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Frases de Cássio Jônatas

37 frases

MINH'ALMA Minh'alma cansou de mim... Libertou-se do confim
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MINH'ALMA Minh'alma cansou de mim... Libertou-se do confim Foi buscar novos alentos Minh'alma cansou de mim... Partiu sem se despedir Repartindo meus momentos Minh'alma cansou de mim... Está pairando por aí Se guiando pelos ventos Minh'alma cansou de mim... Foi passear dentro de ti E afagar-lhe em silêncio.

EU SUOR Sou o suor... Que brota dos teus poros
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EU SUOR Sou o suor... Que brota dos teus poros Escorre por tuas valas Te deixa molhada Provoca o teu calor Sou o suor... Que expele da tua face Peregrina em tua fronte Impele em teu bojo Exímio arrebatador Sou o suor... Andarilho do teu corpo Explora os teus traços Em meio aos abraços Numa noite de amor Sou o suor... Que se perde em tua estrada Precipita o teu regalo Esparrama em teu regaço E esgota o teu vigor.

EU INDIGENTE Eu, o resto sem eira nem beira Quem cata os restos na feira
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EU INDIGENTE Eu, o resto sem eira nem beira Quem cata os restos na feira Mais uma escória programada Mais uma história mal pichada Interpreto um papel maçado Reciclo o papel passado Um papelão: é o que faço No papelão: deito e me abraço Vender bala: meu ganha-pão Correr da bala: destinação A indiferença: desperta minha dor A sirene: meu despertador A lua enche meu saco Com seu olhar pálido Nem a terra absorve O meu chorar árido O sol nasce, minha pele frita E minha sombra assombra Minha voz trava, meu silêncio grita E meu grito tomba Varrido pelo vento Sou mais um excremento Maltratado pelo tempo Dormir é meu passa-tempo Abrigado na solidão Sou um eterno desvalido Com o pensar comprimido E o latido reprimido Meu signo: cão de rua Destino: viver no mundo da lua Guerra: encarar esse mundo insensível Sonho: tirar essa coleira invisível Nome: Zé ninguém Sobrenome: algum alguém Sem identidade Sem entidade Sem idade.

SONHO Enlevado, levado Me toca de leve
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SONHO Enlevado, levado Me toca de leve Um leve sonho E no sonho levo Doces desalinhos Que me desafiam E desfiam Vãs costuras Que se soltam Trançam e saltam Perambulando Sem preâmbulos Não arredam! Enredam traçados Traços diversos Versos que calam E colam na alma.

MEU FOGO (2) Você quer se aquecer e borbulhar E encontra a minha fornalha
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MEU FOGO (2) Você quer se aquecer e borbulhar E encontra a minha fornalha Quer trocar calor e perder o ar E meu fogo falho em teu corpo espalha Mas será que meu fogo não irá te queimar? Será que minha fumaça não irá te estafar? Será que minhas faíscas não irão te hipnotizar? Será que meu carvão irá te marcar? Será minha fornalha não irá te domar? Então, por que se alimentar da minha chama? Por que se afazer à minha labareda? Será que é seguro você se aproximar? Será que meu fogo é amigo? Será que meu fogo é aprazível? Quem inflamou meu fogo? Será que existe fogo? Noite fria, escuridão; te acomete a solidão Será que conseguirei te esquentar? Será que minha chama irá te iluminar? Ou será que não mais existe chama? E se ainda não estou apagado Por que continuar a faiscar? Talvez porque eu queira te acalorar Te ensinar a brincar com fogo Fazer você ficar em brasa Adentrar em teu corpo e alma Avermelhar teus olhos encantados Reavivar-te e estar ao teu lado Por isso, te aqueço mesmo impermanente Sou fogo caliente e reluzente A chuva tenta me arrefecer Fumaço, renasço das cinzas Ainda quero te incendiar Quero te deixar sem ar Mas minhas faíscas não cintilam mais Minha fumaça me sufoca Minha chama se cala Apago-me.

MEU FOGO Meu fogo pode te incendiar, te fazer pegar fogo. Pode te queimar por dentro, te inflamar por fora e até te sufocar. Pode acender a tua chama e servir como luz em meio à escuridão, assim como também pode te ofuscar. Os ventos tentam me apagar, mas acabam potencializando…
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MEU FOGO Meu fogo pode te incendiar, te fazer pegar fogo. Pode te queimar por dentro, te inflamar por fora e até te sufocar. Pode acender a tua chama e servir como luz em meio à escuridão, assim como também pode te ofuscar. Os ventos tentam me apagar, mas acabam potencializando minha ardência. Aumentam a minha vividez, que carboniza os teus medos, te arrebata e excita. Faz-te dissipar todas as suas forças e queimar de prazer. Meu fogo não te procura, basta você faiscar para encontrá-lo. E você não precisa crer nele, outras chamas mais vivas podem te acalorar. Mas, se buscá-lo, entregue-se de corpo e alma. Assim, ele vai te domar, te estafar, te fazer ficar em brasa e fumaçar desejos. E saiba que você pode arder sem culpa e até incitar meu fogo, atritar-se em mim, unindo nossas chamas, permutando nosso calor, enquanto te marco com carvão. A fumaça gerada pelo meu fogo esvai-se, adentra à tua boca, visita as tuas vísceras e sai pelas tuas narinas, avermelhando os teus olhos. Com meu calor, você colhe ternura e aumenta a tua chama, resgatando outras chamas quase apagadas. E não precisa transgredir para sentir meu fogo, sou chama perene e impermanente; só quero te esquentar. Sou fogo em brasa que te deixa sem ar, te abraça e acolhe em noites de frio. Aproxime-se, minha chama te chama, sinta-me, deleite-se, tente até me apagar, mas cuidado pra não se queimar.

