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Frases de Eduardo Chiarini

82 frases

⁠Queria ter escrito O verso perfeito Em métrica e rima
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⁠Queria ter escrito O verso perfeito Em métrica e rima Mas, o pensamento Foi desfeito

Gaivota Eu ganhei uma gaivota. em um voo perfeito, parece,
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Gaivota Eu ganhei uma gaivota. em um voo perfeito, parece, sobre o oceano, antes dos recifes de corais que se fortalecem. Olhando aquela cena pensei na extrema linha divisória entre o real e o imaginário abissal. Eu vi uns recifes nadando, no oceano brincando, onde, parada, uma gaivota alada, se mostrava assustada. Com a minha perplexidade, diante da beleza simples, do cotidiano e dos enganos da inatingível complexidade. ⁠

Enganos passados. Engano, eu, tu e aqueles
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Enganos passados. Engano, eu, tu e aqueles que não se enganam. Quem acha que engana, se engana. olhando a chuva que não cai e vai, com o vento que se esvai, mas não nos chama, não é por menos ou por mais. Nós, esquecidos nós, desastrados na teia de passados entrelaçados em tristes enganos. ⁠

A Pétala. A pétala que era dela, Não se desfez, apenas entristeceu,
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A Pétala. A pétala que era dela, Não se desfez, apenas entristeceu, Apesar da tempestade forte, Que ocorreu... Fiquei olhando da janela, Meio me molhando feliz, Com as gotas de chuva que fiz, A chuva que não estava ali, Haveria de estar em algum lugar. Uma vez que ali, apenas eu, Minha imaginação, Com o café na mão, Olhando feliz a rosa Pela janela do portão. ⁠

Distância. Distância, se quer entrar, que entre você, à força.
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Distância. Distância, se quer entrar, que entre você, à força. Não, não é bem-vinda! Por mais que torça... É como a noite e o dia, lembre-se, arrogante... O instante... entre a estrada e o caminhante; mas, no momento exato, a estrela toca o dia, o pé, no chão; a mão, a mão. Meus olhos festejam; alegria a grande emoção, pois ali estão. ⁠

⁠A solidão do poeta. A terrível solidão do poeta, tornou-se tão concreta que
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⁠A solidão do poeta. A terrível solidão do poeta, tornou-se tão concreta que se constituiu em um muro. Um passarinho miúdo, imaturo pousou e cantou suave e doce. O poeta ouviu. Sorriu. Quanta gentileza e beleza, pensou em sua fortaleza, quebrou o muro, saiu, andando, com o passarinho voando. Desapareceu na alegria, em uma bruma de poesia.

⁠A Roda. A roda que roda, roda a roda que acompanha a roda.
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⁠A Roda. A roda que roda, roda a roda que acompanha a roda. São polias, engrenagens de um mecanismo complicado que ninguém sabe a que serve. É milenar. Sabe-se ter que funcionar. A roda não pode parar. Nem pensar. E, assim sem saber, Cremos a roda ser, O que nos faz viver. Será? Extensa organização, do diretor ao aldeão, guardam esta função. Mas um menino atrevido, foi lá e num peteleco, deu-se um treco. A roda parou. Ninguém notou. A não ser o mecânico chefe, que lá a deixou.

⁠Em um simples passo Em um passo Passo o tempo
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⁠Em um simples passo Em um passo Passo o tempo Em descompasso. Passo o vento, O silencio, o espaço. Flores imaginárias Extraordinárias, exuberantes Pena, solitárias Passo a chuva, O frio, calor, Ardor e paixão, Em desilusão. Tudo isto passo Na distância tranquila, Imutável. De um passo. Outro poema dedicado a Léa, passageira de meus pensamentos e emoções.

⁠O poeta morreu No entanto sobreviveu, a um cruel tirano, que lhe fez encomenda, de narrativa heroica,
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⁠O poeta morreu No entanto sobreviveu, a um cruel tirano, que lhe fez encomenda, de narrativa heroica, o poeta criou parábola, como homenagem Aos tiranos sem coragem. Este enfurecido ordenou a decapitação, O poeta não tinha cabeça, tinha uma luz no coração Brilhando... Arrancaram-lhe o coração e deram aos cães, Estranhamente a luz mais brilhava, iluminando a multidão Que delirante sorria e dançava, festejando. O tirano se retirando. Largas passadas, seguido de sua guarda, que entoava a toada Declamada do poeta. O poeta viveu muitos anos, sem cabeça e sem corpo, apenas com a luz brilhando, escrevendo poemas e rimando, invisível, era visto em bares, iluminados pela luz. Contam que um dia uma outra luz, surgiu, e em harmonia, levou-o para ninguém sabe. Sabe-se que até hoje, a toada simples e ritmada, é cantada.

