Frase de Célia Moura
A TUA DOR, IRMÃO Doem-me todas as palavras No teu corpo de solidão Enquanto a madressilva me sorri. A Liberdade de um grito Cravado em mim Que desconheço. Doem-me inclusive as sílabas Dos teus lábios de silêncio Em redor da enseada. Doem-me castiçais de prata Transbordando corvos feridos, E sementes que jamais germinarão. Dói-me este pão de cada dia Irmão, A tua fome que encerro em mim, O teu frio que me rasga por inteira. Dói-me este sangue de traição, Esta ânsia de jasmim, Este beiral de pardais, Pedaço de ti. Dói-me a luz da cidade desperta. Mata-me o desassossego do fado Que me liberta e santifica Num altar de cravos e madrugada… …e finalmente já exausta de mais um hino à tua, nossa Dor Meu irmão, Todas as palavras me doem, Seja qual for o Caminho! © Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…
No pensador.ai desde