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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

A minha maior alegria É poder me sentir muito perto Nos momentos em que pareço
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A minha maior alegria É poder me sentir muito perto Nos momentos em que pareço Estar pra lá de distante E ao mesmo tempo me sinto triste Quando vejo diante de mim Tanta coisa Que não queria que fosse assim Falta de chuva no deserto Parece coisa errada Que sempre esteve certa Noites sem estrelas Leitos sem rio Rios sem peixe Não há muito que se possa mudar Mas não deixo de ter esperança Em poder fazer um pouco que seja Pra mudar as coisas Que não deviam ser Tampouco acontecer Todo mundo um dia pensou Ao menos por um breve momento Em ser rei E todo rei um dia percebeu Por um momento mais breve ainda Que ele realmente não o era Não existe no mundo Corrente mais resistente Que aquela vontade que nasce dentro da gente de maneira repentina Nem existem laços mais fortes Que aqueles surgidos Num simples abraço sincero E de repente Muda tudo Até mesmo a maneira de se encarar o fim de mais um dia Espero aquele que vai nascer Como se antes dele Eu nunca tivesse visto nada E cada vontade que se apresenta Que venha renovada E que a gente nunca mais Se sinta distante de nada que a gente queira Não existem lugares longe demais Ou destinos Que não possam ser mudados Se você também Enxergar as coisas assim Haverá sempre um pouco de mim Bem aí Ao seu lado

Chuva no chão Calor de Sol Raios de nuvem
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Chuva no chão Calor de Sol Raios de nuvem Na linha do horizonte Junto aos montes Alguma coisa tinge o Céu de cor maçã Nesse momento eu percebo Que deixei de perceber O quanto a passagem dos dias Foi minguando, de fato As dores e alegrias Que eu sentia Agora Os dias são apenas dias Minh'alma já nem sofre do doce ensimesmamento Ao qual se recolhia Nas madrugadas caladas O coração quase que pára Pouca coisa resta O Passar do tempo tem poder de aparar arestas e minimizar o efeito das pedras que ficavam no caminho E adentravam os sapatos A ciência que eu que não tenho é compensada Pela vivência de tantos Pores-do-Sol de fato Aqueles de nós Que conseguem chegar nesse lugar Poderiam sentir , quem sabe Estranha estupefação Mas há tanta calma no coração Que tal coisa não mais lhe cabe Resta-me, quem sabe Dirigir aos Céus uma oração de gratidão Por tamanha mansidão Que o tempo me trouxe à alma. Edson Ricardo Paiva

Eu sou alguém Que não duvida de nada Porém,
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Eu sou alguém Que não duvida de nada Porém, ao longo desta longa Estrada Aprendi Que não existem certezas Nem Neste e nem Noutro Universo Pois mesmo este Imenso Infinito Pode nem ter sido escrito ainda De Sorte Que eu não duvido da morte Mas creio somente em vida E duvido de todo mundo que diz Que duvida Portanto Minha dúvida mais acertada Por enquanto É aquela que diz Que Neste Universo Antes que haja certeza da existência desta vida Não há que se duvidar de nada

Quisera eu Por um único momento Poder acalmar essas feras
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Quisera eu Por um único momento Poder acalmar essas feras Que vão se infiltrando Em movimentos muito lentos E se apossam dos meus pensamentos Me calam a boca Enquanto me falam Poucas coisas Que muito se multiplicam Quisera eu Que tudo fosse como antes E eu pudesse corrigir Em frente ao espelho Meus olhares suplicantes Que nada modificam Quisera Poder explicar Que está chegando Eu posso até respirar Pois eu sinto no ar O limiar de algo Que não sei traduzir E nada mais será Do mesmo jeito que era antes Quem dera, Meu Deus Que todos os teus pensamentos Fossem meus E eu pudesse te mostrar O reluzir do meu sorriso Que se apaga E se torna uma coisa vaga diante do teu olhar indeciso.

