Vivemos
Dormimos e acordamos
e sonhamos
e cumprimos compromissos
e enquanto isso vivemos
Vivemos
e enquanto vivos
Precisamos
Vencer diária e constantemente
Todas as lutas
As quais
Queríamos tanto
Que não fossem tantas
E quanto mais queremos
(não vencê-las ou perdê-las)
Desejamos somente
Que não fossem assim
Tão duras, frias...tão sombrias
Poderia ser somente
dias felizes da vida da gente
Mas a vida vai passando
Corre inteira
Chegando às raias da loucura
Simplesmente porque a gente
Certamente
Tem muito de louco
Vivemos
E o nosso tempo
é tão curto...tão pouco
Desperdiçamos muito
das poucas alegrias
Com coisas que certamente
Vão valer
Pouco mais que nada
Pois é assim que serão vistas
Tão tolas e inúteis conquistas
Edson Ricardo Paiva
Desejos são gotas de chuva
Aliados aos raios do Sol
Numa tarde de melancolia
A voltar sempre e sempre
Todo dia
São vontades felizes
Que surgem nas horas tristes
Bolhas de sabão
Flutuando em caracol
Que às vezes permanecem
nos lugares onde eu vejo
por muito mais tempo
Que a gente esperava ver
Insistentes
Desejos são a lenha que alimenta
Aquele fogo pálido, lerdo e lento
Que insiste em permanecer
No tímido coração
Lampejos vem surgindo lentamente
Te fazendo
Pensar constantemente
Em algo que não se esquece
Desejos tristes
dos quais o coração padece
Quanto mais você se esquiva
Navegando só
O oceano de sonhos...e vai
Flutuando à deriva
Num triste abandono
Não existe mais nada
Inexiste alma viva
Que em dado momento da vida
Não encontre na rua
Enquanto voltava pra casa
Com aquela voz que vem no vento
E a faça sentir uma imensa saudade
Daquilo que
De tanto querer
Foi perder na tempestade
Seguida de um vento suave
e palavras que não se escreve
E foram ditas
E agora
Passada a hora
Se esforça em tentar entender
O que foi que te fez
Querer
Edson Ricardo Paiva.
Ruas
Caminhos por onde passei
Lugares
Tristes e alegres lugares
Onde eu vivi
Momentos iguais
Ruas por onde passei
Locais
Onde sei que não sei voltar
Mas sei
Sei que não verei nunca mais
Aquelas ruas
Não me lembro de todas
Alguma esqueci
Uma ou duas, quem sabe
Não me cabe
Sentir tamanha saudade
Nem sei por quê choro
Melhor seria voltar pra casa
Anoitece, talvez esse Céu desabe
E então eu me lembro
Que já faz alguns dezembros
Que moro na rua.
Edson Ricardo Paiva
A vida é algo
Mais os menos assim
Quando amanhece
Você abre a janela
e tem ali um jardim
Mas de nada vale ele estar lá
Se você não o vir
E nem perceber o perfume sutil
Como às vezes pode ser sutil
O Próprio Sol
Que parece encoberto
Mas aquela nuvem, na verdade
a você encobriu
As flores do jardim percebem a Sua Luz
Sem possuir olhos de ver
A vida só pode ser vivida
Se você a viver
e pra vivê-la
Não é preciso ter dinheiro
Nem jardim, nem nada disso
A alegria e a gratidão por viver
é que dão à vida aquele viço
E te fazem sentir vontade
de ter com aquele teu pedaço de chão
Um compromisso que você vai cumprir
Quando a gente conseguir
Compreender que a vida é isso
Poderemos então
Bem vivê-la, enfim
Começaremos por viver aquele dia
E quem sabe
Até cultivar um jardim
Onde, antes
Nada havia.
