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Frases de Cássio Jônatas

37 frases

Perversos conversos Com versos inversos Em versos travessos
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Perversos conversos Com versos inversos Em versos travessos Conversam avessos Diversos universos Universo de versos De versos reversos.

LIMITADO Ah, que vida bela Esse pleno universo
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LIMITADO Ah, que vida bela Esse pleno universo Que transformo em cela E nela, tudo tenho Por tudo eu espero E a nada me atenho Tenho esses pés Que de tão calejados Se plantam, calados Tenho esses braços Que muito amassam Abraçam sem laços Tenho esse corpo À flor da pele Que o toque repele Tenho essa mente Calabouço de ideias Que tanto mente Tenho esses lábios De beijos molhados Repletos de lábia Tenho esses olhos Olhos tão profundos De lágrimas rasas Tenho essa carne Essa carne tão viva Que pouco encarna Tenho esses versos Esses traços travessos Que se fingem diversos E tenho esse eu Esse eu tão esperto Que se perde no breu.

DISFORME Sou desproporcional E mesmo que te incomode
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DISFORME Sou desproporcional E mesmo que te incomode Não me reforme Sou disforme disforme disforme disforme disforme disforme Eu saio da linha E mesmo havendo rasura Não me contorne Sou disforme disforme disforme disforme Respeite minha assimetria E minhas linhas desconcertantes Não ando nos conformes Sou disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme Eu vagueio ao acaso E se houver direção certa Não me informe Sou disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme disforme.

DESAF(L)ORO Não sei como nasci Não sei por que nasci
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DESAF(L)ORO Não sei como nasci Não sei por que nasci Mas sou flor como vocês Por que não me enxergam? Por que me cospem? Por que me pisam? Queria estar num jardim Queria ser bem cuidada Queria estar em bons ares Queria ser irrigada Porém estou ressecada Estou de cara pro nada E brotei assim desbotada: Quase cinza Quase cinzas...

AMARRAS Queria-saber-fingir... Seguir-em-frente
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AMARRAS Queria-saber-fingir... Seguir-em-frente Sem-moral-alguma Levado-pela-corrente Queria-saber-fingir... Estar-de-acordo E-aprender-a-sorrir Com-a-corda-no-pescoço Queria-saber-fingir... Ser-mais-um-careta Não-sair-da-linha Andar-em-linha-reta Queria-saber-fingir... Estar-de-mãos-atadas Ser-seu-coligado Não-ligar-pra-nada Queria-saber-fingir... Não-ter-mais-garra Agarrar-me-às-verdades E-aceitar-as-amarras Queria-saber-fingir... estar-acorrentado estar-atado estar-alinhado estar-ligado estar-agarrado Queria-saber-fingir... Porque-dói desacorrentar-me Porque-dói desatar-me Porque-dói desalinhar-me Porque-dói desligar-me Porque-dói desgarrar-me Porque-dói ser eu.

MEU CANTO Canto quando estou sozinho Canto pra me decantar
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MEU CANTO Canto quando estou sozinho Canto pra me decantar Canto, mas não te encontro Sei que meu som vai reverberar Sei que meu som vai reverberar Canto com a voz embargada Canto pra você chorar Canto e depois recanto Em meu recanto quero te esquentar Em meu recanto quero te esquentar Canto e te causo espanto Canto de cisne e até de sabiá Canto com o olhar escanteado No canto da tua boca eu quero pousar No canto da tua boca eu quero pousar Será que o meu canto agrada? Será que vou te encantar? Sei que o meu canto é simples Mas em meu canto quero te abrigar Mas em meu canto quero te abrigar Canto pra te dar carinho Canto pra te conquistar E como te quero em meu canto Eu crio um canto pra você voar Eu crio um canto pra você voar Canto no canto da sala Canto em qualquer lugar Canto alto, canto baixinho Em teu ouvido eu quero morar Em teu ouvido eu quero morar Canto com os olhos fechados Canto e não vou parar Por isso, canto canto, canto, Canto, canto, canto, canto Canto, canto, canto, canto Canto, canto, canto, canto Canto até ficar rouco Canto para ecoar Canto para ecoar Canto para ecoar Canto para ecoar Canto para ecoar Canto para ecoar...