Chega a ser triste Que tanta gente distante Seja presença constante
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Chega a ser triste Que tanta gente distante Seja presença constante No coração da gente E a gente de coração transbordante Tentando fazer um ninho Nos corações daqueles Que estão a um passo da gente Porque será Que aqueles que nem ligam pra gente Nos momentos em que a gente mais precisa São sempre os mesmos Que precisam da gente Quando finalmente A gente está tão distante Parece que o amor É uma semente de mostarda Que muito tarda a crescer Por que será Que a gente tanto reclama, descontente da rotina e pasmaceira Que às vezes a vida apresenta E depois percebe Mais descontente ainda Que a vida já correu Passou-se, quase que inteira E a gente não teve tempo Pra quase nada O tempo correu E a gente não está mais lá E também nunca esteve aqui A gente nunca está onde precisa E nos lugares onde está Ninguém precisa da gente Por que será Que naqueles momentos Em que nos sentíamos tão perdidos Na verdade, foram os únicos momentos Em que a gente realmente Sabia onde estava? Edson Ricardo Paiva

Um dia eu sonhei Em mudar as coisas Que estivessem erradas
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Um dia eu sonhei Em mudar as coisas Que estivessem erradas E quanto mais erros eu via Menos gente Havia ao me lado descobri Que o certo É ter por perto Quem não queira mudar a gente Este mundo imperfeito É feito de pequenos e grandes Enganos Os Planos de Deus São os mesmos que os meus Mas pra mostrar tudo isso A quem tem compromisso Somente com si mesma Leva anos de trevas E então a gente percebe Que cada um recebe A parte que lhe cabe Neste grande Oceano de "não saber e achar que sabe" Que envolve o Mundo Não dá pra vencer a tempestade Porém, todo mundo pode Aprender a diferenciar O brilho que ilumina do brilho que ilude A verdadeira verdade Se esconde Nos lugares mais visíveis E são tantos quanto possíveis Os noventa graus de uma esquina Podem ser aquele "Ás de Paus" Que a cegueira desnuda Nada é somente Aquilo que parece Não adianta tentar Mudar o Mundo A minha melhor atitude É não permitir Que as pessoas que nele vivem Me mudem Só isso já muda tudo. Edson Ricardo Paiva.

Jamais fui longe demais Eu sempre estive muito perto do lugar onde eu nasci
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Jamais fui longe demais Eu sempre estive muito perto do lugar onde eu nasci Mesmo meu pensamento Inquieto e insatisfeito E que sempre me tirou daqui E que briga com o peito deserto Que não liga Então pergunta à minha alma Como eu posso viver desse jeito ou de onde vem tamanha calma Esses pensamentos também Jamais vão longe demais Pois, se fossem Creio eu Que seria capaz Que eu pra lá me transportasse E aqueles que me conhecem Não me veriam Nunca mais

O Sentido da Vida Certa vez, quando era criança Eu pisei na areia
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O Sentido da Vida Certa vez, quando era criança Eu pisei na areia E ao perceber a marca dos meus pés Primeiramente pensei Que elas não estariam mais ali No dia seguinte Mas logo em seguida eu pensei Que antes que o dia terminasse Poderia ocorrer um desenlace qualquer E eu também não estar mais aqui Antes que sumissem As marcas dos meus pés Em pouco tempo Não restaria nada de mim E foi assim, desse jeito Que ao invés de sentir-me triste ou com medo Percebi o quanto era feliz Pois eu havia acabado de desvendar um segredo: Eu fazia parte de um todo Eu era um grão de areia deixando marcas da areia Fincando as estacas Que se tornariam os alicerces do meu próprio entendimento Pois, aquele momento Foi quando eu me senti Muito próximo Daquela Inteligência Que Exerce, por Excelência Todo o Poder de movimentar Este Universo Meus passos Eram iguais a todos os passos Se deixamos marcas ou não Essas, tem que estar no coração daqueles que vão estar aqui depois de nós Pois No dia em que partirmos Permaneceremos de alguma forma Na areia, que marca o tempo No vento que carrega a areia Na luz do Sol Que nos entrega a vida E a energia que alimenta esta Terra Pois a vida é uma bela história Que não faz nenhum sentido Quando nascemos É preciso que a gente Pise antes na areia Pra dar um sentido à vida Pois ela terá o sentido Que a gente der à ela Edson Ricardo Paiva

Minha vida é igual A uma folha de papel Voando ao vento
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Minha vida é igual A uma folha de papel Voando ao vento Há momentos Que chega bem perto do Céu E outros Em que é varrida de outras vidas Qual fosse uma folha morta Que caiu da casa vizinha Minha alma É como uma pena de ave E flutua suave Chegando pertinho da Lua Aquela Lua bonita Que enfeita e ilumina As noites quentes e tranquilas Aquelas noites que parece Terem existido só na infância Folha ou Pluma Vida ou Alma Pouca gente se importa Com sua importância Hoje em dia Ninguém mais tem tempo Pra olhar estrelas, Atentar para o brilho da Lua, Pensar nas coisas do Céu Ou algo assim. Enfim Vou seguindo sozinho Livre e feliz Contente com as coisas que fiz Satisfeito Com o jeito que eu as quis Tenho a Paz de consciência E sou uma daquelas pessoas Que olha as Estrelas Escreve Poemas pra Lua Enxerga as coisa boas Que há no mundo Tomara que a minha alma Flutuando Passe um dia pela sua.

