Fervem em mim todos os chamamentos
Atraí-me, puxa-me o sangue queimante das tuas ânsias
E a minha carne torna-se nau no teu mar labareda de sal
Pulsam em mim as tuas obscenas vastas águas
Que ainda tem força para me fazer indecente transbordar
E nas enxárcias minhas volvem a sinfonia dos corpos em chamas
Penetra-me a fúria rubra dos delírios teus
Alagando-me toda com a audácia incandescente das vagas tuas
derrocando as resistências, as altas gáveas,
diluindo com volúpia as tormentas minhas
Fogo, fogo, fogo...
Queimamos atlânticos nos espasmos quentes do sentir
Inflamamos a imensidão dos desejos molhados e escondidos
Estouramos as amarras garridas de nossas veias torturantes
Entregamo-nos aquiescentes e vulcânicos ao faminto naufrágio
Cansei de andar lado a lado.
Quero subir nos teus pés
Experimentar o teu caminhar,
O ritmo do teu corpo
E os teus movimentos.
Cansei de andar de mãos dadas.
Desejo vestir-te,
Fazer parte de ti
Como pele, célula e átomo.
Perceber as batidas do teu coração
Como se fossem minhas.
Cansei de olhar-te os olhos
Necessito ver através deles,
Ser tua íris.
Assistir e sentir
As cores do teu universo.
Há uma vontade
de conhecer-te cada milímetro!
AS CORES DA NOITE ...
Enrolo-me em tons violetas
Visto as cores da noite
Vagueio por entre as estrelas
E levemente flutuo como as borboletas
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Deixo-me levar pelo vento
Ziguezagueando pra cá e pra lá
Rompo o silêncio
É minha alma que grita
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Estou cheia de vida!
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Busco o tempo perdido
Liberto-me da dor
Não existe mais solidão
Nem pecado
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Purifiquei-me!
Há uma comunicação silenciosa entre os amigos...
Uma cumplicidade nas entrelinhas
Um silêncio que diz tudo
Um olhar que busca a alma
Uma voz que penetra as entranhas e faz a alma sorrir
Um abraço que traz aconchego e aquece o coração
São mãos que se tocam e dizem “estou aqui”
A distância perde o significado quando o telefone toca
As lágrimas tornam-se menos doloridas quando está por perto
Os dias ficam mais iluminados quando próximo
É assim que sinto você, meu amigo!
I
Ainda
guardo
os ecos
das tuas
confissões
e provo a vibração
dos teus tremores
II
Ainda
experimento
o toque
da tua língua
na pele minha
que arde na chama
da paixão e desejo
III
Ainda
estou
suspensa
nos delírios
loucos e insanos
das tuas carícias
ousadas e queridas
IV
Ainda
sinto
os traços
os rastros
as marcas molhadas
dos teus e os meus humores
em nossos corpos apaixonados e entregues
V
Ainda
Flutuam
as nossas
promessas de amor
na corrente dos sentires
destinando-nos a um orbe colorido
Existe uma imensa distância
entre os teus olhos e os meus
.
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Vem de longe, do mais distante mar, um frio que gela as mãos. Dele emerge impossibilidades que trespassa os ossos e transcende tudo o que conheço. Teus tons chegam-me raros e não colorem todas as minhas células. Dentro, uma noite, um vazio, um vácuo sentido que ninguém preenche. E essa parte ondeada e monocromática chega a doer.
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Faz-me falta
tuas pestanas nas minhas
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Quero o raiar das tuas cores pintando os meus sonhos
e o pulsar do teu coração juntinho ao meu
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Quero-te, amor,
nos dias e nas noites
.
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teu oceano
inteiro!
MAGIA
Evoco teu nome ao som das ondas e a voz do mar...
Dentro do azul profundo surge uma nau solitária vestindo o manto escuro da noite. Chega, ondeando os véus, as nuvens e clarões. Suas asas, benditas velas, imponentes e majestosas, calam as encostas, aproximam os mistérios e corações.
