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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Quando chega o tempo da Lua da colheita Quanta gente satisfeita
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Quando chega o tempo da Lua da colheita Quanta gente satisfeita A olhar a rua É momento de festa Dia de alegria Porque Desde que inventaram a vida Toda alegria tem hora certa Beleza prazo Amizade vez Quando chega a noite de Lua Gente a olhar a Lua Mente Pra ser olhada Olhando a Lua Depois Que a Lua se foi Simplesmente. Edson Ricardo Paiva.

Procura. O real saber Não é saber onde fica
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Procura. O real saber Não é saber onde fica O lugar em que a gente se machuca Quando vai lá ...e por isso não ir Nem tampouco saber Como não se machucar Bom mesmo é não saber. Desconhecer que o dia renasce Pois o mesmo dia Nunca existiu duas vezes Pra isso é preciso sorver Um novo cálice de vida Assim que o dia amanhece. Entender Que não existe um novo amanhecer Pois, quase sempre Amanhece de novo Mas que nada Nunca é novo eternamente. Guardadas as devidas proporções Olhar um pouco além Do lugar onde a rua termina Comer doce de Lua E quando precisar Parar um pouco e descansar Se possível Que seja lá no alto da colina. O calor do asfalto incomoda E se acaso a roda gira Que seja uma roda gigante Pra poder passar a vista Lá do alto do mirante. Cada segundo de vida Que se vive neste mundo Dura somente um instante O Mundo gira O tempo passa O giro é pra frente Se a gente olha em derredor Lugares iguais São iguais Por mera opção de escolha Nada mais. É preciso aprender Que cicatrizes Não são cura Antes, lembranças de lugares que não guardavam Aquilo a que se procura. Existem noites claras Manhãs escuras E nunca é tarde pra saber Que apegar-se à dor É algo que ninguém queria Mas um dia, sem perceber A gente jura. Edson Ricardo Paiva.

Faz tempo que percebi Que o tempo passa O que levou um pouco mais de tempo
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Faz tempo que percebi Que o tempo passa O que levou um pouco mais de tempo Foi pra eu ver por onde ele anda E quanta coisa esse tempo esconde Porque, por mais dias de Sol que se faça E por menos que o tempo se feche E o mato cresça Por mais tardes que a noite escureça O tempo passa sim, mas não se mexe O fato é que passou por mim Eu sei disso, pois estou aqui E depois do compromisso Que eu cumpri com o tempo Percebi Que parte disso consiste Em perceber-lhe a passagem E manter-se sereno e em paz Por menos que se conquiste Porque, por mais que se corra Não se vence o tempo em seu terreno Vai-se à frente às vezes Mas depois ele te passa E não adianta correr atrás Eis a lógica do tempo Ele sempre corre mais Basta ver a imagem refletida E depois perceber Que é um espelho da consciência E que o tempo Se esgueira pelo lado escuro Onde nunca se olha Fingindo inocência Talvez, por conveniência Se pensa que ninguém vê. Edson Ricardo Paiva.

O vento Que leva os pensamentos Pensava
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O vento Que leva os pensamentos Pensava Que será que apenas os leva Ou será que as tantas névoas Cujas quais Ele atravessa Mais e mais o faziam Entregá-los pelo avesso E desse jeito Simples pensamentos de apelo Lá pelas tantas Do final do dia Os havia demovido Em pretensão Amores em ódio Simpatia em repúdio A dúvida em certeza E até mesmo A mansidão adquirida Lentamente, ao longo do caminho Em questão mal resolvida Que o avesso pensamento Ou trouxe, ou transformou-se Talvez, como prelúdio Para o início de uma nova vida E o vento percebeu Que por breve momento Passou por um desconhecido Cujo nome era medo Era cor que evapora Era dor, era fome, era orgulho Uma senhora sorridente Mas seus passos não vem atrás E nem vão à frente Caminhando sempre ao nosso lado Embora enevoados e sem fazer nenhum barulho Quem treinar os olhos A pode perceber Mas somente se o quiser De sorte que lhe falou Sobre a existência de um lugar Onde morrem os ventos Mas que ninguém o sabe Além de Deus... e da morte, talvez Pois a hora marcada Jamais esteve nos ponteiros E o momento presente é sempre breve E a verdade, cada vez mais escondida Nos segredos que o tempo escreve Por detrás do denso nevoeiro Que por ora O vento atravessa Sem pressa e nem demora A cada coisa o seu tempo E a todo tempo A sua hora Mas que a vida É um breve momento Frágil como a neve E tão leve como o vento Mas que cada um de nós Escreve Em qual direção Deseja que o vento a leve Embora não veja E, talvez, seja por isso Que a chuva chora. Edson Ricardo Paiva.

