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Frase de Carlos de Castro

⁠TENTAÇÃO Enfeitava-se de lantejoulas E vestia uma espécie de ceroulas Sobre um corpo muito moreno Pequeno, Quase ao chocolate negro, De púbis atena Com cheiros de açucena Muito farfalhuda Negra, barbuda Como as do pirata Primata Dos sete mares Sentidos Mas não percorridos. Nestes meus invividos Ares Altares Sem fé de sentir O doce do fruto maduro Sem ser só pão duro Neste mundo inexplicável Por tanto inextricável Do que foi E do que está para vir Como um boi Puxa a carroça da troça Doente, por não poder fugir. E a pequena esfinge Egipciana Era uma mulher que finge Estar comigo na cama Da ilusão, Apenas, cruel tentação! (Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 10-08-2022)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)