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Frases de Carlos de Castro

401 frases

⁠Para poucos fiéis, missa curta; a minha.
SENTIR SEM TI Senti em mim Até que enfim,
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SENTIR SEM TI Senti em mim Até que enfim, Que o dia Quando nascia, Era já noite para mim. E assim, em sinfonia, Se o fosse, eu completaria O ciclo atroz da morte, Que de outra sorte Numa centelha de luz Que mesmo apagada, Reluz Na madrugada, Momento de enganar a morte, Eu escolheria. E daria As voltas à vil tosa, Engenhosa, Manhosa, Fantasiosa, Folclórica Esclerótica. Essa feia patuta Bruta Infiel Cruel E já em desnorte. Viva a vida Morte, à morte! (Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 19-08-2022) ⁠

⁠“QUANDO AS GALINHAS CANTAVAM ÓPERA Linda, a pastora penuda que comigo ia, Calcorreando tão verdíssimos prados,
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⁠“QUANDO AS GALINHAS CANTAVAM ÓPERA Linda, a pastora penuda que comigo ia, Calcorreando tão verdíssimos prados, A pastar o gado da nossa fantasia, De beijos, abraços e mais pecados. E assim, lá íamos amantes babados, Por entre folhagens e flores silvestres, Almas puras, anjos sem pecados, A não ser os fatais, dos terrestres. Tudo era céu e luz brilhando, Em piruetas de paixão vivida, No colar de dois corpos, amando. Oh, mas que cruel sina de vida! A nossa, galo e galinha pastando, Sem dentes para erva ressequida. (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 19-08-2022)”

⁠ÁGUA NOSSA Água nossa, que estás na terra, Vivificado seja o teu nome,
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⁠ÁGUA NOSSA Água nossa, que estás na terra, Vivificado seja o teu nome, Venha a nós o teu manancial, Seja feita a nossa vontade Assim sempre neste mal. A água pão de cada dia nos dai hoje. Perdoa-nos os crimes cometidos Contra a natureza-mãe, Que nós não sabemos perdoar Aos ofendidos; Nunca nos deixes sem uma gota Que seja do teu bem. ............................................ E o povo rezava e o mundo orava Aos deuses da água... Mas a água não não veio. Voltou o povo a rezar e o mundo a orar Às luas das águas... Mas as águas fugiram. Então, o povo e o mundo não rezou mais! Vieram todos e choraram, Carpiram ao mesmo tempo Em louco lamento... Depois, a terra seca Ficou inundada de água Das lágrimas caídas Vertidas Pelo povo infecundo E pelo mundo. Amém! (Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 16-08-2022)

⁠TENTAÇÃO Enfeitava-se de lantejoulas E vestia uma espécie de ceroulas
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⁠TENTAÇÃO Enfeitava-se de lantejoulas E vestia uma espécie de ceroulas Sobre um corpo muito moreno Pequeno, Quase ao chocolate negro, De púbis atena Com cheiros de açucena Muito farfalhuda Negra, barbuda Como as do pirata Primata Dos sete mares Sentidos Mas não percorridos. Nestes meus invividos Ares Altares Sem fé de sentir O doce do fruto maduro Sem ser só pão duro Neste mundo inexplicável Por tanto inextricável Do que foi E do que está para vir Como um boi Puxa a carroça da troça Doente, por não poder fugir. E a pequena esfinge Egipciana Era uma mulher que finge Estar comigo na cama Da ilusão, Apenas, cruel tentação! (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 10-08-2022)

⁠CIGARROS QUE NÃO FUMO Antes de sair de casa eu disse e redisse: Até logo, eu volto já
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⁠CIGARROS QUE NÃO FUMO Antes de sair de casa eu disse e redisse: Até logo, eu volto já Ao meu lar, Vou só ali ao quiosque comprar Cigarros, Escarros, De grumo Que não fumo. E fui ao quiosque da esquina Do meu esquinal E, não me levem a mal: Foi aí que encontrei E desejei Uma mulher pequenina A vaguear no seu andar sem rumo, Junto ao quiosque do meu fumo, Que ficava naquela esquina. Intestina Da minha esfumada sina Que já foi de nicotina, Mas ao conhecer a pequenina Deixei tão amarga amarra O fumo, ao som de uma guitarra. Farra, Louca por amar E nunca, Nunca Mais voltei ao meu lar... (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 05-08-2022)