Não é o que eu digo sobre mim Que importa Porque todo mundo, em algum momento
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Não é o que eu digo sobre mim Que importa Porque todo mundo, em algum momento Sempre vai mentir a respeito de si mesmo Não é a quantidade de obrigações que eu cumpri Que vai revelar o meu caráter Mas a quantidade de coisas boas Que se faz por querer fazer Sem se importar se tem alguém olhando Também não são as coisas que eu escrevo Não preciso dizer nada sobre a minha vida Talvez o mais importante Não seja a gente desejar bom dia Nem lembrar do aniversário Tudo isso vai no tempo E se a gente observar o reflexo da Lua no mar Percebe que quando a Lua se vai Não fica nenhuma marca lá, da Lua refletida E o reflexo do céu, vai ficar logo em seguida Mas mesmo que estando invisível Ela ainda influencia nas marés O importante não é a gente ter a presença marcante As marcas que deixamos Não precisam ser vistas e alardeadas Se é que marcas deixarmos Essas, tem que ser sentidas A saudade que deixamos é que faz saber Da importância que quem tem saudade da gente Tem também nas nossas vidas Mesmo quando a gente vai se ver mais tarde Dizer ao mundo que eu sou uma pessoa boa Não faz de mim uma pessoa boa Querer ser, não é ser É preciso ser. Edson Ricardo Paiva.

A Nuvenzinha lá no céu E o vento soprou Pra levantar cortina
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A Nuvenzinha lá no céu E o vento soprou Pra levantar cortina Soprou para apagar a vela Assoviou agora, dentre as folhas Que lá fora, crepitantes Crepitaram diferente Que não são mais as de ontem. Jamais são as mesmas de antes Faz lembrar Que folha é que nem gente E que uma hora elas se vão E na próxima estação Não serão como outrora Mas, daqui pro fim da vida Há de ter pra sempre A nuvenzinha lá no céu Que ninguém olha O vento soprou vela à caravela Moveu ponteiro ao catavento E lentamente O dia inteiro O vento anunciou a hora E que por ora é cerrar janelas, e varrer as folhas e acender as luzes Pois o novo dia Ele também termina E que ele vai ser assim Até que acenda O Sol do fim dos dias Porque todo tempo do mundo Ele também se acaba Pra que o vento nunca mais Suba as cortinas Pois a chuva molha ainda Mas, daqui pro fim da vida Há de ser pra sempre linda A nuvenzinha lá no céu Mas ninguém a olha. Edson Ricardo Paiva.

Tristeza É o nome de um lugar Que não tem chão
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Tristeza É o nome de um lugar Que não tem chão Um lugar que foi criado Pra semear-se ilusões É um lugarejo tão distante Que só vejo uma razão Pra se estar lá É ter plantado uma planta Chamada falsa esperança Que é algo que quem semeia Palmilha com a planta dos pés Planta espinhenta e tão falsa Que se planteia descalça E fere as palmas das mãos Para tirá-las Quem perdeu-se lá Perdida a alma Saída não tem Se cala e fica lá Mas não fala pra ninguém. Edson Ricardo Paiva.

Quem sabe Se olhar pra frente Pode ser
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Quem sabe Se olhar pra frente Pode ser Que só o presente Amanhã seja passado Quem sabe Se olhar pros lados No meio da madrugada E num beco escuro Perceba que só agora Eu me sinto seguro Fui criado à beira De uma vila chamada loucura Minha casa ficava na esquina Da rua impossível, com a difícil Foi difícil, mas saí de lá Quem sabe Se olhar pra baixo E caminhar depressa Nessa fria madrugada Eu ache a solução da diferença Entre vida e tristeza Quando a vida inexiste Tristeza é voz perdida Vaga-lume, precipício A parte mais difícil Se esquecer como se faz E eu quero paz Quem sabe O olhar pra cima A chuva fina Me perdoe Pra que eu possa prosseguir Perdido E descansar os pés Lá na praça do passo esquecido Onde eu queira Finalmente olhar Pra dentro da minha alma Quem sabe, pode ser até Eu escute o som das palmas Aplausos que se escuta Quando a gente finalmente aceita Que de fato perdeu a luta. Edson Ricardo Paiva.

