Sinceramente
Não existe nada de moderno
Nas coisas que eu sinto, que eu vejo
e que eu digo.
Porém, eu as simplesmente digo
São estas as regras que eu sigo
E se alguém vai aceitar ou concordar
Honestamente: Nem ligo
Vou seguindo modestamente
meu rumo
Dizendo discretamente
quais são aquelas coisas
Tantas...não sei dizer quantas
Com as quais
Eu morro
Mas não me conformo
e desesperadamente
Não posso aceitar
e humildemente
não me acostumo.
Eu não aceito
Viver em um mundo
Em que as coisas sejam
Todo dia do mesmo jeito
Não quero aceitar essa lógica
Tão trágica
Onde se admite
A inexistência da mágica
Um mundo
Onde tudo faz sentido
E pra tudo
Existe uma explicação
Enquanto
Eu olho ao meu redor
E enxergo uma infinidade
de absurdos
Que o mundo aceita, simplesmente
Como fatos consumados
Prefiro conversar com as nuvens
E viver em uma época
Em que todos os relógios
Andem também para trás
Um mundo mais suave
Sem vozes tão graves
Talvez até
Sem gravidade
Pra que a mente possa
realmente voar
Sem medo de altura ou de queda
Eu quero viver em um mundo
Onde o adulto se cala
Enquanto a criança fala
E ambos seriam a mesma pessoa
O mais triste é
Que essa outra dimensão existe
Bastaria pra nós
Aceitá-la
Não consigo entender
o motivo
De Deus ter me feito homem
Se me deu uma alma de pássaro
Um pobre pássaro
Sem asas para voar
e nem rios ou cântaros
Onde beber
Um pássaro que vive
Num lugar onde não chove
Um homem que vive
Uma rara doença
Muito grave
de enxergar a dureza do mundo
Com uma alma um tanto suave
Esperando que um dia, finalmente
Essas asas me venham
Lá do Céu
E que as Mãos de Deus
Me levem.
Pensa
e espera
Pensa
e aprende
Observa
Que este Mundo
Na qualidade de esfera
Gira
E girando surpreende
Tanto a gente
Às vezes
Nos alcança
Manso como um sonho
Encontre o ponto de equilíbrio
e duvide da conclusão
Que a tua dúbia interpretação
Inquestionavelmente aceita
Como se ele fosse
Tão branco quanto os lençóis
da cama
Sobre a qual se deita
Sem sono
e quando menos pensa
Aquela densa atmosfera te envolve
e devolve pensamentos
Nos quais há muito nem lembrava
de havê-los um dia pensado
Os pensamentos
Tem todo o tempo
deste
E de tantos outros mundos
Eles te espreitam
e te esperam
Quando voltam
No teu sono profundo
Parece
Que não passou-se
Sequer um segundo.
Edson Ricardo Paiva
Qual é a mentira contada com maior Freqüência? Não conto, ainda.
A greve dos bancários já acabou?
Qual era o nome do caixa que te atendeu, quando você pagou a sua última conta?
Essa eu respondo: Caixa Eletrônico.
Os Bancos não querem você lá dentro, só lhes interessa o seu dinheiro.
Quando popularizaram a Internet, disseram que o mundo ia virar uma "Aldeia Global". E virou mesmo. Uma aldeia onde tá todo mundo prontinho pra lhe desferir uma flechada virtual. A tecnologia atual aproximou as pessoas?
Sim, aproximou você de quem está distante na mesma proporção que distanciou você de quem estiver bem próximo.
Hoje existem escolas OnLine
Videoconferências
Redes Sociais
E estamos a cada dia mais distantes uns dos outros. Você pensa que pelo menos assim você consegue ter notícias das pessoas que antes estariam distantes?
Agora eu respondo.
