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Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

SÓ DEUS SABE A luz do sol cega-me os olhos O silêncio torna-me numa voz rouca
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SÓ DEUS SABE A luz do sol cega-me os olhos O silêncio torna-me numa voz rouca Só Deus sabe da porta entreaberta Do relâmpago de ansiedade no silêncio Viagem selvagem do retorno amargo Enigma do mundo de uma privacidade Bajulada escondida num paraíso de aparência. Prisioneiros da ignorância oculta imperfeita Doentes desencantados na alma, no corpo Cada vez mais perto do abismo da mediocridade Subjugados por voos de uma estranha nostalgia Das palavras deixadas num espelho sem ausência Confinadas as fantasias fora da realidade em pedaços De uma luta que interrompe um vazio, de uma dor do passado A luz cega-me os olhos, o silêncio torna-me, só Deus sabe.

CHUVA SEM SONO Sinto-me cansada , cansada deste inverno. Sinto falta do calor, do sol.
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CHUVA SEM SONO Sinto-me cansada , cansada deste inverno. Sinto falta do calor, do sol. Dos dias compridos, das noites quentes. Há muito que a hora de jantar já passou Por isso a sala está escura A janela de casa está aberta .......A chuva cai com força lá fora. Abraças-me por todos os cantos da casa. Quando estamos sozinhos ......Parecemos dois adolescentes Gosto de ver a água a cair no telhado ..... E no muro da frente Imaginar o mar bravo, as suas ondas São duas e meia da manhã E eu ainda acordada a ver-te dormir A chuva continua a cair Ouve-se no telhado, como eu gosto de ouvir a chuva Com as minhas mãos toco no teu rosto ........Gosto de ver-te dormir. Pareces um anjo, mas roncas como um porco. Tenho uma pequena esperança, que estejas a sonhar comigo .......São três e meia da manhã E eu ainda acordada a sentir a chuva a cair.

MEDOS E DECEPÇÕES Medos e decepções, letras mal escritas Numa página marcada num cesto do lixo
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MEDOS E DECEPÇÕES Medos e decepções, letras mal escritas Numa página marcada num cesto do lixo Fantasma noturno de palavras cuspidas Cuspidas num papel de uma agenda em branco Medos e decepções desfeitos em insanidade Rascunhos deixados na alma pelos dedos Espíritos fracos desejosos e vingativos Feitiços sangrentos com a fúria dos mares Mares tempestuosos sem vergonha ou consciência Guerra desfeita de quem morre de quem vive Noites amargas sem sono do inferno ciumento Voo febril rastejante, pegajoso Alma consumida sem valor, desesperada competência Consumida, derretimento no gelo Palavras cuspidas, sem vírgulas, sem ponto, sem dor Analfabetos, excêntricos, sem instintos gramáticos Sílabas tontas na lógica das palavras subversivas Medos e decepções cuspidas num cesto do lixo de casa.

ESCOLHO Escolho amar-te em silêncio Para que em silêncio não sinta dor
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ESCOLHO Escolho amar-te em silêncio Para que em silêncio não sinta dor Derreto versos no gosto do paladar Porque metade de mim é silencio A outra é um grito de amor em verso Letras mal escritas numa página marcada Palavras cuspidas num papel em branco Rascunhos deixados na alma pelos dedos Faz de mim o teu sopro, encaixa-me na tua vida.

NADA PERTENCE Nada me dói mais do que a própria dor Nada me pertence nesta maldita terra
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NADA PERTENCE Nada me dói mais do que a própria dor Nada me pertence nesta maldita terra Nada me afoga nesta areia do deserto Nada é por culpa deste meu cansaço Nada é do silêncio da minha pobre alma Nada me faz sofrer nesta bendita vida Nada é ou foi deixado ao acaso Nada é mais doloroso do que a solidão Nada há de apagar as rugas do meu rosto Nada se sente, nada se apaga da mente.

NOS TEUS BRAÇOS Ah como quero ....... nos teus braços descansar.
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NOS TEUS BRAÇOS Ah como quero ....... nos teus braços descansar. Voar como um pássaro por cima do mar ........Do silêncio da noite Do fresco da madrugada De sentir os pés enterrados ........ na areia branca da praia Desejo que sejas o meu lobo Na nossa dança do acasalamento .........Atravessaria o mar No meio da noite fria ........ para seguir as tuas pegadas Caminharia sobre água ..........Sobre fogo para aninhar-me no teu corpo. Quero encontrar o caminho do vento .........Da janela do tempo de mim Costurar os retalhos da minha alma Juntar todos os pedaços do meu coração.

FLORES FELIZES - Sejamos felizes sem mentira Sem desafeto, sem ilusão, sem amor
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FLORES FELIZES - Sejamos felizes sem mentira Sem desafeto, sem ilusão, sem amor Afinal amamos todas aquelas flores Aquelas que nascem entre rochedos Flores que não hesitam em desafiar A secura das folhas na brutalidade das pedras. Sejamos livres de todas as palavras que nos ferem - Da angústia que chega sem aviso E da maldade que nos assombra todos os dias.