Saudade da minha escola Meu primeiro dia de aula e do medo que eu senti naquele dia
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Saudade da minha escola Meu primeiro dia de aula e do medo que eu senti naquele dia Minha mãe me encorajando Dizendo era preciso No fundo, minha mãe sabia Que meu maior medo era o dela Deus não podia ter feito Uma Mãe melhor que aquela E eu fui Com o tempo a coisa flui As coisas que vão acontecendo Vão diluindo nossos medos Medo da vida Medo do Mundo Medo das coisas que estão lá fora Medo de não saber tirar o medo e colocar os filhos nos trilhos Quando chega a nossa hora de sermos nós Os Portadores do medo Aquelas Mães Guardaram a Sete Chaves Muitos segredos Em mesclar um olhar carinhoso Um zelo prestimoso Uma chinelada suave A voz que se tornava grave E um dedo em riste, sempre que preciso Aquilo ensinava juízo e prudência Mas eu nunca...jamais aprendi A ter a mesma eloqüência Com tamanha simplicidade Hoje, as nossas Mães aparentam Ter ficado tão pequenas Apenas parecem Teus filhos cresceram, Mães Mas...dias há, que carecem Daquelas boas chineladas O Mundo não ensinou-nos Nada com tanto carinho E com tanta sabedoria A gente é que não enxergava Tanta coisa boa Que os filhos, nós (essa gente à toa) Fomos recebendo e deixando ficar Neste longo caminho que trilhamos juntos Por mais que eu tenha aprendido, Mãe Eu nunca soube fazer nada Que nem você fazia E isso agora me dói muito Hoje eu vejo que sempre foste Senhora, em qualquer assunto. edsonricardopaiva

O Amor anda tão frágil Que o amor foi ao Doutor O Doutor perguntou ao amor
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O Amor anda tão frágil Que o amor foi ao Doutor O Doutor perguntou ao amor Se ele sentia alguma dor O amor respondeu ao Doutor Que amor quando é amor Sente sempre alguma dor Sente sempre a dor da saudade A dor da perda ou da indiferença Gente propensa a amar Sofre muito mais Que o Doutor pensa Mas a razão de Eu me sentir assim, Tão frágil É a maneira como me veem Aquilo é plágio de amor Amor interesseiro Amor ao dinheiro E às coisas que brilham Os adeptos do amor grosseiro Fiam-se no amor até Pra cometer atrocidades Amor de verdade Só ama Ama diante da pessoa da mesma maneira Que a ama distante O Amor verdadeiro É um diamante muito raro E quando Ele fica doente Não adianta remédio caro Amor, Senhor Doutor Só se cura com amor E o Doutor Viu-se diante de um dilema Com tantos diplomas na carreira Não podia curar ao amor Uma dor tão corriqueira Porém, naquela tarde Após conhecer a verdade O Doutor aprendeu a amar

Há quem julgue A companhia dos animais Como algo tão relevante
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Há quem julgue A companhia dos animais Como algo tão relevante Quanto a invenção do esmalte e o corante para cabelos Simultaneamente O que nós ainda Não nos demos conta É de uma coisa muito linda Ocorrida em tempos ancestrais Quando alguns animais Perceberam ser possível Domesticar o Homem Desde então Alguns Primatas da subordem dos Símios E aqueles animais de quatro patas Passamos a conviver Em relativa harmonia Os Felinos e os caninos Ensinam-nos a viver E é muito bom, quando a gente percebe Que a hora mais feliz do dia Algumas vezes É receber o olhar Carinhoso Despretensioso e fiel Contrastante, infinitamente Com algo que existe Pra lá de cruel, em todos nós Que estamos no topo da Cadeia Seres à Parte na criação Prediletos do Criador Pois nascemos Humanos

Entre tudo que há de difícil Nesta vida
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Entre tudo que há de difícil Nesta vida Creio eu Que dizer o que penso e me fazer compreendido É mais que difícil É um sonho impossível Todo mundo já sabe tudo e tem interpretações Infinitamente melhores que as minhas Pras coisas que eu penso Antes mesmo que eu as diga Portanto aprendi Que o mundo não liga Pra nada que eu diga No entanto ainda penso Mas o mundo ensinou-me A pensar em silêncio