A mentira contada com maior freqüência pela Humanidade é a seguinte:
"Sim, está tudo bem comigo"
Edson Ricardo Paiva
As coisas que eu mais gosto
Nesta vida
São exatamente
As coisas mais bobas do mundo
Gosto do pão sem nada
de ver as crianças brincando
Acordar de madrugada
e sentir a brisa gelada
Enquanto converso
Com as Estrelas amigas
Gosto de procurar
As mensagens que Deus espalha
Nos lugares mais improváveis
E depois
Juntando tudo
Gosto de enxergar a Deus
Como um todo
Gosto de lembrar do passado
e pensar nos amigos distantes
Que nem se lembram que eu existo
Gosto de conversar com mendigos
Gosto de tomar chuva,
Andar descalço,
dar risada sem motivo
sem ter que explicar porquê
Gosto de sonhar,
Gosto de me iludir,
Gosto de confiar,
Gosto de cantar aquelas canções
das quais ninguém nem se lembra
Andar sem rumo e sem pressa
Gosto de olhar
a vela queimando no escuro
E estar na janela
Quando a paisagem não se move
Gosto de dividir
Gosto de gostar de viver
E gosto muito de você
Só não gosto quando me perguntam
O Porquê.
Francamente
Tem coisas que não se explica
A gente simplesmente
Sente
Eu creio já ter visto
Todas as portas
que o mundo pode fechar
E eu as vi fechadas
Eu as vi pelo lado de fora
Eu creio já ter vivido
Todas as horas ruins
Que os relógios
Podem demarcar
E eu as vivi
Sem nenhuma pressa
E eu creio ter tido esperança
em cada manhã
Que a vida me pôde dar
Sem carregar relógios
Pra poder olhar as horas
Respirando alegremente
O ar de cada Aurora
E sem me importar
Se aquilo que eu tanto desejo
Demora
Agora
Depois de tanto viver
Eu consigo enxergar
O lado doce, belo e bom
Daquilo que outrora
Me pareceu ruim
Pois trago em mim
Uma alma um tanto leve
E por mais breve
Que me seja essa visão
Eu vejo flores
Em cada porta, cada janela
e cada portão
Que o mundo me fecha
Pois eu sei que existe
em algum lugar
Alguém que me queira bem
E que há de me deixar entrar
Sempre
Que me vir chegar
Edson Ricardo Paiva
Houve manhãs
em que acordei
E pensei
que após uma noite de sonhos
Eu havia retornado em outro corpo
Em outra vida
Outra parada
Parecia simplesmente
Que eu acordei na vida errada
Passava horas e horas
Sentindo que eu apenas
Alguém que era menos que nada
Noutras horas me sinto
Voando ao sabor do vento
Passageiro de uma nuvem
Simplesmente
Algo que evapora
Some
Vai embora
Não chove e nem morre
Há momentos
Em que a decisão de tudo isso
Pousa finalmente em minhas mãos
E posso pensar mais calmamente
E escolho sonhar
Que sou nuvem que chove
E quando acaba a tempestade
Percebo que floresci
Nos galhos de linda parreira
E que ainda existe escolha
Alguma coisa que não tive
Por toda uma vida
Após a chuva
e depois de tão longo caminho
Eu posso ser suco de uva
E me resta a opção de ser vinho
Trilhar em paz o restante da estrada
Onde nunca mais
Ninguém há de me olhar
E não ver nada.
Edson Ricardo Paiva.
Mantenha-se calmo
Tranquilo em em paz
Quando se vive
Uma vida correta
de vez em quando a gente acorda
Com a alma inquieta
Mas o coração, esse permanece
Tranquilo demais
Portanto
Jamais se esqueça
Que por mais que cresçam
As indiferenças e desconfianças
É essencial
Conhecer as astúcias do Mundo
E saber que o mal se esconde
Daqueles que mesmo assim
Permanecem confiáveis
E sensíveis, igual a uma criança
Isso pode sim, existir de verdade
Nem sempre a idade
é capaz de revelar
A quantidade de anos vividos.
saiba manter seu coração
de portas sempre abertas e apercebidas
Na medida que caibam
Somente palavras certas
e faça valer sua vida.
Edson Ricardo Paiva.