Edson Ricardo Paiva
Acordo de madrugada
Muito cedo despertei
Quando aprendi nas lições da vida
Que quanto mais palavras conhecesse
Menos eu compreenderia
A noite lentamente
Desvenda seu véu
Pra revelar que o Céu
Anda encoberto
Muito cedo compreendi
Que as respostas certas
Estão abaixo das nuvens também
desde que a minha mente
não obstrua a verdade
Escondida
Não pedras do Céu e do chão
Nas quedas que eu não caí
Nos restos de comida
Que o mendigo deixou pela calçada
Nas palavras ditas
Por quem definitivamente
Não tem noção do que diz
Mas segue a dizer
Constante e eternamente
Compreendi
Que não devo exigir
de mim mesmo a aprender
Com quem não aprende
Ouvem, mas não escutam
Falam demais
Fazendo cara de inteligentes
Escondendo a incompreensão
Por trás de um sorriso mudo
A vida me ensinou
Que todo mundo sabe tudo
E dizem que própria sombra
As abandona no escuro
Quando na verdade
A escuridão as persegue
Na mais intensa claridade
O dia prossegue
Vento e Sol de inverno
Eu penso no fogo eterno
Queimando pra eles
Que se deram
Quando pensavam se vender
Mentem
E chegam a crer
nas próprias inverdades
Concluo, então
que do muito que eles sabem
Cada um na própria
Arrogância e prepotência
Me descabe querer
Ser e saber igual a eles
Fico feliz
Em não ser nada
Tampouco melhor que ninguém
Ainda bem!
Edson Ricardo Paiva
O melhor pedaço de chão
Ninguém sabe dizer
Qual ele é
Muito menos onde fica
O melhor sorriso da vida
O dia mais bem vivido
A risada mais rica
Ninguém nunca poderá dizer
Qual foi
E muito menos
Se existiu realmente
Talvez esteja ainda em teu futuro
Quiça no passado
Mas uma coisa todo mundo sabe
Eles não te cabem no presente
Seja seu agora
Simplesmente o hoje
Momento
Onde tudo que desejas
Anda em movimento constante
Se evadindo de você a cada instante
Pois você
Com seus pés, palavras e mãos
Afasta a tudo
Pra depois, abarrotado de esperança
e reclamando da inverossimilhança
de tudo que deu errado em sua vida
Colocar a alegria de lado
E procurar onde se escondem
A todas as alegrias não vividas
Creio que agora, como sempre
Não te cabem
E é bem provável
Que tão louváveis momentos
Estão perdidos presentemente
Em alguma esquina da vida
Iluminado dia esquecido
Num futuro
Que agora não mais virá
No passado
Onde tudo de errado fizeste
Neste momento presente
Onde tudo tua mente afasta
Enquanto te arrasta ainda muito mais
Pra algum lugar bem distante
Do chão, do riso, do dia e da risada
Que a vida toda
E de todo coração
Afastaste
desejaste
Jamais
Encontraste.
Edson Ricardo Paiva
Num dia a gente nasce
Noutros dias cresce
E vive
Vive coisas tão incríveis
Simplesmente
Sem saber-lhes
Quais as causas
A vida vai passando
desde quando a gente nasce
O tempo simplesmente
Jamais faz uma pausa
Na verdade o tempo mente
Enquanto a vida nos esconde
Quando e onde
Uma brisa muito branda
Chega assim, tão de repente
E vem bater na cara da gente
Enquanto manda
Manda a gente se dar conta
Que um tempo sem monta
Cercado de requinte
E um certo acinte
Fez nascer no coração
Uma saudade um tanto incerta
do tempo que a gente vivia
E não via
Que devia ter parado,
Olhado pros dois lados...
Antes de atravessar
Uma rua do passado
E visto o que estava escrito
Nas entrelinhas de uma esquina
Pois, daquela vez
Talvez fosse a hora
de simplesmente prosseguir
Pela mesma calçada
Pra ver onde ela termina
Há ruas que ainda estão lá
Pra sempre nos aguardando
Nos caminhos do passado
Mas não saberemos jamais
Quais serão e onde estão
Nesta vida sem tamanho
Infestada
de uma grande quantidade de palavras
que jamais foram verdades
E de sonhos
E tantas alegrias verdadeiras
Perdidas
Pra sempre esquecidas
Pelos caminhos da vida.
