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Frases de Isabel Morais Ribeiro Fonseca

3.189 frases

MORAS EM MIM Tu que moras no meu seio Na carne rasgada do meu corpo
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MORAS EM MIM Tu que moras no meu seio Na carne rasgada do meu corpo Feitiço do meus lábios à procura da tua boca Mel que deixas na minha pele, de incontrolável sabor Da tua sensualidade dos meus sentidos Mar de ondas invisíveis do nosso próprio silêncio Onde acaricias a nudez da longa madrugada Com a cumplicidade tão nossa, meu amor Os olhos aquecem, semeiam os nossos beijos Tu teces a minha pele, que rasteja no teu calor perfumado Da tua alma, da tua carne quente, do teu coração Semeias as palavras em cada respiração pela boca do desejo Tira o fôlego com o toque das tuas mãos da carne trémula Devorando a fome da nossa pura nudez, com o suor em chamas.

ACHADOS PERDIDOS - Arte de assombro na pena perdida - Palavras de afeição no sentimento das letras
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ACHADOS PERDIDOS - Arte de assombro na pena perdida - Palavras de afeição no sentimento das letras - Vomita escárnio negro, engole o orgulho - Espanto sem desgosto, prostra-se a alma de joelhos - Nas palavras já sentidas que esmiúçam as vestes negras - Vazias de lágrimas, deixadas no lençol branco de linho - Embriagadas de ternura nos desejos que atormentam o leito - Bendiz com piedosas mentiras, que falam do nosso vinho - De espasmos entre as preces, sonhos que vagueiam por labirintos - Entre os achados, perdidos nos dias escuros que dão o nó no mar - Arte de palavras afeição nas letras, escritas que vomitam escárnio - Coração estremece vestido de letras, no forte chamamento eu sinto.

O HOMEM CAMINHA SÓ OU NÃO Ditadores de um sonho já muito sombrio O homem caminha sobre as palavras
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O HOMEM CAMINHA SÓ OU NÃO Ditadores de um sonho já muito sombrio O homem caminha sobre as palavras Na invisível rotina, que ilumina o caminho Entre a dolorosa seta que cerca a sua alma Descansa na sua fé de intocável mundo Pintou de sangue a sua própria liberdade Há noite desenhou o céu num manto branco Nos telhados feitos de saudade ou lamento Caminha num chão alheio ao seu corpo ferido Guerreiro que vive já no meio da tempestade Alquimista quando cai a noite no noturno luar Ansiosa frente de forma na inesperada poesia Onde falhou o poeta, o homem que não caminha No descontentamento, emoção do deslumbramento Árvore estéril que usou a seiva para fazer-se renascer Inesperado olhar desajeitado, sem medo, sem barreiras Ele queria simplesmente um amor, antes que o engolisse a terra.

DESPIDOS RAMOS - Despe-me o corpo Como se de uma árvore tratásse
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DESPIDOS RAMOS - Despe-me o corpo Como se de uma árvore tratásse Nas tempestuosas chuvas do outono -Toma-me nas noites quentes de verão Nos beijos dados da minha boca - Rouba-me os calafrios da primavera Onde pintei o teu corpo em torno de meu - Ama-me com os ramos despidos de folhas Com a veracidade com que caiem no chão.

PERDIDO INVERNO Camponês embaraçado Entre os cachos da videira
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PERDIDO INVERNO Camponês embaraçado Entre os cachos da videira Engolido no infinito pela linha férrea Contava os minutos, as horas No outono sem espelhos Nas primaveras com pregos Nas memórias sem armadilhas Na brisa em agonia do verão Nas lufadas da neve no inverno Nas nuvens sem sombras Onde estica, encolhe o seu acordeão Pássaros no horizonte de tréguas Preguiçoso criador que esqueceu a liberdade Sem vontade num raio de sol Morreu entre os carvalhos no monte.

