Pular para o conteúdo

Frases de Daniela Possamai

26 frases

A beleza do poeta, a verdadeira beleza do poeta, está em açucarar os tristes corações embrutecidos..
Numa noite igual a essa fui à Júpiter.. Só pra ver se existiam por lá as anêmonas.. E só havia hidrogênio e desânimo - um gás incolor, eu sei, e algumas europas..
Continuar lendo

Numa noite igual a essa fui à Júpiter.. Só pra ver se existiam por lá as anêmonas.. E só havia hidrogênio e desânimo - um gás incolor, eu sei, e algumas europas.. E então, os inventei - as alegrias, algumas rochas coloridas e as anêmonas.. Sorriram e eu, eu me pus a desaguar.. Nesta noite compreendi a terrível loucura de um invento.. Perdoe-me por essas ideias estapafúrdias.. Nasci assim, cheia de engenhos, procurando uma função para cada coisa ou palavra.. Fazendo verso da pedra, da merda, da morte.. Não sou inquieta, sou poeta.. Poema para quem se põe a admirar o infinito as 3:56 da manhã de uma madrugada qualquer.. (julho insone/21) aos pequenos seres imperfeitos ⁠

No dia em que me tornei poeta.. Segurei na mão alguns ventos e os arremessei contra os muros para que produzissem ecos.. Tomei então algumas brisas e sai pelo caminho a tropeçar versos..
Continuar lendo

No dia em que me tornei poeta.. Segurei na mão alguns ventos e os arremessei contra os muros para que produzissem ecos.. Tomei então algumas brisas e sai pelo caminho a tropeçar versos.. Não sei bem como os desenho nem porque os faço, mas sei que estão aí, a espreita - aguardando o momento do nascimento - o instante em que os liberto da alma e lhes pinto asas para que sozinhos voem, para que busquem dentro deles, sua própria maturidade.. Poema para os versos aflitos, aqueles, que acabaram de nascer.. (Daniela Possamai - julho derramado/21 - aos amanhecidos⁠

⁠E então, numa tarde de outonos, meti um lápis na mão e me pus a rabiscar esses pergaminhos.. Já nem sei quando esse inútil acontecimento se deu, mas sei que já faz tempo.. E sei também que isso acontece quase amiúde, todo dia, a qualquer hora desatenta..
Continuar lendo

⁠E então, numa tarde de outonos, meti um lápis na mão e me pus a rabiscar esses pergaminhos.. Já nem sei quando esse inútil acontecimento se deu, mas sei que já faz tempo.. E sei também que isso acontece quase amiúde, todo dia, a qualquer hora desatenta.. É como uma sina.. Vem a palavra, o sentires e alguma nuvem que parece adentrar a alma à procura de esconderijos.. É assim que escrevo.. Tentando me disfarçar.. Como se não soubesse também que cada sílaba é uma confissão dos diabos.. Eu escrevo para me ler.. para me adivinhar.. porque talvez precise me ouvir, às vezes, no entardecer da vida.. E também preciso me achar de quando em quando, muito a contragosto, porque prefiro não saber o caminho.. Já não quero a alegria cartesiana de um mapa e todas as suas rotas calculadas.. Eu quero mesmo é viver como vivo: assim perdida, esse bicho inquieto e ávido.. Porque pouco me importam os caminhos, eu prefiro as nuvens e a falta absoluta de radares.. Eu prefiro a contravenção da velocidade e o engano de uma sexta feira inexata e amarela.. Poema para uma tarde que acontece no canto Sul - Daniela Possamai - versos de um agosto oitavo/21 - aos desenganados

E se me soubesse corria atrás de mim mesma.. para evitar que me perca novamente nessas esquinas esquisitas e sem vida.. Se me soubesse, daria a mão a mim mesma e seguiria os imensos caminhos que se apresentam por essas estradas vicinais..
Continuar lendo

E se me soubesse corria atrás de mim mesma.. para evitar que me perca novamente nessas esquinas esquisitas e sem vida.. Se me soubesse, daria a mão a mim mesma e seguiria os imensos caminhos que se apresentam por essas estradas vicinais.. Se me soubesse, me atirava da cratera do Fuji Yama, não para morrer-me, mas para experimentar a coragem de voar sem asas.. Se me soubesse evitaria os discursos vazios tão longamente repetidos nesses meus ouvidos cansados.. Exauro-me, às vezes, do peso das vaidades e dos egos.. E tendo a ser tão generosa comigo que já não me atraem os bobocas, quiçá os babacas.. Tendo a ser outra e mais outra e outras tantas ainda.. todas elas Danielas.. Não a menina que subia nas árvores e fazia experimentos com seus peixes.. Mas esta, que numa tarde qualquer, pulou do nono andar e saiu, de saias, só para contar e escrever sua própria vida.. Ensaios sobre a queda do número 830 - os momentos em que se largam as muletas e consertam os pesos dos vazios - julho renascentista/21 - aos egoístas e suas vísceras rosas.. ⁠