Edson Ricardo Paiva
Deve ser legal ser Deus
E ficar lá de cima
E ficar aqui de dentro
Ficar em todo lugar
Ficar de perto
Estar bem longe
Estar no centro
Estar em tudo
Estar distante
E ver o que acontece
Enquanto a saudade nasce
Saber exatamente aonde
Se esconde a verdade
E virar a vontade ao avesso
desde o começo de tudo
Saber de todas as respostas
E simplesmente
Ficar aqui e ali
Quieto e mudo
Pousando no veludo impermeável
de todas as pétalas invisíveis
existentes nos jardins distantes
Saber de tudo que acontece
No instante que aconteça
Saber por onde anda
Tanto a maldade
Quanto a bondade
Muito antes
Que a criança cresça
E conhecer a forma mais correta
de trazer
mil pensamentos
Formando as coisas confusas
pra depois colocá-las
Nas cabeças dos cientistas
dos pedintes, dos vigaristas
das musas e seus poetas
Ser a chave de todas as portas
A altura de quantas janelas
e outras mais
por onde queiramos nós
simples mortais
fatalmente um dia saltar
e sentir a resistência
do ar que nos rodeia
E do Deus, que a tudo permeia
e que anda sempre acima
Tanto do mal
Quanto do bem
Não ter que dar jamais
Explicações a ninguém
Simplesmente ser Deus
Estar antes e estar após
Mandar dizer
e ficar de longe olhando
Esperando pra ver
Saber muito antes
O momento e o nome de quem vai
Um dia encontrar nas palavras
O argumento mais correto pra provar
Que nós somos deuses também.
Edson Ricardo Paiva.
Bom mesmo deve ser
Não ser e nem existir
Havendo assim
A alegria de ser o imenso nada
Cada qual sem outro igual
Sem história
Memória
Alma à venda
Condenada
Perdida ou achada
Bom mesmo deve ser
Não ser
Aquele que não sabe
Melhor ainda deve ser
Ser
Aquele que de nada quer saber
Saber do nada
Cada qual assim
Nem bom
Nem mal
Melhor
Pior
Igual
E mais nada
Além do nada
Que somos
Perdidos no espaço
Tempo e vida
Bom mesmo seria
Ter sido
Aquilo que a vida
Jamais permitiu que fôssemos
Por que será
Que cada coisa
Precisou ser assim ?
Bom mesmo seria
Que no lugar
Dessas falsas alegrias
Vividas nesta vida sem sentido
Que a vida
Não tivesse trazido nada
E o tempo não tivesse
Traduzido
Tanto
Nisto
Nisto tudo
Que por enquanto
Não passou de nada
Bom mesmo seria
Que o tempo, o espaço e a vida
Não tivessem traduzido
Tudo isso do qual não se esquece
Que bom seria
Se não tivesse havido
Nada
Edson Ricardo Paiva.
Um dia
Eu pensei que sabia
Tanta coisa
Que hoje eu sei que não sei
Pode até parecer
Que não haja diferença alguma
Mas quando a gente sabe
Que não sabe
Aquilo que sabe não saber
de certa forma
Os nossos olhos se abrem
Pra uma visão mais profunda
Uma segunda opinião
Inunda o coração de certezas
Aclaram-se as incertezas
Pois não há como por-se à distância
de tanta coisa que se ignora
Agora
Reconheço a importância
de saber
Acerca da ignorância que me cerca
Reconheço
Que desconheço as palavras certas
Que elucidam essas dúvidas mudas
E muda o jeito de pensar e aprender
As coisas que se sabe não saber
Nem sempre
O importante é saber o certo
Antes reconhecer
O jeito errado
De quem pensava
Possuir um certo saber
Que absolutamente lhe pertencia
Pois agora eu me sinto mais perto
de algo que não possui nada de igual
Àquele deserto no qual vivia
Certo de não saber
Tanta coisa que um dia
Eu pensei que sabia.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Tudo que eu queria
Era amanhecer o dia
Olhar ao lado
E te ver dormindo
Meu Deus
Meu dia seria lindo!