EU ALUNO Minhas palavras soletradas
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EU ALUNO Minhas palavras soletradas espremem-se sem valor Minhas frases solapadas exprimem minha dor Minhas sílabas apartadas gritam sem razão Meus versos apertados derramam emoção Não conte comigo nem me cante com sua voz harmônica Pois conheço muito bem a minha tônica Não me dê uma resposta nem uma definição Eu sou contraponto sou ponto de interrogação Não ouse apagar minha falhas nem rasurar minhas folhas Meus traços e laços são raízes e escolhas Não me denote nem me dê nota não me venha com avaliação Minha lição é infinita está escrita no coração.

VOZ Você quer me mudar... Quer um rosto bonito
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VOZ Você quer me mudar... Quer um rosto bonito Popular, barbeado Uma chaga mascarada Você quer me calar... Quer me impor doutrinas Calar meus instintos Uma mente lavada Você quer me mudar... Quer me ver na moda Engravatado, engomado Uma alma abafada Você quer me calar... Só quer ouvir loas Que soam como música Palavras deformadas Você quer me mudar... Quer me fazer máquina Raptar meus princípios Me tonar mais um na manada Você quer me calar... Mas falo, brado, grito! A minha voz vem de dentro E eu não calo por nada.

EU ÁFRICA Acorrentado pela escravidão... Tenho marcas, sou marco,
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EU ÁFRICA Acorrentado pela escravidão... Tenho marcas, sou marco, Na face trago traços, Sofrido negro afro. Acorrentado pela escravidão... Refém do fenótipo, nasci no cortiço, A dor me traga, é tanto sacrifício, Nada me revigora, resta-me o vício. Acorrentado pela escravidão... Agonizando eu sigo ermo, E sinto a falsa liberdade num terno, Preso no aflitivo quilombo hodierno. Acorrentado pela escravidão... Minhas ideias: estanques, A morte: um baque, Então suspiro ao som dos atabaques. Acorrentado pela escravidão... Venho do Saara, aro a seara, E enquanto a ferida não sara, Jogo minha capoeira odara. Acorrentado pela escravidão... Com açoite, os senhores tolhem, E enquanto a dor não aboli, Meu ópio é o folclore. Acorrentado pela escravidão... Minha sina é rastejar, Na lavoura a dançar, Dois pra lá, dois pra cá. Acorrentado pela escravidão... Conquisto a alforria, Viro escravo da alegria, Minha prisão: a fantasia. Acorrentado pela escravidão... Perdido, mergulho em teu mar, Afogo-me em teu branco olhar, E encontro-me em tua íris negra. Acorrentado pela escravidão... Tenho meus desejos cerceados, Tenho o meu samba censurado, Mas não calo: sangro os meus versos calejados.

SOLITUDE Meus dias parecem noite Ninguém me enxerga
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SOLITUDE Meus dias parecem noite Ninguém me enxerga Ninguém me ouve Ninguém me abraça A terra não me rala A chuva não me molha O fogo não me queima Perdi a fome de viver Estou aos pedaços Mas sigo me alimentando Com pedaços de amor Pingos de esperança E pitadas de boas ações E com meus passos mancos Ando errante Subo aquela mesma... Escada abatida Atravesso aquela mesma... Rua aborrecida Sou quase atropelado Pelos zumbis desenfreados Pelo stress que me rodeia E quase não me enxergo Quase não me ouço Quase descanso em paz Mas permaneço quase vivo Dormindo quase acordado Nos braços da solitude.

ORDEM Ordem cronológica Desordem da vida
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ORDEM Ordem cronológica Desordem da vida Lidar com o tempo O vento e a lida Ordem camuflada Batalha política Presunção leviana Ordem paralítica Ordem econômica Desordem estabelecida Subida que é descida Descida que é subida Efeito controverso: Ordem e regresso! Defeito em versos: Desordem e progresso! Poesia extraordinária Abraço e heresia Desordem organizada Veneno que alicia Às ordens do amor Corpos se sorvem Mordem e assopram Seu desejo é uma desordem!

MEU BEM meu bem... não vem com essa
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MEU BEM meu bem... não vem com essa de que está tudo bem os teus olhos não brilham mais nossas mãos já não se atêm por que mentir sem razão? por que não diz o que tem? por que tem de ser assim? por que não vai mais além? meu bem... me olha nos olhos volta pro teu harém não se esquece desse alguém que te ama e não se esquece desse alguém que é refém do vai e vem das tuas lágrimas.