Oh! Caravela do desejo, destino meu, arranha-me a alma com tua grandeza. Sagra-me o corpo com teus humores, teus beijos e teu amor. Cerra-me os olhos
na tua alegria, no teu bem e na euforia. Veste-me com tua pele, tuas células, teu calor e fique assim, agora e sempre, totalmente debruçado em mim...
Enquanto o meu sentir abarca o mar e seu encantamento,
A dança das vagas me acalma profundamente,
Cala as angústias e os receios
Liberta-me do medo
Faz-me sossegar
.
.
.
Às vezes a única coisa que me arrebata um sorriso significativo
é estar diante de um mar imenso, de braços abertos, de olhos fechados
mesmo que só em pensamento,
e sentir que não há nada mais próximo da minha alma
do que a sensação da imensidão do Universo
.
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Isso me faz alcançar a presença de Deus em mim
E faz minha fé transbordar por todos os meus poros
.
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O caminho é labiríntico,
Há pedra por todos os lados embaraçando a marcha,
Mas não há um dia sequer que o meu bom combate esmoreça
Tenho força tamanha e as quedas só me fortalecem
Acreditei que não havia coisa alguma a ouvir. Fechei os ouvidos. Tapei os olhos. Cheguei bem perto de embaçar as sensações dos pensamentos dando outro sentido as coisas ou simplesmente silenciando. Afundei-me em meu próprio abismo de fantasia. Mas os dias passaram incansáveis e içaram-me desse torpor...
Mesmo resistindo, relutando em recolher os braços aborrecidos do vazio, mesmo com o corpo dorido da ilusão letárgica que nutria os meus anseios e me mantinha alheia, abri os olhos e solidifiquei o olhar no horizonte...
Ah! Foi bem neste instante que algo dos longes chegou-me como um inverno antecipado, congelando-me por dentro e por fora . A pele arrepiou a ausência. As entranhas tremeram a frígida saudade. E uma amargura se amontoou em mim...
Pena!
Agora não há mais tempo de encostar a minha língua na tua,
nem de tocar-te os dedos até segurar as tuas mãos...
nem posso mais me enfeitar de ti,
pois no momento,
te afastas com as marés
.
.
.
Já não reconheço a tua face envolta no horizonte...
Onde está os olhos que me aquietavam a angústia?
A imensidão do teu azul tornou-se um mar extenso demais
e isso me desassossega...
Foi a gota d’água...
Apagaram-se todos os lampadários que mantinham a sua alma acesa.
A imersão apavorante no mar da angústia foi inevitável
.
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Partida em aflições deixou-se arrastar pálida pelos remoinhos sombrios.
E mais e mais entristecida e chorosa por cada flash pesadelo,
afundava longe e profunda
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Percebeu-se completamente só
tragando o lodo negro de suas dores
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O corpo latejava agudo esquecido inerte indefeso inconstante
Seus gritos se perdiam antes mesmo de serem ouvidos.
Entregou-se enfim
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Hoje,
encontra-se cerrada numa mortalha de pavor
padecendo num abismo perturbador
sem sequer compreender que somente ela mesma
possui a chave que a livrará desse sofrimento
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Hoje, sinto-me meio de lado [bem feito!],
paralisada em algum lugar esperando não sei o quê.
O tempo segue o seu curso
sem se importar com quem ficou pelo caminho.
Será que não aprendo nunca que não devo esperar ninguém,
que a passagem é individual ?
Às vezes, tenho a impressão [ou a certeza]
que gosto de sofrer
.
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As minhas noites tornam-se vivas,
quando as pestanas jamais se encontram...
A vigília me consome sombria
Resgatando-me da modorra quieta
tirando-me as estrelas e o sossego...
E quando tudo silencia
os pensamentos gementes principiam
os seus zunzunzuns até o nascer do dia...
Ahhhhh! Meus olhos...
É bem rente aos cílios que se debruçam certezas e medos
e que deságuam as tormentas de dentro...
É por ali sorriem as alegrias, brilham os desejos
e incendeiam paixões...
E aquele que possuir a espada do atrevimento
e o escudo perseverante desvendará um bocado de mim...