Tem dias que a vida É um mundo Onde cabe todo mundo
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Tem dias que a vida É um mundo Onde cabe todo mundo Passa-se um segundo Tudo muda E a vida não passa de um quintal Tudo fica igual ao que era ontem Mas esta vida é repleta de quintais Por mais que a gente queira Não existem dois dias iguais Senão não haveria Os jornais Tem dias em que a vida É um embornal Roto e amarrotado Abarrotado de sonhos E a gente simplesmente Precisa deixar de sonhar Eu, particularmente Nem sei mais onde é que ponho Tantos sonhos edsonricardopaiva

Pessoas diferentes Me confundem Pois não são
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Pessoas diferentes Me confundem Pois não são Tão contrastantes Enquanto os desejos Se fundem Quanto tempo a gente Vive distante Talvez a vida toda desde a infância Alimentando a diferença A todo instante E apesar dessa distância Guardamos em segredo Nosso medo de acordar e descobrir Que aquilo que desejamos Agora nem parece tão distante e nem é tão diferente Quando aquilo que deseja É igual ao desejo da gente

Não conheço Ninguém que não sonhe Conheço gente
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Não conheço Ninguém que não sonhe Conheço gente Que mente a si mesma Enquanto tenta Conformar-se e desistir Negando-se o direito de ao menos tentar Viver como gostaria E passa um tempo infinito Afogando tudo aquilo de bonito que traz no peito E tenta viver sem sonhos Enganada Quer viver de outro jeito Julga não valer à pena Tamanho sacrifício Não percebe, que na verdade Difícil É viver a realidade e triste É viver sem sonhar

Preciso fazer muita coisa Mas não sei por onde começo Eu queria fazer algo perfeito
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Preciso fazer muita coisa Mas não sei por onde começo Eu queria fazer algo perfeito Desconheço O endereço da perfeição Quando até quem diz que me ama Reclama das coisas que eu faço Quanto mais eu faço Mais me desama e me desanima Eu queria que Deus me escutasse Tem horas que eu tento Pedir Seus Conselhos A única coisa que aprendi É que se não for justo Não adianta Pedir de joelhos Creio eu Que o melhor que posso fazer É fazer o meu melhor Do jeito que eu puder fazer Pois Quanto mais eu me arrependo A cada dia aprendo um pouco mais Pode ser que com tantos erros Não tenha acertado em nada Porém, disso tudo Uma grande lição foi tirada Agora Eu já sei como não se faz

Pode ser que aconteça De um dia a gente conseguir Firmar os nossos pés
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Pode ser que aconteça De um dia a gente conseguir Firmar os nossos pés Naquele lugar Onde queremos chegar Eu desejo demais Que a vida nos dê essa chance Ao calor do meio-dia Há sempre excesso de energia O calar da madrugada Sempre se assemelha Ao findar da centelha de vida Já não tenho mais Tanto tempo assim Não consigo nem pensar O que será de mim Caso as asas do tempo me alcancem Há sempre histórias sem fim Enfim, é pouco O que vou deixar ao mundo Nem todas as coisas bonitas Que deviam acontecer Estão escritas Eu só escrevo as que consigo Preciso antes dizer Que aquele sorriso Que um dia me conquistou Carrego sempre comigo A todo lugar onde vou Tem sido o meu Céu e meu chão Minha única esperança E será também a última lembrança Que um dia haverei de carregar No lugar reservado às lembranças felizes Que eu trago aqui no coração

Quando a gente era criança E a vida era simplesmente Um lance um tanto mágico
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Quando a gente era criança E a vida era simplesmente Um lance um tanto mágico Praticamente um Circo Semi-monossilábico Um circo onde havia até dança Aquela dança Que a gente não se cansa Nunca...jamais; de se recordar A Pá já se levantava Com aquele sorriso a mais E quando ela vinha pra sala Trazia as duas outras atrás A Pá corria pra lá A Sí sentava-se aqui Eu dava um pãozinho pra cada Mas a mais malandra Sempre foi a Sandra Acordava emburrada Não falava nada Tomava o seu café e depois dava no pé As outras duas A Pá e a Sí Ficavam brincando por ali Achando que eram princesas Uma olhava e a outra ria Minha mãe chegava e mandava A Sì limpar toda a mesa Enquanto a Pá lavava A louça que estava na pia Lá da sala, a Sandra ria E assim começava o dia Num tempo Hoje tão distante Que causa saudade cortante Nesse pobre coração Daquele, outrora sempre presente Irmão de sangue, de alma e de saudade Edson Ricardo Paiva

