viajei o verão, E me conheci de falsos calores, Transpirei as infelicidades e nunca mais as vi E me perdi em noites quentes mal dormidas Do cerrado horizonte e das formigas. Dormindo debaixo do meu travesseiro Incapaz de sustentar meu pior pesadelo: Minha solidão sórdida a cheiro de essências rosadas. Viajei o outono, Padeci milhares de anos até o triunfo real Caí repetidas vezes ao solo seco e mortal E sentia teu gosto doce até nos talheres de metal O gosto das marcas e fluidos na cama, E dos sonhos lúcidos de amor carnal Viajei o inverno, Congelei os dedos quando toquei a face. E necrosei meus tecidos respirando o ar da aurora Numa peregrinação pelo recomeço, Procurando um canto quente de neve branca Para reescrever minha estória melancólica Em preto e em branco no gelo permanente.

Meta-amorfose Não me pertence a certeza Nem viés de razão, que ora cresça
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Meta-amorfose Não me pertence a certeza Nem viés de razão, que ora cresça Que ora levante-se e padeça. Me reservo à lúgubre defesa, De breve e informal verso: - Poesia matinal, que morre - Poesia maternal, que nasce - Poesia radical, que opõe! Desafia o pranto e discorda o canto. São diversas as incertezas. Dúvidas de vida não vivida, Incontroláveis correm, vezes repetidas. Reina e manda! Vosso imperador, rei dos poetas Dos contistas, dos romancistas, Que conhecemos íntegros A amargo sabor vigarista: O mistério! Tão pendular, temporário! E ao poeta, um eterno vazio honorário Se não tens fé que não sabes Não alcançarás fertilidade. Não desvendarás os âmagos da sociedade, Nem da autêntica autoridade, Nem que queiras de fato. E se morre aos meus pés? O conhecimento insurgente, Mórbido e indiferente. Estás longe demais da meta, Já era! És um poeta!

Decadência insurgente Está aí? Preciso que me alimente hoje
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Decadência insurgente Está aí? Preciso que me alimente hoje Enxugue minhas lágrimas Despoje suas bençãos inúteis Meras empatias Que apagam o mundo Reconstroem com meu perfil ao riso. Sou poeta, mas não sou eu. Sustentei ideologias em cabides imaginários Pendurados sob o céu que criei E sob o céu que reinei, A meu egoísmo e miséria. Já não durmo como dormem os anjos, Nem como dormem os demônios, nem os homens Nem as mulheres, nem as crianças, nem os morcegos E nem mesmo as criaturas soturnas que perambulam noite Em uma peregrinação incerta em busca do pecado. Não durmo, pois é infinita a dor do saber: Amanhã acordo de novo, e tenho de reconhecer. Nem mais sonho, meu subjetivo vive! É meu ideal, o correto que vive em meu corpo Minha alma está aprisionada em fogo infernal Dilacerada pelos ricochetes de culpa e verdade. Onde estão os remédios? Esse caminho me guia ao fundo da insanidade. Na vida, dizem ter altos, baixos e médios Mas só o que vejo é a guerra por uma irmandade. Que me faça dormir, que me faça acordar então! E me faça ver também, que não fui largado de mão! Pois esse é o meu crítico óbvio e vital, E preciso que tu digas a mim Não acredito em minhas próprias palavras Não posso, a mim não cabe Como soubestes? Como saberei? O divino cuja máscara criei, é o juiz da vez E me julgará em sono e em desperto, Em pesadelo celeste ou sonho esperto, político. Hoje serei ovelha! Hoje serei lobo! Hoje estarei enterrando a verdade em lodo, E meu sangue podre, escorrido pelo esgoto. O mundo podia ser de chocolate De fato podia, mas não é Nós que os ensopamos com a massa doce, Molhadas à sujeira escravista, A exploração de almas ainda esperançadas Almas não perdidas, não semelhantes a minha Que vem de outro mundo, e tenta voltar pra lá todo dia Mas está acorrentada em areia escaldante, Do deserto mais seco do universo. Se tens imagem de algo livre, é o inverso Repetirei então que a liberdade é outra prisão Condecorada de arco íris e telefonemas ilimitados A atores mascarados ausentes e inexistentes. Nem sinto, agora Nem nunca senti, Mas cada vez piora Essa desventura assombrosa de conhecer a mim Ver que minha poesia é presa a liberdade E vale tão pouco quanto capim Protagonizando uma peça Fingindo ser um dourado alecrim. Então de cena em cena me recuo agonizando, Seguindo em direção ao inédito fim.