⁠⁠DORME MINH'ALMA Que felicidade, que maldita sorte! Conseguir que a minha durma!
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⁠⁠DORME MINH'ALMA Que felicidade, que maldita sorte! Conseguir que a minha durma! Mesmo sem ser já na morte Nem nas vésperas da soturna! Dorme, minha alma, dorme Em teus lençóis, tão tranquila Enquanto descansa a fome, Da minha miséria sibila. Ó, forças da natureza, Deixai minh'alma dormir Em silêncio e singeleza, Na incerteza do que há de vir... Lá, pelas encostas da vida, Naquelas montanhas de calma, Eu peço, eu rogo à gente dormida, Que deixem dormir a minh'alma! (Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 02-08-2022)

⁠C O N S T R U O Construo. Pontes e açudes,
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⁠C O N S T R U O Construo. Pontes e açudes, Casas e palheiras, Amizades rudes, Pipas de almudes, Sem vinho de levar À construção Das bebedeiras Por embebedar. Na singular Imaginação De tantas asneiras E maluqueiras Ainda por contar Nestas construções Sem alicerces de raiz, Nem tetos, Só ilusões Como a vida Que não chega a netos, Sem bons arquitetos. Num desabafo, eu digo: Gosto mais de construir O meu dia sereninho Como um passarito Bonito, Constrói também o seu ninho Com os fios do chão Que a natureza dá de mão, A cada pobre irmão. (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 01-08-2022)

⁠QUANDO O MALABARISTA É TAMBÉM MANIPULADOR Nasceu na ralé dos seres impuros Fruto de sexos inseguros
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⁠QUANDO O MALABARISTA É TAMBÉM MANIPULADOR Nasceu na ralé dos seres impuros Fruto de sexos inseguros De sífilis que atacavam a esmo Mesmo Quando procriavam No cio que inventavam. Mostrava cabeladura farta Escondendo nos entrefolhos Rimas e rimas de piolhos À conquista da cidade Que não era dele na idade Nem na pureza das raças Das couraças Da verdade tripeira Por inteira. Tocava, diz com nostalgia, Em conjunto de esfolar ao bicho Nas guitarras e batuques do prolixo Que vozes, de verdade não havia! Hoje, um dos tantos vadios, Homem sem caráter e de palavra falsa, Arranjou uma senhora de brios E faz relação com ela, como se fosse valsa Dançada ao som da vaca fria. É um malabarista Que se diz artista De manipulador, Esterco, o estupor. (Carlos De Castro, in Praia dos Pescadores, em 31.07.2022)

O FLAMENCO DA POVEIRA ⁠Como ela dançava e cantava o flamenco Nas praças da minha infância,
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O FLAMENCO DA POVEIRA ⁠Como ela dançava e cantava o flamenco Nas praças da minha infância, À compita com Juvenço Moço tropa de bota alta Tipo peralta, Mas homem sem substância. Rodopiava louca E batia em sincronia O tacão Dos sapatos da ilusão E cantava com voz rouca, Já com energia pouca, Nos tempos de servidão. Emília, a ti Poveira, Mulher de raça Sem trapaça E dos copos Só, sem tremoços, Que a esmola não dava trocos Para mais que o copito Absorvido Engolido De súpeto Feito ímpeto Na garganta ressequida, Ferida, Naquela tarde de esfolar o pito. (Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 30-07-2022)