COMO CARNE CRUA Andas ancorado à minha cintura Como um barco que se apega ao mar
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COMO CARNE CRUA Andas ancorado à minha cintura Como um barco que se apega ao mar Eu velejo como que se o silêncio Me dissesse tudo o que sei Vivi entre as ansiedades mais profundas Na sede intensa, de um suor quente Da fome súbita, consumida por luas Devasto os sentidos através dos dedos Segurando a cruz do teu amado corpo Velejo nas sombras da nudez do oceano Como carne crua onde nos amarrámos A nós mesmos, no convés do nosso navio Entre a escravidão do nosso salgado beijo Somos fome, somos desejo, cegos de nós Com a verdade nos olhos de quem vê com fé.

VAGABUNDO Vagabundo que viveu e vive nas sombras Esquecido treme de frio nas noites sem fim
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VAGABUNDO Vagabundo que viveu e vive nas sombras Esquecido treme de frio nas noites sem fim Com fome, sede sacia o cansaço na sua própria solidão Imerso no seu silêncio, na escuridão senil Alma solitária, vinda do escuro da luz Queima o inferno na coincidência da vontade divina Esquece tudo, até mesmo as suas próprias deficiências Solidão compartilhada no seu silêncio desligado do mundo Vagabundo nas ruas da vida, encontrou um lugar para brilhar O seu próprio coração magoado, senil, triste e maltratado.

SINO DA MEIA-NOITE Eu quero impregnar a tua pele Moldá-la como uma artesã
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SINO DA MEIA-NOITE Eu quero impregnar a tua pele Moldá-la como uma artesã Mas sou apenas uma pobre poeta Às vezes triste com tua ausência Outras vezes melancólica como as cotovias Que voam entre sombras e suspiros Gotas de orvalho de sentimentos De abraços nostálgicos em chamas Que consomem o meu sangue Talvez um limbo da vida e da morte Estou farta da minha louca loucura Bússola de uma trepadeira invisível Onde pulas o meu muro quente Para alcançar o santuário dos meus seios E as flores do meu jardim secreto Vento refluxo das ondas da almofada Para escrever um sonho no coração A andorinha procura um ninho nas ondas Da tua boca no beijar do teu silêncio em sal Janela da nossa cama, vejo a lua, o vento chegar Carícias de mel, como se de uma fragrância se tratasse Beijo da nossa cumplicidade no tocar do sino a meia-noite.

SEM ORAÇÃO Passo as noites sem sono Acordo dentro dos sonhos
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SEM ORAÇÃO Passo as noites sem sono Acordo dentro dos sonhos Que eu não quero lembrar Noites sem oração, só dor Onde o sal das minhas lágrimas Lembra-me a água que bebo Nas solitárias noites de insónia Sem ilusão da chuva confundida Com o luto dos ventos livres Ainda que ninguém me veja Eu sei que Deus me sorri Sempre como ninguém o faz Perdi o sol dentro do peito Tenho saudades das palavras Que escrevo talvez gatafunhos Que eu entendo, acalma a hiena Dos meus próprios sentimentos A minha pele arrepia-se com a dor Vejo-me ao espelho e não sorrio Sinto-me mais velha cansada Tenho vozes dentro do meu peito Das noites sem sono, sem oração.

VIDA VIDA A vida é um mar enlouquecido De brutos raios, trovões e gritos
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VIDA VIDA A vida é um mar enlouquecido De brutos raios, trovões e gritos Revolta de uma tempestade de terror Onde o desespero é um buraco negro No próprio horizonte de dor já gelada Da água que nos toca no fundo da alma Onde a esperança torna-nos catos secos Como se de flores mortas se tratassem Castradas de fé, embriagadas de erros mortais Temos medo do inferno da própria sombra Entre os gritos que imploram por ajuda Permanecem no silêncio e no obscuro.

NOITES Ando a procura na noite Dum grão perdido na areia
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NOITES Ando a procura na noite Dum grão perdido na areia Noites com a densidade sufocante Onde a lua permanece no céu Acompanhado de nuvens cinzentas Noites em que as pálpebras Não querem cedem a fadiga No doce sabor do teu sangue Que corre pelas minhas veias Percorrendo meu corpo - Ao encontro do teu Alimenta-me com o teu amor Pois o meu corpo esta febril - Sedento de fome Tento encontrar-te meu amor Neste deserto esquecido Dentro do meu pensamento.

CORPO PERFUMADO Prende-me na tua voz para alimentar a tua prece Fica comigo atrás das grades, torna-te devoto
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CORPO PERFUMADO Prende-me na tua voz para alimentar a tua prece Fica comigo atrás das grades, torna-te devoto Recicla as minhas loucuras só para as reinventar Lanceta o meu corpo para ver o reverso do teu Conheço a dor de cor, que arranquei do coração Crema o desejo nas pétalas soltas da tua inexistência Ama o meu corpo na terra, onde eu respiro contigo Torna combustão, o que esfumaça dos meus lábios. Sente o calor da insónia, a perder-se no chão das pedras Partículas pequenas suspensas na ansiedade crescente Corpo nu que flutua no vazio das labaredas da tua carne Onde a eternidade tolda o sentido, recolhendo as cinzas soltas Apaga a fome, sentirás o encanto do meu corpo perfumado.

