Pular para o conteúdo

Frases de Eduardo Chiarini

82 frases

Coisas que não entendo. As coisas que não entendo, Em vãs empresas, são boas;
Continuar lendo

Coisas que não entendo. As coisas que não entendo, Em vãs empresas, são boas; e, assim as compreendo. O ato de não entender, às vezes traz, ou não, calma a esta alma solitária. Como se preso fosse retido no meu ser profundo, que insiste em querer, abrir portas e se ver. Talvez nas marcas do rosto. Talvez no amargo desgosto. A porta aberta, escancarada, nesta longa jornada, em detrimento do entendimento, nenhum discernimento. Desejos e paixões. Desalento. ⁠

Perdi a Poesia. Recentemente, Talvez de forma displicente,
Continuar lendo

Perdi a Poesia. Recentemente, Talvez de forma displicente, Perdi a poesia, Literalmente, Não se tratava de uma grande obra, Mesmo porque dessa não sou capaz Era um fato presente, Frequente, Uma simples impressão de um ocaso Vespertino, dolente Nada extraordinário, especial, ele, o ocaso Trazia a noite fria, outonal, Fiquei sem poesia, O espelho não revela mais, medonho Um olhar vivo, atento, vibrante, Apenas monótono e tristonho. Sim, perdi a poesia. Procurando a coisa perdida, Mais que uma poesia, talvez a vida, Enquanto passam outras tantas, Despercebidas, E eu, impassível e ao todo indiferente Procuro pela poesia loucamente. ⁠

⁠Ilógico Minha querida menina Ilógico seria
Continuar lendo

⁠Ilógico Minha querida menina Ilógico seria Ser assim, lógica, a poesia. E não óbvio talvez Como não se supõe ser O poeta é louco, e.... Logicamente consente O que não sente... E o que sente, desmente Insistente... Das suas vidas, contadas no papel Seu único real confidente.

⁠Compreensão Hoje a tarde vai, Em mim, como há muito
Continuar lendo

⁠Compreensão Hoje a tarde vai, Em mim, como há muito Não sentia, a tarde vazia. Lamento, se meu intento Foi mal resolvido, Faz-me falta, e essa me dói. Talvez depois eu consiga, E se não, assim, Como a tarde vai, Poderá soprar uma brisa, Que encanta e suaviza E, quem sabe, ameniza, Este triste sentimento de Não ter compreendido tua dor.

Pois é.... Pois é Meu senhor, Senhor meu...
Continuar lendo

Pois é.... Pois é Meu senhor, Senhor meu... Parece até que esqueceu Que ontem choveu E a terra molhada a absorveu Hoje, o sol brilhou Mostrou toda a sua gloria E, a plantinha miudinha Atrevida e fasceirinha Já ao nascer; Pensou que devia florescer. ⁠

A procura. À noite, sozinho... Invade-me uma tristeza profunda,
Continuar lendo

A procura. À noite, sozinho... Invade-me uma tristeza profunda, Quero estar ao seu lado, Contemplar, em paz, o caminho percorrido. Porém, você já não está mais aqui Então, sigo calado, o peito congelado O coração perdido. Procuro, em uma perspectiva lógica Algum motivo, mera explicação... Compreendo, entrementes, não haver A não ser simplesmente o dito não. Sentimentos que subvertem a razão, Me provocam arrependimentos angustiantes, Tento entender o que não é possível Um exercício de melancolia, Uma vez que há muito já havia partido, E eu disto, tristemente, sabia. ⁠

⁠Reclusão. Meu caro, tem tempo que não vejo algumas coisas, E assim, lhe pergunto coisas simples
Continuar lendo

⁠Reclusão. Meu caro, tem tempo que não vejo algumas coisas, E assim, lhe pergunto coisas simples Poderás constatar, nada complicado... Assim começo: o céu continua estrelado? A lua continua iluminando de prata o chão da rua? A rua continua exalando jasmim nas noites frias de inverno? O que me enchia de alegria e agora se esvazia Em uma triste poesia? Outrora, trôpego, vindo da boemia, A vida me parecia uma dança, bolero.... Sei que não possui todas as respostas, espero Por que, talvez eu não às queira, de teimosia. Afinal, meu caro, certamente não saberás Será que morri e não vi? Será que passei por aqui e não vivi? Será que que a vida me mentiu? Ou eu, covardemente, me escondi? É que tem tempo que não converso Comigo, com você, com ninguém. Em um longínquo deserto, além... Na lucidez, meu caro, de quem, não disperso. Certamente não lhe desconcerto, Não importa se certo ou incerto.

⁠Caixa de Palavras. Achei aqui, jogadas algumas palavras soltas, Esquecidas,
Continuar lendo

⁠Caixa de Palavras. Achei aqui, jogadas algumas palavras soltas, Esquecidas, Algumas surpreendentemente magoadas... Umas tinham uma aparência viçosa, de novas, Enquanto outras velhas, antigas e empoeiradas Resolvi juntar todas em uma caixa Que chamei de caixa de palavras, um achado! Seria, a princípio, uma caixa para guardar Palavras.... Sem uso e sem significado. Curioso que sou, comecei a olhar as palavras, Antes soltas, mas agora presas em uma caixa, Palavras simples como amizade, amor, simpatia, alegria... Outras complicadas como nitente, solilóquio, consoada... Em um relance de lucidez percebi, O que não me cabia... Aprisionar palavras, em uma caixa, outrora vazia.

