outra vez te revejo tormenta
entranhado nos recônditos do meu cansaço
e nesse tédio fastiento
aguardo naufrágio certo desse amor outrora sonhado
não compreendo esses intervalos indefinidos
que parte a alma minha inquieta em pedaços
deixo ruir então sem esforço algum
os sentimentos agora calados
a noite recolhe as lágrimas rendilhadas
que umedecem os olhos meus desamparados
ofereço-me treva na dor da sombria madrugada
um choro infindo gemente e desesperado
na fronte minha difusa liquida descabelada
sou sombra na escuridão da tua ausência
perco-me toda em lamento, desassossego e angústia
estremeço a turbulência de uma mágoa soluçada
Bebo o cálice da eterna solidão
E caio morta por dentro no pesado frio dos mares de sonho
Destrono-te das vagas espumantes do meu coração
E sigo quieta vazia incompleta
Fiquei imóvel com os olhos rendidos e perdidos em mim mesma.
Aos poucos a água tomou-me o corpo e os braços se abriram.
Tudo, ao meu redor, rodava lento.
Os pensamentos sangravam-me em gotas.
Uma arrastada eternidade tirava-me o foco de todo resto.
Vesti-me de um delírio solitário.
Abracei os meus desatinos.
Abocanhei os sons distorcidos.
Não senti frio, tão pouco o calor.
Uma sensação única devorou-me toda.
Não lutei contra.
Deixei-me levar.
Flutuei.
Apenas flutuei
.
.
.
Ah! Meu amado!
O tempo corre e eu tive que aprender a me contentar com as lembranças...
Ainda as saudades que sinto são imensas...
Mas a conformação enfraqueceu as tormentas...
Há dias de muito sol e outros em que os céus entristecem...
Para os dias carregados, deixo-me vazar de todo o levante e depois, na bonança, agradeço você, meu anjo abençoado, porque de onde estiver, eu sei que, ainda olha e vela por mim...
Quando a tua vida
encostou-se à minha
cultivamos sorrisos,
produzimos amor
colhemos felicidade
.
.
.
Quando o teu corpo
ao pó retornou
do riso fez-se o pranto (1)
do amor a ausência
da felicidade a saudade
e ela, somente ela,
acendeu a fé em mim
.
.
.
Qualquer dia, amigo,
Eu volto a te encontrar (2)
.
.
.
(1) Vinícius de Moraes
(2) Fernando Brant e Milton Nascimento
Guardo em mim uma gratidão profunda por meus íntimos que compartilham a existência comigo; por todos os meus amigos que me amparam nos momentos de aflição e sorriem comigo ante os milagres da vida; e em especial, por aqueles que se nomeiam meus inimigos e que assinalam tudo o que preciso transformar em mim...
Sou grata ao Mestre Jesus por saber-me pequenina e mesmo assim me aceita em sua Seara de Misericórdia e Amor.
Sou grata ao Pai Maior pelo dia de hoje, por todos os instantes oportunos de evoluir e por esse ensejo de vida.
Enleio-me nas letras e elas arrancam-me amorosamente as vísceras, contam segredos, refletem virtudes e dissipam defeitos. Quanto mais escrevo mais me acho, me dispo, me desvendo, me respeito e me compreendo. Nessa exposição constante de mim mesma aprendo a me aceitar integralmente...
Há uma chama que arde em mim...
que me veste de coragem e firmeza para viver tudo que preciso de forma intensa e amorosa;
que me dá força para vencer os meus próprios limites;
que me fortalece!
De tempos em tempos os impedimentos chegam feito um tsunami arrastando tudo sem dó, sem piedade. Estamos sempre às voltas, ora desvencilhando dos obstáculos, ora nos afogando num mar de pena. Por mais que nos esforcemos as vagas nos envolvem roubando-nos a coragem. Resta-nos então jazer num oceano sem fim a deriva, a espera de um recomeço... Eu não sei quanto tempo permanecerei mergulhada nessa languidez. Meu fôlego já não é mais o mesmo. Flutuo cansada dessa usança exasperada... Mesmo conhecedora de que nada dura para sempre e que Deus é meu consorte, uma lágrima insiste em cair...
Quando os olhos envoltos no mar imenso seguem olhando o horizonte
e quase sem querer se deparam com a sua sombra beirando o limite do horizonte
é contentamento
é esperança
.
.
.
Pra você,
Posso comer muito capim na senda da evolução,
tropeçar, cair e levantar inúmeras vezes,
engolir todos os sapos que surgirem adiante...
mas jamais apoiarei
os teus chiliques e tua insistente auto-piedade ...
Tem a vida difícil?
Você não é a única!
Se a ajuda que te ofereci não foi suficiente,
se a mão que estendi não te satisfez,
se a ingratidão faz parte do teu universo
por favor, não se faça de vitima para mim
porque NÃO ACREDITO mais
nas tuas lágrimas...
Há, ainda, quem acredite...
E este veste a tuas dores
Então...
Bom proveito!
Se julgar-me
te faz melhor...
continue ...