Hoje
Eu queria tanto
Escrever poesia
Olhar pra lado
E te ver sorrindo
Todos os meus sorrisos
seriam por ver
Teus olhos brilhantes
Hoje
Tudo que eu queria
Era deitar ao teu lado na rede
e dizer que preciso
pra sempre do teu olhar
...e só isso
Paz e simplicidade
e amor
e amizade
Cumprir o compromisso
E provar ao longo da vida
que de tudo que um dia eu disse
Nenhuma palavra foi esquecida,
Edson Ricardo Paiva.
A chuva cai de vez em quando
Noutros dias
Verdadeiras tempestades
Desabam na vida da gente
Advindo aqueles tristes
Momentos tempestuosos
E eu sinto uma grande saudade
Dos primeiros olhares de mãe
e beijos de irmãs
Naquelas manhãs
Que se perderam no passado
Lembranças felizes se unindo
a essas crises doloridas
Invadindo as nossas vidas
Sem a gente ter permitido
e nem dado licença
Essas coisas acontecem
Também em dias ensolarados
É quando surgem as dúvidas
Enquanto, outras elucidam-se
Em verdades pra lá de sofridas
Uma janela se abre no escuro
A alma propensa a desistir
Pela falta, pela imensa falta
Dos momentos
Em que a gente costumava
Simplesmente sorrir
e mais do que isso : a gente ria
Sem saber de quê
Pois, se permitia a dar risada;
E então a minha fé
Faz ver surgir a Luz Intensa
E eu sinto a Divina presença
do Deus, que eu sempre tive ao meu lado
Pedras surgem no caminho
Anjos de asas negras
Criam laços
Ensaiam abraços
e abrem sorrisos falsificados
Eu olho pro espaço e me lembro
do Deus que eu tenho sempre ao meu lado
Tem noites em que sombras vem
Amigos verdadeiros
Distantes no tempo e no espaço
Eu olho ao meu redor
Não há nada
e nem ninguém
Além da dor insistente que acompanha
Mas minh'alma também não desiste
Pois eu já não me sinto tão triste
Sei que não fui abandonado
Fecho os olhos
E me lembro da luz
Do Deus, que me pôs neste mundo
E que esteve sempre
Sempre esteve do meu lado
Edson Ricardo Paiva.
Eu me apresso
Me apresso...e nessa pressa
vejo passar lentamente
diante dos olhos fechados
Tantas respostas
E outras tantas perguntas mais
Que não pensei que existiam
Percebo que eu vivia
deixando a vida de lado
Para vivê-la outro dia
Hoje eu sinto pressa
Tento entender
Segredos inconfessos
Que monstrei no primeiro instante
Alguns eu falei pra Deus
Antes
Que meus olhos os vissem
E pedi que não permitisse
Que tais coisas acontecessem
Não compreendi, ainda
O motivo de o Universo
Fazer segredos comigo
Quando eu sei
Não querer sabê-los
E outros tantos
Que apesar de tantos apelos
Não dá pra reconhecer-lhes
Origens e circunstâncias
Tento manter a isenção
Finjo nem ser comigo
Olho à distância
E vejo alguém, talvez um anjo
Rompendo selos
Simplesmente desvendando
bem diante
da minha mente de homem simples
E na minha simplicidade
Me apresso a confessar
Outros tantos medos
Meço as distâncias
Tento tantos saltos
Me engano,
Sofro quedas
Que a vida traz:
O tempo até elas me leva
E me faz caí-las
Sem dó, não se apieda
Me apresso em me reerguer
Uma vez de pé
Tenho pressa em não saber
O motivo pelo qual me apresso
E enquanto isso a vida passa
E me faz esquecer e desconhecer
Se existe ou não
Algum compromisso a cumprir
E tudo isso acontece
Num único instante
Que parece
Ser apenas desimportante
Pena
Que o pensamento constante
Se apresse em ocultá-los
Antes mesmo de entender-lhes.
Edson Ricardo Paiva.
