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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Cortinas Pendem majestosamente Por sobre as minhas janelas
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Cortinas Pendem majestosamente Por sobre as minhas janelas Aquelas que de vez em quando se abrem E que às vezes vedam meu olhar à esmo A seu bel prazer Completamente soltas e concretamente absortas No controle daquilo que nós mesmos Podemos ou não saber Acerca da vida da gente Cortinas que se sobem finas Pra depois quedar pesadamente No seguinte instante Assemelhando-se ao véu da noite Enluarado Céu O semblante do outro lado da Lua Finalmente é revelado Escondendo assim os rostos das pessoas cujos passos Eu ouço vir lá da rua Em plena madrugada Cortinas que se fecham Pro teatro milenar da vida Onde a imensa maioria das pessoas Não diz e nem quer dizer nada Quase todas escritas a giz Mas as flores são sempre aplaudidas E as dores, eternamente repetidas Porque sempre existe os que não as entenda ou cultive a ideia de que sejam lindas Avermelham-se os horizontes Em pores-do-Sol sem iguais Subterfúgio do destino Inato esconderijo Oculta o momento exato Que termina a vida Seguindo cegamente em direção Ao momento em que somente A mão do destino descortina O tecido muito fino Carregado de mistérios Determinada a cumprir A cada um conforme a própria sina Assim pendem, sublimes Por sobre as janelas que escondem A cada enredo e próximo ato Apagando luzes aos segredos Que a muitos arquitetos Nem chegam a ser assim... Secretos. Edson Ricardo Paiva.

Luzes. A melhor qualidade da alma Se esconde na faculdade
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Luzes. A melhor qualidade da alma Se esconde na faculdade dela não poder ser vista Pois é isso que intensifica Essa luz que determina A nossa maneira de lêr O mundo que nos rodeia Pois de todas as janelas Que nele existem As paisagens sempre haverão de mostrarem-se diferentes Olhando por elas se aprende A enxergar a verdade que vai Separada do todo que fica Uma certa sensibilidade No tato mais apurado Distingüir de lama A água cristalina Sem jamais esquecer Que do lodo a colheita germina Pois assim se aprende Que não nos é dado o direito A prescindir de nada As causas da vida são muitas E a corrente do rio As vai tornando diferentes Quando juntas Eternamente separadas Apesar de aparentar pequenas Apenas acontecem Pra que a gente entenda Que em todas as dimensões Um olhar mais acurado Não desvenda o segredo da vida Mas indica a direção Que de certa forma nos aproxima Ao Sublime conhecimento Da existência de algumas normas Unindo a luz, cá de dentro À luz que vem lá de cima Em cada Universo um poema E em cada verso uma rima. Edson Ricardo Paiva.

Hoje Eu ouço as vozes do passado Claramente confusas
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Hoje Eu ouço as vozes do passado Claramente confusas Como se fossem sementes Que cairam no chão ao acaso É preciso agora O prazo de algumas vidas Pois algumas vão germinar Outras não Mas olhando-as espalhadas Não sei nada sobre elas Entendo perfeitamente Aquilo que meu coração me fala E quando eu olho o campo das sementes Ele apenas me aconselha Pra eu deixá-las à distância E jamais pisar em nenhuma delas Desconhecendo a maneira correta Em distinguir as boas novas Daquelas que ultrapassaram A iniqüidade de ser só ruins Meu peito fala pra mim Que afaste qualquer desejo de ir até lá Hoje São confusas as imagens que vejo Como se fosse um nevoeiro sobre o campo O Sol deponta entre nuvens Em raios difusos Após a chuva que caiu de madrugada Agora, meus pés não são mais como antes De instante em instante, passou-se a vida E, em todo caso Aguarda-se o prazo de algumas delas. Edson Ricardo Paiva.