DESPIDA DE MIM - Por favor Não me olhes que ainda não acordei
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DESPIDA DE MIM - Por favor Não me olhes que ainda não acordei O meu pobre corpo, a minha alma Apenas conheço um mar de escuridão Onde guardo as palavras já sem voz Dentro de uma velha gaveta de madeira Cômoda de carvalho, posta atrás da porta No tempo esquecido, memória da história Onde as palavras mordem-me os lábios Ferem-me o peito com os abismos distantes Despida de mim, quando me deixas possuída por ti Há nevoeiro, sigo as palavras desconhecidas Que voam nas asas do norte, atalhos movediços No corrupio das águas de um mar morto de letras Que me beijam, quando eu já não estou ou estarei aqui.

GOSTO DE TI Gosto de ti, porque nada fazes, fazes tudo Gosto de ti. porque me aconchegas
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GOSTO DE TI Gosto de ti, porque nada fazes, fazes tudo Gosto de ti. porque me aconchegas Gosto de ti, porque não me deixas estar sozinha Gosto de ti, quando as palavras não são necessárias Gosto de ti, de estar no aconchego dos teus braços Gosto de ti, da tua gostosa boca quente Gosto de ti, do teu sorriso rasgado Gosto de ti, da tua barba espessa e branca - Como é bom gostar de ti.

ÁGUAS PROFUNDAS Nas profundezas silenciosas do mar Onde param os oceanos de nada para nada
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ÁGUAS PROFUNDAS Nas profundezas silenciosas do mar Onde param os oceanos de nada para nada Sem naus de marujos atracados no cais Apodreciam aos pedaços todos os mastros Onde dormiam nas mortas ondas dos abismos Sepulturas de trevas na escuridão dos mares Chamas quentes que gritavam, morriam com dor De um inferno de caos de argila, barro seco, duro Homens desolados, famintos, agonizavam num altar De objetos santos, para um uso talvez profano As trêmulas mãos raspam as débeis cinzas quentes Para não dizer dejetos de um débil corpo ou corpos Morriam de fome, eram devorados, por feras famintas Com gemidos comoventes, de longos gritos desesperados De inglória morte na terra, sovava-se o mal nas profundas águas.

ALGODÃO DOCE Sinto no meu regaço - O afago do teu corpo
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ALGODÃO DOCE Sinto no meu regaço - O afago do teu corpo Tormenta do meu querer - Nos silenciosos afetos Onde acalma na boca - Os ávidos sentidos doces É no teu corpo onde - Me perco na noite rasgada Na cama onde me deito - Ao teu lado com o teu olhar Devorador de faminto lobo - Mãos despidas de gestos Pedaço de algodão doce - Quente de afagos gemidos.

PÁGINAS ESCRITAS Somos um segredo de pequenos traços Somos os filhos do tempo, do nosso rosto
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PÁGINAS ESCRITAS Somos um segredo de pequenos traços Somos os filhos do tempo, do nosso rosto Somos a marca do momento das eternas rugas Somos frágeis vimes que se desequilibram Somos as chuvas de verão das nossas dores Somos espaços vazios de renúncias e lágrimas Somos muitos desafios nessa luta constante Somos tempo sem tempo de amores e dissabores Somos o equilíbrio da nossa própria vida Somos o vento que derruba as folhas no chão Somos páginas a ser escritas bem delineadas

SAUDOSA PEÇA DE TEATRO Acordo e sinto que não sou eu Sou talvez uma velha atriz sem palco
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SAUDOSA PEÇA DE TEATRO Acordo e sinto que não sou eu Sou talvez uma velha atriz sem palco Talvez já numa peça que não acaba Onde o pano não consegue descer Sou alguém imaginado de mim própria Para me sentir viva tento adormecer a dor Exorcizo-me muitas vezes de velhos poemas Onde desnudo-me em frases completas Construo o amor de palavras incompletas Sou uma pessoa igual a tantas outras Tenho medos, mágoas, tristezas e desalento Acordo, sinto que não sou eu , sou uma atriz Sem palco numa peça que nunca quer acabar Onde o pano não consegue ou não quer descer De uma saudosa peça de teatro perdida, esquecida.

TREVAS NOSSAS A morte encontra um sentido por antecipação Nas noites em que o abismo é sonolento
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TREVAS NOSSAS A morte encontra um sentido por antecipação Nas noites em que o abismo é sonolento As trevas imperam no sangue, que corre nas veias Onde reina o desespero das almas perdidas Os sentidos enganam as presas na carne que queima Nos muros feridos de morte do nosso tempo Fez-se silêncio nas doces lágrimas salgadas Nas mágoas de um violino que grita de dor Já despido com as pautas na tempestade do vento Choram as almas d’encanto nas trevas escuras Vasto escuro céu, enigma de muitas almas esquecidas A podridão gera o sangue que corre nas nossas veias Mentalmente passamos a viver como sombras Das saudades que abre os novos caminhos em lágrimas.