⁠A insônia e suas carcaças.. Os restos podres que ficam largados para trás pelo chão da noite.. Os amontoados de poeira que levantam com o vento e voltam, subitamente, a cair pela estrada, para que aí permaneçam, derradeiros, até a próxima chuva..
Continuar lendo

⁠A insônia e suas carcaças.. Os restos podres que ficam largados para trás pelo chão da noite.. Os amontoados de poeira que levantam com o vento e voltam, subitamente, a cair pela estrada, para que aí permaneçam, derradeiros, até a próxima chuva.. Os pedaços da gente que deixamos para ontem, para que residam no passado, para que morram como folhas secas, inúteis - ocres e frias..

⁠O tempo dos versos (Presentes) Faço poemas como quem pinta letras em carmim, da cor de sangue..
Continuar lendo

⁠O tempo dos versos (Presentes) Faço poemas como quem pinta letras em carmim, da cor de sangue.. Faço poemas porque são de poemas os caminhos e os muros da cidade. Porque é só num verso que escondemos a morte, que declaramos a urgência da poesia, que amamos infinitamente.. Faço versos como quem quer aplacar a vida..

O tempo dos versos ⁠(Pretéritos) Fazia versos para suportar o dia a dia
Continuar lendo

O tempo dos versos ⁠(Pretéritos) Fazia versos para suportar o dia a dia Para amenizar as concretudes que insistiam em existir. A vida, por si só, já tinha um peso insustentável Então eram precisos os poemas, não para viver a vida propriamente dita, Mas porque é só na poesia que os entardeceres tem gosto de bergamota..

⁠Eu sou uma canalha.. E me consome essa insônia até as vísceras.. Daqui ouço o despertar de um galo vermelho qualquer..
Continuar lendo

⁠Eu sou uma canalha.. E me consome essa insônia até as vísceras.. Daqui ouço o despertar de um galo vermelho qualquer.. Não consigo dormir, Não aprendi a fechar os olhos e a dar mãos a Morpheus.. São cães raivosos os desassossegos - esses que ladram sem parar e confesso que estou cansada.. Confesso que me fazem falta os teus pés, as noites de nuvens e todos os sonhares.. Notas sem eira nem beira para uma insônia amarela e selvagem

O tempo dos versos (Futuros) Farei versos para desenhar a saudade,
Continuar lendo

O tempo dos versos (Futuros) Farei versos para desenhar a saudade, Para amenizar o amanhã, Para enfeitar a rua com transeuntes desocupados.. Farei versos porque não me cabem escolhas e, ainda que coubessem, faria versos.. Farei versos para inaugurar o amanhecer, Para que brindem o dia com o odor das alfazemas distraídas.. ⁠

⁠ Inscrições para um desastre E assim nos encontramos.. Nessas manhãs despretensiosas..
Continuar lendo

⁠ Inscrições para um desastre E assim nos encontramos.. Nessas manhãs despretensiosas.. Nesse pequeno universo que fede a pestilência e a lassidão.. Sem saber-nos.. Sem sequer reconhecer a parte nossa cega, vil, desencontrada.. Cá estamos e nada somos.. Nem esse pequeno poema que acabará em instantes pela falta de palavras e sentires..

⁠A insônia - esse aeroporto repleto de destinos.. Essa confusão de portões e pontos cardeais desejosos de alguma ordem.. Esse emaranhado de conexões para qualquer lugar do mundo..
Continuar lendo

⁠A insônia - esse aeroporto repleto de destinos.. Essa confusão de portões e pontos cardeais desejosos de alguma ordem.. Esse emaranhado de conexões para qualquer lugar do mundo.. Que nos inquieta a colocar na mala nossas tralhas e pensamentos e simplesmente ir ali, ver.. A insônia - essa coisa tão premente na minha alma que já não sei se sou eu ou ela.. Já não sei se viajaremos juntas para o delta do Mississipi ou se a deixarei para trás, para que me abane, no embarque, com suas mãos pequeninas e trêmulas.. Para que me deixe ir.. Para que me liberte pela vida como se libertam os colibris cruelmente engaiolados.. Para que alcem voo e se atrevam nesses céus magicamente azuis.. Retratos de uma insônia que me consome a alma e as vísceras.. (julho/21 estreante)

⁠E então, não dormem os poetas, esses canalhas.. não dormem e já não sonham.. há na cama, em letras garrafais, um aviso “é proibido sonhar”..
Continuar lendo

⁠E então, não dormem os poetas, esses canalhas.. não dormem e já não sonham.. há na cama, em letras garrafais, um aviso “é proibido sonhar”.. E então, escrevem os poetas, seus versos pela noite imunda.. Escrevem para os galos e para os sapos.. porque é nesses inúteis cantares que a natureza anuncia sua poesia.. d.