A parte mais bonita da mensagem
A cor mais bonita da pintura
Muitas vezes exigem o concurso
de um coração que seja desprendido
e possua uma alma mais pura
Pois
O espírito da coisa reside
Naquilo que não está escrito
e nem está na tela
A coisa mais agressiva que fazes
Não está num gesto
Ou na palavra mais dura
Procure
E talvez a encontre
Nas tuas omissões
Nas lições que não quis aprender
Teu tempo
Muitas vezes estará por um fio
Nunca perca a oportunidade
de dizer o quanto ama de verdade
e fazer um elogio de vez em quando
Ame
Enquanto houver
Alguém te amando
Amanhã poderá ser tarde
dai não vai valer nada
A palavra perdeu a validade
Tua companhia não faz falta
Noite alta
Você ainda está na rua
E em casa
Não há mais ninguém
Que te aguarde.
Edson Ricardopaiva
Existe sempre
Uma certa coisa incerta
Um fantasma escondido
atrás das portas entreabertas
Pelas quais
Sabemos que nunca mais
Haveremos de adentrar
Eu sinto às vezes
Um gosto de despedida
Em certas saudações
E conforme os dias passam
Se confirma uma lição:
Existem dias
Que jamais se acabam.
Não existe coração
Que se feche eternamente
e não dasabe
A lições que não se aprende
Por mais que a gente insista
Elas também
Podem muito bem
Estar na lista
das palavras que o vento traz na voz
despertando
Uma certa tristeza
Lenta, audaz e atroz
Nesse momento sentimos
Outro sopro de vida
A esvair-se de nós
E assim mais um dia vai correndo
de vida em vida
Agosto em agosto
E um gosto de despedida
A cada dia mais amargo
Não tem jeito de apagar do peito
A lembrança dessas noites
Compridas
Escuras
Mal dormidas
Eu sei que ainda é madrugada
Mas tem horas que me esqueço
Em que anos nós estamos
Peço a Deus que me socorra
Pois esse laço constante
Cresce, não me esquece
Recrudesce
Edson Ricardo Paiva
Ando
Meio que lerdo
de pensamentos
Ando
Meio que surdo
Um vento muito brando
Me acalenta
de vez em quando
Uma tormenta
Me atormenta
Quando, por falta de sorte
Venta mais forte
Ando
Pensando
Com minha cabeça de vento
e meus ouvidos moucos
Que não são poucos
Os motivos
Pelos quais eu me esquivo
de dar-lhes
Um tanto assim de atenção
Enfim
Se fosse ouvir meu coração
Seguiria a direção do vento
Que orienta o pensamento
E quando chegasse o dia
Que alegria
Estaria muito longe
da voz da razão
Esta
Abrange
Tudo que demais me guia
Então
Sempre que acaba o dia
Recolho meu sorriso
Adio
Outra vez minha alegria
Preciso
Fazer coisas que tanto odeio
O início me fez fazer assim
O fim não chegou
Estou ainda no meio
No meio de um sonho
Um sonho meio tristonho
Tristemente
Sonho acordado
Uma história linda
Portanto
Enquanto o dia não finda
e nem tampouco inicia
Paro um pouco
Me recolho
No mesmo canto onde guardo
A tristeza e a alegria
Mescladas
Ambas tem cara de nada
Aguardo um tempo
Que tarda a chegar
No tempo onde estou
Meu coração não parou
E nem minha alma morreu
Olho no espelho pra ter certeza
de que eu
ainda sou eu
E não há como negar
Nasce novamente uma lembrança
de que existe, sim
Uma esperança latente
Antes que seja tarde
Eu sei
No meu coração que arde
Nada
Nunca mais
Haverá de afastar a gente
e durmo em paz
Edson Ricardo Paiva
Eu gosto
de coisas que não se descreve
Prefiro viver diferente
daquele jeito sem graça
Que tanta gente vive
Enquanto pensa
Que comprar e vender fumaça
Me faça crer que elas vivem
Eu gosto
De não precisar limpar
tanta fuligem
A cada dia que amanhece
Eu gosto
do que não se vê no rosto
Posto isso
Eu realmente gosto
Que haja algum compromisso
Mesmo quando dizem
Que não presto
E aposto
Que quando gosto
Existe um motivo divino
Meus olhos cansados
E minha alma de menino
Com o tempo aprenderam
Que quando se gosta
E não se vê no rosto
Pode procurar e ver
Que muito provavelmente
Vou gostar de todo o resto.
