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Frases de Carina Gameiro

19 frases

Vivo de encantamentos simples: um sopro de vento, um pôr do sol, uma vontade bonita de ser feliz.
O Sertão Dentro de Mim O sertão que eu trago não tá no mapa
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O Sertão Dentro de Mim O sertão que eu trago não tá no mapa ele mora em mim nas partes em que a palavra não cabe onde o silêncio diz sim Tem dia que sou chão rachado pedra dura pó e calor onde a lágrima não escorre mas queima o peito e a dor Mas foi na seca que eu vi brotar meu fio d’água escondido milagre pequeno e teimoso me mantendo vivo Já tive sede de afeto sede de mim de abrigo mas aprendi com o deserto que a falta também é amigo O sertão que vive em mim é duro mas quer crescer porque o amor que nasce da dor ninguém mais pode deter. Carina Gameiro

Anatômico A vida que se faz entre os ventrículos urgência silenciosa
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Anatômico A vida que se faz entre os ventrículos urgência silenciosa um motor cego, engenharia bruta sem licença, transmuta o mundo sem sossego Houve o silêncio, o quase, o não querer, a porta estreita o sopro hesitou mas o sangue, rio teimoso no dever, insiste, insiste em canais apertados encontra caminho Milagre pesado, sem seda, sem ornamento batida seca contra a grade das costelas uma aposta alta onde a alma não cede, não cede, e acende no escuro as próprias velas O átrio recebe o medo, o ventrículo devolve vida, gramática de carne indizível Pela fresta da pálpebra a dor cedeu e o soco do peito bate, bate, bate até fabricar luz. Carina Gameiro

E se... E se poeta eu não fosse,
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E se... E se poeta eu não fosse, me amaria mesmo assim? E se eu chegasse sem palavra alguma, só um silêncio imperfeito? E se em mim houvesse apenas essa feiura feita rachadura? Ainda assim me tocaria onde sou imperfeita? Carina Gameiro

O Desfile dos Meus Eus Sou o intervalo entre o que quero e o que sou, o lugar onde meus eus se encontram
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O Desfile dos Meus Eus Sou o intervalo entre o que quero e o que sou, o lugar onde meus eus se encontram sem se reconhecer. Cada um traz no rosto aquilo que o outro deixou, e nenhum sabe ao certo quem veio primeiro a ser. Passa por mim um que se julga corajoso, logo atrás, vem o que chora na penumbra. Um inventa certezas com ar cuidadoso, enquanto o outro desfaz tudo aquilo que inventa. Eu os observo, ou eles me observam? Já não sei quem conduz esta procissão. Talvez sejam meus os passos que me movem, talvez eu seja apenas mais uma na multidão. Quantos sou eu neste instante exato? Quem pensa aquilo que agora escrevo? Sou o autor, o personagem ou o ato? Sou o que sinto ou aquilo que concebo? Há em mim quem sonhe sem nunca ter vivido, quem viva sem jamais saber que sonha. Quem escreva para encontrar o próprio sentido e quem se perca justamente quando o encontra. Canso-me de assistir à minha própria passagem, espectadora de uma comédia sem enredo. Procuro um rosto inteiro atrás da personagem, mas só encontro estilhaços, máscaras e medo. Nunca ser somente um, talvez seja esse o dilema: ser o que parte, o que fica e o que quebra. Carregar dentro do peito mais de um e ainda perguntar: qual deles sou eu, afinal? Se me procuro no espelho, não vejo nada. Nenhuma certeza permanece ali. Vejo apenas a multidão que me habita calada, e, no meio dela, alguém que escreve por mim. Carina Gameiro

FRIDA, FOGO E CARNE por Carina Gameiro Frida não pediu permissão.
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FRIDA, FOGO E CARNE por Carina Gameiro Frida não pediu permissão. Fez da dor um estúdio, do sangue um pincel, e da alma, uma obra-prima. Ela não amou leve. Amou até quebrar os ossos, até confundir amor e abismo, até se tornar a própria pintura viva. Chamaram de intensa, mas era apenas verdade demais para caber em molduras pequenas. Frida era o grito que o mundo engoliu. A flor que cresceu sob escombros. O espelho que não mentia, e por isso, revelava. Ela não teve medo de ser humana, nem de ser divina. Fez do corpo o altar e a ferida, do amor a ruína e o renascimento. Frida era mulher antes de ser mito. Era fogo, era carne, era cor. E ainda hoje, quando o medo tenta me domesticar, eu escuto sua voz rasgando o ar: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?”

Odisseia Terrestre e Sagrada Minha odisseia é terrestre e sagrada. Sou apenas uma pequena entre as Evas,
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Odisseia Terrestre e Sagrada Minha odisseia é terrestre e sagrada. Sou apenas uma pequena entre as Evas, aprendendo a florescer meu próprio jardim. Recolho do barro a parte de mim que o tempo julgou indigna. Sob as unhas, a terra guarda a divindade. Toda flor nasce depois de uma longa conversa entre a raiz e a escuridão. Não temo o inverno. Se trago cicatrizes, que sejam sulcos. É neles que a primavera encontra morada. Carina Gameiro

Eu brindo. Sou muito além do que se vê. Quem me olha na superfície julga ver apenas uma silhueta frágil na correnteza, mas há uma doçura secreta em flutuar. Minha leveza não é fraqueza, é o jeitinho manso que encontrei de carregar minhas tristezas e incertezas. Não tente me decif…
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Eu brindo. Sou muito além do que se vê. Quem me olha na superfície julga ver apenas uma silhueta frágil na correnteza, mas há uma doçura secreta em flutuar. Minha leveza não é fraqueza, é o jeitinho manso que encontrei de carregar minhas tristezas e incertezas. Não tente me decifrar; apenas sinta a essência da vida que me move. Sou um mistério que não quer assustar, mas sim abraçar quem também tem coragem de mergulhar no profundo.

SOBRE AS ÁGUAS Dizem frágil o que flutua, Julgam casca o que é raiz.
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SOBRE AS ÁGUAS Dizem frágil o que flutua, Julgam casca o que é raiz. Mas a água que me embala Sabe bem o que eu fiz. Lavo as dores nas correntezas, Sem pressa de me encontrar. Minha leveza é o manto Que escolhi para me guiar. Não me decifre pelo traço, Nem me limite ao olhar. Sou o mistério que acolhe Quem tem coragem de mergulhar. Doce segredo, Manso jeito de existir. Quem vê apenas a superfície Não me vê expandir. Porque o rio que me atravessa Já não corre como ontem. Levo mundos sob as águas Que nem todos podem ver. Carina Gameiro