"A parte importante de mim não está em mim e portanto não pode ser vista
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"A parte importante de mim não está em mim e portanto não pode ser vista mas quem gosta de mim a vê porque gosta de mim e mais nada Pois a parte importante de mim e de qualquer outra pessoa é a parte que não tem, não quer ter e também não exige A nada que não lhe pertença deseja somente a presença da parte boa que não se vê Senão com o olhar da alma A parte importante da gente É a parte que pressente a finitude da vida e percebe que a melhor atitude perante ela é querer a companhia da parte que consigo não carrega nada Pois a vida que se tem à vista é passageira e desta vida não se leva nada Além da parte fraterna Que não se via Eis aqui toda verdade Um dia Essa parte há de ser vista e benquista e companheira de quem a quis pelo bem querer Assim há de ser por toda uma eternidade" Edson Ricardo Paiva

Carta de um jovem Socialista de IPod ao Universo (Universo que termina no outro quarteirão) Muito bom dia
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Carta de um jovem Socialista de IPod ao Universo (Universo que termina no outro quarteirão) Muito bom dia Amigo prisma Eu gostaria de pedir-te Que tu deixasses de causar A divisão entre as cores da luz Pois essa espécie de cisma que promoves Causa arco-íris nos Céus E tem atrasado em muito a fotossintese Assim penso eu, cá do meu lado Preocupado com as flores Que adoecem, quando chove Essas precipitações pluviais Tem molhado demais A fantasia que desconheço de carnavais de outros dias Umedece-me a alegria Causa-me revolta Enquanto vivo Essa imensa ausência de motivos Pra revoltar-me com a vida real Enquanto internauta da vida Compreendo que o mundo lá fora Tem dado azo à mágoas Tirado-me as asas ao pensamento Logo eu, que a todo momento Tenho ideias aladas Eu tenho a imaginação iluminada E a interferência do prisma Na luz dos meus pensamentos Não tem me ajudado em nada Eu compreendo o sentido da vida E sei que o ciclo da água se resume A telefonar pro motoboy Que traz em casa outro galão Por isso a chuva não se justifica Minha cabeça pensa E eu sei exatamente onde a comida nasce e fica O lugar mais indicado é na despensa da cozinha Outrossim eu solicito à gravidade Que deixe também de impor A tua lei e influência sobre mim Pois eu não sei onde este mundo vai parar Só sei que junto eu não quero ir Outro importante assunto É pedir ao papai, que faça chover pra cima E dizer à mamãe, quando voltar do cafezal Que o bicho papão ainda tá lá em cima do telhado E já faz quase trinta anos Que não me deixa dormir sossegado. Edson Ricardo Paiva.

Eu não entro em atritos com o mundo Tenho questões mais importantes E infinitamente mais profundas
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Eu não entro em atritos com o mundo Tenho questões mais importantes E infinitamente mais profundas A resolver comigo mesmo Reservo algum tempo assim A tentar ouvir coisa nova Uma ideia, um poema, uma trova Escuto Uma avalanche de trovões Vozes astutas Encalabouçadas Palavras de cor escura, soam mais velozes Que os próprios pensamentos que as gerariam Se porventura pensamento houvesse Pois não dizem nada Desconhecem até mesmo o que procuram Ecoam Devido ao lugar vazio de onde vem A essa altura da minha vida Percebo um mundo ensimesmado Orbitando mil universos, em derredor de si mesmos Lugares sem ninguém Assim Sobram-me os dias A enxergar como é bonito O círculo vicioso Tornar paz em conflitos e afins Um xingamento, um problema, uma prosa Paredes pintadas, desenhos de flores Nos jardins não há rosa, nenhuma flor se via Entrementes, a cada dia mais conflitantes, Rebuscando a paz, onde paz, antes havia. Edson Ricardo Paiva.

Ontem, brasa Hoje, cinzas Sentem-se juntos à mesa
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Ontem, brasa Hoje, cinzas Sentem-se juntos à mesa Destarte, algumas vezes Riam-se de si próprios, mutuamente Jante-se os anos que se seguirem Se cinzas houver Juntem-nas Antes que o vento as carregue Um dia A companhia da solidão Aproxima-se de todos nós Até mesmo a própria mesa Um dia há de ser pó Pra juntar-se a si mesma Sem qualquer dimensão Cisma, separação Nenhuma dor norteia O nó da madeira Sob a lâmina que corta A árvore que era Agora tanto faz Eu pensei que jazia morta De sorte que mesmo assim Forte permanecia Ontem, de alma atenta Perto do fogo se ouvia O nó da madeira a chorar baixinho Lancinante tristeza De sorte que vida havia Na seiva caramelada A última lágrima de despedida Tristemente escorria. Edson Ricardo Paiva.