Viver
Pode não ser
Algo que faça bem
Morrer
Pode ser que não seja
Algo que nos ameace
Nem tudo
Está sempre ao nosso alcance
Além da simples ilusão
Contudo
Simplesmente não me iludo
Com vida
esperança guardada
ou nada assim
Eu trago sempre escondido em mim
Um triste sorriso
de despedida
Pode ser
Que seja usado
ou não
Pode ser
que nem não chegue a dar
Aquele aperto de mão
que ninguém usa
Quando chega o fim da vida
Assim como chorei
No dia em que
de certa forma
desembarquei neste mundo
Adentrei a essa história
Inglória
e sem regras a ser seguidas
Ou a gente se entrega à ela
Senão não se entrega a nada
E pede a Deus
Perdão pelos grandes rasgos
e imensos estragos
Causados ao coração e à alma
Não existe nenhuma norma
Nem foi escrita
A forma mais bonita
de fazer ou desfazer
A aquilo que não fizemos
de fato
Talvez
O perfeito formato
Seja o ato
de somente sobreviver
e depois deixar escrito
Um simples relato
Mentiroso e bonito
a ser lembrado
Edson Ricardo Paiva.
Pode ser que amanhã
Não seja.
Olhe ao seu redor
Olhe pra si mesmo e veja
Encare as coisas simplesmente
Como algo que criaste;
Um fruto da sua mente
Bolhas de sabão flutuando no ar
Um chão bem leve
Que te leve a algum lugar
Castelos de areia
Dores, amores, vida, desilusão
Pode ser que na verdade
Essas coisas que não se vê
Sejam a única realidade da existência
Num mundo que existe não
Imagine o que seria, então
Se a gente desistisse
de tornar esse curto espaço de tempo
Em algo um pouco mais bonito
Não importa, se existe ou não.
As coisas ...jamais elas são
Do jeito que você vê,
Da maneira que eu acredito
Existe sempre
Uma terceira
Talvez
Uma énesima opção
Todas elas
Um dia vão expirar
Procure respirar
A esse ar, que na verdade não existe
Pode ser que amanhã
Eu não esteja mais aqui
Me ajude, então
A viver a verdade que ilude
da vida que eu escolhi
Escolha também a sua
Pois um dia
As folhas caem
As cores desaparecem
As Estrelas vão se apagar
Mas nem por isso nada fica
Essa vida imaginária
Nos envia sinais
Que não haverá noutro tempo
dias iguais a esses
As coisas mudam de lugar
A todo instante
Coloque perto de si mesmo
As coisas das quais precisa agora
E não se apegue muito a nada
Uma leve brisa
Leva tudo embora
E o coração, dasapercebido, chora
Aproveita o dia
Como se fosse o único
Assim como singular
É essa vida
Eterna, invisível, linda e sofrida
Repleta de momentos
Rodeados de alegria
passageiras como um pão
Não deixe que elas se vão
Sem vivê-las
E sem ser feliz
Posto isso,
Aceite e procure
As coisas nas quais acredita
Essa maneira bonita
de transformar o que não existia
Numa coisa simples
Pequena e serena
Mas pela qual vale a pena
Aceitar que realmente estão lá
Pois um dia a gente vai deixa-las
E nunca terá certeza
Se realmente as viveu.
Edson Ricardo Paiva.
Insista
Vista-se de precioso sorriso
E faça tudo novamente
Há dias que parece
Que não se vive esta vida
E esses dias, muitas vezes
Duram anos, conforme você permite
Portanto
Viva somente o bastante
Pra que haja certeza
E que ela seja
Cortante, contundente e elucidante
Pra concluir
Que está da hora de encontrar
A melhor maneira de viver
Outra vida, antes que ela se acabe
Descubra
Que há muito mais a saber
Além do muito
Que você pensa que sabe
Conclua que tudo isso
É ridiculamente pouco
Senão
Você não teria sido
Louco o suficiente
Em não tentar enxergar
Aquilo que teus olhos
Tanto insistiam em não ver
Enquanto o teu coração
Sabia o tempo todo
Que é necessário e urgente
Viver
Aquilo tudo não vivido até agora
Pois
No eterno dia
Aquele que não acabava
Repleto
de dias perdidos
Horas tristes de sorrisos adiados
E insistia
Porque
Você acostumou-se a ver as horas
Num relógio que há muito tempo
Havia parado.
