Frase de Daniela Possamai
E então, numa tarde de outonos, meti um lápis na mão e me pus a rabiscar esses pergaminhos.. Já nem sei quando esse inútil acontecimento se deu, mas sei que já faz tempo.. E sei também que isso acontece quase amiúde, todo dia, a qualquer hora desatenta.. É como uma sina.. Vem a palavra, o sentires e alguma nuvem que parece adentrar a alma à procura de esconderijos.. É assim que escrevo.. Tentando me disfarçar.. Como se não soubesse também que cada sílaba é uma confissão dos diabos.. Eu escrevo para me ler.. para me adivinhar.. porque talvez precise me ouvir, às vezes, no entardecer da vida.. E também preciso me achar de quando em quando, muito a contragosto, porque prefiro não saber o caminho.. Já não quero a alegria cartesiana de um mapa e todas as suas rotas calculadas.. Eu quero mesmo é viver como vivo: assim perdida, esse bicho inquieto e ávido.. Porque pouco me importam os caminhos, eu prefiro as nuvens e a falta absoluta de radares.. Eu prefiro a contravenção da velocidade e o engano de uma sexta feira inexata e amarela.. Poema para uma tarde que acontece no canto Sul - Daniela Possamai - versos de um agosto oitavo/21 - aos desenganados
No pensador.ai desde