Perdeu-se Sumiu-se Foi
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Perdeu-se Sumiu-se Foi Que nem Que se era vento Não viu-se Se era pipa de papel Ou Se pedaço de papel de catavento Voou-se de repente Perdeu-se, lentamente Fez um traço lá no céu do espaço lento Quando inteira Era eternidade Em pedaço Chamou-se momento Num momento se passou Se foi no vento. Edson Ricardo Paiva.

Aqui na minha mente Creio eu Daqui pra frente
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Aqui na minha mente Creio eu Daqui pra frente A vida Há de correr depressa Acredite sempre Porém, se um dia perceber Que tua fé é incapaz de mover a montanha Acredite no vento Esteja descontente, às vezes Mas jamais se esqueça Que pra todo descontentamento Há limite Acredite no mundo Mas se lembre sempre "todo mundo" é muita gente Pois, daqui pra frente O tempo vai voar Acredito eu Que não seja o caso Só de crer Mas de crer, tão piamente Que acho até que chego a ver Enferrujadas, carcomidas Corroídas pelos dias As correntes que prendiam Meus pensamentos Aos dias de Sol Felizes dias de Sol De uma imberbe criatura Que sonhava Sonhava com dias de Sol Que olhava pores do Sol Até que o Sol se pusesse E depois sorria, satisfeito Mas a bem da verdade Nem via direito Quando o Sol se punha Só depois de um tempo Só depois de tanto vê-lo ir Um dia percebeu Quando o Sol voltou no outro dia Que aquele que ia Aquele jamais voltaria. Edson Ricardo Paiva.

Se quiseres saber onde fica O lugar que se chama felicidade Busque lá no céu da noite
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Se quiseres saber onde fica O lugar que se chama felicidade Busque lá no céu da noite Em meio ao oceano de estrelas A mais pequena que tiver O nome dela é felicidade A velha geladeira Que já não dá gelo e nem gela Pois nos planos do tempo, consiste Ensinar-te ouvir a voz que existe E quase ninguém escuta Não se pode segurar o vento O Todo indivisível que se divide Se chama felicidade Luz da Lua Atravessando as frestas da simplicidade Que agora inexiste Só passos sem rumo A quadra de amarelinha, ...sem pedrinha pra jogar Ser livre é não sentir-se Censurado, sob olhar nenhum Felicidade, é saber um Deus existe Mas não precisar pedir perdão A felicidade é complicada desse jeito Porque é feita das coisas mais simples Estrelinha, calçada, vento, abraço, respeito A vida a passar como um momento Um breve vento que me leve a alma leve Tão enorme Quanto a menor estrela A mais pequena que se vir no céu O nome dela é o meu. Edson Ricardo Paiva.

Outro dia eu vi o desenho de um lugar feliz Em que todos tinham muito tempo
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Outro dia eu vi o desenho de um lugar feliz Em que todos tinham muito tempo Onde todo mundo tinha voz... e vez para falar E eram muitas as vozes Vozes a cantar ao vento Era tanta a luminosidade Que a própria luz do Sol Parecia ser somente um lume Uma falsa e velha flor Já desbotada e sem perfume Durante o reinado da ilusão Realidade é fração de momento Um cume de montanha pra poder morar Com nascente de águas cristalinas Pra guardar em cântaros de porcelana Cada palmo e cada prumo Cada alma sedenta em seu rumo Mas esse lugar Era apenas um colar de sonhos Pois pétalas bonitas e serenas Podem até desabrochar ao Sol Mas as flores em botão Essas brotam noutros tempos Mais difíceis e cinzentos Pois o tempo é o mais sincero dos amores E ele veio...um dia ele veio Dentre toda relação que cresce O tempo estabelece A relação entre a causa e efeito E veio o tempo de chorar Pois sempre existe O tempo de chorar sorrindo E de sorrir chorando O tempo de plantar E o de colher De sorte Que as menores sementes Dão árvores de grande porte Cada coisa em seu lugar E o lugar para ilusão é uma ilusão também Outro dia eu vi o desenho De um lugar chamado vida e eu estava lá e via Mas não vi as coisas do mesmo jeito Não no lugar de onde eu venho Pode ser também que toda aquela gente Tenha olhos que eu não tenho. Edson Ricardo Paiva.

