Frase de J. Eliseu
Mundo doce Meu devaneio mora nesses becos, Devasso até aos pontos mais secos De olhares informais dos mais belos Recheados das cores do teu batom. Variando entre esse e aquele tom, Se conjugam às gotas de suor da minha pele. Transpiradas no teu abraço desesperador, Tatuando no meu corpo um espectro de toques eternos. Meu devaneio mora nesses estreitos, Entre o vinho rubro luxurioso e o sangue escarlate. E o mundo podia ser de chocolate, E o mundo poderia me dar o dom Para te sentir até o fundo da alma Numa noite de mercado sul Meu devaneio vive nesses muros, E também nessas paredes úmidas Que se contraem em uma viagem temporal Num passeio desenfreado de desejo Precedente da ressaca e dos tremores Imerso entre temores e amores, Precedentes do óbito de longínquo almejo Meu devaneio vive nesse escuro, Tocado por sentimento maturo, Transcendente de alma, E com calma, Tecem o véu da alvorada Nas vibrações na cama Confusas e perdidas entre as paredes Vindas de um monstro doce, Tão doce quanto suas carícias, Seus dedos deslizando minha pele, Tão escassos quanto essas reflexões de outrora, Que te fazem voar e perder a hora. Meu devaneio vive nesse romantismo atípico Que idealiza a vida mas prefere a morte Vive nesse parnasianismo orgulhoso, Produto de uma vaziez assombrosa Vazia, sem libido, sem sentido. Vive nesse simbolismo lírico descontrolado Que acaba que só eu entendo, E de resposta nem tomo tento, E Fico atento ao realismo Pois a verdade em excesso pesa meus ombros Peso que nem todos meus personagens líricos Suportam sem a insanidade E o mundo podia ser de chocolate.
No pensador.ai desde