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Frase de J. Eliseu

Mundo doce Meu devaneio mora nesses becos, Devasso até aos pontos mais secos De olhares informais dos mais belos Recheados das cores do teu batom. Variando entre esse e aquele tom, Se conjugam às gotas de suor da minha pele. Transpiradas no teu abraço desesperador, Tatuando no meu corpo um espectro de toques eternos. Meu devaneio mora nesses estreitos, Entre o vinho rubro luxurioso e o sangue escarlate. E o mundo podia ser de chocolate, E o mundo poderia me dar o dom Para te sentir até o fundo da alma Numa noite de mercado sul Meu devaneio vive nesses muros, E também nessas paredes úmidas Que se contraem em uma viagem temporal Num passeio desenfreado de desejo Precedente da ressaca e dos tremores Imerso entre temores e amores, Precedentes do óbito de longínquo almejo Meu devaneio vive nesse escuro, Tocado por sentimento maturo, Transcendente de alma, E com calma, Tecem o véu da alvorada Nas vibrações na cama Confusas e perdidas entre as paredes Vindas de um monstro doce, Tão doce quanto suas carícias, Seus dedos deslizando minha pele, Tão escassos quanto essas reflexões de outrora, Que te fazem voar e perder a hora. Meu devaneio vive nesse romantismo atípico Que idealiza a vida mas prefere a morte Vive nesse parnasianismo orgulhoso, Produto de uma vaziez assombrosa Vazia, sem libido, sem sentido. Vive nesse simbolismo lírico descontrolado Que acaba que só eu entendo, E de resposta nem tomo tento, E Fico atento ao realismo Pois a verdade em excesso pesa meus ombros Peso que nem todos meus personagens líricos Suportam sem a insanidade E o mundo podia ser de chocolate.

J. Eliseu

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Pensador.com

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Outras frases de J. Eliseu

Soneto aos poetas da madruga Aqui vossa presença eu consagro Às ervilhas podres da madrugada
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Soneto aos poetas da madruga Aqui vossa presença eu consagro Às ervilhas podres da madrugada Vaga quem porta um sentimento amargo E tão frágeis são quanto uma maçaneta enferrujada Peço perdão, pela métrica usada Sei que não vos convém a academia Pois a vós a ideia não foi doutrinada Encaixamos a alma onde o imaterial se distorcia. Com sucesso, lhes envio um salve Se é poesia em imagem, letra ou movimento Ou vida esculpida no incorrupto mármore Hoje a noite não é de Vinicius, ou Camões Da noite a poesia vive meus irmãos! Sagrado é o caos, dentro de vossos corações!

Aço e graça final Antes de dizer adeus Ele procurou nas redes,
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Aço e graça final Antes de dizer adeus Ele procurou nas redes, Cartas na mochila, Em todo canto, onde seu nome Havia sido citado alguma vez Saturado e esperançoso com o milagre Que viesse logo e o salvasse. Com feixe de razão, Que escapasse íntegro pela cortina Quebrando a escuridão Ponta a ponta do quarto Amedronta todos os demônios parasitas: Saim! E não voltem! E Dorme de guarda numa noite cinza estrelada De graça falha e beleza apagada. Seria egoísmo? Seria tolice? São alguns questionamentos. E disse: Estou com medo. Solidão não parecia ter fim No planalto seco, cheiroso e coroado Com amoras e amorim. No cerrado chove pouco Mas ora aqui chega a tempestade E quando chega vem seca Carregada aos confins da humanidade. A glória seduz, A graça de escrever na parede Sua última poesia em sangue próprio dele E cravasse com toda magia: A faca que usaria Para acometer o épico jantar, A gosto de feitiço lírico e iguaria. Psicopatia; Faz parte do ser Se todos convém num esplêndido fim, Por quê então sou diferente de você?

.. Medieval .. Me vi ontem indo lá Não voltei, porém
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.. Medieval .. Me vi ontem indo lá Não voltei, porém E nem refutei Fui além. Dia e pós-dia tentam E de novo, tentam Pulverizar o voo da alma Detonando no fundo da caixa Dinamites até o teto capilar O medo de crescer De ver o que vem De perder Ficar sem. Daí sem crenças, pra frente Despojam carniças Nas diferenças Nas que não podem ver Nas que não podem crer Alimentam-se de profunda tristeza. Não deixa, nunca Nem largar-se-ia da razão. Se metem numas gemas reluzentes E sentem-se suspensos num altar Onde descem os deuses E onde a poeira não chega E a poesia não cheira. Vislumbram um futuro Cantado, encantado Sobre ombros de pretos Com o sorriso da terra E mulheres Com coração de ferro Olhos de fera. Invejam o calor específico Quem têm estas vidas. Rastejando na sujeira do universo Com uma joia negra no dedo E um carisma de curto verso.

Florestas Caminho na sombra desse verão mórbido Que encharca-me de suor e lágrima
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Florestas Caminho na sombra desse verão mórbido Que encharca-me de suor e lágrima Não está aí minha poesia, mas vive. Meu verso é de lágrima e pranto, E também é de riso e encanto. Aprisionado à floresta que me assombra o canto, E o faz voar, meu poeta do mar. A via crucis do poeta é a trilha que o nomeia. Porventura condenado ao sufrágio divino e exaustivo Da floresta negra, onde caminho E com vocábulos cortantes que ora encaminho: Exprimo. Não lavo os sapatos quando sujos de lama, E rego as flores, mas não as adoro Quando me reencontro com o lar e sento no sofá. Se me nego a cumprir os rituais Se escondem as palavras principais, Mais essenciais Ou deslizam secas pelo papel. Pois a cor destes versos estão lá! Na floresta maldita Vibrando frias, tragando arte perdida Poesia que uma hora, foi dita E esculpida em cor: O azul do pranto O vermelho dos olhos abatidos do sufoco O amarelo do sol escaldante, Do verão mórbido E o preto, do limbo amniótico. Das cinzas. Das cinzas da alma aprisionada, Reduzida a pó nas chamas da paixão Nas chamas da liberdade pós prisão. Que queimam o árduo desejo impossível E ferve-me o sangue escarlate, Do poeta do oceano Sangue corrompido de pureza, Que inventamos para explanar A grande vergonhosa fraqueza. Ao poeta fraqueza não é vergonha É corrente que leva e inspira renascimento Como uma marcha aérea das cegonhas. O poeta cego ainda é poeta, Se o que escuta ainda pode lhe trazer a tristeza Ou se com as mãos ainda pode tocar o aço da morte Mesmo que na floresta divina, Limpa de escuridão Os galhos não são mais os mesmos Retorcidos e sombrios. Mas ainda são tão galhos quanto, e sua beleza É sobreposição; contraste. Embora agora galhos mais jovens, lúcidos São só detalhes, e digo: Sua beleza sobrevive de outros, Galhos loucos, que vivem expostos Contorcidos numa dança de fuga de suas próprias raízes. Dentre a fenda dimensional que parte, Dois mundos cósmicos sagrados: A insanidade e a verdade.