Edson Ricardo Paiva.
Somos prisioneiros da vida
Reféns
de tantas horas perdidas
Somos possuidores
Das melhores formas de sentir
e afligir com as piores dores.
Podendo, porém
infrigir essas regras também
E abrir mão de tudo isso
Viver uma vida
de alegria
Empalidecendo assim
O viço de tanta crueldade
Somente viver
Sem que pra isso
Seja preciso expor a faculdade
inerentemente humana
Em sentir tamanho prazer
na dor que afasta e que engana
Cinicamente
Travestida de outra coisa qualquer
Revestida de brilho
Pouco nítido, à luz da verdade
desprezível
em todas as suas variantes
Pra isso
Precisamos alcançar
Uma porção da simplicidade
que não seja falsa
Andar descalços
nos cantos escuros do próprio coração
Sem necessidade
de exposição ou publicidade
Tentemos pular os muros
Que ao longo dos anos construímos
em derredor ao próprio orgulho
é preciso saber enxergar
A pilha de entulho em que se transforma
A própria arrogância e pretensão
Ladeada por uma longa escada
Sobre a qual subimos
Pra poder nos proteger
e que também distancia
dos sorrisos e dos abraços carinhosos
Que tantos corações
Enquanto enfermos e orgulhosos
concluiam
Não serem precisos
Edson Ricardo Paiva.
Ultimamente
Eu tenho alimentado a alma
Somente com sementes
Sementes de calma
Enquanto a calma
Tem andado tão ausente
Não há coração que agüente
Essa ausência tão cortante
Pois não encontra
Aquela calma, tão querida
Tão bem-quista e desejada
Não há nada
Nada pra espantar
Tamanha tristeza
Nada na vida compensa
Conviver
Com a ausência da calma
A falta daquela presença
Que um dia
Alimentava minh'alma
de tanta alegria
A alma revira ao avesso
A cabeça não pensa
Não existe preço
Não existe nada
Existe somente essa ausência
Uma ausência sofrida
Que faz duvidar
Se vale mesmo a pena
Viver essa vida
Repleta
Completamente abarrotada
de ausência
E mais nada.
Edson Ricardo Paiva,
Eu penso
Em um olhar
que não me olha
E enquanto
Esses insistentes pensamentos
Existem
Sem que eu possa fazer nada
Aquele olhar
Que não me vê
E tanto eu preciso
Insiste em vir morar ou se esconder
Num momento qualquer
de algum sonho
A saudade tira o sono
Fico no portão
Esperando a quem não vem
Vejo
A luz da lua
Projetando a sua sombra na calçada
A vida me cobrando
O peso dos anos de ausência
A violência
Com a qual me agride
A brisa mansa que me diz
Que eu também preciso
Viver aquele momento
Em que a alma se decide
Em finalmente ser feliz ou não
Resolvo buscar em mim mesmo
Palavras certas
Como a quem simplesmente
Ora no deserto
Me envolvo com tudo aquilo
E oro com tanta fé
Que sonhos, desejo e insônia
Brisa mansa
Coração que não se cansa
E de tanto insistir
de repente
Parece que dá tudo certo
Aquela acalentada presença
Já não me parece
Nada distante
E no instante em que eu abro os olhos
E vejo que está aqui.
Edson Ricardo Paiva
Quando houver na gente
Aquela vontade exigente
de querer saber de verdade
Como se deve agir
Pensemos, então
Será que temos a alma leve
Existe paz no meu coração?
Nesta breve existência
Não é tudo que se corrige
Não precisa haver
Sempre rima em todo poema
porém
Se não existe harmonia
nas coisas do dia a dia
A orquestra da vida destoa
Ninguém poderá pra sempre
viver somente
Aquilo que queria
E ao final não descobrir
Que por viver desigual
Viveu uma vida a toa.
Edson Ricardo Paiva.
Sobre a faculdade
Que todos nós possuímos
De crêr e pressentir e intuir
e transformar em verdade
Coisas e lugares
Onde antes havia o nada
Tudo isso acaba por conferir
Uma espécie de divindade
A cada um de nós, gente comum.