Edson Ricardo Paiva.
Não existe casa
Se não houver telhado
Pra bem ou pra mal
Andar pra frente ou pra trás
é uma questão de escolha nossa
e das coisas que se faça
Não existe aquela opção
do "tanto faz"
Pois
Depois de feito
Aí não tem mais jeito.
Até as folhas mortas
escolhem o vento que as carregue
e as portas onde irão se acumular
Peça a Deus
Converse com o Universo
deseje o impossível e o infinito
E constate
Como é incrível
e também muito bonito
Aquilo tudo que acontece depois disso
Tenha sempre um compromisso
Com tudo que veio fazer aqui
entre as coisas que parecem impossíveis
Encontra-se a faculdade
de poder intuir
Como as coisas acontecem
Lembre-se
A sua mente é uma mente integrada
a bilhões de outras consciências
E se a gente não fizer a nossa parte
Toda ciência acumulada
Não vai nos servir pra nada
Nisto consiste a arte da vida
E não existe uma idade certa
Pra gente saber ou não
Simplesmente viver
E ser aquilo que quer
A cada momento
Pense no exemplo
da folha e do vento
É tudo uma questão de escolha.
Edson Ricardo Paiva.
Ontem
O dia amanheceu tão calmo
Que tal calmaria tocou-me a alma
E eu duvido que haja neste mundo
Qualquer coração
Que em dado momento
Ao dirigir aos Céus uma oração
Não se percebesse
Coroado e abençoado
Pois, por menor que seja
Qualquer crença
Filosofia
Razão de ser ou de existir.
Não como fechar os olhos
Num momento igual àquele
E abri-los no seguinte instante
E não se dar conta
Que a gente pode sim
Saber-se importante
Apesar de pequeno
Alcançar uma certa iluminação
Receber no coração a calma
Saber-se
Parte integrante de um Todo
Algo Gigante, que a tudo une
Almas encontrando almas
Corações percebendo
O pleno apelo
de outros corações distantes
Compreendermo-nos
Física e Infinitesimalmente variantes
Pequenos portadores
de Espíritos Gigantes
Importantes mensageiros
A meio caminho de lugar algum
Na simples e importante
Missão
De carregar uma mensagem
Cujo pleno teor
desconhecemos
Porém, mesmo assim
de certa forma as intuímos
Na chuva que cai
No brilho das Estrelas
No caminho que os ventos revelam
E, Se em certos momentos
Insistirmos
Em nos sentir tristonhos
Haverá pra sempre
Uma nova oportunidade
de encontrar a verdade em nossos sonhos
Tanto faz, se os sonhamos acordados
Aquilo que diferencia
Umas gentes de outras gentes
É sempre a capacidade
de reconhecer
Seja na forma integral
Ou, quem sabe, percebê-los
Nos poucos fragmentos da verdade
Que nos chega.
O mais importante
Em instantes assim
é tentar e tentar e tentar
Compreender
Que houve sempre um início
E então olhar em volta
Perceber no ar
Todos os indícios
Que aquele simples instante
Faz parte de uma grande História
Que jamais haverá de ter um fim
Desde que a gente deseje
Realmente
Conhecer a verdade da vida
Sempre poderá
Saber que as coisas são
E permanecerão
Pra sempre assim
Independentes da compreensão
Que pode haver ou não
Em mim.
Edson Ricardo Paiva.
Creio não ser bom sonhador
Apesar de ter sonhado algumas vezes
Isso me fez apenas parecido
Com outros que sonharam
E tantos que ainda sonham
Mas a semelhança com eles
não passa disso
Sonhei sem sonhar concreto
Incluindo em meus sonhos
A quem estivesse na lista
dos pronomes pessoais do caso reto
Sonhei dividir conquistas
Enquanto outros sonhavam sozinhos
Sonharam melhor e sonharam perfeito
Meus sonhos foram à esmo
Qualquer coisa além disso
São falácias e aforismos
Por outro lado
Apesar de não saber sonhar
de uma coisa eu sei
Sei que nunca fui bom em nada
Pois vivo num Mundo
Em que todo mundo é bom em algo
Enquanto alguns são bons em tudo
Eu consigo ser razoável
Em ser ruim
Por mim eu creio que basta
Perante tão vastas grandezas e talentos...