Te quero tanto... Então te tento Você me tenta
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Te quero tanto... Então te tento Você me tenta E em meu teto Eu te atento Te quero tanto... Quero amar-te Amor de fato Tatuar teu âmago Pelo tato Te quero tanto... Que te espeto Que te espanto Provo teu prato Bebo teu pranto E, no entanto Te quero mais... Mais que tanto Tão mais que tanto Que fico tonto.

LIBERTINAGEM Cansei de ficar fazendo pose De falar somente o que te agrada
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LIBERTINAGEM Cansei de ficar fazendo pose De falar somente o que te agrada De trancafiar-me em mim mesmo De te ver por trás dessa máscara Sei que se esconde dentro de si Massageando o teu ego inflado Mas não quero ser mais um santinho Nem só mais um anjinho sem asas Quero pisar à tua cabeça Quero comer os teus miolos Me alimentar do teu murmúrio E zombar da tua desgraça Quero precipitar teu choro Quero arrancar a tua roupa Quero te fazer meu mártir Quero calar a tua boca Então, por que não desacatar? Por que esconder meus impulsos? Por que mentir para o espelho? Por que não cortar meus pulsos? Não deixo a moral me enforcar Nem você me deixar pra trás Mas se houver um paraíso Sei que será tarde demais Pois só venero o agora Faço pouco caso da morte Meu combustível é a birita A libertinagem é meu mote.

CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperanç…
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CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperançosos nesse nesse mar de ilusão. Constroem a riqueza em detrimento à miséria dos restos do mundo. Aqueles com sorrisos indigestos, que mendigam, que assaltam, que roubam, que matam e comem os restos. Aqueles atados a um gene maldito que os trouxeram ao mundo, que nasceram chorando lágrimas e vivem chorando sangue. E não têm escolha, colhem aquilo que não plantaram, afinal não têm o que plantar. A contraposição é infinda. Enquanto uns desfilam de carro e regam-se com vinho importado, outros desmiolados mendigam miolos de pão. Em vãs lutas que não mudam o mundo, mas preponderantes para a sua sobrevivência. E isto é o que lhes resta, já que não sabem o que é viver. Sem ter acesso à educação que possibilite alcançar a tão sonhada riqueza vendida na tv, nos jornais, nos outdoors etc, os injustiçados fazem a justiça com as próprias mãos. Com a frieza que lhes foi herdada, que lhes foi transmitida. Sentidos, esquálidos... buscam um sentido para a vida, querem ser alguém, ter a roupa do artista famoso, o relógio da propaganda. Querem esquecer as marcas do seu passado inglório e usar a marca que o valoriza, que o torna gente, que o torna visível. Mas tudo é tão irrisível... Assim como os "burgueses", os ingênuos "proletários" compram ilusão, pensam estar no paraíso e acham que fugiram do inferno. Só acham, pois o fogo continua ardendo e queimando muitas vidas. Pois é assim que funciona o sistema, uns morrem de fome, outros morrem assassinados. É a sina, não há escolha! São idas e vindas, sepultamentos e nascimentos, que não mudarão esse calabouço habitado por um mar de chamas quase apagadas. Esse mar dos ricos pobres e pobres ricos, dos sôfregos e sofridos arremedos. Todos afogados em medos e trancafiados numa janela, onde o raio de luz não traspassa e o pensar é prensado.

ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar
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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar Meu amor é genuíno Reflete no meu olhar Não me interprete mal Não guardo para ti É panaceia universal Não quero te possuir Meu amor é perdigueiro Pouco afeito a dinheiro Ama praia, mar, coqueiro Ama mãe, pai, lixeiro Cumprimenta toda massa Deixa migalhas onde passa Pra quem está no chão da praça Pra quem está nos palacetes Meu amor é poligâmico Com um olhar ou um espreite Ao humilde ou histriônico Deixa tácitos bilhetes Sem medos e arremedos Meu amor é um enredo Com flertes e cortejos Ama Maria, João e Pedro Meu amor não tem muros Meu amor morre de fome Na cama, causa urros Sorrateiro, te consome Meu amor não escraviza Meu amor não dilacera É uma delicada brisa Que extermina uma guerra Meu amor à terra Aos grãos e sementes Amor medido em tera Afoga-se nas nascentes Meu amor é ateu É teu, é réu, é deus É vivo, não morreu! Nos versos, eterneceu.