Sobre a possibilidade
de querer manipular os fatos
Acrescentar e subtrair
Algo de algo
Que há de ter existido, acontecido
e permanece abstrato
E absolutamente não levam a nada
Sempre haverão de comprovar
A nossa desastrada humanidade
A triste realidade
da nossa natureza
E toda a inferioridade
que, infelizmente
Certamente
Possuímos
Aqueles que a isso vivem
Não deveriam ter o direito
de possuir nada
Pois não tem posse
Assim como jamais
Pertenceram sinceramente
ao grupo dos que possuem direito
a estar no coração de alguém.
Edson Ricardo Paiva.
Vivemos de buscar certezas
Mas jamais estaremos satisfeitos
Ao obter uma certeza incerta
Vivemos de buscar uma certeza
E morremos ávidos
Em querer sempre
Que ela seja do nosso jeito
E assim espantar aquela dúvida
de que, por que será
Que a nossa certeza
Apesar de tornar este mundo
Um lugar pra lá de perfeito
Jamais
É a certeza certa
Viramos a mesa
Mantendo a alma na dúvida
Obtemos certeza incerta
Sem perceber jamais
Que a vida é somente viver
Havendo sempre a opção
de poder estar feliz
Vivendo do jeito
que sempre quis e desejou
Pedindo a Deus
A certeza de que nunca mais
Vai precisar pedir nada
Além daquela paz
tão desejada quanto certa
Pois a certeza mais cristalina
Que Deus nos concede
e também que o tempo ensina
é que, neste curto espaço de vida
Não existe certeza de nada.
Edson Ricardo Paiva
Já caminhei por ruas demais
Lugares onde eu sei
Que jamais saberei voltar
Tive todos os problemas
Que a vida nos traz
E confiei demais
Em gente que não merecia
E desmereci ou não fiz por merecer
Muitas coisas boas demais
Daquelas que se vão
Pra nunca mais
Esqueci de verdade
de coisas que não se esquece
Mas a verdade trouxe sempre
Outras quantas eu precisasse
Trouxe tantas
Pra nunca mais eu me esquecer.
Já inspirei tantas estrelas
E suspirei tantos luares
Em todos os lugares onde andei
Que até hoje eu não sei
Como pude me engasgar
Com o ar que me sufocou
A ponto de quase o respirar.
Nesta vida
desenhei muita ilusão
Em folhas de papel
Que outros ventos carregaram
Ilusões demais
Adentraram-me o coração
Foram tantas
Que a simples realidade
Quando de mãos dadas com a verdade
Quase não encontram lugar
Diante dos olhares sonhadores
e das dores que o mundo causou
Pode parecer que não
Mas há dias
Em que o tempo
Nos cede uma pausa
A alma pode a Deus
Que haja
Uma boa causa
Pela qual viver.
Olhos parados no tempo
Enquanto os olhares viajam
Atravessam Mares e Oceanos
Fazem planos
de andar um dia
Por ruas estranhas
Só que dessa vez
Creio que talvez
Eu vá saber sempre voltar.
Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando
Eram promessas
Dessas que se esquece
Antes de acabar o dia
Como se houvesse na vida
Algum tipo de esperança
Que pudesse simplesmente
Esvair-se
Juntamente o pôr do Sol
Podem passar anos
desejos profundos
Permanecendo latentes
Aguardando o segundo certo
Pra despertar
Num futuro um tanto incerto
Tão repentinamente
Como um dia adormeceu
Pois
A dor que um dia a causou
Não se esqueceu
Como eu não me esqueci
Eu creio que somente adormeci
Tristemente eu dormi
Aguardando assim
Que o tempo se esvaisse
Até chegar o dia
Quando após
muitos pores do Sol à toa
A lembrança muito boa
daquela triste esperança
Que hoje
Não mais me magoa
Ressurge, assim, do nada
Fazendo alarde
Em meio à mais uma das muitas
Madrugadas vazias e caladar
Gritando que hoje ainda não é tarde
E que talvez
A gente, que perdeu tanto
Por enquanto
Ainda não perdeu
Nada.
Edson Ricardo Paiva.