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Frase de Cássio Jônatas

MEU FOGO (2) Você quer se aquecer e borbulhar E encontra a minha fornalha Quer trocar calor e perder o ar E meu fogo falho em teu corpo espalha Mas será que meu fogo não irá te queimar? Será que minha fumaça não irá te estafar? Será que minhas faíscas não irão te hipnotizar? Será que meu carvão irá te marcar? Será minha fornalha não irá te domar? Então, por que se alimentar da minha chama? Por que se afazer à minha labareda? Será que é seguro você se aproximar? Será que meu fogo é amigo? Será que meu fogo é aprazível? Quem inflamou meu fogo? Será que existe fogo? Noite fria, escuridão; te acomete a solidão Será que conseguirei te esquentar? Será que minha chama irá te iluminar? Ou será que não mais existe chama? E se ainda não estou apagado Por que continuar a faiscar? Talvez porque eu queira te acalorar Te ensinar a brincar com fogo Fazer você ficar em brasa Adentrar em teu corpo e alma Avermelhar teus olhos encantados Reavivar-te e estar ao teu lado Por isso, te aqueço mesmo impermanente Sou fogo caliente e reluzente A chuva tenta me arrefecer Fumaço, renasço das cinzas Ainda quero te incendiar Quero te deixar sem ar Mas minhas faíscas não cintilam mais Minha fumaça me sufoca Minha chama se cala Apago-me.

Cássio Jônatas

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Pensador.com

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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar
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ANDARILHO AMOR Meu amor esparrama Não preciso demonstrar Meu amor é genuíno Reflete no meu olhar Não me interprete mal Não guardo para ti É panaceia universal Não quero te possuir Meu amor é perdigueiro Pouco afeito a dinheiro Ama praia, mar, coqueiro Ama mãe, pai, lixeiro Cumprimenta toda massa Deixa migalhas onde passa Pra quem está no chão da praça Pra quem está nos palacetes Meu amor é poligâmico Com um olhar ou um espreite Ao humilde ou histriônico Deixa tácitos bilhetes Sem medos e arremedos Meu amor é um enredo Com flertes e cortejos Ama Maria, João e Pedro Meu amor não tem muros Meu amor morre de fome Na cama, causa urros Sorrateiro, te consome Meu amor não escraviza Meu amor não dilacera É uma delicada brisa Que extermina uma guerra Meu amor à terra Aos grãos e sementes Amor medido em tera Afoga-se nas nascentes Meu amor é ateu É teu, é réu, é deus É vivo, não morreu! Nos versos, eterneceu.

CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperanç…
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CONSUMISMO Pobre mundo consumista, de indivíduos sadistas, que para lucrar, escravizam! E tornam-se escravos do próprio modo de vida, dos fetiches que preenchem seus egos. Cegos, só enxergam o próprio nariz empinado. E nada fazem para alimentar o nada. E nadam, nadam... esperançosos nesse nesse mar de ilusão. Constroem a riqueza em detrimento à miséria dos restos do mundo. Aqueles com sorrisos indigestos, que mendigam, que assaltam, que roubam, que matam e comem os restos. Aqueles atados a um gene maldito que os trouxeram ao mundo, que nasceram chorando lágrimas e vivem chorando sangue. E não têm escolha, colhem aquilo que não plantaram, afinal não têm o que plantar. A contraposição é infinda. Enquanto uns desfilam de carro e regam-se com vinho importado, outros desmiolados mendigam miolos de pão. Em vãs lutas que não mudam o mundo, mas preponderantes para a sua sobrevivência. E isto é o que lhes resta, já que não sabem o que é viver. Sem ter acesso à educação que possibilite alcançar a tão sonhada riqueza vendida na tv, nos jornais, nos outdoors etc, os injustiçados fazem a justiça com as próprias mãos. Com a frieza que lhes foi herdada, que lhes foi transmitida. Sentidos, esquálidos... buscam um sentido para a vida, querem ser alguém, ter a roupa do artista famoso, o relógio da propaganda. Querem esquecer as marcas do seu passado inglório e usar a marca que o valoriza, que o torna gente, que o torna visível. Mas tudo é tão irrisível... Assim como os "burgueses", os ingênuos "proletários" compram ilusão, pensam estar no paraíso e acham que fugiram do inferno. Só acham, pois o fogo continua ardendo e queimando muitas vidas. Pois é assim que funciona o sistema, uns morrem de fome, outros morrem assassinados. É a sina, não há escolha! São idas e vindas, sepultamentos e nascimentos, que não mudarão esse calabouço habitado por um mar de chamas quase apagadas. Esse mar dos ricos pobres e pobres ricos, dos sôfregos e sofridos arremedos. Todos afogados em medos e trancafiados numa janela, onde o raio de luz não traspassa e o pensar é prensado.