Me contento com a pouca beleza
E talvez curtos momentos de alegria
Que minh'alma singela
Porventura possa dividir
Botando cores nos dias
E pedindo a quem me ouça
Que coloque uma flor na janela
Abra sua bolsa
e dedique algumas moedas
À alguma fome que encontrar na rua
E que sonhem um pouco menos
Pra si mesmos
Pratiquem desprendimento
dividindo com a vida
Nem que seja
Um simples sorriso
Que alguém certamente precisa
Nunca fui bom sonhador
Acredito que nem sonho é
Tento não manchar ainda mais o mundo
Tão repleto de egoísmo
E é este o meu compromisso
Mas não sou muito bom com palavras
Portanto, eu não sei
Que nome se dá a isso.
Edson Ricardo Paiva
De vez em quando eu me vejo perdido
Acordo esquecido e descubro
Que despertei justamente no momento
Que os sonhos talvez revelassem
O dobro de passos acertados
Eu ouço o ponto de vista das paredes
Espero a voz da chuva
A cada dia uma coisa nova
A cada tarde a mesma coisa
De vez em quando eu me lembro
de um outubro esquecido
E percebo quanto tempo foi perdido
E sei que não sei
Tanta coisa que sabe Deus
Um dia eu pensei ter sabido
Edson Ricardo Paiva
Foge
pode ser que hoje chova
pode ser que chova, sim
também pode ser que nem chova
não nos cabe saber tanto assim
quem sabe
talvez hoje chova
e a chuva até molhe em mim
pode ser que a chuva desabe
talvez até chova, sim
pode ser que nada se mova
e talvez a chuva nem venha
mas não tenha certeza assim
Porém, pode ser que chova
olhe pro Céu, enxergue assim
enfim
se chove ou não chove
a vida se move assim
Edson Ricardo Paiva
O gosto do sal
Importa muito mais
que a qualidade
da importância que o conferimos
Nem tudo que a vida traz ou faz
Se percebe exatamente
Na hora em que acontece
Pensamentos vão surgindo
Pra poder ou não ficar
Nisso consiste
Um pouco do que a gente é
Não é tudo que pode ou precisa
Ser vivido, falado ou escrito
O lado bom
e realmente honesto da vida
É ter a consciência que a viveu
Tanto nos bons
Quanto nos maus momentos
Tentando sempre e pelo menos
Se manter em pé quando acabarem
Pois às vezes eles são exatamente inversos
E a vida engana por diversas vezes
Não é tudo que se acaba onde termina
Dai você vai perceber
que as maiores dores nascem
por haver grande alegria
A imaginária linha do tempo existe
e nada permanece
No lugar onde deixamos
viver pode ser
Sentir saudade
De lugares e pessoas
que há muito passaram
Prosseguir caminhando
Sem jamais acompanhar seus passos
pois, enquanto houver vida
Não saberemos
se correram à frente
ou simplesmente deixaram-se
ficar pelo caminho
de vez em quando os sentiremos
No carinho da brisa e no calor do Sol
Sonharemos com isso
Estando a alma acordada
É preciso fé pra prosseguir
Pois caminhamos cegamente
e ninguém sabe onde vai
Aqueles que jamais te olharam de frente
Serão os mesmos a te acusar
de não ter olhado pra trás
A vida é futuro, passado e presente
numa coisa só
Pouca coisa chega ao seu destino
do jeito que saiu do peito
Continue amando
Nesta vida
Nem você, nem as coisas
e nem mesmo a própria vida
Nada
Nunca sairá perfeito
A maior propriedade do ar
está no fato de existir e não ser visto
e é triste, muito triste precisar correr,
Pra perceber a existência
do que existe
E saiba que a forma inversa
Sempre vai estar lá também
Pra maioria das gentes
Muito pouco interessa realmente
Não enxergam nem mesmo
O que lhes vai à frente
O tempo caminha
numa linha, qual se fosse equilibrista
A vida, um malabarismo
O mundo uma fera
Que exige que você
Faça sempre um pouco além
daquilo que ninguém quer
Porém, todo mundo espera
Portanto
A resistência do ar
O gosto do sal
E o pobre domador que ninguém via
Um dia, fatalmente serão sentidos
Seja, no final da vida
Inverossímil, incrível e mirabolante
Enquanto inexistente
E mesmo que seja triste
Não faz mal
Plante flores que não vai colher
e as frutas que não vai ver
Viver
É escrever a poesia que ninguém vai ler
Além de você
as coisas são assim
Num instante e simplesmente
Haverá de ter passado
Acabou-se a vida inteira, só isso
A única pessoa
Que vai prestar contas por tê-la vivido
é você.