FIZ OU NÃO FIZ Fiz do oceano profundo a minha dor Fiz da rua mais amada o meu canto
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FIZ OU NÃO FIZ Fiz do oceano profundo a minha dor Fiz da rua mais amada o meu canto Fiz do meu sangue o meu lamento Fiz dos dedos calejados um poema Fiz da lua testemunha do meu amor Fiz das palavras mal afamadas o trono Fiz da fiel carne a sua própria liberdade Fiz da alma um nevoeiro do seco deserto Fiz da fé uma crença, um modo de vida Fiz dos meus crucifixos o meu pensamento Fiz dos carris o caminho de mim mesma Fiz do esplendor do sol um abraço a Deus Fiz da ferida da lua o adeus a própria dor. Fiz do espetáculo da vida o meu querer Fiz da essência um obstáculo grande no agir Fiz do desânimo o tempo que se tornou pequeno

FERVIDAS TRAVESSIAS Deixa-me chamar-te no silêncio desta noite Nos cálidos, monótonos, ventos do meu alento
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FERVIDAS TRAVESSIAS Deixa-me chamar-te no silêncio desta noite Nos cálidos, monótonos, ventos do meu alento Despe os meus olhos no salgado manto de algas Entre as pávidas sensações de um viver intenso Nas fervidas travessias de estáticas calmarias Veste-me de um sorriso quando o silêncio chegar Onde anoitece de leves suspiros de amargas atrações Adormece a mágoa, a dor, a saudade do meu corpo No desapego, castigos, amarras na embaraçosa voz Ser desprendido pela vida, apto a um amor verdadeiro Abordagem alcançada de todos os desejos entre as folhas Tatuadas amarradas no pulso em que o poema aparece Nas horas que não existem, no inverno que perdura, que gela Os sonhos da eternidade mesmo que não tocasse com as mãos Na chegada de uma andorinha, verão numa noite cheia de estrelas Deixa-me respirar, tu és o meu ar, nas fervidas travessias do mar.

PORQUE ESCREVO Escrevo porque As palavras são fragas
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PORQUE ESCREVO Escrevo porque As palavras são fragas Sem versos, sem vida Escrevo porque As palavras são tempestade Sem pátria, sem espírito Escrevo porque As palavras são asas Cruzes de ninguém em sangue roxo Escrevo porque As palavras são penas Chagas podres no silêncio do vento Escrevo porque As palavras são pedras Duras de afagos, mudas sem grito Escrevo porque As palavras são dor Entre fogos, insanos sem sono. Escrevo porque As palavras são liberdade Escritas, reescritas, lidas, relidas

Ó ARVORE - Ó grito que rasgas de dor o ventre Nas masmorras das trevas subterrâneas
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Ó ARVORE - Ó grito que rasgas de dor o ventre Nas masmorras das trevas subterrâneas - Ó trovão que ecoas o infinito No sangue dos inocentes humilhados - Ó abutre insaciável mercenário Cheio de ódio, de hipocrisia - Ó cavaleiro de espada de ferro Exterminador da mentira - Ó muro de arame farpado nas árvores De poderosos ramos do universo - Ó labirinto escondido de pedras entre ervas Que esvoaçam folhas já de papel - Ó galhos que sufocam a luz Que criam raízes sem brotar esperança

TU ÉS AMOR Tu és o meu caminho, a minha quimera Tu és o meu vinho, o meu maior vício
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TU ÉS AMOR Tu és o meu caminho, a minha quimera Tu és o meu vinho, o meu maior vício Tu és o meu bálsamo de aroma benigno Tu és a minha flor mais perfumada Tu és o meu barco que navega à deriva Tu és as gotículas sedentas da minha seiva Tu és a minha sinfonia das pétalas de rosas Tu és a minha textura morna das próprias letras Tu és o espaço aberto das doces palavras Tu és o som inacabado de uma bela canção Tu és as linhas escritas do meu destino Tu és o verbo amar ditado em versos Tu és o meu afago no coração de carinhos Tu és o desejo rasgado no meu peito Tu és a minha inquietude na minha alma Tu és o meu mundo pincelado de cores Tu és a minha poesia de vários sabores Tu és uma procissão alegre que dança um tango Tu és a razão da minha existência no infinito Tu és a minha doce melodia que dá cores à vida Tu és a minha doçura nas noites cheias de felicidade Tu és o meu violino que toca no meu corpo.

NEGRAS VESTES Oh voz poeta dos meus versos Palavras mortas em letras já nossas
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NEGRAS VESTES Oh voz poeta dos meus versos Palavras mortas em letras já nossas Na troca dum piscar dos teus olhos Oh dor que rasgas as vestes negras Oh dor cruel, da minha pobre alma Beijas-me enquanto brotas sangue Noites nas lágrimas, no meu lençol Oh mágoa perdida nas negras vestes Oh dor que teces um fio num rio Caminhos sombrios, rumo ao mar Que nasce do teu talvez desengano Dores soltas no espaço sem tempo. Oh noite, que vestes já de negro Os meus versos de letras mortas Poesia no dilema feita em prosas Na troca do sim, pelo talvez não Onde rasgas as já negras vestes.