Frase de J. Eliseu
Tarde de terça Perdi meu lírico numa tarde de terça, Enquanto o sol ia no horizonte, Os versos aos poucos tornavam-se elegíacos Porém livres, num abraço duma nênia. Numa tarde de terça, Fui atingido pelas sombras de um passado Tão meu quanto a solidão, Deste ser contemporâneo que a mim foi forçado. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto artistas do barroco Que entregam toda criatividade, A homens de coração oco. Sujam a arte com sangue chumbado. De trabalho forçado, Em uma mina de lágrimas e coração d’ouro Que sustentará o céu angelical, Para que não desabe sobre mim a desgraça. Numa tarde de terça, Sou tão livre quantos os parnasianos, Que são cegos e veem apenas carne. Mas são tão naturais e sinceros, Que despertam em mim os louvores de Eros. Me sustentam tanto quanto céu d’ouro Da minha própria insuficiência espiritual. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto um racionalista, Que medita sobre os padrões, Vende a alma à verdade. Deixa escapar a vida pelas mãos perfeitas. Quadradas e regulares Idênticas. Numa tarde de terça, Sou tão livre quanto uma lágrima Que foge em fluxo no verso que rima Que umedece o chão e lubrifica Prepara o fechamento dos portões do coração. E se desfaz na queda eterna. Numa tarde de terça. Sou tão livre quanto sou real.
No pensador.ai desde