⁠PRAGAS E MAUS OLHADOS Rude destino Este que só me deixou
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⁠PRAGAS E MAUS OLHADOS Rude destino Este que só me deixou Desde menino Ser o que sou Sem ser o que queria: Ator de ganha pão, Cantor, Escritor, Poeta maldito, Sonhador proscrito, Padre, Frade, Na madre Mãe do meu grito. Maldito destino, Espírito atroz, Sem letra nem hino, Demoníaco, Algoz, Cardíaco! Maldita praga Aziaga, Me rogaram! Aterrador olhar me deitaram Logo à nascença, Ou talvez até quando espreitaram A barriga de minha mãe, Quando como uma prensa Começou a inchar A crescer, A medrar... (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 28-07-2022)

⁠INCOMPATIBILIDADES Pareciam dois namorados Apaixonados
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⁠INCOMPATIBILIDADES Pareciam dois namorados Apaixonados Mas irrascíveis no fundo, Temíveis no seu mundo. Ele, chamava por ela E ela, Não respondia Nem de noite nem de dia. Depois ela, traiçoeira, Chamava por ele na ciumeira De o ver noutros braços Madraços Gaudérios De mistérios Vagabundos Dos submundos E ele não respondia Nem de noite nem de dia. E o romance Por ser só rimance Sem mais alcance, Findou. O poeta, ficou sem a poesia E esta, de forma direta Por ser infiel e vadia, Nunca mais viu o poeta. (Carlos De Castro, in Poesia Infinita, em 27-07-2022)

⁠POEMA PARA UM IRMÃO QUE NUNCA TIVE Nasci só para ser só! Tão só
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⁠POEMA PARA UM IRMÃO QUE NUNCA TIVE Nasci só para ser só! Tão só Que quando nasci E a luz vi Disse a minha mãe: Vê se me trazes um irmão, Para podermos jogar ao pião... E os partos dolorosos Sulfurosos De minha mãe, continuaram... Nove anos, após o primeiro passaram Depois do pedido feito A minha mãe, Agora no Além Mas sem efeito A súplica minha, Talvez mesquinha. E então, cá fiquei até agora Sem aurora Neste inverno da vida Que nunca foi vida, não, Sem ti, meu imaginado irmão! Que triste é morrer Sem ter A costela de um irmão Encostada à minha que vive À espera desse irmão Que nunca tive. (Carlos De Castro, in Poesia de Mim Só, em 26-07-2022)

⁠PLENA MADRUGADA No calor tórrido da noite Dos lençóis suados,
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⁠PLENA MADRUGADA No calor tórrido da noite Dos lençóis suados, Eu fujo para o pátio velho Cá fora, em plena madrugada. Ali, eu oiço a cantiga das corujas Rabujas, Vejo as estrelas em rodopios Bailando para todos os lados, No reluzir dos pirilampos vadios Prateados e dourados. Aspiro aquele alísio vento Quente mas húmido que refresca O rosto que arde num tormento De quentura E formatura Vampiresca. A manhã, apanhou-me a dormir Na velha cadeira Muito usada e costumeira, Minha confidente de anos De tantos enganos. Meu Deus, como é bom fugir Aos lençóis do calor dantesco Meter os pés ao caminho E de mansinho, Pela calada vir Apanhar o fresco, Cá fora, em plena madrugada. (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 20-07-2022)

⁠CHORO CONVULSO Velhinha casinha, meu ninho E chão do meu pão,
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⁠CHORO CONVULSO Velhinha casinha, meu ninho E chão do meu pão, Hoje, somente uma visão. Ai, aquela chorosa ramada Fresquinha E também velhinha, Onde à sombra minha avó catava Os meus piolhos da miséria Nos verões de canícula séria E depois, adormecíamos os dois De barriga tão vazia Como quem cava nas hortas O silêncio das horas mortas. Hoje, nem telhados e paredes Ou janelas, nem sequer portas... A vida, é um circo de redes E trapézios tão fatais Onde há luzes e sons e ais, Mas quando morrem os mortais Morre tudo como vedes, Levados num remoinho Como a velhinha casinha, meu ninho. (Carlos De Castro, In Poesia Do Meu Chorar, em 21-07-2022)