Razão Não que fossem iguais Nossos anseios, sentimentos
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Razão Não que fossem iguais Nossos anseios, sentimentos Mas éramos pares tais Em doces e loucos tormentos E destes talvez delírios Mágico breve momento Cruzaram-se olhos martírios Num claro entendimento Ficou sem sentido e encanto Algo que não fosse crescer Cumplices dali por diante Fazendo daquele instante Motivo para viver.⁠

⁠A moça. Havia uma moça, que gostava de mim
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⁠A moça. Havia uma moça, que gostava de mim me olhava com encanto e, eu, presumido e envaidecido, nada decidi. A moça desgostou, na minha rua não passou, cansou-se de minha arrogância. Cansou-se de minha ignorância. A moça, talvez ressentida, sem contrapartida, partiu. sumiu... Talvez sentida. Saudades desmedidas, incontidas daquela moça, de seu encanto, que não mais encontrava, em buscas desalentadas e vazias, afogado em vinhos, pelos cantos. Saudades doloridas de algo que não vivi, E que faria meu coração bater mais forte? Que ainda permanece aqui.

O término do dia. De repente a música acabou.
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O término do dia. De repente a música acabou. Se mudou? Pergunto eu estupefato. Pois é um fato, que dela sou amante, detalhe importante, a ser considerado no instante em que as lágrimas vieram. Não eram tristes, eram de alegria, pois surgia, lenta e solene uma bela melodia. Meu vizinho violinista, excelente artista, dedicou-me esta cortesia. E, assim, entre lágrimas mudas e sorrisos Internos, os que são eternos. Vai terminando o dia. ⁠

O Abraço. O homem sério, compenetrado, negócios... A mulher executiva, ativa, falante, elegante
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O Abraço. O homem sério, compenetrado, negócios... A mulher executiva, ativa, falante, elegante Todos em desespero! A bolsa caindo, fechando, falindo.... Ao longe adolescentes cantando e rindo... O desespero de mais um dia De tédio, que remédio? Aquele que pensava em mudar o dia. Aquele que na primeira hora já partia, apressado, suado... Cansado. A todos aqueles que não cumprimentei Falhei... Devia tê-los cumprimentado com um abraço Um sorriso, talvez feliz... Simples bom dia, que pareceria inusitado; Ao desconhecido, coitado! Tomado de surpresa, por gesto raro de beleza, educação; Rolando na ribanceira de sisuda solidão; Desta quinta-feira, sem eira nem beira; À espera de uma solução. ⁠

Sábios As crianças são sábias, os bichos são sábios; As plantas são sábias; o ser humano desatino,
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Sábios As crianças são sábias, os bichos são sábios; As plantas são sábias; o ser humano desatino, Não enxerga, o que lhe é retiniano, Tantos e constantes desenganos São seres especiais, sensacionais Desígnios de Deus? Ou simplesmente Aqueles que procuraram entender melhor; Daqueles que não são seus Os sentimentos, momentos, sofrimentos? São pessoas de idade, almas de muitos anos... Religiosidade? Tudo depende de planos? Divinos, insanos! Pessoas que amaram mais, Mais se entregaram, mais sofreram; Trazem marcadas suas estradas; Nas faces enrugadas e nas mãos calejadas. Grandiosos sorrisos luminosos... De quem sabe que a vida é brindar, cantar e brincar Música e abraços, mesmo sem música dançar A mão sempre estendida, apesar de negada Por aqueles que não entenderam nada. ⁠

⁠Dúvida. Se um dia Escrever o verso
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⁠Dúvida. Se um dia Escrever o verso Que de tudo diz Estaria feliz, mas ferido Talvez como Bandeira.... Iria para outro lugar Na mente, uma videira Pequenas lamparinas O mar quebrando silente Em deferência às meninas Que alheias à dor, brincam Ao redor de uma fogueira, Fagueiras.

Vizinho Outrora desconhecido É agora meu vizinho,
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Vizinho Outrora desconhecido É agora meu vizinho, Sempre perto e inconveniente, Também não sei o porquê É um espelho partido, Que carrego comigo, Sem bem saber o que fazer Insistente e perseverante É um espelho refletindo Coisas que desconheço, E, esta sim, a lembrança de uma ideia, Que duvido ter nascido em mim Me deixa acanhado Ninguém usa mais estes termos! Enviando recados A todo instante lembrando Me instigando, me levando aos Meus doces inúmeros pecados. ⁠

Amanhecer. Amanhece, eu sei Não sei se dormi ou sonhei,
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Amanhecer. Amanhece, eu sei Não sei se dormi ou sonhei, Manhã de apressada saudade Esquecida do sentimento, Agora lembrado, profundamente calado. Não tenho certeza do dia. Quero vê-lo. Está lindo! Me cumprimenta gentilmente Reverencia que não mereço. Retribuo, durmo novamente e esqueço. ⁠

⁠Despertar. Acordei pouco inspirado, Estava travado,
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⁠Despertar. Acordei pouco inspirado, Estava travado, Em meu pensamento, Em um momento, Antigo, guardado no porões Do inconsciente. Veio à tona de repente, Como corrente, de vento, Que abra a janela e o sol Se faz presente. E, ai, contente, olhei novamente, Profunda e delicadamente.