Florestas Caminho na sombra desse verão mórbido Que encharca-me de suor e lágrima
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Florestas Caminho na sombra desse verão mórbido Que encharca-me de suor e lágrima Não está aí minha poesia, mas vive. Meu verso é de lágrima e pranto, E também é de riso e encanto. Aprisionado à floresta que me assombra o canto, E o faz voar, meu poeta do mar. A via crucis do poeta é a trilha que o nomeia. Porventura condenado ao sufrágio divino e exaustivo Da floresta negra, onde caminho E com vocábulos cortantes que ora encaminho: Exprimo. Não lavo os sapatos quando sujos de lama, E rego as flores, mas não as adoro Quando me reencontro com o lar e sento no sofá. Se me nego a cumprir os rituais Se escondem as palavras principais, Mais essenciais Ou deslizam secas pelo papel. Pois a cor destes versos estão lá! Na floresta maldita Vibrando frias, tragando arte perdida Poesia que uma hora, foi dita E esculpida em cor: O azul do pranto O vermelho dos olhos abatidos do sufoco O amarelo do sol escaldante, Do verão mórbido E o preto, do limbo amniótico. Das cinzas. Das cinzas da alma aprisionada, Reduzida a pó nas chamas da paixão Nas chamas da liberdade pós prisão. Que queimam o árduo desejo impossível E ferve-me o sangue escarlate, Do poeta do oceano Sangue corrompido de pureza, Que inventamos para explanar A grande vergonhosa fraqueza. Ao poeta fraqueza não é vergonha É corrente que leva e inspira renascimento Como uma marcha aérea das cegonhas. O poeta cego ainda é poeta, Se o que escuta ainda pode lhe trazer a tristeza Ou se com as mãos ainda pode tocar o aço da morte Mesmo que na floresta divina, Limpa de escuridão Os galhos não são mais os mesmos Retorcidos e sombrios. Mas ainda são tão galhos quanto, e sua beleza É sobreposição; contraste. Embora agora galhos mais jovens, lúcidos São só detalhes, e digo: Sua beleza sobrevive de outros, Galhos loucos, que vivem expostos Contorcidos numa dança de fuga de suas próprias raízes. Dentre a fenda dimensional que parte, Dois mundos cósmicos sagrados: A insanidade e a verdade.

.. Medieval .. Me vi ontem indo lá Não voltei, porém
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.. Medieval .. Me vi ontem indo lá Não voltei, porém E nem refutei Fui além. Dia e pós-dia tentam E de novo, tentam Pulverizar o voo da alma Detonando no fundo da caixa Dinamites até o teto capilar O medo de crescer De ver o que vem De perder Ficar sem. Daí sem crenças, pra frente Despojam carniças Nas diferenças Nas que não podem ver Nas que não podem crer Alimentam-se de profunda tristeza. Não deixa, nunca Nem largar-se-ia da razão. Se metem numas gemas reluzentes E sentem-se suspensos num altar Onde descem os deuses E onde a poeira não chega E a poesia não cheira. Vislumbram um futuro Cantado, encantado Sobre ombros de pretos Com o sorriso da terra E mulheres Com coração de ferro Olhos de fera. Invejam o calor específico Quem têm estas vidas. Rastejando na sujeira do universo Com uma joia negra no dedo E um carisma de curto verso.

Aço e graça final Antes de dizer adeus Ele procurou nas redes,
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Aço e graça final Antes de dizer adeus Ele procurou nas redes, Cartas na mochila, Em todo canto, onde seu nome Havia sido citado alguma vez Saturado e esperançoso com o milagre Que viesse logo e o salvasse. Com feixe de razão, Que escapasse íntegro pela cortina Quebrando a escuridão Ponta a ponta do quarto Amedronta todos os demônios parasitas: Saim! E não voltem! E Dorme de guarda numa noite cinza estrelada De graça falha e beleza apagada. Seria egoísmo? Seria tolice? São alguns questionamentos. E disse: Estou com medo. Solidão não parecia ter fim No planalto seco, cheiroso e coroado Com amoras e amorim. No cerrado chove pouco Mas ora aqui chega a tempestade E quando chega vem seca Carregada aos confins da humanidade. A glória seduz, A graça de escrever na parede Sua última poesia em sangue próprio dele E cravasse com toda magia: A faca que usaria Para acometer o épico jantar, A gosto de feitiço lírico e iguaria. Psicopatia; Faz parte do ser Se todos convém num esplêndido fim, Por quê então sou diferente de você?