Escrito Queria ter escrito O verso perfeito
Continuar lendo

Escrito Queria ter escrito O verso perfeito Em métrica e rima Mas, o pensamento Foi desfeito. Queria muito ter falado O que sentia Por que e para quem meu coração batia Mas, o pensamento Me esvazia. Queria, enfim, ter feito alegorias Viagens, aventuras, romances e romarias Uma taça de vinho e desmandos Mas, o pensamento Acabou com a fantasia Queria, mas só queria... E, acabei na madrugada, triste Com a alma frustrada e vazia. ⁠

Papel. Fiquei olhando o papel amarelo, Queria escrever alguma coisa da emoção
Continuar lendo

Papel. Fiquei olhando o papel amarelo, Queria escrever alguma coisa da emoção Singelo. Sinto forte em meu peito Mas, o papel, não me responde Quase sem respeito. Me dizia que não tinha palavras Que a ideia não saia de suas entranhas Presas em suas celas Estranhas Queria um gosto de mel Mas, a vida estava difícil Era preciso superar Palavras Ideias Sentimentos Esperar... ⁠

⁠Esperança Aprendo enfim a enxergar Ouvindo notícias do passado,
Continuar lendo

⁠Esperança Aprendo enfim a enxergar Ouvindo notícias do passado, Quase sempre amargurado e quebrado, Em vozes vizinhas às minhas, Mas, me deixo embalar, Em um sonho de lembranças de novos amores, Que virão...sorrindo. Não sei bem de onde, Minha esperança de cores e flores, Onde eu sei... Não há na vida, nem seus atores, Inefável e indolores.

⁠Minha alma. Minha alma Irmã da tua, voa indiferente, agora,
Continuar lendo

⁠Minha alma. Minha alma Irmã da tua, voa indiferente, agora, Vendo, alva, a lua. Pequena parte daquela Que também é parte dela. Caminha, então Na sua rua... De mãos dadas com a sua. Errantes, estrelas brilhantes, Mas, aos teus olhos, os meus Parecerão tristes ao luar Pois a poesia dispensa os fatos, Os atos, contratos... E, entre a fantasia do teria sido. E do que parecerá ter havido, Optamos irrevogáveis, por sonhar.... Mas, meu coração é leve E quando vier o adeus Voará, E ao lado do teu, mansamente, pousará.

⁠A despedida. O que se passava era então, passado, Mas, não importa, que já nada passa...
Continuar lendo

⁠A despedida. O que se passava era então, passado, Mas, não importa, que já nada passa... Era assim talvez, que desejasse Minha alma apaixonada Escrever em um verso apenas A imensa falta.... A distância enorme entre o passo e a porta, Pela caminho até a outra... Pressentindo um enorme sofrimento por vir No tímido gesto de não ficar ou sair.

⁠ Prevalência Transitória. A vida prevalece à morte,
Continuar lendo

⁠ Prevalência Transitória. A vida prevalece à morte, Sendo a primeira transitória e A segunda definitiva. O mal prevalece ao bem, Sendo o primeiro transitório e contínuo, O segundo definitivamente divino. O forte supostamente prevalece ao fraco Sendo o primeiro transitório exercício e O segundo perpétuo, severo e doloroso ofício. O flexível prevalece ao rígido Sendo o primeiro dócil e submisso, O segundo permanentemente quebradiço. Extraordinário! De forma definitiva prevalece o transitório. Este poema ficou colocado em quarto lugar no Concurso Nacional Novos Poetas - 2015

Ilusão Tenho coisas importantes coisas a dizer, E eu aqui, sem saber, como e o que escrever.
Continuar lendo

Ilusão Tenho coisas importantes coisas a dizer, E eu aqui, sem saber, como e o que escrever. Como colocar em um papel, irreal e astuto, Fruto da imaginação, esta visão em um eterno Carrossel. Pensamentos, em roda de pião, Como se fosse a nódoa , que incomoda, As lavadeiras antigas na beira do ribeirão. Roda e não chega em nada, como se Devesse estar apenas parada, como se fosse Apenas Mais uma ilusão. ⁠

⁠Na Estação. Na estação não havia senão o chão,
Continuar lendo

⁠Na Estação. Na estação não havia senão o chão, poeira de anos, acumulados desenganos. Intrigado percebi abismado minha viagem adiada, o trem de ferro, tornou-se composição. Aliviada a jornada de forma indelicada, solitária e desorganizada, em uma outra conotação, para continuarmos então. Na ferrovia da imensidão, os trilhos, filhos, e a bagagem na mão. Poderá alguém afirmar onde é que esta estrada irá? Certamente que sim. A estrada está apenas lá, o viajante decide onde ficar ficaremos enfim, vendo poeira e estrelas, beijos da estrada sem fim.

⁠Lobo. Um poema, uma poesia, poderia sim ter valia,
Continuar lendo

⁠Lobo. Um poema, uma poesia, poderia sim ter valia, na triste e difícil caminhada da vida. Lembro-me que quando adolescente cantava Vandré contente, enquanto andava na beira da estrada. Esperando a carona que talvez aparecesse naquela hora tardia, ou talvez, apenas um lobo, um lobisomem que não existia nos devoraria.

⁠ Existencialismo Às vezes ocorre assim como um vento, questões do ser na essência,
Continuar lendo

⁠ Existencialismo Às vezes ocorre assim como um vento, questões do ser na essência, as antigas e ainda não esclarecidas questões sobre a existência. Existimos por sermos matéria e alma? Somos por sermos evolução animal? A alma traz consigo conhecimento imortal, enquanto o ser matéria, desejos e ensejos, tristezas e alegrias não transcendentais. E desse jeito, afinal, no final, refletimos uma imagem estagnada, olhando para o céu sem entender nada.