Pular para o conteúdo

Frase de Carina Gameiro

SOBRE AS ÁGUAS Dizem frágil o que flutua, Julgam casca o que é raiz. Mas a água que me embala Sabe bem o que eu fiz. Lavo as dores nas correntezas, Sem pressa de me encontrar. Minha leveza é o manto Que escolhi para me guiar. Não me decifre pelo traço, Nem me limite ao olhar. Sou o mistério que acolhe Quem tem coragem de mergulhar. Doce segredo, Manso jeito de existir. Quem vê apenas a superfície Não me vê expandir. Porque o rio que me atravessa Já não corre como ontem. Levo mundos sob as águas Que nem todos podem ver. Carina Gameiro

Carina Gameiro

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Carina Gameiro

Vivo de encantamentos simples: um sopro de vento, um pôr do sol, uma vontade bonita de ser feliz.
O Sertão Dentro de Mim O sertão que eu trago não tá no mapa
Continuar lendo

O Sertão Dentro de Mim O sertão que eu trago não tá no mapa ele mora em mim nas partes em que a palavra não cabe onde o silêncio diz sim Tem dia que sou chão rachado pedra dura pó e calor onde a lágrima não escorre mas queima o peito e a dor Mas foi na seca que eu vi brotar meu fio d’água escondido milagre pequeno e teimoso me mantendo vivo Já tive sede de afeto sede de mim de abrigo mas aprendi com o deserto que a falta também é amigo O sertão que vive em mim é duro mas quer crescer porque o amor que nasce da dor ninguém mais pode deter. Carina Gameiro

Anatômico A vida que se faz entre os ventrículos urgência silenciosa
Continuar lendo

Anatômico A vida que se faz entre os ventrículos urgência silenciosa um motor cego, engenharia bruta sem licença, transmuta o mundo sem sossego Houve o silêncio, o quase, o não querer, a porta estreita o sopro hesitou mas o sangue, rio teimoso no dever, insiste, insiste em canais apertados encontra caminho Milagre pesado, sem seda, sem ornamento batida seca contra a grade das costelas uma aposta alta onde a alma não cede, não cede, e acende no escuro as próprias velas O átrio recebe o medo, o ventrículo devolve vida, gramática de carne indizível Pela fresta da pálpebra a dor cedeu e o soco do peito bate, bate, bate até fabricar luz. Carina Gameiro