Pular para o conteúdo

Frase de Carlos de Castro

⁠CIGARROS QUE NÃO FUMO Antes de sair de casa eu disse e redisse: Até logo, eu volto já Ao meu lar, Vou só ali ao quiosque comprar Cigarros, Escarros, De grumo Que não fumo. E fui ao quiosque da esquina Do meu esquinal E, não me levem a mal: Foi aí que encontrei E desejei Uma mulher pequenina A vaguear no seu andar sem rumo, Junto ao quiosque do meu fumo, Que ficava naquela esquina. Intestina Da minha esfumada sina Que já foi de nicotina, Mas ao conhecer a pequenina Deixei tão amarga amarra O fumo, ao som de uma guitarra. Farra, Louca por amar E nunca, Nunca Mais voltei ao meu lar... (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 05-08-2022)

Carlos de Castro

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Carlos de Castro

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
Continuar lendo

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
Continuar lendo

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)