Eu peço ao dia de hoje Que ele esteja vivo E seja livre como o pássaro
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Eu peço ao dia de hoje Que ele esteja vivo E seja livre como o pássaro Que fugiu quando eu abri a porta E que se a vida pudesse Ser ao menos boa e deliberadamente linda Qual canto do grilo Cantando pra Lua Antes que finde a madrugada E que a Lua empalideça Grilada dos pés à cabeça Carente daquela beleza Que mata a gente de saudade Mas que à luz da verdade O morrer por saudade Nâo seja morte que vem à toa E quando a chuva cair Ela jamais impeça Que a gente peça ao dia A presença do pássaro que voa Nem das flores Que a chuva planta Na beira das estradas Que se percorre durante o correr da vida E se a vida puder ser assim Não peço ao dia mais nada. Edson Ricardo Paiva.

O grilo Cantava pra Lua de noite E fugia do pássaro
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O grilo Cantava pra Lua de noite E fugia do pássaro Quando o dia amanhecia Tem coisas que não se alcança Por mais suaves Sejam as palmas das mãos Elas passam despercebidas Há lugares pra se olhar de longe E outros que se sabe Mas nem ao longe se vê Só não há como prender o tempo Nem quando a gente o quiser Nem mesmo sem o querer O toque das mãos Um dia deixa de ser tão suave O canto do grilo A Lua não alcança O tempo troca a noite pelo dia Correndo suavemente Qual toque das mãos Um dia deixam de ser tão leves Porém são tão breves Quanto a queda num precipício A vida, tão linda que era Até mesmo um encontro ela tinha E passava toda a si mesma A cuidar da sua própria beleza Pois a beleza da vida Quando a vida era bela Jamais envelhecia E passava sem pressa Na certeza dessa espera. Edson Ricardo Paiva.

A vida não é feita de mudanças Ela é feita de tempo Mas o tempo modifica as coisas
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A vida não é feita de mudanças Ela é feita de tempo Mas o tempo modifica as coisas E as coisas não tem vida O tempo passa pela criança Ela envelhece E nada muda Qualquer mudança aparente Se manifesta Porque o tempo, que as coisas muda Oferece ajuda E a criança a sua alma revela Pois não resta alternativa É a parte do tempo A correr com calma Destarte a verdade aflora A ilusão cai por terra Um medo, um desejo escondido ou momento de ira Tudo na vida tem hora E de horas compõe-se o tempo Que muda As coisas que não tem vida A causa da vida é imutável E quando se modifica É provável que seja Por causa que aquilo é coisa E que não tem vida Tira tudo Aquilo que o tempo E nem nada muda É a parte que se chama vida. Edson Ricardo Paiva.

Hoje eu abri a janela E enxerguei longe, lá no Céu Algo que parecia
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Hoje eu abri a janela E enxerguei longe, lá no Céu Algo que parecia Um casal de andorinhas Voando alegremente Não sei se estavam mesmo lá Ou se era ilusão da minha mente Com o tempo a gente percebe Que não é certo E nem inteligente Sempre crer Naquilo que se vê de longe Nem naquilo que se vê de perto Mas as andorinhas Pra sempre estarão voando Acreditando nelas Ou não O difícil não é sabê-las Pois é pra isso que existem janelas Triste É viver sem nenhuma ilusão. Edson Ricardo Paiva.

