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Frase de Cássio Jônatas

EU INDIGENTE Eu, o resto sem eira nem beira Quem cata os restos na feira Mais uma escória programada Mais uma história mal pichada Interpreto um papel maçado Reciclo o papel passado Um papelão: é o que faço No papelão: deito e me abraço Vender bala: meu ganha-pão Correr da bala: destinação A indiferença: desperta minha dor A sirene: meu despertador A lua enche meu saco Com seu olhar pálido Nem a terra absorve O meu chorar árido O sol nasce, minha pele frita E minha sombra assombra Minha voz trava, meu silêncio grita E meu grito tomba Varrido pelo vento Sou mais um excremento Maltratado pelo tempo Dormir é meu passa-tempo Abrigado na solidão Sou um eterno desvalido Com o pensar comprimido E o latido reprimido Meu signo: cão de rua Destino: viver no mundo da lua Guerra: encarar esse mundo insensível Sonho: tirar essa coleira invisível Nome: Zé ninguém Sobrenome: algum alguém Sem identidade Sem entidade Sem idade.

Cássio Jônatas

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Pensador.com

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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar
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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar Meu amor é genuíno Reflete no meu olhar Não me interprete mal Não guardo para ti É panaceia universal Não quero te possuir Meu amor é perdigueiro Pouco afeito a dinheiro Ama praia, mar, coqueiro Ama mãe, pai, lixeiro Cumprimenta toda massa Deixa migalhas onde passa Pra quem está no chão da praça Pra quem está nos palacetes Meu amor é poligâmico Com um olhar ou um espreite Ao humilde ou histriônico Deixa tácitos bilhetes Sem medos e arremedos Meu amor é um enredo Com flertes e cortejos Ama Maria, João e Pedro Meu amor não tem muros Meu amor morre de fome Na cama, causa urros Sorrateiro, te consome Meu amor não escraviza Meu amor não dilacera É uma delicada brisa Que extermina uma guerra Meu amor à terra Aos grãos e sementes Amor medido em tera Afoga-se nas nascentes Meu amor é ateu É teu, é réu, é deus É vivo, não morreu! Nos versos, eterneceu.

CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperanç…
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CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperançosos nesse nesse mar de ilusão. Constroem a riqueza em detrimento à miséria dos restos do mundo. Aqueles com sorrisos indigestos, que mendigam, que assaltam, que roubam, que matam e comem os restos. Aqueles atados a um gene maldito que os trouxeram ao mundo, que nasceram chorando lágrimas e vivem chorando sangue. E não têm escolha, colhem aquilo que não plantaram, afinal não têm o que plantar. A contraposição é infinda. Enquanto uns desfilam de carro e regam-se com vinho importado, outros desmiolados mendigam miolos de pão. Em vãs lutas que não mudam o mundo, mas preponderantes para a sua sobrevivência. E isto é o que lhes resta, já que não sabem o que é viver. Sem ter acesso à educação que possibilite alcançar a tão sonhada riqueza vendida na tv, nos jornais, nos outdoors etc, os injustiçados fazem a justiça com as próprias mãos. Com a frieza que lhes foi herdada, que lhes foi transmitida. Sentidos, esquálidos... buscam um sentido para a vida, querem ser alguém, ter a roupa do artista famoso, o relógio da propaganda. Querem esquecer as marcas do seu passado inglório e usar a marca que o valoriza, que o torna gente, que o torna visível. Mas tudo é tão irrisível... Assim como os "burgueses", os ingênuos "proletários" compram ilusão, pensam estar no paraíso e acham que fugiram do inferno. Só acham, pois o fogo continua ardendo e queimando muitas vidas. Pois é assim que funciona o sistema, uns morrem de fome, outros morrem assassinados. É a sina, não há escolha! São idas e vindas, sepultamentos e nascimentos, que não mudarão esse calabouço habitado por um mar de chamas quase apagadas. Esse mar dos ricos pobres e pobres ricos, dos sôfregos e sofridos arremedos. Todos afogados em medos e trancafiados numa janela, onde o raio de luz não traspassa e o pensar é prensado.