Se em algum momento Eu me sinto deserto E me vejo distante no tempo
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Se em algum momento Eu me sinto deserto E me vejo distante no tempo Penso que na paz do voo Há mansidão do inseto em sua breve existência Flutuando suave pelo vento Em seu pequeno espaço, lento Seu volume de suavidade No fino fio de sua seda Inseto e aranha Conquistam o cume da montanha Simplesmente humilde traço azul O Frio azul de um céu cinzento Compreendo a vista lá do alto Esse sopro de vida que se estende Ao brilho do chover da chuva Concluo não brilhar pra ser olhada Singelo é o brilho sem compromisso A gota brilha ao cair Em seu prisma suspenso Formando um lindo arco colorido O barco de Deus passando ao conduzir a vida Pois a vida não existe pra ser conquistada Ela é feita pra ser vivida A vida é só isso e mais nada Acontece que além das nuvens Há depois um céu Ali é que se oculta O oceano de estrelas E já não há razão para eu ser triste e nem deserto A alma cresce ao viver a vida Sem precisar explicá-la Pois enquanto a alma singela escuta O ego quer falar mais alto E se agarrar à vida Mas a vida é só um pequeno inseto Em seu voar suave Orgulho é o nome da ilusão perdida Que insiste Em ser guardiã da virtude Mesmo que nada fique Mesmo que não mude nada. Edson Ricardo Paiva.

Eu Vivendo minha vida Num mundo que não é meu
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Eu Vivendo minha vida Num mundo que não é meu Uma lâmpada Acendida anteontem Esquecida Quando amanheceu Uma voz rouca e profunda Fruto De relação desarmônica Vendo outros olhos Que veem Entendo Que vendo o que veem Não enxergam nada Ou pouco dizem Creio-lhes eu Pode ser que sofrendo Insuficiência verbal aguda Mudas Corações moldados Em rocha intrusiva Uma relação harmônica Plutônica erosiva Crônica, agudizada Cínica em seu modo Em desarmonia com o meu Uma lâmpada acesa lá fora Cá dentro, um lugar à mesa Creio eu Pode ser um dia. Edson Ricardo Paiva.

Há silêncios Que são preces verdadeiras Mas que devem ser apenas
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Há silêncios Que são preces verdadeiras Mas que devem ser apenas Uma breve comunhão Conosco mesmos Um leve abalo sísmico Ridículo de pequeno E minúsculo de breve Que sejamos simples Em silêncio Juntos Não passamos de pergunta Difícil de ser respondida Perdidos num pequeno espaço Assentados numa rocha Olhando estrelas Em silêncio no Universo Sua graça Seus quasares Nebulosas Pilares de fumaça Nós, seres efêmeros Vivo estardalhaço À Lua, prantos Silvos Uivos Enquanto a caravana passa. Edson Ricardo Paiva.

Eu nunca compreendi direito O conceito Dessa nova engenharia
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Eu nunca compreendi direito O conceito Dessa nova engenharia Que constrói monumentos de alegria e felicidade A cada dia mais arrojada E que, a mim, não prova nada Só me lembro Que meu velho avô dizia Coisas sobre um mundo arcaico Num tempo em que só carecia De uma pequena porção de amor e lealdade E em poucas e prosaicas proporções Amizades e outras velharias Que, não obstante, seriam suficientes Ele me olhava com o olhar fraterno e, apesar de melancólico, dizia Que a ordem do tempo é imutável Pra tristeza ou pra alegria Insistia que a vida não eram só momentos E citava outras palavras, hoje desconhecidas Sobre bondades que jamais eu vi Talvez seja culpa da vida, porque ela é feita de tempo Onde a culpa cabe ao tempo, por ter sido algo abstrato Mais importante que a própria vida É ter alguém pra botar a culpa Fora isso, o tempo não se compromete Nem possui o compromisso tolo de apartar As coisas que ora se sente Daquelas que outrora sentia A verdade é um gás rarefeito Ela explode, quando se acumula Essa é uma lei natural Que, sutilmente rege a vida. O perfume da flor varia E mesmo assim Não se muda em essência Por causa da ocasião Portanto O conceito de felicidade permanece Eternamente algo abstrato Jamais objeto A ser trocado em feira de momentos Por outras felicidades Nem se pode vê-la exposta No museu da simplicidade A inverdade pode ser um céu Que desaba por sobre o telhado E o teto por sobre o chão É uma casa de pau a pique e o ás de qualquer baralho Nas mãos de outro jogador, na mesa ao lado A alegria é um anjo frágil Um pássaro no galho Que, quando maltratado, bate as asas E não há nada a se fazer pra que ela fique. Edson Ricardo Paiva.

