A tua ideologia política, religiosa ou seja ela qual for só será coerente, e aí sim terá algum valor, se tiver como base o respeito pela não ideologia do teu semelhante.
Frases de Célia Moura
84 frases
Por vezes é preciso dançar com o diabo para se sair do inferno.
Partilha o que tiveres de ti, não poderá ser de outro modo, Que sempre sobrevivas à miséria que hoje fustiga a alma do teu Irmão. Não impeças o curso às águas.
Continuar lendo
Partilha o que tiveres de ti, não poderá ser de outro modo, Que sempre sobrevivas à miséria que hoje fustiga a alma do teu Irmão. Não impeças o curso às águas. Não emprestes. Dá. Porque nada do que tens é realmente teu.
A incompetência considera-se sábia, porque a Sabedoria não passa de loucura silenciada pelos capitalistas desta terra.
Trago em mim a infância guardada numa caixa de madeira com uma fita de seda. Quase todos os dias a espreito para me reencontrar num sorriso de miúda sem idade.
É perigoso ser autêntico, mas melhor é viver no perigo da autenticidade do que na anulação da nossa essência.
Lancei ao mar todas as memórias de ti. Para que as quero eu guardadas como preciosas pérolas se me permaneces no ventre.
O silêncio é sempre a melhor opção. Seja ele de escárnio, de desprezo ou até mesmo do mais profundo amor.
Tu sabes quem és. Sê somente! Não te desperdices por atalhos!
O maior grito é o que já não se consegue gritar.
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim Na pastelaria defronte à casa vazia de mim onde habito
Continuar lendo
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim Na pastelaria defronte à casa vazia de mim onde habito distraio-me nas gargalhadas imbecis das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões fazendo uma espécie de orquestra com o autocarro parado adiante falando da vida alheia com a boca tão cheia que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais apanhando os mais incautos. São raras as vezes que passo por lá, mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas. Na pastelaria defronte à casa onde ainda habito o álcool ameniza as mágoas, a marijuana devolve-lhes os sonhos mais banais e as crianças vagueiam soltas sem jantar brincando e comendo gomas e chocolates. Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas, se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista! Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
A Sophia de Mello Breyner Aquela madrugada que irrompeu em nós *“dia inicial e primeiro”,
Continuar lendo
A Sophia de Mello Breyner Aquela madrugada que irrompeu em nós *“dia inicial e primeiro”, esses ventos anunciando germinação aquela madrugada em que das cinzas renascemos Sophia, repousa-me na garganta em estilhaços. Aquele hino que ao colo do meu Pai há décadas ansiado sorrindo cantarolei. Aqueles belos cravos vermelhos a transbordar sangue fervilhante de mim hoje são farpas rasgando-me as entranhas toda a quimera que inventei. Aquela madrugada algures já perdida é como um denso nevoeiro onde ouço o grito da fome do meu Irmão a sussurrar clemência pelo chão. Passa por ele tanto capitalista mas nenhum lhe estende a mão. Cegueira instalada e brutal desdém! Pobreza mais miserável que a própria fome é a condenação à mesma! Tal qual uma manta de retalhos velha e dolorida. Fomos vendidos hipotecaram nossas vestes cobrindo-nos de maldição e vergonha. Vertem lágrimas os craveiros vermelhos que gritaram no peito daquela madrugada repousa tu aí sabedoria eleita, teu leito de Liberdade. Eu permaneço pela enseada nas asas de uma gaivota cantarolando como se ainda estivesse ao colo do meu Pai. (*Sophia de Mello Breyner) © Célia Moura (2015)
Chamo-te hoje, Porque pensar-te É a lâmina mais feroz.
Continuar lendo
Chamo-te hoje, Porque pensar-te É a lâmina mais feroz. Êxtase de te revelar segredos, E te acolher no ventre, ó vagabundo, Entre o pranto e o anoitecer, Estremecendo vagas de solidão em aguaceiros de poesia. Ó desconhecido de todos os desalentos, Escancarando vida no umbral da porta, Imaginei-te somente! E, guardiã da tristeza intrínseca, Baptizei-te alento, Prenúncio de temporal. Grito-te ainda, Porque o silêncio a bailar entre risonhos girassóis, É o tempo mais sublime, Ânsia de ansiar Nossos corpos esculpidos Num sopro de infinito. © Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” (2011)
Predestinação Adivinho-te As lágrimas
Continuar lendo
Predestinação Adivinho-te As lágrimas E as quimeras derramadas Dos olhos hirtos da noite, E num abraço não contido Envolvo-te… Há diademas de Coragem Esculpidos no sopro da aurora, Estonteantes enigmas embutidos Nas paredes da casa branca. Predestinadas oscilações dos dias! A casa branca Chamou por nós. Etérea, Na derradeira aspiração, Em esgares de agonia, Ruiu Aos pés do desalento. Tristes tulipas, Apoteóticas ninfas, Dançam ainda Tchaikovsky No jardim. Célia Moura - “Vestida De Silêncio”
Podes ser enganado por todos mas nunca por ti.
A TUA DOR, IRMÃO Doem-me todas as palavras No teu corpo de solidão
Continuar lendo
A TUA DOR, IRMÃO Doem-me todas as palavras No teu corpo de solidão Enquanto a madressilva me sorri. A Liberdade de um grito Cravado em mim Que desconheço. Doem-me inclusive as sílabas Dos teus lábios de silêncio Em redor da enseada. Doem-me castiçais de prata Transbordando corvos feridos, E sementes que jamais germinarão. Dói-me este pão de cada dia Irmão, A tua fome que encerro em mim, O teu frio que me rasga por inteira. Dói-me este sangue de traição, Esta ânsia de jasmim, Este beiral de pardais, Pedaço de ti. Dói-me a luz da cidade desperta. Mata-me o desassossego do fado Que me liberta e santifica Num altar de cravos e madrugada… …e finalmente já exausta de mais um hino à tua, nossa Dor Meu irmão, Todas as palavras me doem, Seja qual for o Caminho! © Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…
Quero la saber o que o sistema pensa de mim ,o que os outros pensam de mim! Nunca fiz parte de nenhum deles! Eu quero saber o que a minha consciência diz de mim ,isso sim poderá ou não me perturbar.
Um dos melhores caminhos para a Sabedoria é ter ingenuidade de criança e não se levar muito a sério.
A vida é apenas uma ponte que atravessa o rio. Se inicia de alegria numa margem e finda de lágrimas despida na outra margem. Dancemos sobre ela!
O melhor lifting para a pele de uma mulher é ser amada, e o seu melhor ginásio é fazer amor apaixonadamente com o homem que a faz vibrar.
Preciso parir de mim este amor.
Não é a idade capaz de retirar beleza a uma mulher, bem pelo contrário, existem mulheres que com o avançar da idade se tornam ainda mais belas, mas sim e nefastamente a falta de saúde e de amor. Célia Moura
A vida é demasiado imperfeita, para que alguém possa cobrar de ti a perfeição.
Caminhante é todo aquele que, ainda que lhe seja limitado o seu trilho, lança sementes no vento, nas mãos das gentes, não importa onde. Importante é lançar sementes, é abrir veredas e prosseguir o Caminho.