Ao alcance da vista O Infinito Mas somente de relance
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Ao alcance da vista O Infinito Mas somente de relance Em zonas periféricas Isso acontece somente Nas horas sinceras Que precedem os sonos E ambos os hemisférios da cabeça Me enganam, mas não mentem e simplesmente permitem Que a gente enxergue as coisas como elas são Ou que ao menos deveriam ser vistas É uma lista que não se acaba e talvez jamais se incie Quando a gente nem sequer Consegue imaginar a Cara de Deus Sem que Nela haja uma barba Porquanto a imaginação Apesar de poder alcançar distâncias infinitamente superiores Àquelas que alcançam as vistas durante a maior parte do tempo Limitam-se A permitir que nossos sonhos Venham à esmo Pois a vida Tornou a vista entrevada e de tanto buscar horizontes Vivemos num mundo quadrado Infinitamente distantes Uns dos outros e de nós mesmos Ao alcance de mim Uma chance e somente uma de viver uma vida de verdade Mas ela também se apresenta de relance e em zonas periféricas Se ao menos a alma permitisse eu aceitar a vida Como algo além de sonhos E que podem ser vistos bem de perto Eles estão ali atrás daqueles horizontes esféricos Que as vistas não podem alcançar Nem ao menos de relance Mas o coração acena e me diz que ainda existe essa chance de ir até lá E finalmente confirmar Que sonhos reais existem

Na mesa Os papéis que eu desenhava As conversas que a gente tinha
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Na mesa Os papéis que eu desenhava As conversas que a gente tinha As coisas que eu esperava e não vinham Uma luz acesa Uma reza Fé sem certeza O café que esfriou O caderno onde escrevia Um convite Pra uma festa que não vou A fotografia Você que ria Sem nem saber e nem querer saber Por quê Na mesa Um prato Uma taça Comida bebida despedida Fumo Fumaça Esperança Um adeus A vida prossegue Mas hoje a gente não consegue Nem de longe Que a vida tenha A mesma graça

Nem todo ouro do mundo é suficiente Pra comprar ou devolver
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Nem todo ouro do mundo é suficiente Pra comprar ou devolver A paz perdida que se foi Juntamente àquela lágrima Chorada em segredo No escuro Nem o conhecimento de todos os segredos Guardados No fundo dos Oceanos Nos confins do Universo e no passado Perdido e esquecido Podem desvendar a dor daquele amor verdadeiro Que alguém desprezou e sem querer O perdeu Pois Por tanto querer Não o viu Não o reconheceu e nem acreditou Mas tudo um dia se acaba e de tanto esperar pra acontecer Acabou

No lugar onde fui criado Os corações eram neve Era esta
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No lugar onde fui criado Os corações eram neve Era esta a maneira que encontravam Pra criarem gente forte de sorte, que não havia Abraços ou sorrisos Brinquedos, imaginação, sutileza Nem palavras imprecisas A gente precisava só crescer e ser homem de verdade Qualquer demonstração de carinho era sempre sinal de fraqueza No lugar onde eu nasci Ninguém sorria Era um lugar onde não havia Lugar para poesia E ninguém podia chorar Nem por medo e nem de fome Aquele lugar e aquele tempo Realmente fizeram de mim Um Homem Cujos sentimentos e aflições Aprendeu a dominar Tem dias até que parece Que eles simplesmente nem existem E hoje eu transformo Muito daquilo em versos Se alegres ou tristes Não sei Não aprendi expressar sentimentos Mas todo dia reservo, mesmo assim Alguns momentos E permito que meus dedos Em movimentos lentos e uma suavidade, que não é e nunca foi minha Escrevam palavras e depois as transformem em versos Pois foi esse o jeito que eu encontrei Pra externar Aquelas lágrimas do passado Que deixei tanto tempo de lado Pois eu, realmente Nunca as chorei. Edson Ricardo Paiva

Parece que em certas tardes O tempo passa Um pouco mais devagar
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Parece que em certas tardes O tempo passa Um pouco mais devagar Como se fosse Uma tarde escolhida Pra que a gente Olhasse nuvens antes de chover Contasse ondas do Mar Imaginasse Estrelas distantes Pensasse na vida Conscientes de que elas estão realmente lá E depois olhasse pras paredes que nos rodeiam E, de alguma maneira Tivesse em mente Que por mais que se conte Olhe e imagine Aquilo que conhece Algo vem e nos fala Que se realmente quisermos Pode ser que não seja tarde e ainda pode acontecer Que tudo aquilo Que ontem parecia Impossível e distante de repente Nos alcance e nos toque E faça Que a sua mente troque A maneira de ver e de sentir e de contar e de querer Aquilo que era impossível e veja Que talvez até nem seja Pois, com certeza Não é