Edson Ricardo Paiva
Em algum lugar
Deve estar escrito
A quantidade dos passos
E também a de nossas preces
Com o tempo aprendi
Que não preciso me adiantar ou correr
Fatalmente
O mundo sempre gira mais depressa
Mas os caminhos contrários
Não podem favorecer-se
Tempestades ou brisas acontecem
Acostume-se a isso
A vida é um tanto efêmera
E sempre por demais incerta
Os volumes inconstantes
de tantos cântaros que existem
Carregam quantidades diferentes
de lágrimas a ser choradas
Mas todas elas serão tristes
Os dias se alternam
As nossas vontades tresvariam
branda ou intensamente
A mente alça voos
Por lugares tão altos
Que os olhos sequer alcançam
Nem sempre a verdade se cala
O silencio
Pode esconder mais enganos
Que os danos causados
Por milhões de mentiras bem contadas
Em algum lugar deste Universo
Alguém está contando
Quantas e quais elas são.
Edson Ricardo Paiva.
Em algum lugar
Deve estar escrito
A quantidade dos passos
E também a de nossas preces
Com o tempo aprendi
Que não preciso me adiantar ou correr
Fatalmente
O mundo sempre gira mais depressa
Mas os caminhos contrários
Não podem favorecer-se
Tempestades ou brisas acontecem
Acostume-se a isso
A vida é um tanto efêmera
E sempre por demais incerta
Os volumes inconstantes
de tantos cântaros que existem
Carregam quantidades diferentes
de lágrimas a ser choradas
Mas todas elas serão tristes
Os dias se alternam
As nossas vontades tresvariam
branda ou intensamente
A mente alça voos
A lugares mais altos
Que os olhos alcançam
Nem sempre a verdade se cala
O silencio
Nos revela mais danos
Que enganos causados
Por milhões de mentiras bem contadas
Em algum lugar deste Universo
Alguém está contando
Quais e quantas elas são.
Edson Ricardo Paiva
A Perfeição do Mundo.
Veja o mundo
Pelo vidro da janela
Recebendo a luz distante
No instante em que a luz se move
Tudo em seu lugar, tudo perfeito
No jeito que a chuva chove
Há infernos pra todos os Céus
E desertos pra tantos ventos
Milhões de lamentos futuros
Pra tantos obscuros fingimentos
Tudo no lugar, puro e perfeito
De objeto a manifestar
A cura pros teus defeitos
E passam-se os anos
Abraços distantes
Olhares despercebidos
Tão perto e jamais se cruzam
Lágrimas fogem dos olhos
Fazendo a vez da alegria
A noite a engolir o dia
No Céu a Lua
Míngua transbordantemente
E é quando a gente percebe
Que nada
Exatamente nada
Necessita ser assim
Tão gritante ou eloquente
Quanto raios de Sol
Ou malhos do martelo
Desde que a gente aprenda
Que poder ser
Que lá na frente se arrependa
Por não ter compreendido
A beleza do poema simples e singelo
Está tudo no lugar, mundo perfeito
Pois
Está tudo
Exatamente onde devia estar
Antes que a gente
Mude tudo, pra melhorar
Perceba
Desde a enorme cegueira
Causada pela luz do Sol
Até a imensidão no ruído
Aprenda a enxergar tudo isso
E a vida
Surpreendentemente
Passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva.