"EU"...
Dia imenso
Ausência de luz
e de alegria...
Dimensionar a dor?
Impossível
Vazios cheios de silêncios
Pensamentos desordenados
Sentimentos desorientados
Tristeza sem razão de ser
Sem lugar para ser
Tão intensa
Tão latente
Sem fluidez de vida
Sem garantia de guarida
Ontem? Ecos distantes...
Amanhã, dificilmente
como era antes!
Tanta escuridão...
Tantos " Nãos"
Tantas palavras
Poema sem rima
Aleatoriedade
Ambiguidade
Sensação de insanidade
Ansiedade
Sede da verdade
Mas que verdade?
Fujo da verdade
Medo de saber
Medo dos meus medos
Das minhas fóbicas fobias
Manias
Realidades que cegam
Cegueira bem recebida
Anseio pela vida
Angústia de viver
" Eu" Paradoxo
" Eu" dividido
"Eu" não concluído
" Eu " como sei ser
Como posso ser
" Eu" confusa
" Eu" poesia...
IMPÁVIDA POESIA
...E disse Deus:
Haja luz!
Feliz, prosseguiu:
Voem passarinhos
Borboletas em mil cores
Brotem flores pela terra
Ondas beijem as praias
Hajam céus
Universos em estrelas
Lua para os futuros amores
Sol para despertar a vida
na imensidão dos mundos...!
Então, estrondar de beleza sem igual!
Agora, o momento sagrado
A obra prima
A primazia da sua arte
Eis que homem e mulher Ele cria!
Sopra-lhes nas narinas uma alma que sonha
Que sente
Que ama!
Então num fache de luz
Em grandeza e maestria
Há o reconhecimento do belo
Olhos nos olhos
Bocas de carmim
Uma colossal alegria...!
E no fundo do ser dos primeiros amantes
Cheios de rompantes de paixão e acalanto,
surge do amor
Impávida
A primeira
A mais bela e terna poesia...!
Amor Solitário
Meu amor é tão sozinho...
Descontente, mas tão imenso
que poderia afoguear os corações
Enchendo de poesia todo o universo!
No entanto, meu amor tão intenso foi
feito por ti esquecimento...
Sem dó nem piedade por mim
pobre menina, que só vive por ti...!
E meu amor, tão sozinho
sobrevive de passados momentos, saudades
de um tempo perdido nos redemoinhos
e descaminhos do velho vento...
Eternidade
Já faz tanto tempo...
Passaram-se as estações
Em mim, o tempo parou
Continuo te amando mais
Te querendo mais
Sendo menos eu e
(mais) você.
Sempre você.
Estaticamente
Memória congelada
Saudade desgraçada
do tempo em que eu te sabia meu...
...Que fantasia!
Um dia nós,
no outro,
eu...
...E os versos
que as estações me trazem,
das lembranças das horas
que te acalentei ternuras...
...E que por gentileza ( Que seja)
fui acariciada
pelo teu querer.
METAMORFOSE
Por favor queridos
Hoje
Não questionem os meus versos!
É que estou sou tão borboleta...
Em constante transição
Metamorfoseante.
Mas é mesmo um pesar
que eu não me mantenha asas...
Sempre volto ao meu estado de larva.
Tão volátil.
Não fico em mim
Nem mesmo sei o que sou
Amanheço alegria
Crisálida em utopia. Poesia
Anoiteço solidão. " Lagarteante".
Sob o lampião...
Como está escuro meu Deus!
Nas ruas vagam gentes sem nomes
Espectros na imensidão do mundo
Caminham... Não sei para onde.
Da minha janela os espreito!
A tênue luz do lampião me permite
A mulher cabisbaixa
O homem encurvado, no terno azul...
Seguem quietos, calados
Alheios à tudo
Alheios à mim que os observo!
O que será que pensam?
Será que sonham? Fantasiam?
Anseiam...?
Será que seus sofrimentos são maiores que os meus?