Este mundo é um lugar Onde as coisas, de vez em quando Fazem sentido
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Este mundo é um lugar Onde as coisas, de vez em quando Fazem sentido Basta olhar Que quando não se entende um olhar Não adianta dizer palavra E mesmo assim A gente as escreve Pensando que assim Pode ser que lá no fim do mundo Pode ser que lá no fim da vida Deve ter algum sentido pra tudo isso Senão não teria um motivo qualquer Nem sequer pra ter nascido Neste mundo Um lugar onde as coisas Normalmente fora de lugar Aguardando arrumação Que a gente quase nunca Encontra tempo suficiente para fazê-la É triste, é muito triste Quando se percebe, que fatalmente Mesmo assim Há de se ouvir um sentido No ruido que vem das estrelas Mudas, perenemente mudas Meus Deus Este mundo precisa é de ajuda. Edson Ricardo Paiva.

Antes que escureça Faça sombra à luz do Sol Os escombros do coração
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Antes que escureça Faça sombra à luz do Sol Os escombros do coração Destoam daquela coisa Pura e boa Que a gente queria Ainda outro dia desses Linda como coisa à toa Voa lá distante agora Mas dá tempo de vê-la ainda Antes que escureça Pois toda escuridão tem começo E singular é a vida Isolada, uma ilha Perdida, perto do nada Até que, então, se perceba Ou não Que as coisas simples Não podem ser divididas Devido à própria simplicidade Que as torna complexas Mas podem sempre Ser compartilhadas Quando entardece Às sextas-feiras Primeiro E antes de tudo isso Esqueça o preço da vida Pois a vida é graça E dá tempo de vê-la ainda Qual lembrança de alguma linda canção Que o coração cantava em silêncio Um lenço branco acenando Igual despedida Um adeus lá no horizonte Hoje, fatalmente A vista cansa Ao final do dia Antes que o dia escureça. Edson Ricardo Paiva

Quando vir que o dia começa Não se apresse em declarar-se grato Pelo simples fato de viver ainda
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Quando vir que o dia começa Não se apresse em declarar-se grato Pelo simples fato de viver ainda Os pássaros e as flores demonstram gratidão Sendo parte integrante da natureza E o fazem com simplicidade Sem mostrar ou demonstrar Nem pressa e nem gritaria Observe o silêncio do vagalume Na nuvem de tempestade Que se agiganta e encobre a montanha A outra montanha, de altura tamanha Cujo viço leva o cume a sobrepor-se à chuva O som das águas na voz do rio que canta A sombra sob a árvore Onde a abelha faz colmeia E a aranha monta e desmonta Sua linda e complicada teia Atravessando a sua breve vida Em divina serenidade Permeando a nossa, enquanto isso Compromissada em viver Sem compromisso e nem nada A verdade perene Eternamente equilibrada Pois as grandes obras Mesmo despercebidas Estarão sempre lá Pra quem ainda quiser aprender Que reconhecer a tudo isso é, sim Agradecer a Deus Guardando em paz o coração Enxergar a palavra No silêncio das coisas que Ele faz Exortar gratidão Buscar a ciência e a justiça Ler nas entrelinhas Das coisas que estão invisíveis Apesar de simples e cristalinas Deus trabalha humildemente No pulsar da maior estrela e na forma da formiga Que recolhe a folha morta Por isso, se o dia amanhecer Agradeça a vida em atos Veja que a resposta estava junta Muito antes do advento das palavras Pensamentos ou perguntas Onde o vento somente as multiplica E assim como o dia começa Enfim, toda vida termina Culminando quase sempre Em súplica que descreve E apesar de tudo isso Aquilo que não se via Sempre esteve E estava lá todo dia. Edson Ricardo Paiva.

Demora E de tanto que demora Tem vezes que os rios secam
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Demora E de tanto que demora Tem vezes que os rios secam São coisas que não se explica A gente apenas as aniquila Enquanto isso O Sol no Céu Ele só desfila Tem horas que ele faz isso No mais, as flores se vão Cada uma disse o que pensa Em suma: tranqüila tonalidade Seu credo, seu medo ou crença A gente não sabe o que sente o Sol É hora, tem horas que eu sei Que a frase bonita passou Vai chegar dezembro, conforme os planos Mas a diferença é de tantos anos Cá no meu canto Planto prantos e poesias Quem sabe um dia Por tanto plantá-las As uso Num triste dialeto de tantas falas Mas não traduzo Hoje eu já sei Que nunca vai ser agora Demora! Edson Ricardo Paiva.

Quando é noite O Sol do outro lado da rua Escreve um recado na Lua
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Quando é noite O Sol do outro lado da rua Escreve um recado na Lua E me diz que pode haver Outros Sóis mais brilhantes Mas que o Sol menos distante Brilha mais Tem noites em que a voz do vento Diz tanto Quanto todas as vozes juntas Mas, se alguém quiser entendê-la É preciso um coração calado Pois o silêncio já sabe as perguntas E as melhores respostas Serão sempre insatisfatórias Quando a mente brilhante Se encontrar brilhantemente Abastecida dos melhores ventos A noite mais escura É sempre aquela Que permite conhecer A paz que emite Simples, singelamente A voz da vela É preciso um pouco mais Pra tentar ouvir o que ela fala Perceba que em noites assim Mesmo a luz da maior estrela. Humildemente se cala. Edson Ricardo Paiva.

Acabrunhado, infeliz Quis o mundo seguir assim De olhar parcial
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Acabrunhado, infeliz Quis o mundo seguir assim De olhar parcial Igual a quando te olha Qual folha caída Assim quis a vida Tal luz escondida Se vida se ausenta Na noite perdida Novamente vai-se a vida Era nau na tormenta Mera imagem pintada, aquarela Apesar de procela, era o nada Conforme é o passar do tempo Os tempos mudam Quis o vento soprar assim De olhar enviesado E se olhava de perto Era só desalento Triste vento, desenxabido Mormente destituído de graça e de vida Uma adaga escondida a brilhar Em cada desvão do caminho Um triste cantar passarinho Cantando baixinho O seu triste cantar Era quase um lamento Meramente uma questão de escolha Eram dois os caminhos Simplesmente Ser gente ou ser folha A pensar-se imparcial Mas o dia amanhece outra vez E outra vez parece igual Infeliz desarvorada desejando , quase calada Que seja feliz o dia Esperança ela tinha Qual folha caída Alegrias de outrora Isso eram coisas ... lá de outras horas Demora, demora e não vinha. Edson Ricardo Paiva.

Aprendi a ser eu mesmo Praticando ato de ser A mim mesmo de vez em quando
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Aprendi a ser eu mesmo Praticando ato de ser A mim mesmo de vez em quando Eu não posso e não preciso Ir a todos os lugares Mas posso olhar calado E descobrir o que não quero ser O que restar, sou eu Aquele que traz no coração O que merece ser lembrado Aprendi a errar sem pedir ajuda Meus erros me ensinam Que o mundo muda Mas que há coisas no mundo Que serão sempre as mesmas Do pouco que aprendi Eu sei que tem coisas ali Que devo levar comigo Pois não devem ser ensinadas A mais pura manifestação de vida se dá Nos momentos em que não se sabe como agir Pra todas as outras se olha os ponteiros Enquanto o relógio enferruja Sem que se veja Qual dos dois tempos foi mais verdadeiro. Edson Ricardo Paiva.

Era somente o silêncio De um tempo que se foi Era noite
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Era somente o silêncio De um tempo que se foi Era noite Todo mundo queria E um dia eu também quis Amanhecer distante dali Porque pensei Que poderia voltar lá A qualquer instante Percebia em meus ouvidos O ruido mágico e único Na paz do silêncio Que de longe vem Naquele mágico momento Que o silêncio a tudo diz E tudo faz sentido Era o encanto do não saber Que a brisa a soprar lá fora Depois de ir embora, não volta Era um pensar inocente Que tudo aquilo nos pertencia Era da gente O silêncio em silêncio ficou Pediu ao tempo que dissesse Que a vida ao redor Tem vontade própria E nos convida a viver Mas o viver da vida Obedece À sua própria vontade E não a nossa. Edson Ricardo Paiva.