Frase de EdsonRicardoPaiva
Poema de infância. Uma folha de papel Creio eu que era de pão Nem chegava a ser folha inteira Acho que meia folha não era Creio eu que era quase meia Era infância ainda Talvez fosse um dia de verão Creio eu que era primavera Só me lembro que fazia uma tarde linda Creio eu que depois choveu Faz muito tempo aquele dia E, se é que choveu A chuva foi mais linda ainda Era um tempo de paz, talvez Não existe certeza de mais nada Hoje eu penso que paz nunca houve Então eu desenhei um peixe no papel Me deixem chamá-lo assim, de peixe Pode ser que fosse um golfinho Pois não caberia uma baleia Numa folha tão pequena, diminuta Que não chegava nem a ser meia Daquelas que, na alegria da infância Se cata na ventania E guarda pra sempre na alma Com a calma dos anos passados Mas agora eu compreendo Que momentos bobos assim São os que vão ficar eternizados Uma tarde chuvosa Num papel amassado O mesmo sol, que hoje arde no céu Mas compreenda Que há tardes em que brilha diferente O Sol, o céu, o golfinho, a felicidade Na verdade essas coisas existem Muito menos neste mundo em que vivemos E muito mais Aqui, no coração da gente. Edson Ricardo Paiva.
No pensador.ai desde