Eu, que fico aqui, a ludibriar a minha dor,
pensando nas dores deles...!
Ou será que somos todos fantoches
nas mãos impiedosas de um destino incerto,
sob o brilho de um lampião pendurado sobre nossas cabeças?
Tarde fria
...E tu eras apenas uma lembrança.
Uma velha carta desbotada
Mas tão pouco era tanto,
que eu parava todo o desencanto das saudades tuas...
Detinha o tempo só para vislumbrar tua letra no velho papel amarelado.
Estranho, eu poderia jurar que sentira o toque dos teus dedos
A força que usara para escrever as palavras
A pausa entre uma frase e outra
Tua cabeça pendendo para o lado,
á espera de um novo pensamento...
A tarde está fria
Mas a carta queima em minhas mãos
...Minha solidão se torna menos vívida
Esboço um sorriso.
Guardo o velho papel no seio.
Carícias da vida
De uns tempos para cá, ela anda assim...
Mais leve, mais brisa
Um tanto mar
Maresia no ar
Penso que nada mudou
Fora dela o mundo ainda é o mesmo
Por dentro, lá onde nascem as fontes,
é que está mais azul...
Mais nuvem
e cheiros de baunilha
em fim de tarde.
Nenhum motivo para alarde
Nem mesmo uma nova amizade
Ou um novo amor...
...Ela só está assim
Riso de gentilezas
Olhares perdidos em qualquer ternura
oculta no horizonte
Carícias da vida
Inesperadas
e
inexplicáveis.
BELEZA
A beleza verdadeira
é aquela em que não se percebe de imediato.
É profunda...Enraizada no solo da alma.
A entrevemos através de olhos brilhantes,
mesmo que não estejam em belos rostos...
Está contida na ternura de um gesto de carinho
Num pedido de perdão...Ou no ato de perdoar!
A beleza nem sempre é tão óbvia_ Tão patente!
É um dom reconhece-la.
Rete-la, um privilégio!
Mas a verdade é que a beleza foge à vaidade
É simples, duradoura e maravilhosa!
Não é somente um atrativo aos olhos
é uma virtude que poucos possuem!
O CANTO DE DEUS
Borboletas são a voz de Deus...
Imaginem Deus cantando
Anjos silenciosos
em perfeita reverência
para ouvir o criador
em sua mais íntima expressão!
Alegria e amor
Num momento como este
surgiram as borboletas
Deus, cheio de inspiração,
explodindo de vida eterna o coração,
bradou: Haja Beleza!
E assim, maviosas mariposas
em todas as formas, cores
tamanhos...Brilho sem igual
saíram a revoar__Dança magistral...!
E enquanto Deus cantava,
o céu silenciava,
borboletas bailavam
colorindo a natureza,
enfeitando os quintais,concedendo
cor à vida.
Expressão terna do amor de Deus
Presente imerecido aos filhos seus...
Amo o revoar das borboletas
Adoro o canto de Deus...!
POESIA NÃO ESCRITA
Hoje, num momento louco ou mágico
me senti viva.
A chuva despencou sobre meus cabelos
encharcou meu vestido, colando na pele,
criando uma segunda derme composta
de exaltação
euforia,
sensualidade,
leveza
e um êxtase calmo.
Brando, sem urgência...
Uma vontade imensa de voar
O cheiro de alfazema
Ausência de dor
De medo
Sentimento de eternidade
Desejos de beijos
De braços envolventes
De pertencer à alguém
Quem?
Não sei
Só uma vontade...
Uma loucura deliciosa
Uma satisfação gloriosa
Plenitude de consciência de ser
Ser gente
Ser mulher!
E a chuva desce__Águas doces
Lavam toda a tristeza
Toda a incerteza.
Só restando Vida.
Momento de poesia não escrita.
Menina Primavera
Eis que surge a primavera!
Vem vestida de linho puro, belo e
adornado de todas as flores que há...
Ela vem com os pés descalços...
Sob eles o revoar de borboletas mil
levemente a arrastam, brisa e cor,
Não pisa o chão!
Seus olhos são carícias de ternura!
Sua voz tilintar de amor e carinho
Traz nas mãos esperanças de jasmim
De sua boca, mel e versos.
És menina que brinca de florir
Balançar nas gérberas dos jardins
És o primor das estações
O acalentar da poesia
És sonho para mim...!
NOSSO RISO LOUCO...
Celebremos o riso.
O riso puro e gentil
O riso que lava a alma
Que proclama a vida
em versos
música
e poesia!
Que o riso se sobressaia em meio à dor
Que abuse da mediocridade, gentilmente,
sem escárnio e sem maldade...
Que nos leve aos nossos infinitos
Que sustente nossa eternidade
em meio às nossas limitações,
à nossa frágil humanidade...
Que nosso riso seja nossa canção.
A nossa verdade
Que contrarie toda a noção de pranto
Que sorrindo sejamos tidos como loucos
diante da louca sanidade deste mundo torto!
E de riso em riso
vamos levando a vida,
que mesmo sofrida
a cada amanhecer suscita em nós
um sabor de " Querer Mais"...!
DEVANEIOS
Sou a poetisa triste e sombria
A vida imensa de loucura me fez assim
Mas os sonhos que tenho são cores ao vento
fantasias cheias de uma felicidade sem fim!
Sou aquela que sonha com amores queridos
Beijos cheios de paixão e ternuras em flores
Dá-me Deus, peço, um pouco de acalento
Permita-me versos de docilidade e amores!
Porque estou condenada aos versos malditos?
E esta dor que dilacera meu peito em agonia?
Não sou tal qual as demais filhas da mundo?
E teimo em sonhar além da minha realidade!
Céus azuis e sóis reluzentes sobre minha amargura!
Minha poesia é nua!__ Mas meus devaneios são profundos!
Verso e Poesia
Cobriu-me com teu corpo
Fizeste de tua pele minhas vestes
Aceitei teu acalanto
Teu calor
Teu doce manto...
Me deixei ficar
Como uma parasita
Bebendo da tua seiva
Respirando do teu ar
Em total dependência
Quase uma não existência...
Uma doença
Uma dormência
Um alheamento de mim.
... Quando despertei do torpor
percebi que o que eu sentia já
não era amor.
Era analgesia
Que piedade!
...Era tão tarde.
Eu já não era eu
Tu eras
em mim
verso e poesia.
_ Sinto dores imensas, doutor.
_ Me diz, por favor, poetisa, aonde dói?
_ Na alma doutor. Na alma...
_ Doença de difícil prognóstico, querida.
_Tem cura doutor?
_ Quem vai saber?_ Essas coisas do coração...
_ Estou condenada doutor?
_ Creio que sim poetisa, terás que versejar por todo a vida,
escreve, que as dores amenizam...Sim.
Amenizam...
Pressa.
Dá-me já um cálice de vinho
Ou uma dose de vódka quente
Ou mesmo um copo de aguardente...
Seja lá o que for, dá-me!
Preciso entorpecer meus sentidos
Esquecer que eu existo
( se é que um dia existi )
Neste mundo louco
Que me devora aos poucos
Me suga a vida
Me sangra a ferida
Alma renhida, entregue
Que deus, ou o diabo, a carregue!
Perdoe-me Deus a blasfêmia!
É que minha dor não descansa
Onde foi minha esperança,
ou a dose de morfina
que meu corpo abomina,
mas à minha mente seduz!
Cheiro de alcaçus...
Ou seria de incenso
Torpor letal, imenso, desatina a razão,
estraçalha o coração...
Onde há Luz,
Tudo que me conduz é a escuridão!
Pensas ser eu uma maldita
Mas a paz silenciou
A alegria não grita
( Nem sussurra mais)
Nesta terra de meus pais,
onde tudo, hoje, são ais,
não me sinto...
Simplesmente, não me sinto mais!
Dá-me logo este veneno!
Não me negue a inconsciência,
Ser piedoso, mostre decência
á esta poetisa atormentada...!
Há horas que a vida é nada!
Sem risos e acalantos, perde-se o riso
e o encanto...
Chega de realidade!
Uma dose pequena
Um trago apenas
Mas que me traga alegria
( Ainda que farsante)
Vamos, adiante!
Me aguarda hoje, ainda,
a poesia.
VIVER
...E a cada manhã
eu olho bem na cara da vida
e vou logo dizendo:
Olha, estou aqui novamente
Dou um longo suspiro
Alongo minha fé
Aspiro esperanças
Tomo um gole de café,
outro de coragem
e vou em frente,
porque hoje é presente,
o ontem "é" memória
e do amanhã eu nada sei.
Dou graças por mais um dia
No alforge alegria
e confiança...
E mais uma chance de tentar
...Acertar, quem sabe?
Proclamar a arte de viver
Simples assim
Viver.
VIDA
Coisa mais linda é a vida!
Ainda que não seja do jeito que a gente quer!
Tem dor
Tristezas
Dessabores...
Mas também há risos,
Beijos
Abraços
Levezas e ternuras...
Então vale á pena
E como vale!
Vale à pena rir nosso riso
Chorar nosso choro
Escrever nossa história...
Pois a vida é presente embrulhado
em papel avesso,
as vezes a embalagem nos surpreende!
Ah vida...
Vida linda
Vida sofrida
Vida paradoxo
Vida da gente.
Nas noites mais escuras
quando a lua míngua alta no céu
eu subo nas minhas ilusões,
colho gotas do luar
para platinar meus versos...
Nesses momentos,
que a cada dia tem sido mais constantes
( Tempos de Solidão)
Transcrevo minha vida nas entrelinhas
dos poemas.
E a lua menina me traz luz
Sinto-me menos sozinha.
De que é feita a mulher?
Da costela de Adão?
Então nesta costela havia um coração.
Uma alma pensante
Uma essência doce
Terna
Forte
Mãe gentil.
Sim... Se a mulher saiu de Adão,
então, o criador escolheu a sua parte
perfeita para que dela a mulher
fosse feita!
AH, ESTES DOMINGOS!
Nesse entardecer de domingo,
não peço muito à Deus.
Talvez um pouco mais de leveza
Um pouco menos de melancolia
Um riso que não fosse só o meu,
nesse pequeno cômodo onde brinco
de escrever poesia...
Talvez um amor amigo
Ou quem sabe, um amigo amor
Ou só um amigo, que assim fosse!
Mas, uma companhia para encher meu dia
de conversas fiadas...Na tarde cinza:
Um pouco de cor!
Mas acho que de nada vale pedir!
Suplicar, lamentar...Chorar!
Todo domingo é o mesmo tédio
Uma nostalgia que não tem remédio
Saudades de dias passados, distantes...
( Nada é como era antes)
Pedante...!
O tempo passa, sem graça!
Passo eu.
Passamos nós...
Cata-vento tão veloz, que não dá pra descrever!
Deixa a vida como está, porque se reclamar, piora
Vou pegar minha vitrola, ouvir Chico ou Noel
Assim a tarde se torna ainda mais vintage
para inspirar esse tal poema, num pedaço de papel!
E o que era só um pedido, virou história.
Reclamação, murmurinho...
Estou ficando velha e enjoada
Não aguento mais estes domingos!
MARGARIDAS
Margaridas são flores delicadas
Me lembram branduras e gentilezas
que alguns amigos semeiam por aqui.
Aqui, onde tudo as vezes é tão cinzento...
Trazem beleza, perfumam a vida.
Pessoas, margaridas...Delicadezas do viver!
Por isso busco campos dessas miudezas
Simplicidades que exaltam nossa existência
Obras primas de Deus. Graça, dádivas...
Que plantemos margaridas pelo caminho
Que conquistemos amigos que são acalanto,
encanto e ternura__ Canduras queridas!