Frase de J. Eliseu
Florestas Caminho na sombra desse verão mórbido Que encharca-me de suor e lágrima Não está aí minha poesia, mas vive. Meu verso é de lágrima e pranto, E também é de riso e encanto. Aprisionado à floresta que me assombra o canto, E o faz voar, meu poeta do mar. A via crucis do poeta é a trilha que o nomeia. Porventura condenado ao sufrágio divino e exaustivo Da floresta negra, onde caminho E com vocábulos cortantes que ora encaminho: Exprimo. Não lavo os sapatos quando sujos de lama, E rego as flores, mas não as adoro Quando me reencontro com o lar e sento no sofá. Se me nego a cumprir os rituais Se escondem as palavras principais, Mais essenciais Ou deslizam secas pelo papel. Pois a cor destes versos estão lá! Na floresta maldita Vibrando frias, tragando arte perdida Poesia que uma hora, foi dita E esculpida em cor: O azul do pranto O vermelho dos olhos abatidos do sufoco O amarelo do sol escaldante, Do verão mórbido E o preto, do limbo amniótico. Das cinzas. Das cinzas da alma aprisionada, Reduzida a pó nas chamas da paixão Nas chamas da liberdade pós prisão. Que queimam o árduo desejo impossível E ferve-me o sangue escarlate, Do poeta do oceano Sangue corrompido de pureza, Que inventamos para explanar A grande vergonhosa fraqueza. Ao poeta fraqueza não é vergonha É corrente que leva e inspira renascimento Como uma marcha aérea das cegonhas. O poeta cego ainda é poeta, Se o que escuta ainda pode lhe trazer a tristeza Ou se com as mãos ainda pode tocar o aço da morte Mesmo que na floresta divina, Limpa de escuridão Os galhos não são mais os mesmos Retorcidos e sombrios. Mas ainda são tão galhos quanto, e sua beleza É sobreposição; contraste. Embora agora galhos mais jovens, lúcidos São só detalhes, e digo: Sua beleza sobrevive de outros, Galhos loucos, que vivem expostos Contorcidos numa dança de fuga de suas próprias raízes. Dentre a fenda dimensional que parte, Dois mundos cósmicos sagrados: A insanidade e a verdade.
No pensador.ai desde