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Frase de Cássio Jônatas

MEU FOGO Meu fogo pode te incendiar, te fazer pegar fogo. Pode te queimar por dentro, te inflamar por fora e até te sufocar. Pode acender a tua chama e servir como luz em meio à escuridão, assim como também pode te ofuscar. Os ventos tentam me apagar, mas acabam potencializando minha ardência. Aumentam a minha vividez, que carboniza os teus medos, te arrebata e excita. Faz-te dissipar todas as suas forças e queimar de prazer. Meu fogo não te procura, basta você faiscar para encontrá-lo. E você não precisa crer nele, outras chamas mais vivas podem te acalorar. Mas, se buscá-lo, entregue-se de corpo e alma. Assim, ele vai te domar, te estafar, te fazer ficar em brasa e fumaçar desejos. E saiba que você pode arder sem culpa e até incitar meu fogo, atritar-se em mim, unindo nossas chamas, permutando nosso calor, enquanto te marco com carvão. A fumaça gerada pelo meu fogo esvai-se, adentra à tua boca, visita as tuas vísceras e sai pelas tuas narinas, avermelhando os teus olhos. Com meu calor, você colhe ternura e aumenta a tua chama, resgatando outras chamas quase apagadas. E não precisa transgredir para sentir meu fogo, sou chama perene e impermanente; só quero te esquentar. Sou fogo em brasa que te deixa sem ar, te abraça e acolhe em noites de frio. Aproxime-se, minha chama te chama, sinta-me, deleite-se, tente até me apagar, mas cuidado pra não se queimar.

Cássio Jônatas

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Pensador.com

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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar Meu amor é genuíno Reflete no meu olhar Não me interprete mal Não guardo para ti É panaceia universal Não quero te possuir Meu amor é perdigueiro Pouco afeito a dinheiro Ama praia, mar, coqueiro Ama mãe, pai, lixeiro Cumprimenta toda massa Deixa migalhas onde passa Pra quem está no chão da praça Pra quem está nos palacetes Meu amor é poligâmico Com um olhar ou um espreite Ao humilde ou histriônico Deixa tácitos bilhetes Sem medos e arremedos Meu amor é um enredo Com flertes e cortejos Ama Maria, João e Pedro Meu amor não tem muros Meu amor morre de fome Na cama, causa urros Sorrateiro, te consome Meu amor não escraviza Meu amor não dilacera É uma delicada brisa Que extermina uma guerra Meu amor à terra Aos grãos e sementes Amor medido em tera Afoga-se nas nascentes Meu amor é ateu É teu, é réu, é deus É vivo, não morreu! Nos versos, eterneceu.

CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperanç…
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CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperançosos nesse nesse mar de ilusão. Constroem a riqueza em detrimento à miséria dos restos do mundo. Aqueles com sorrisos indigestos, que mendigam, que assaltam, que roubam, que matam e comem os restos. Aqueles atados a um gene maldito que os trouxeram ao mundo, que nasceram chorando lágrimas e vivem chorando sangue. E não têm escolha, colhem aquilo que não plantaram, afinal não têm o que plantar. A contraposição é infinda. Enquanto uns desfilam de carro e regam-se com vinho importado, outros desmiolados mendigam miolos de pão. Em vãs lutas que não mudam o mundo, mas preponderantes para a sua sobrevivência. E isto é o que lhes resta, já que não sabem o que é viver. Sem ter acesso à educação que possibilite alcançar a tão sonhada riqueza vendida na tv, nos jornais, nos outdoors etc, os injustiçados fazem a justiça com as próprias mãos. Com a frieza que lhes foi herdada, que lhes foi transmitida. Sentidos, esquálidos... buscam um sentido para a vida, querem ser alguém, ter a roupa do artista famoso, o relógio da propaganda. Querem esquecer as marcas do seu passado inglório e usar a marca que o valoriza, que o torna gente, que o torna visível. Mas tudo é tão irrisível... Assim como os "burgueses", os ingênuos "proletários" compram ilusão, pensam estar no paraíso e acham que fugiram do inferno. Só acham, pois o fogo continua ardendo e queimando muitas vidas. Pois é assim que funciona o sistema, uns morrem de fome, outros morrem assassinados. É a sina, não há escolha! São idas e vindas, sepultamentos e nascimentos, que não mudarão esse calabouço habitado por um mar de chamas quase apagadas. Esse mar dos ricos pobres e pobres ricos, dos sôfregos e sofridos arremedos. Todos afogados em medos e trancafiados numa janela, onde o raio de luz não traspassa e o pensar é prensado.