Uma criança me perguntou Que será se a Lua tem alma Eu respondi que creio que sim
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Uma criança me perguntou Que será se a Lua tem alma Eu respondi que creio que sim Pois, enfim, não há de ser à toa Que quase toda noite ela se aninha lá no Céu Serena e calma Pois eu creio que a Lua deve ter milhões de almas Assim, como cá na Terra Quase todos que eu conheço Quase todos tem uma Algumas almas tem preço Muitas não valem vintém Outras nem isso Alguns tem a alma do avesso Tem gente que só parece Mas quase todos as tem Assim, creia que a Lua a tenha também Porque, se não tiver nenhuma Ela sempre vai ter a minha Sempre que brilhar Bem na linha da minha janela Pelo menos por alguns instantes A minha alma estará lá com ela Pois a Lua possui uma identidade A Lua tem um caráter Tem gênio, temperamento, tem personalidade e até natureza Coisas que lhe conferem uma alma ...e, no caso da Lua, também uma grande beleza Então a criança me perguntou Quantos anos que a Lua tinha Então eu olhei pra Lua A sua cara hoje, estava meio apagadinha Quase tanto que nem a minha Creio que tal pergunta, só queria me pôr à prova Então eu olhei pra criança E só respondi que a Lua era Nova. Edson Ricardo Paiva.

Até onde alcança a minha visão Pra dentro do coração Pra além de onde enxerga a vista
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Até onde alcança a minha visão Pra dentro do coração Pra além de onde enxerga a vista Onde estão as pistas deixadas Há momentos em que correm os ventos Num torque que não resta nada E é hora do ataque, do desembarque Um dia o parque da nossa infância Regressa pra vila onde a gente brincava E novamente há meu nome no muro Na mais pura escuridão Que o tempo distante Demonstra um talento inato Quando o rabisca Num autêntico nunca mais Um sapato que machuca os pés A saudade curiosa Daquela fotografia que só se viu uma vez O passo impreciso De quem precisa aprender a andar Era um azul de mês de setembro Em cada lugar era um nome Aquela rua, que era tão bonita Mal iluminada e triste agora A vida insiste, irredutível Passei por lá noutros tempos Ela estava pintada de abril Nada mais que a bela e triste poesia Que não podia ser recitada Era assim que a gente obedecia Pois nada nunca foi Mais decidida que a própria vida Uma conquista a mais Outra alegria abrandada Outra risada perdida Escondida em algum lugar, lá dentro do coração E que a vista faz questão De pra sempre esquecê-la E chega mesmo a duvidar que foi de verdade Mas que a gente se lembra de vez em quando. Edson Ricardo Paiva.

O que vale na vida Não se pesa em nenhuma balança Não lesa abraço e nem confiança
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O que vale na vida Não se pesa em nenhuma balança Não lesa abraço e nem confiança Abrigo e telhado O Pensamento distante A trilha, o atalho Tristeza que ninguém notou Um olhar calado fala mais alto E te leva com ele A sabedoria de ser julgado Num tribunal inimigo E receber um julgamento honesto A vida não é como se escreve O lado bonito é mais profundo E não vale o escrito Um resto de lembrança A voz rouca O pavio apagado O "tanto faz" do olhar além Pela lente da janela As gentes que vem do outro lado A poeira que flutua Um cavalgar constante O Panteão, o tempo. Ah, o tempo...se a gente o soubesse! A energia Telúrica e presente Maior que milhões de universos O reverso da lente A maneira certa de dizer Coisas que a ninguém se diz O momento feliz que não veio E foi pra nunca mais Há coisas que não se muda Contudo se modificam Como tudo Pra essas o tempo pára As demais são passageiras E se afere o valor que elas tem A mais valia o sabe Um lugar que se oferece, quando houver O pão também E segue cada segundo Que nem se fosse eternamente E que pra sempre vai ser assim Sem pressa Pois o tempo é lento e precioso Mas é também caprichoso, quando preciso E que esteja presente O tempo todo E que acalme a alma só de olhar A rama da alegria O lado de dentro da calçada Alento pra dor sem cura O olho que busca Oculto na escuridão Se não trouxer, tenta Um suspirar nostálgico Isso te basta O querer É esse o valor da vida. No âmago do meu ser Edson Ricardo Paiva..