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Frase de EdsonRicardoPaiva

Eu nunca compreendi direito O conceito Dessa nova engenharia Que constrói monumentos de alegria e felicidade A cada dia mais arrojada E que, a mim, não prova nada Só me lembro Que meu velho avô dizia Coisas sobre um mundo arcaico Num tempo em que só carecia De uma pequena porção de amor e lealdade E em poucas e prosaicas proporções Amizades e outras velharias Que, não obstante, seriam suficientes Ele me olhava com o olhar fraterno e, apesar de melancólico, dizia Que a ordem do tempo é imutável Pra tristeza ou pra alegria Insistia que a vida não eram só momentos E citava outras palavras, hoje desconhecidas Sobre bondades que jamais eu vi Talvez seja culpa da vida, porque ela é feita de tempo Onde a culpa cabe ao tempo, por ter sido algo abstrato Mais importante que a própria vida É ter alguém pra botar a culpa Fora isso, o tempo não se compromete Nem possui o compromisso tolo de apartar As coisas que ora se sente Daquelas que outrora sentia A verdade é um gás rarefeito Ela explode, quando se acumula Essa é uma lei natural Que, sutilmente rege a vida. O perfume da flor varia E mesmo assim Não se muda em essência Por causa da ocasião Portanto O conceito de felicidade permanece Eternamente algo abstrato Jamais objeto A ser trocado em feira de momentos Por outras felicidades Nem se pode vê-la exposta No museu da simplicidade A inverdade pode ser um céu Que desaba por sobre o telhado E o teto por sobre o chão É uma casa de pau a pique e o ás de qualquer baralho Nas mãos de outro jogador, na mesa ao lado A alegria é um anjo frágil Um pássaro no galho Que, quando maltratado, bate as asas E não há nada a se fazer pra que ela fique. Edson Ricardo Paiva.

EdsonRicardoPaiva

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"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível
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"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível Em partes iguais Ponto final Nada mais." Edson Ricardo Paiva.

⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora
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⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora Poesia infinita pra olhares falantes Olha o ar com olhar de ouvinte Um certo manto vem cobrir-me a alma O momento, o instante, o segundo seguinte Um mágico nascer de dia A magia sobrepõe-se à lógica Transcende ao frio caminhar das horas Põe as coisas onde estão Aquece o caminho Navega o mar sem pressa Atravessa bem devagarinho todo o ar que me permeia Se compõe, se sobrepõe, vagueia e aquece Nasce o dia como a prece que agradece a poesia primeira Tem que ver como é bonito Quando o espírito da gente Volta lá na primeira manhã Relembra o quente que era Cada sol que alvorecia e mostrava Toda gota brilhante Cada instante percorria a nova primavera Vivida ou vindoura Cada lágrima chorada Pois a vida é nada, se a gente não chora também Se são elas que douram as lembranças De todas as dores e alegrias Noites bem ou maldormidas Manhãs orvalhadas São as horas da vida e há de sempre faltar Vamos sempre carecer daquele mero instante Irmãos e irmãs, um olhar aos ponteiros Corre o tempo, passa tudo O nada, a saudade, a solidão, um sorriso e a gratidão Nasce o dia na janela, é preciso viver E se a vida é bela ainda Cada um de nós precisa ouvir A voz que tem o coração Só ela pode dizer. Edson Ricardo Paiva.

Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação
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Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação Ou a frase que porventura Lhe vier à cabeça Em mais uma oração Um ponteiro tardio Mostrando que a hora passou Um palco vazio A cortina, há muito fechada A roda gigante da vida girou Teus relógios brilhantes Mostram sempre as mesmas horas Mas os tempos são outros Este mundo está tão diferente Luzes apagadas Não há nada, não há mais ninguém Um dia o relógio desperta É momento de despedida Nesta vida Pra tudo existe a hora certa. Edson Ricardo Paiva

Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro
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Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro Aquele traço profundo Meus passos cada vez mais lentos Quatro ventos Quatro pontos Quatro estações Não sei em qual delas eu desço desde o começo eu desconfiava Que essa estrada Não leva a lugar nenhum Pressinto o quinto dos infernos Resumindo tudo isso Eu meço a distância e concluo a relevância do nada E é nisso Que tudo consiste Sigo mudo e cego Ouvidos ouvindo absurdos A cada dia mais corretos E cada vez menos lerdos Á minha esquerda Jaz a margarida Quase apagada Semi-desenhada na parede Milhões de Céus Bilhões de mundos Eu no chão É quando chego ao ponto Porém este de interrogação Edson Ricardo Paiva